História de amor no Brasil


Ela era a menina que jogava basquete na escola. Morena, magrinha e ágil, corria de um lado para o outro com os amigos, estava em todas as festinhas animada. Sorria sempre à toa. Mesmo quando a vida não estava tão fácil assim, quando aos 12 anos praticamente se tornou mãe do irmãozinho temporão que acabara de nascer, a menina carregava a felicidade dentro de si. Ela era esperta, mas não gostava de se afundar nos livros. Mudou de cidade várias vezes, mas nunca sofreu com isso, pois em questão de dias já estava rodeada de novos amigos.

Já ele nunca teve uma infância considerada normal. Idas e vindas nos hospitais o cansavam, mas ele não deixou se abater por conta disso. Era sério, gostava de se afundar nos livros e ler brochuras imensas em pleno final de semana. Mesmo assim, era uma criança esperta e tinha seus momentos de peralta também. Nunca foi criado como alguém especial, sua mãe não deixava nem que lhe ajudassem a carregar a mochila de escola, apesar da dificuldade para andar. Quando bebê, ele teve uma doença séria e isso impediu que sua perna esquerda se desenvolvesse bem. Anos de AACD e amor familiar tornaram-no um rapaz capaz de fazer tudo sozinho, mesmo de muletas. Como não corria pela rua como os outros meninos o tempo todo, passou boa parte da vida encontrando felicidade em livros e no estudo, o que foi muito bom para ele no final das contas.

Os dois cresceram, as vidas completamente díspares se cruzaram num momento. Ela virou amiga da prima dele, e sem querer se conheceram numa festinha. Quando os pais dela mudaram de novo de cidade, ela já grandinha não quis sair do colegial que cursava, e a grande amiga ofereceu abrigo por um tempo. E aquele primo não tirava os olhos dela em qualquer ocasião possível. Mas ele era tão diferente dela! Sempre sério, compenetrado, quieto num canto. Ela dançava, pulava e ia de lá para cá.

Recebeu uma carta dele. Era uma declaração de amor! Não sabia mais como olhar para ele, pois nem pensava em algum relacionamento. Pior, estava de namoro com um dos amigos dele. Deixa para lá, a vida segue, um dia ele iria esquecê-la. Mas meses se passaram, e o olhar daquele rapaz forte continuava a seguir seus passos. Cartas vinham, textos longos e cheios de poesia. Ele entrou na melhor universidade de engenharia do país, ela cursava psicologia numa faculdade privada. Até nisso eram totalmente diferentes, ele era racional e metódico, ela preocupada com os sentimentos e espontânea.

Como é que tantas palavras doces podiam ser escritas por aquele rapaz, enquanto pessoalmente ele parecia tão superior e longe dos devaneios? Mas ela lia todas as cartas ansiosa. Não sabia por que, mas esperava sempre pela próxima. E ela sempre vinha. Chegou a ficar com medo de um dia ele se cansar. Quando se olhou no espelho aquele dia, passados dois anos, percebeu que sua mente o tinha guardado com carinho. Sorriu para si mesma e aceitou  finalmente um convite para sair com ele.

Foram assistir a um jogo de basquete no Ipirapuera. A multidão gritava e aplaudia, ressoando no coração acelerado dela. Ele sentiu que aquele era o dia em que seu grande amor fora conquistado. Segurou para que uma lágrima não escorresse, tinha de manter a postura firme de sempre. Quando o time fez um ponto, tocou suavemente na mão dela. E tudo que sempre sonhou se concretizou.

Na volta para casa, ela já sabia que estava apaixonada. Não sabia como aquilo podia estar acontecendo, depois de tanto tempo de negação. A noite terminou com um beijo rápido, na porta de casa. Foi o suficiente para uma noite mal dormida e expectativa por todo um futuro juntos.

Namoraram um ano, noivaram outro. Casaram-se na cidade da família dela, naquele interior de Minas. Depois de dois anos, nascia a primeira filha, Marina, a prova final de que para o amor as diferenças não existem. Logo em seguida, em menos de um ano, chegou a Eugenia, de nome forte escolhido por ele. Por fim, o menininho de olhos verdes brilhantes, Luiz Augusto.

E estiveram juntos por todo esse tempo, 28 anos de mãos dadas. Seja quando ela precisou de um guia para sua vida, ou quando ele necessitou de ajuda para andar. Tão diferentes, ela continua meiga e de bom humor, enquanto ele fecha cara a maior parte do tempo. É o jeito de cada um, complementares em tudo. Ainda dizem eu te amo todos os dias e dão beijinhos de boa noite. Apesar de a vida ter mudado bastante, desafios e lutas impensáveis terem sido travadas, o sentimento que os uniu continua forte como naquele primeiro dia.

E é esse o milagre do amor, de unir o impensável, de por lado a lado até mesmos as maiores distâncias.

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Publicado em maio 29, 2009, em No Brasil e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Olá!
    E por acaso a menina Marina seria você?
    Que estória de amor mais linda, e contada lindamente…Como estou muito sensível hoje, claro que estou chorando…
    Ai, ai…

  2. Assim não vale, Marina!! Eu já ando tão sentimental e chorona. E vc chega c/ um história destas!! Enquanto me comovo, sinto que nada é impossível qdo duas pessoas determinam ser “nós”(como diz sua sábia mammy). Manda 1 abraço a eles, diga q se estivesse em Sampa não deixaria de prestigiar a missa dos 28 anos da linda união deles. bjs miiil

  3. ai marina que liçao de vida!!! me emocionei! ando tao sentimental e sensivel depois que conheci meu amor! se eu jà acreditava que as difernças existentes entre eu e meu amor nao tinham importancia, agora entao, nem se fala.
    o amor vence todas as barreira e obstàculos.
    bjos linda fique com Deus

  4. Me emocionei.. linda a história!!
    Bjus fica com Deus!!

  5. Tocou meu coração… linda história! 🙂

  6. Nossa,realmente me tocouuuu mesmo!
    Demais!!!!
    Marina,seu blog é viciante,passo aqui todos os dias,e leio atentamente cada post que vc escreve!

    beijãooo

  7. Que lindo Marina!!!!
    Eu já tinha me emocionado com o convite da sua mãe para a missa…achei tão lindo espontâneo…
    Mande um beijo e parabéns para os dois e meus desejos que esses 28 anos se transformem em 56!!!!!!
    bjs
    Magda

  8. mariachiquinha

    Sempre me emociono com histórias de amor. Ainda mais contada com tanta suavidade. Linda mesmo!

    Dia desses eu também contei sobre a história dos meus pais.

    Acho super válido falar dessas histórias, afinal, o que seria das nossas vidas se não fosse o amor na poesia?
    Beijitos!

  9. Olá!
    Querida, estou aqui para agradecer as palavras de consolo e apoio. Muito obrigada, mesmo.
    Tenha um fim de semana abençoado.
    Beijos.

  10. Ahhh Marina!!! Que linda história de amor!
    bjinhos

  11. Marina
    alem de ser uma historia linda, ainda tiveram uma filha linda por dentro e por fora, como vc !!!
    que familia linda a sua
    Parabens
    Mabrouk
    bjsssssssssss

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