Amizade X interesse


Seja no blog, no orkut, msn ou apenas e-mail, acabei sempre nestes dois últimos anos conhecendo muitas pessoas envolvidas com egípcios, tentei sanar dúvidas, tentei ser legal, mas também já fui muito chata. Depende do meu humor, das experiências que vou ganhando e da forma como vou sendo tratada ao longo do tempo.

Meu marido sempre me dizia para não perder tempo com a vida de outras pessoas, porque no fim mal as pessoas agradeciam se eu ia atrás de alguma informação ou perdia horas ouvindo uma história ou contando a minha. Estamos falando de casamento, de sentimentos, e nenhuma história é igual a outra, por isso eu não posso ser exemplo para ninguém.

Mas eu sei o que é estar apaixonada desta forma, amar alguém tão longe e arriscar tudo por esse amor. Para mim deu certo, para outras não dá. E muitas jogam por vezes as frustações delas em cima de mim, pois fui eu que, no fundo, as estimulei. Acho que informação é sempre bom, sou aberta tanto para falar bem dos egípcios quanto também alertar. Não acredito que os casos que não dão certo sejam apenas porque os egípcios são safados, mas também porque as brasileiras são muitas vezes ingênuas demais, e não escutam quando a gente diz algo que pode impedir um impulso de ir para lá e buscar o amado.

Eu fiz isso, larguei tudo e fui para o Egito, sim. Mas tive minhas precauções, meu modo de entender a cultura deles e também perceber até que ponto eu vivia uma história séria ou não. Eu não estou falando só de mim quando eu digo que a família dele precisa estar envolvida, que casar com uma mulher mais velha ou divorciada não é comum lá. Não não meus preconceitos, mas é a realidade. A gente não precisa concordar com a realidade, mas saber lidar com ela e também aprender quando o mais certo é tirar o corpo fora, mesmo que fique a  ferida de uma paixão.

Quantas meninas já conversei desde o começo? Desde a minha amiga doida que marcou até a passagem comigo e nos encontramos no Cairo, mas que hoje está longe de ser minha companheira, até pessoas que eu pensava que não teria nenhuma amizade, mas hoje estão mais próximas do que nunca e nem são mais casadas com um egípcio. Procurei compartilhar todos os tipo de dúvidas e dores, além das alegrias, claro. Mas as amizades são como uma tora boiando rio abaixo, a gente nunca sabe onde ela vai parar, e se um dia ela vai parar em algum lugar.

Teve gente que passei muitas horas dando conselhos, e no fim porque a história não deu certa e tudo o que eu alertava era verdade, passou a falar mal de mim e a julgar minha vida (até sobre minha religiosidade tem gente que tem coragem de comentar pelas costas, pode?). Já outras preferiram se afastar por vontade de esquecer tudo que tem a ver com o Egito, e me deixaram uma marca profunda por não poder compartilhar mais com elas até mesmo a frustação de não ter dado certo, somente porque as lembro do fracasso delas.

Não queria ser lembrada por um fracasso ou sucesso, mas pelo tempo que despendi tentando criar laços, buscando dar explicações, indo atrás… Não sou um dicionário sobre o Egito, que a pessoa lê, lê e depois, como não deu certo, deixa largado no fundo da estante. Não sou uma página na internet que automaticamente posta coisas sobre o Egito e que, já que você casou e resolveu seus problemas, ou não, que teve muitos problemas e não quer mais saber, pode ser deletada.  Sou uma pessoa, com boas e más características, como qualquer outra. E tenho coração, sentimentos, e tento fazer bem ao próximo. Por isso, se alguém quiser falar comigo daqui por diante, que venha por menos interesse amoroso e mais por amizade, porque cansei de ser apenas um guia para o casamento com egípcio e ficar só servindo de modelo para algo que não tem modelo.

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Publicado em março 17, 2009, em No Brasil e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 16 Comentários.

  1. Aêêê, muito bom, Marina!

    Olha, de minha parte, vc pode ter certeza que eu te considero uma amiga de verdade, mesmo pq não tenho nenhuma história com egípcio! Gosto de ler diariamente teu blog pq te admiro muito e vc escreve muita coisa legal e interessante!

    Não liga pras invejosas não! Muita gente que deu errado com indiano (o que é praticamente certo de acontecer em 90% dos casos!) acabou me criticando, falando mal de mim, e eu preferi mesmo me afastar! Outras, mesmo com histórias tristes com indianos, viraram minhas grandes amigas!

    Sempre vai ter algum olho-grande urubuzando nossa felicidade, o jeito é tocar a vida e deixar esse povo de lado!

    Beijos!

  2. MARINA …
    JÁ MENCIONEI ANTERIORMENTE QUE ADMIRO SEU BLOG, E NÃO PUDE DEIXAR DE COMENTAR DIANTE DESTE POST (AMIZADE X INTERESSE).
    ACHO QUE NESTA VIDA UMA DAS COISAS MAIS DIFÍCEIS DE SE FAZER É SE DEFENDER DE ALGO QUE VOCÊ SEJA ACUSADO E QUE VOCÊ DE FATO NÃO COMETEU OU NÃO FOI SUA INTENÇÃO FAZER.
    NÃO ADIANTA MARINA, AS PESSOAS SÃO ASSIM, É DA NATUREZA HUMANA.
    CABE A NÓS SERMOS MAIS RACIONAIS, PARARMOS, PENSARMOS DE UM MODO MAIS ABRANGENTE E TENTARMOS NOS COLOCAR SÓ UM POUQUINHO NO LUGAR DO OUTRO.
    EU COSTUMO DIZER QUE QUANDO AS PESSOAS CONSEGUIREM PERCEBER QUE NO MUNDO NADA GIRA EM TORNO DE SEU PRÓPRIO UMBIGO ELAS SE TORNARÃO MELHORES PESSOAS, MÃES, PAIS, AMIGOS, FILHOS, POIS PODERÃO SER TOCADAS POR SENTIMENTOS REAIS, COMO SOLIDARIEDADE, AMIZADE, AMOR.
    UM ABRAÇO, ESPERO QUE TENHA ME ENTENDIDO…RSRSRS
    OLIVIA

  3. OI Marina! Já passei por isso algumas vezes e posso imaginar como você se sente. Talvez por isso agora eu seja tão desconfiada. E ao mesmo tempo fico a me policiar achando que possa estar chateando outra pessoa.
    Espero que continues escrevendo. Adoro seu jeito de escrever independente se o assunto tem por fundo o Egito ou não, pois é a maneira que você expõe suas idéias que nos cativa.

    Bjinhos

    :-*

  4. Eu não tenho interesse em nenhum egípcio, mas acho super válido o seu tópico. Via de regra, o que vale para um nem sempre vale para outro, e colocar sobre os outros a resposabilidades das nossas escolhas, e nossos erros, é uma maeneira mais fácil, porém covarde, de admitir que erramos.
    Suas dicas são sempre muito válidas e que as pessoas possam saber utilizadas da melhor maneira possível, caso o ontrário, podemos conversar sobre receitas da culinária egípcia.

  5. Oi Marina nao esquente com pessoas que fazem isso..Eu nunca me relacionei com Egpcio e adoro suas historias….acredito que virtualmente os problemas sao os mesmos independente de ser egpcio ou nao..O grande problema eh que as pessoas nao escutam e quebram a cara..as que tratam vc assim eh porque vc nao diz o que elas querem ouvir…continue escrevendo seu blog…eh muito esclarecedor..
    Beijao

  6. Marina,

    eu já te perguntei várias coisas, mas gostaria de deixar claro que foi mais por admiração pela pessoa esclarecida que você parece ser do que por parecer um dicionário.
    Eu imagino realmente como deve ser chato, ser toda hora abordada por apaixonadas…
    Mas você é muito mais do que a esposa de um egípcio, vc escreve muitíssimo bem e nos envolve com suas histórias…
    Na verdade, no meu caso, fora as coisas que vc escreve no blog, tenho curiosidade sobre o Islã e não pelo egípcio em si…
    Na minha cidade não tem mesquita e gostaria de conhecer mais da religião fora as coisas que leio, e conhecer uma mulher muçulmana é a melhor forma.
    Por favor não se sinta usada, saiba que todos os dias faço uma oração por vc e sua família e para que você tenha sempre força de escrever lindamente como vc faz.
    Beijos
    Magda

  7. Marina,
    Não se veja como um dicionário de casamento egípcio.Nunca a vi assim. É claro que a sua experiencia serve como parâmetros para todas que tiveram ou teram a mesma experiência. Se veja como uma chama que acende uma fogueira. Alguns gravetos queimam, outros não. Mas nem por isto deixa de ser uma fogueira. Alguns gravetos não queimam por estarem verdes outros molhados. Mas a chama esta alí, fez o que se propôs fazer, uma fogueira para iluminar. E quanto algumas pessoas sumirem… Algumas pessoas são como estação em nossas vidas, vêm e se vão. Outras são como arvores dão frutos e nos oferecem o ombro amigo como uma sombra para descansar. A sua existência e a sua história é mais relevante do que pensa. As pessoas não te vêem como um dicionário, mas a sua postura é como se fosse uma forma de aspirar cada uma destas mulheres agirem coerente como você agiu.Te admiro muito e agradeço a cada dúvida que esclarece.
    Salam
    Beijos

  8. Eu a procurei por conta daquele libanês “fdp”… mas é impossível não se tornar fá da bonita história que deu origem a esse blog e do quanto a autora dele é uma pessoa bonita e muitíssimo admirável por sua coragem e determinação!

    Pra mim vc n é um manual de instruções sobre como “fisgar um egípcio” e sim, uma pessoa esclarecida que escreve sobre outra cultura, sobretudo, vc escreve com o coração o que nos encanta a cada post!

    Infelizmente o mundo tá tomado pelo individualismo, estimula-o a adotar uma postura individualista, mas graças à Deus, existem pessoas bem intecionadas e generosas como a Marina!E tenha certeza que vc será recompensanda pela generosidade e sinceridade.

    Lamento não ter mais tempo pra conversar com vc no msn pq o estágio e a faculdades estão me deixando louca!

  9. Oi, Marina! Não se sinta usada e descartada, por favor. Vc e seu esposo são maravilhosos, em dividir suas experiências com tantas pessoas anôminas e gratas. Esqueça, outras tantas ingratas e passageiras. Adoro a objetividade do seu blog; também acompanho outros blogs de brasileiras em Seul, Barcelona, Londres e Estados Unidos. São vivências tão ricas e especiais, como a de vcs. Obrgd e bjs no coração.

  10. Olá Marina.
    Concordo e assino por baixo tudo o que as outras meninas disseram.
    Gosto muito do teu blog porque fala sobre outro país e religião, e eu adoro esses temas. Gosto do teu blog porque conta uma história de amor (ok, eu não tenho senha para ler os post que contam essa história infelizmente, mas o que dá para ler eu já li). Gosto do teu blog porque escreves de uma forma que nos prende.
    Quanto ao resto…sabes como é, o bem que fazemos fica conosco.
    Continua por aqui…nós queremos-te!!
    Pode ser, pode??
    😉 Beijos!!

  11. Oi minha cupida flor!!!! Que aconteceu? Que te fizeram para te sentires tão triste e chateada assim? Eu devo tudo o que conheço e o que tenho a ti. Independente de que rumo tome a minha história, quero muito te conhecer pessoalmente um dia e sempre que for possível fazer parte da tua vida. Não te considero mais uma só amiga, mas alguém que só quis o meu bem e me deu um benhe … entendeu a piadinha … hehehe
    Minha flor, não desanima não e nem deixa de escrever!!! Amo ler tudo que escreves, tenho estado ausente nos comentários (preguiça pura) mas leio diariamente tudinho!
    bosa and shake hands … hehehe
    ps.: ahhhhh não sei como funciona a validação do casamento aqui, mas sabes que vocês já são nossos padrinhos (se vocês aceitarem é claro!)

  12. Queria deixar minha impressão sobre o que lí aqui, quando procurava informações sobre o Egito, pois que recebí uma proposta para trabalhar em um Projeto no Cairo. Acabei aqui e queria dar os meus sinceros parabéns à autora pelas informações que ela presta, sem nada cobrar de ninguém e, certamente, que o mínimo que ela merece são aplausos e respeito. Hoje em dia, infelizmente, as pessoas não parecem interessadas e compartilhar as suas experiência sem que, em troca, receba algo ou ainda para obter vanatagens quaisquer por expor a sua “cultura”.
    Muito legal ! Parabéns, seja feliz e continue sendo essa pessoa que é. Certamente que o material que publica, fará muito bem a muitas pessoas como me foi útil, embora não esteja pretendendo ir para o Egito para me “casar” !
    Fique com Deus !

  13. Olá, Mariana

    Essa é a minha primeira vez no seu blog. Confesso que o que me vez acessá-lo é uma grande curiosidade pelo Egito em função de alguém que mora lá. Gostei muito desse seu “desabafo”, você se mostra bastante verdadeira e transparente. Não fique brava comigo por estar aqui por “interesse”, mas espero profundamente que… Inch Allah… possamos nos chamar um dia de “amigas”. Um abraço para ti. BKjs

  14. Nossa! Que ridiculo e infantil as pessoas encarar os seus conselhos e disponibilidade em ajudar.Estou lendo seu blog a horas porque procurei pelo de uma brasileira casada com um indiano.Naõ pretendo ficar alugando ela não..Mas vou lendo e me tocando de algumas coisas antes de me deixar levar por uma coisa assim.
    Guardei teu link,baby!
    Deus abençoe!

  15. Halima Bin El Zaitun

    Assalam waleykum Ma…

    Nao vou negar que eu e o Mussa ficamos muito preocupados quando vc apareceu la na Liga dizendo que ia atras de um amor aqui no Egito.

    Alhamdollillah tudo deu certo, alias super certo!
    Parabens pra vcs, sejam sempre muito felizes, inshallah!

  16. Olá novamente Marina! Hoje estou entretida e já é o segundo comment que te deixo, mas tinha que comentar, pois compreendo perfeitamente o que sentes pois tenho passado pelo mesmo também, mesmo assim não mudo, não me vergam. Claro que já aconselho as pessoas com mais cuidado, mas não deixo de ajudar, de apoiar, explicando sempre que as experiências e as pessoas não são iguais e isso pode fazer toda a diferença. Estás a fazer um trabalho maravilhoso juntamente com o teu marido e tenho a certeza de que já evitaste grandes catástrofes. Se as pessoas caem é porque não têm cabeça e não acredito nessa da ingenuidade. Tal como tu vim muito jovem e digamos também ingénua para o Cairo, mas tive quase dois anos a preparar-me mentalmente para uma mudança que soube desde sempre seria radical e só pessoalmente ao lado dele saberia se ia conseguir ou não.E acho que só memso assim sabemos se dá ou não, independentemente da religião, país ou cultura;a parte humana tem que ser compatível, senão não funciona. Todos os conselhos, ajuda ou apoio que puderes dar a algumas jovens mais inconsequentes ou mesmo pouco conscientes do que estão a fazer podem fazer a diferença. Não deixes de fazer o que tens feito preocupando-te com comentários estúpidos. As pessoas “sabem bem o que fizeram” e até que ponto te “usaram”. Se erraram, minha querida podes ter a certeza de que a culpa não foi tua, muito pelo contrário, tenho a certeza de que tentaste ao máximo ajudar no que podias… Nunca te repreendas pelo bem que fazes aos outros. Cada vez gosto mais e me identifico contigo pela similaridade das nossas histórias, até mesmo pela tua personalidade e acções tanto no Egipto como no teu país com tudo e todos tão semelhante às minhas e acho que devemos ter a mesma idade.hehe.é verdade que estás a escrever um livro?é sobre a vossa história? Fiquei curiosa pois começei a escrever há pouco tempo.
    Parabéns Marina(Mabrouk habibty!)
    Salaaam

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