O quinto aniversário


Segundo o Musta, este é meu quinto aniversário que comemoramos juntos. Insisti que eram quatro, já que em presença física foi só a partir de 2007. Mas ele fala que o de 2006, quando ainda éramos quase que estranhos conversando pela internet – mas já com planos malucos de casamento – também entra na conta.

Lembro que no aniversário de 2006 eu estava naquele mar de perdição, era ramadan, eu descobria tantas coisa ao mesmo tempo. Em pleno aniversário de 23 anos, uma adulta completa já, com direito a diploma de formada, trabalho e responsabilidades, eu descobria que, na verdade, eu não sabia quem eu era e se havia me tornado a mulher que sempre imaginei que seria. E até mesmo quem me conhecia desde bebê, como meus pais, também se confrontavam com essa dura verdade: quem seria Marina, o que estaria acontecendo com ela?

Oscilava meus momentos de humor ácido, força de expressão e tagarelice, com dias cada vez mais quietos e escondidos na frente de um computador, ou trabalhando mais de 20 horas por dia. Chegava a sair 2 horas da manhã de um pescoção (*gíria de redação para o fechamento do jornal da sexta), coisa que nunca tinha feito. Trabalhava duro, mas depois ficava lá, sem vontade de ir para casa. Só no computador, pensando, buscando coisas.

O sono, sempre profundo e que de domingo ia até depois do meio, tornou se ralo e chato. Teve uma noite, lembro até hoje, que parei de conversar com Mostafa 5 horas da manhã. Dormi até às 6h30 e já estava disposta para a aula de ginástica e depois trabalho. Virei zumbi em nome desta mudança, com certeza eu não estava normal e hoje reconheço isso mais do que nunca.

As pessoas próximas sabiam que algo de muito estranho acontecia comigo, mas eu não conseguia dizer o que era, nem elas podiam ter ideia. Achava melhor esconder ao máximo meus planos do que correr o risco de me expor e dar tudo errado depois. Mas minha mãe sempre soube de tudo, como sempre, mesmo sem falar, ela sabia que algo muito difícil estava por vir.

Ah, as perguntas sobre o que havia comigo… levaria dias e anos de estudos interior e psicanálise para descobrir porque, aos 23 anos, deixei muito do que eu era para trás em busca de algo totalmente novo. Talvez já fosse esperado que um dia isso aconteceria, desde os tempos em que eu era nova minha mãe, principalmente, sabia que eu era propensa a loucuras sem fundamento.

Mas hoje nós duas sabemos que não se trata de doença mental ou propriamente de loucura. É a lagarta que um dia sai do casulo, o espírito aventureiro que desperta um dia sem rumo, o amadurecimento que chega sem ser notado. É o jovem que, pouco a pouco, tem de deixar desejos e colocar em prática o que sonha para ser feliz. Algumas pessoas se contentam com o certo, provável, conhecido. Eu não, sempre gostei das alturas, de cair de braços abertos para o mundo, de subir em muros e entrar em passagens proibidas. E, mais cedo ou mais tarde, naquele aniversário de 23 anos, o traço mais difícil da minha personalidade pedia para ser libertado.

E foi…

Mas o que aconteceu comigo naquele aniversário de 2006, o primeiro com o Musta, tinha uma explicação. E eu hoje entendo bem tudo que se passou. Acredito que parte de vocês também. Muitas das que me lêem, já viveram isso. É uma inquietação, misturada com sonhos, paixão, amor e fé, junto a uma boa dose de coragem para mudar. Porque mudanças nunca são fáceis. O ser humano, naturalmente, está confortável com o que é, se sente melhor com a estabilidade e sem surpresas. Para mudar, é preciso dor,  é preciso ser radical, é preciso partir para uma batalha sem anestesia. Fazer o que fiz não me torna melhor ou pior do que ninguém, simplesmente porque faz parte do que eu sou, do que eu precisava para ser completa. Sem minha história com Musta, eu nunca seria quem eu sempre quis ser.

E toda aquela mudança, apesar de parecer tão radical, na verdade não transformou quem eu sou. Partes de Marina pareciam em mutação, algumas adormeceram por certos meses, mas toda a experiência que vivi a partir destes 23 anos só serviram para reafirmar quem eu sou e o que busco na minha vida.

Agora, cinco anos depois, vejo que continuo a mesma pessoa daqueles cinco anos atrás. Com certa bagagem para não repetir as besteiras, mas com o mesmo humor e otimismo que sempre carreguei.

E aquela frase “ninguém muda por ninguém” continua sendo a mais pura verdade.  Apesar dos quilômetros que viajei – seja física ou espiritualmente – Marina é a mesmíssima de 2006. Hoje minha mãe sabe, apesar do susto daquele ano, que ninguém fez lavagem cerebral em mim ou que passava por algum transtorno emocional. Foi só mesmo o mosquitinho da inquietude da alma que me picou. E eu tratei de ir atrás da cura.

 

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Publicado em outubro 14, 2010, em De tudo um pouco... e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Quando você vai escrever um livro??? Nunca vi alguém com a facilidade que você tem em simplesmente narrar os acontecimentos e sentimentos…

    Ah! E você realmente é a mesma Marina louca de sempre! Mostafa que o diga!!! rsrs

    Beijos

  2. …. mas e o niver??? É hoje??

    PARABÈNS P VC … NESSA DATA QUERIDA…!!!!!!!!
    FELICIDADES!!
    DEUS TE ABENÇÔE!!!!!!!!

  3. Marina, seu texto é muito lindo e você é mesmo uma pessoa especial e iluminada, bem abençoada seja sua vida junto ao Mosta. Eu admiro muito a sua coragem de mudar e seguir em frente correndo atrás de seus objetivos. Conquistar sonhos não é pra qualquer um não, tem que ter muita determinação e persistência. Mil felicidades todos os dias de sua vida.

    aaaaahhhhh eu quero bolo : P

  4. Que gratificante a gente poder olhar pra trás e perceber nosso crescimento 🙂
    É uma das coisas que eu mais prezo na vida…
    Como eu acredito que no dia exato do teu niver – por um motivo justíssimo, claro – não tem post, deixo meus parabéns antecipado.
    Deus te proteja e te dê muita saúde e prpsperidade.
    abs 😉

  5. Oi Marina, na minha opiniao este foi um dos posts mais bonito que ja li aqui no seu blog. Deu para sentir toda a emoçao dos seus 23 anos bem como a sensibilidade da tua alma. FELIZ ANIVERSARIO… tudo de bom para voce….Continue sempre com a inquietude de criança….Sua historia dom os Mostafa e muito bonita….parabens…

    Beijos, Luiza.

  6. Eeeeeeeeh, Parabéeeeeens!!!!! Que post mais lindo!

  7. Mudar e ir em busca dos nossos sonhos é algo muito dificil, para a maioria das pessoas.
    Somos apegados aos velhos costumes e paradigmas.
    Diz um velho ditado:” quem não arrisca não petisca”!
    Que bom que vc teve coragem e arriscou!!!!!!!!!!!!
    Felicidades e bjkas

  8. Ai…que bonitinho o “Foi só mesmo o mosquitinho da inquietude da alma que me picou. E eu tratei de ir atrás da cura.” !!

    Parabéns, minha linda!! Deus continue iluminando teu caminho.
    um cheiro

  9. Oiiiiii
    Nossa!
    Escrevestes perfeitamente bem!
    E hj falei contigo mas nem sabia q ontem foi teu niver(ops ja são 3 a.m. so….ante ontem..rsss)
    Lindo o q escrevestes, e me identifiquei muito…..e é bom ler isso de uma pessoa q foi bem sucedida na sua loucura…pois assim tenho esperanças de q o eu vivo é amor e não uma loucura.
    Allah continue abençoando vc e seu marido grandemente!
    Muitas felicidades com todas as coisas boas da vida…e com todas as lições tb….vc só tende a continuar sempre crescendo.
    Passei uns dias sem vir aqui….to meia como vc tava…só q sou bem mais velha…rsss….trabalhando quase 20 h muitas vezes e o tempo q resta na frente do computador, muitas vezes nem aguemto falar com meu amor….dai ele fica só lá me vendo dormir.
    Marina estou ansiosa por janeiro!
    Quero conhecê-la e Inshallah….a Dani tb!
    Deixa eu ler os novos post enquanto ainda aguento manter os olhos abertos…..
    Beijos grandes querida! Parabéns por tudo! Por todo o seu conteúdo e equilibrio.

  10. Marina,
    Magnouna dih walla eh? heheheh

    Brincadeiras a partes, parabens e tudo de bom.
    O mais importante eh a gente olhar pra tras e ver que amadureceu e pq nao ate rir de certas situacoes que na epoca foram mais complicadas, ne? rs

    beijos

  11. É bom correr atrás dos sonhos!!!! A estagnação é o q mata!!!!

    E é melhor ainda qdo nossos sonhos permanecem deliciosos, não se transformando em pesadelos!!!! 😉

    Toda felicidade do mundo para vc, magnona!!!!!!

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