Estresse por excesso de comprometimento


Passei esses dias longe de casa, longe do blog. E acabo sempre por refletir muito sobre minha vida, sobre o que fiz e no que posso ser uma pessoa melhor. Perdi muito tempo me frustrando com as pessoas, sem notar que boa parte das minhas mágoas são causadas por mim mesma e que nunca é tarde para mudar. Mas calma, esse não é mais um dos meus post de reclamação ou “mimimis”, como dizem hoje em dia. É sobre auto-conhecimento.

Tive uma ótima conversa com minha chefe num almoço durante a semana e ela é sempre sensível e excelente para analisar personalidades. Na hora que eu comecei a me abrir um pouco, ela falou claramente que via que eu estava “estressada por excesso de comprometimento”. Em outras palavras, disse que eu estava me comprometendo com coisas demais, que não eram da minha alçada, me preocupava e lutava por coisas que não são da minha responsabilidade. Por causa disso,  muitas vezes me botava a frente de problemas que nem eram meus, penso que tenho solução para tudo e que poderia ajudar.

Mas nem sempre as pessoas precisam de uma resposta. Elas só querem falar, desabafar e eu não preciso sempre ter uma solução na manga, tentar dizer o que penso ou faria. É preciso dar o outro a chance de experimentar, de viver também. Os erros fazem parte da vida de cada um e não sou eu que vou salvar uma pessoa ao tentar ficar pulando na frente dizendo “faça isso”, “não faça aquilo”. Muito menos vou me dedicar a solucionar coisas de gente que mal conheço, que se abrem um pouco e eu já escancaro meu leque de ações e opiniões. Calma lá, Marina, respire e deixe os outros respirarem.

Vejo que errei muito ao falar com pessoas que me pediram ajuda sobre seus relacionamentos com egípcios e afins. Sempre falei o que pensava e o que faria e insistia naquilo quando achava que a mulher estava cega. Mas cheguei a conclusão que cada um passa na vida o que precisa, cada pessoa só aceita um problema para si porque quer. O blog tem tanta informação clara sobre como é o casamento e como saber se o cara é verdadeiro. Porque eu vou ter que ir lá, cutucar o ombro da moça e dizer “eii, você não leu isso e aquilo, não tá vendo que está sendo enganada?”.

Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos. Afinal, todo mundo tem direito de aprender, de errar, de tentar ser feliz. As informações estão dispostas não só nesse blog, mas em muitos outros lugares, nas mesquitas e livros. Quem procura acha.

Mas não é só nisso que sempre fiquei falando e me comprometendo em ajudar demais, como se fosse minha responsabilidade. Já passei horas com gente que só me pedia ajuda com documentos, tradução, como fazer visto e blablablá e achava que estava salvando o mundo. Aí a menina sugava o que precisava, simplesmente dava “tchau e benção” e nunca aparecia para falar mais nada, ou contar como estão as coisas, criar algum laço de amizade. Outro dia, até emprego para um cara que mal conheço tentei arrumar, nem e-mail de agradecimento da esposa recebi. Não sei se eu que fico esperando demais, algum reconhecimento. Mas eu não sou tão altruísta assim ao ponto de fazer as coisas sem esperar no mínimo gratidão em troca. Como disse outro dia, acho que minha cota de sorte nos relacionamentos virtuais deve ter estourado com o Mostafa.

Quem me conhece pessoalmente sabe que se me empolgo com um tema, viro uma matraca. Eu sou assim em tudo, destampo a falar o que penso e sinto e como diz aquele bom ditado, “em boca fechada não entra mosquito”. E quanto menos a gente fala, menos chance de falar bobagem tem. Como meu nível de blablablá é extremamente elevado, devo falar muito babaquice por aí.

Mas eu estou conseguindo mudar. Já larguei coisas que me faziam querer comentar, argumentar e expor a “verdade”. Que era minha verdade, não necessariamente o que os outros queriam ou precisavam escutar. Estou tentando viver mais na minha, em paz comigo e mais preocupada com o que realmente importa para minha vida.

***

Só para terminar, acho que o exercício de pensar sobre si mesmo vale para todo mundo. Sempre temos algo que podemos ser melhores, como fazermos coisas boas para as pessoas sem nos machucarmos e machucá-las. Isso é um exercício diário e eterno, acredito. E para quem pensa que seu jeito é assim e pronto, quem quiser que aceite, lembre-se que todos vivemos conectados nesse mundo, a ação de um influencia na vida do outro, não dá para pensar de forma isolada somente no que é bom para nós. Devemos ser mais agradecidos a quem tenta nos fazer um bem, mais fraternos com quem precisa de algo, mais responsáveis com nossas atitudes. É o que tenho tentado fazer.

Boa semana pós-feriado!!!

 

 

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Publicado em novembro 3, 2009, em No Brasil e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. Nossa, Marina! Já passei por este sentimento terrível de ser altruísta o tempo todo e as pessoas me deixando de lado. Como diz naquela comunidade do orkut: “Bonzinho só se…”!

    Mas, aprendi que nem sempre devemos dizer sim, devemos praticar o dizer não também. Isto me deu uma sensação de liberdade e auto-domínio incríveis.

    Já servi até de motorista para uma amiga levando-a com sua bebê ao pediatra na sexta e, no domingo, rolar um churrasco na casa dela e nem ser lembrada, ainda teve a cara de pau de comentar na segunda feira após me pedir outro favor. AHHHHHH. Esta aí nem ligação atendo mais. Agente aprende né?

    E quanto a conselho, não dou nem para mamãe, porque se der errado, ela fala: a culpa é da Vânia…rsrsrssr

    Beijos! Fica na Paz!

  2. Assalam aleikum querida!
    Poxa… não gostei desse post… não que não seja verdade o que vc falou, mas quando disse que sua cota estourou quando conheceu o Mostafa, pois isso me exclui 😥
    Sei que ando meio desaparecida, ando me isolando um pouco de msn, pois o mesmo que acontece com vc acontece comigo também, não por meninas que querem ir pro egito, mas outras quais vc ensina e ensina sobre o islam e depois seguem só o que querem descartando todo o resto ou apenas somem.
    Isso acaba decepcionando quando se cria muitas expectativas em cima de coisas que vc não pode controlar.
    mil beijinhos pra ti linda!
    Salam

    • Salam querida!! Talvez me expressei mal, j conheci pessoas maravilhosas na internet tambm, mas acho que nem considero tanto assim virtual, gente que converso h tempos e sei que se importam comigo de verdade, mesmo estando longe!! Quis dizer mais de ajudar quem mal conheo ou no tem intimidade comigo e s vezes me ponho frente, com mil idias, conselhos e sugestes, e no d em nada… talvez por ser online, eu me abra mais rapidamente e mostre como eu sou mais rpido no sei! Beijos e vamos nos falando!!

  3. Bem Marina, realmente é muito frustrante, eu sei!
    A vida é uma aprendizagem enorme, e todos os dias podemos aprender algo novo. Inclusive, que nem sempre as nossas ajudas são bem recebidas ou aceites. Muitas pessoas apenas querem ter um modo rápido de obter respostas, e usam e abusam. Mas de certo, que no meio disso tudo, já ajudaste muitas pessoas e que de certo te estão agradecidas!

    Mas é isso, vivendo e aprendendo…
    Beijinhos!!!

  4. Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos

    *** Marina, tô contigo e não abro! Também parei de falar sobre o assunto. E uma coisa q me irrita demais é ver mulheres que não tem absolutamente NADA a ver comigo, não tem a menor afinidade comigo e insistem em serem minhas amigas só pq temos amores indianos. E que no final das contas, nem é amizade q elas querem, só querem uma tradutora ou agenciadora de empregos. CANSEI, não tô aqui pra servir ninguém e por isso mesmo deletei meu Orkut.

    Por isso não acredito em reuniões de “mulheres apaixonadas por indianos/pakis/egipcios etc”. Acho perda de tempo.

    Eu sou amiga de quem tem afinidade comigo, quem tem “química” e não apenas pq namora/casou com indiano.

  5. Marina, essa esposa do cara q vc mal conhece, seria eu? Eu recebi seu email sim, na mesma hora eu tava conversando com Anupam e ele me disse q tava escrevendo em “nosso nome” pra te agradecer. Por isso que não escrevi outro email agradecendo,pq ele já tava fazendo isso, e eu não queria soar repetida…

    Poxa, agora fiquei triste, espero q vc não tenha ficado chateada nem interpretado mal =( Desculpa mesmo, não foi de modo algum falta de educação de minha parte. Fiquei imensamente feliz com a sua ajuda, muito feliz mesmo!!!! Mas tenho essa irritante mania (e que nem combina com uma mulher independente como eu), de deixar anupam falar em meu nome quase sempre.

    Espero q vc me perdoe se houve um mal-entendido =( Pq agora fiquei triste de verdade mesmo, pensando q posso ter te magoado sem querer….

  6. Ah, Marina!! E aquelas amizades que vc passa meses cultivando, zelando mesmo!? E de repente somem, deixando-nos na aflição se aconteceu algo grave. Deus sabe o que aconteceu ou não.
    Mas um belo dia caem de pára-quedas como se nada houvesse acontecido, obviamente supondo que estamos é chorosas de alegrias por novos papos. Mas, não comentam o que se deu. Ok!! tem coisas q resguardamos, no entanto um pedido de desculpas cai bem já que era uma amizade considerada como de qualidade. Era, né? Por que depois eu aprendi. Já tinha aprendido isto na vida real, agora já vacine-me na virtual.

    bjs
    amo
    sua franqueza & autenticidade

  7. Resumindo:
    RELAXA QUE VC VAI PRO CÉU!
    CERTEZAAAAAAAAA!!

  8. Muito bom este post Marina. Apesar de ler com um poukinho de atraso 🙂 já que a loucura da volta ao trabalho está me tomando muito tempo. É muito bom ver o amadurecimento das suas palavras, não só como escritora, mas também como mulher. Este excesso de comprometimento há muito não faz parte de minha vida. Já tive tempo suficiente na minha existência para perceber que isto só traz frustrações… E você já deve estar percebendo o quanto nossa vida muda p melhor quando vc n tenta ser um “modelo ISO 9001” de mulher e amiga hehehehehe. Tem até um texto da jornalista Martha Medeiros que fala exatamente sobre isso e que se encaixa perfeitamente no que vc disse. Nós somos humanas, com defeitos e qualidades, e não precisamos provar nada p ninguém. Somente p nós mesmas 🙂 Este deve ser o nosso real comprometimento, ficar de bem com nossa consciência e com akeles que realmente fazem parte de nossa vida. Adorei o post!!

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