Isto é um post sem tema


Tem gente que tem boa memória pra tudo. Eu não, se não escrever eu perco os detalhes. E esse blog nada mais é do que uma grande colcha de memórias do que eu vivi no Egito e do que sinto agora. Pode ser que daqui cinco anos eu leia muita coisa aqui e ache uma grande bobagem. Ou eu veja que tenha mudado de opinião sobre determinado assunto. Assim é a vida, estamos em constante mutação.

Eu sempre gostei de marcar momentos. Quando era menor, eu e meus irmãos fazíamos filmes às vezes, para assistir depois de anos. Naquela época mesmo a gente falava “vamos fazer o filme para quando estivermos velhos darmos risada!”. Foi uma idéia esperta…  assitir às fitas agora  é morrer de rir. O blog é meu sistema moderno de gravação.

Aqui também não sou a Marina que quem me vê pessoalmente conhece. Minhas emoções nem a entonação do que eu falo aqui você está vendo. Tem frases que para você eu posso soar ríspida, enquanto para outro serei meiga. É o problema do computador. Mas amo ele, aqui acho que me escondo enquanto, na verdade, estou é me abrindo demais. Não é à toa que não fico divulgando meu blog pra quem me conhece na vida real. Se alguém que é da família ou do trabalho lê isso aqui, vai tomar um susto. “Marina, é você??? “, seriam perguntas naturais.

Mas não sei porque se surpreendem tanto. Vivo contando minha história em qualquer oportunidade. Posso estar na fila do banco, que se surge um brecha eu falo “ahhh meu marido é egípcio, eu morei lá, e blá blá blá”. No meio de uma entrevista, se o entrevistado falar “nossas exportações também vão para o mundo árabe”, Marina abre o bocão, vocês já imaginam. A-D-O-R-O falar do Egito e do que vivi, não tenho nenhum pingo de receio e acho que é o tipo de coisa que muita gente precisa ouvir.

Sim, pode até parecer antipático da minha parte, mas acho que a maioria das pessoas nunca teria feito o que fiz. E nunca se desafiaria por coisas bem mais simples da vida.  A maioria não apostaria no amor 100%, ficaria na razão. Preferem ser fechados para esse tipo de coisa. E mesmo assim se machucam. Quando falo do que fiz – conversei 4 meses online, casei no dia seguinte que o vi pessoalmente, fui para um país totalmente estranho, me demiti de um bom emprego – não estou falando só de uma história pessoal. Estou falando de desafio, de uma mudança drástica. No dia a dia, tem gente que nem experimenta o sorvete de morango, porque já está tão acostumada com o de chocolate que é melhor não arriscar. Imagina experimentar uma nova vida.

E as pessoas não gostam de mudanças. O que eu fiz chega a soar repulsivo para algumas, de dar dor no coração. “Aii que coragem, você só pode ser louca”, falam. Reclamam, esperneiam e se deprimem. Mas não sabem dar o primeiro passo para a mudança que para elas pode ser muito mais simples do que a minha. É tudo sempre muito arriscado, pouco planejado demais para elas. Sempre acham a “grama do vizinho mais verde”, mas não tem coragem de fazer as mesmas coisas. Claro que a vida é chata e um tédio se você planeja até o que fala com cada pessoa, se não consegue se ver fora da rotina, se acha que se fechar para o amor e ficar sozinho é melhor do que enfrentar as dores de uma relação.

Quantas vezes já não ouvi besteira ao falar da minha história? Às vezes acho que eu deveria ficar mais quieta. Já contei do habiby até pra gente que vocês não poderiam imaginar. Até para secretário do governo brasileiro… e não estou brincando. Só falta o Lula ficar sabendo.

Mas quem fala muito, escuta o que não quer também, às vezes. Uma vez um executivo que me conhece bem falou assim: “Mas Marina, você é tão inteligente… e foi fazer uma coisa dessas?”… o que se responde para um comentário desse? Significa que esta pessoa está totalmente fechada para qualquer coisa que seja diferente do que ela acha certo e que jamais pensou em sair do lugar-comum.

Mas fiquem tranquilas, eu dei uma boa resposta na época e no final a pessoa me contou que tinha um familiar que fez o mesmo, mas por conta de um italiano, e foi bem enganada. É gente, europeu chique também pode ser safado e malandro, apesar de que quando alguém namora um europeu ou americano todo mundo fala “wowww que lindo, maravilha”, mas se é um árabe ou turco “menina, pensa bem, eles batem em mulher e raptam criancinhas”.

Bom, só sei que este post não está falando de nada conexo e tá muito egocêntrico. Desculpem… mas deu vontade de escrever sem um tema específico! Estou fazendo um exercício para descobrir porque faço esse blog, e porque falo tanto disso. No blog eu posto sempre, apesar de às vezes nem ter muito assunto ou achar que o que escrevi não tem graça nenhuma. Mas vejo os comentários, os pontinhos das estatísticas subindo. E penso: se tem tanta gente vindo aqui todo santo dia, é porque de alguma coisa estão gostando. Então eu continuo.

E quero deixar aqui um grande abraço para quem teve coragem de explorar o diferente. Mesmo que no final nem tudo seja rosas e nem todo final seja feliz como o meu, tenho certeza de que a luta valeu a pena.

(tá bom, esse post é mega chato, se vocês não comentarem nem vou ficar triste ehehehe)

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Publicado em julho 22, 2009, em De tudo um pouco... e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 23 Comentários.

  1. Adorei!!! =)
    Na verdade, o que acontece contigo é que vc quer compartilhar com as pessoas um momento, uma situação, uma vida, que te proporciona muita felicidade e quando a gente tá feliz não tem como disfarçar e guardar só para a gente. Ajuda muito o fato de que sua história é interessantíssima, bem longe do lugar comum e eu adooooooooro isso. Não se sinta chata, vc gosta de falar e as pessoas gostam de ouvir sim! Tudo isso é muito legal, parece novela!
    Beijos

  2. Hehe.. Marina..
    Desde que descobri seu blog, passo todos os dias aqui pra ler, virou hábito…
    Apesar de não comentar sempre, adoro a forma como vc escreve e como consegue tocar nos sentimentos daqueles que leem..
    Só tenho que agradecer a você por escrever e espero que continue escrever sempre, seu blog é mto valioso e pude entender muitas coisas através dele..
    Bjokasss

  3. Chata?!??!?!
    Que isso, Marina!!!!
    Hummm…. Passou longe… Adoro ler tudo aqui…
    E mesmo que muitas (quase sempre) vezes nunca tenho tempo de comentar… de vez em quando eu dou o ar da graca, vc sabe….
    kkkkkkkkkk
    essa entao eh outra oportunidade…
    beijinhos!!

  4. Não sei como descobri seu blog mas passo todos os dias aqui pra ler mesmo sendo uma leitora silenciosa,gosto do jeito como vc escreve e dos assuntos abordados aqui.Espero que continue sempre a escrever e que esse blog cresça cada vez mais…Já estou fazendo a minha parte divulgando para algumas amigas 😉
    Bjos

  5. Marina….adorei esse post!!

    • Olá! Adorei!!! E concordo com cada palavra. Tenho tantos amigos que planejam tudo, tudinho…. e se protegem de tudo (inclusive do amor). No final acabam depressivos mesmo. Na vida temos que arriscar e o sofrimento faz parte do parendizado.
      Um beijo grande!
      Sonia

  6. vocês são muito queridas mesmo 🙂

    e estão comentando eheheeh que engraçado, no meu post sem tema 😀

  7. mariachiquinha

    Eu também adorei o post. Ele não está nada chato.
    Primeiro, é muito difícil ter um blog e ter novidades, bons assuntos, vontade de escrever todos os dias. E nisso, você e seu blog estão de parabéns! Cada post é um must! 🙂

    Um post não precisa ter necessariamente um tema, mas qualidade, sentimento, verdade. Se não fala diretamente para uns, certamente vai ao encontro de muitos outros. Em alguns post a pessoa se identifica um pouco mais, ou pouco menos, mas do jeitinho que você escreve agrada sempre.

    Quanto às mudanças, tem uma frase de Fernando Pessoa que diz assim, “Tudo é ousado a quem nada se atreve”.

  8. Chaata???? Verdade?? ÔÔ chatice BOA!! Eu fico escorregando toda hora por aqui atrás dos seus textos, ñ vejo o dia de ir a Sampa para ouvir essas chatices “in loco”. Olha só?! Eu me escalando sem nem ter convite. Manca!!
    Pooode me chamar de espaçosa…
    bjs

  9. Valéria Cruz/Portugal

    Olá Marina,

    Escrevo pouquinho aqui, mas pode ter a certeza que visito a sua “casinha” todos os dias … mesmo sem ser convidada ( sou abusada mesmo kkkkk ).

    Adoro todos os seus post e acho você uma mulher super guerreira e que não se deixou influênciar por ninguém, adorava ser assim também ….

    O meu marido adora ler e sabe muita coisa sobre o Mundo Árabe, e as vezes comento com ele várias coisas que você escreve aqui e até é tema de conversas entre nós …

    Penso que como esta chegando o Ramadãvocê irá escrever como será o seu no Brasil … espero que sim … adoro saber sobre as tradições Mulçulmanas nesssa época …

    Fica bem!!

    Beijinhos deste lado de cá … “um jardim a beira mar plantado”

    Valéria/Portugal

  10. Halima Umm Hisham

    Assalam waleykum Mah!
    O que vc escreve pode ser uma terapia pra vc, mas eh uma licao para todos nos!
    Maa salma

  11. Imagina, que chato que nada! Está sim um post bem sutil e delicado com um toque de desabafo. Lidinho.

    Beijos

  12. Pois eu adorei seu post e me identifiquei muito com ele!!!
    Sofro preconceito o tempo todo de pessoas que mal me conhecem e já me julgam por ter me casado com um indiano. E que me acham a maior otária do mundo por ter me casado antes dele vir morar no Brasil! É bem isso… se fosse um europeu ou americano, iam dar a maior força!

    Parece que tudo q é diferente incomoda os outros, não , Marina? E incomoda mais ainda qdo a gente tá feliz! Depois q me casei com Anupam , perdi 2 amigas- outrora minhas melhores amigas. Uma, a que foi p India comigo ano passado, só ficava me botando p baixo e falando mal dele , frustrada pq a história com o indiano dela deu errado…. a outra, qdo fui comunicar-lhe q tinha casado, simplesmente disse: “A vida é sua, faça o q quiser, mas depois não reclame”, quer dizer, nem um “parabéns! estou feliz por vc!” eu ouvi!!!
    Me diga, Marina, o que eu fiz de errado p merecer estas amizades? (e nem tô contando dos “amigos” dele, q se afstaram e começaram a me xingar depois q a gente casou..)

    Hj em dia já sei quem são meus amigos: são aqueles que se alegram com minha felicidade, e não aqueles que ficam ressentidos. Ao menor sinal de inveja e ressentimento, eu corto a amizade e tchau!

    (eita, q desabafo hahaha)

  13. Marina, nem todo mundo acha chique o fato de eu ter casado com um europeu… (Alemao, no caso.)
    Do meu amigo mais querido eu ouvi “bom, quando vc se separar e voltar pro Brasil vc pode trabalhar comigo.”. De uma conhecida, ouvi “nossa, como (o casamento) tá durando, hein?”
    Uma das minhas tias tentou fazer a cabeca da minha mae pra que ela nao me deixasse vir. Interessante que ninguém recusa presentinhos pagos com o dinheiro do alemao, né? Sem contar os inúmeros comentários de “ah, vc se deu bem na vida, tá rica, morando na Europa.”
    Blé.
    Será tao difícil entender que é possível que eu esteja feliz ao lado dele? Que “casar com um europeu” nao é sorte, mas que a maior sorte foi ter encontrado alguém tao bacana como ele, independente da nacionalidade?

  14. Oi Marina, me chamo Aline. Em março de 2010, eu e meus irmãos vamos realizar um grande sonho, conhecer o Egito.
    Nosso plano é ficar de dez a doze dias . Você poderia nos ajudar dando algumas dicas?
    Ah! nós somos de Fortaleza-Ce
    obrigada

  15. Adoreiiii, todos os seus posts sao sensacionais, já é celebridade já, pelo menos na minha vida, que venho aqui diariamente. Vc tá certíssima, mudança é muito difícil, já vi pessoas que tiveram medo de mudar de cidade, por conta do emprego, isso pq era solteira e sem filhos. Eu mesma, quando fui morar em londres, até botar o pezinho no avião tava com um medo danado do que eu iria encontrar por lá. Nao fui 100% maravilhas só pq tava na Europa, mas eu faria tudo de novo. Bom, agora quanto o amor eu sempre tenho medo, mas to amadurecendo isso a cada dia dentro de mim. 🙂

  16. Shalav,

    Então… as pessoas que gostam de vc vao celebrar tuas vitórias e estar com vc nos momentos tristes. Com certeza alguns familiares podem ficar preocupados e isso é normal, mas tem algumas pessoas que se incomodam com a felicidade alheia. Para exemplificar, eu morava em uma outra cidade e namorava. Convidei uma amiga praa me visitar e ela nao suportava ver nossas declaracoes de amor. Quando ela namorava eu ficava do lado dela, nao incomodava, quando foi eu, ela ficava toda incomodada, pq tem pessoas que nao podem ver a felicidade dos outros. É isso.

  17. Êita, o q é sem planejamento dizem q é sempre melhor… inclusive este post !!!!!!!!!! rsrsr
    Ficou ó-ti-mo, a-mei !
    Um abração a todas!

  18. Achei sincero. Chato nunca!
    Acho normal as pessoas se assustarem com a sua história, aqui no Brasil, ao menos!Insisto em dizer que o diferente assusta. Não acho que você deveria ficar quieta, contando a sua história vc tem a possibilidade de mostrar algo além das mulheres oprimidas, guerras, ou sei lá mais o que cosntantemente associado ao mundo muçulmano.

    bjs

  19. Ola, Marina!!!

    Nunca tinha falado disso antes com você… até porque, ao contrário de você eu falo pouco sobre a minha vida… leio todos os seus posts… mas comento poucos.

    Graças às informações que você escreve aqui sobre o Egito e sobre a cultura deles, pude perceber que o Ex-habibi hehhe…. não era bem o que eu imaginava, quando a gente se relaciona com alguem de cultura tão diferente, tudo soa estranho e a gente fica sem direção e sem condições de avaliar bem as coisas… mas você foi a luz no fim do túnel…. acabei desistindo daquele relacionamento. Sobre o atual… eu conto depois heheheh

    Beijos no coração!!!

  20. Parabéns!

  21. Tás a ver como o post é comentado???

    Eu não teria a tua coragem. Aliás, não tive, não é? Ainda estamos a planear a vinda dele para cá e os casamentos. Tudo bem mais lento que o teu caso, mas ao nosso ritmo, à nossa maneira.

    Admiro muito a vossa decisão e gostaria também de já ter a minha metade do coração aqui comigo, porque isto assim é muito difícil.

    acho que tens muita razão no que dizes neste post, pelo menos partilhamos o mesmo ponto de vista…e sabes uma coisa? Fazer algo audacioso não é para todos…não é para quem quer…é para quem pode!!!

    Beijos!

  22. Adorei!!!

    Nem todo mundo tem coragem de ser feliz…coragem de sair da vidinha comum!

    Qto ao blog, às vezes tb me questiona pq criei o blog e pq continuo a escrever nele…Dá vontade de largar tudo e esquecer isso…Outros, dá um super orgulho de ter feito ele…ô dilema..rsrs..

    Bjs, Ju.

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