Seja feliz com sua fé


Tem um assunto que hoje em dia evito entrar em discussão, pois sei que não me faz bem. Mas como o papo apareceu em no blog da Barbara, acho que vale a pena ressaltar alguns pontos.

Alguém pertencer a determinada religião não a faz de exemplo a ser seguido. Por conta disso, acho que não dá para ficar colocando o dedo na fé dos outros, nem querendo mostrar sempre, e a todo momento, o que pode ser certo ou errado. Mas entre os muçulmanos, isso é uma coisa um pouco complicada e não quero fazer um post de crítica aos irmãos, apenas relatar alguns fatos.

A maioria acha que é haram, ou seja pecado, ficar quieto e não avisar um irmão se ele está cometendo um erro. Até aí concordo, se vejo uma pessoa, por exemplo, que quer se converter mas tem fotos de biquini, eu sempre pergunto se ela realmente se sente pronta mudar, se ela acha que vai se adaptar, por aí vai. Agora se ela já é muçulmana, tem marido muçulmano, sabe o que é a religião e não tá há poucos meses nisso, quem sou eu pra ir lá e falar para ela “vc sabia que biquini é proibido, vc não deveria usar isso nem mostrar como muçulmana”? Lógico que não, né minha gente, porque ela está cansada de saber, e se erra, está consciente disso.

O problema é que muitas pessoas tem distorcido um pouco os ensinamentos, e essa coisa de ter de “falar o certo”, “ajudar o outro a ir para o caminho”, acabou-se tornando entre os muçulmanos motivo de muita fofoca e dedos apontados o tempo inteiro um para os outros. Ajudar o outro é uma arte, não é apenas sair falando. E se caso uma muçulmana fez algo errado publicamente, como numa rede social, você pode comentar ou até mesmo ir contra, porém com muita delicadeza e amor, pois o verdadeiro muçulmano não age para humilhar ou tentar se mostrar o correto ou o mais certo para os outros, ele faz isso para Deus. Por isso, às vezes uma mensagem privada, com carinho, ou mesmo um recado público, porém doce, faz muito mais efeito que simplesmente chegar mostrando como você é perfeita e o outro está errando e pecando. E não tente usar apenas hadiths para justificar seu ponto, pois hoje em dia muita gente usa isso de forma errada, pegando hadiths fracos e fora do contexto para justificar qualquer coisa.

Eu conheço muçulmanas extremamente rígidas, que seguem muito os preceitos, e que jamais me perguntaram, por exemplo, porque não uso hijab. Tanto braisleiras quanto egípcias. Eu já usei hijab, por mais de 9 meses, então obviamente elas imaginam que eu tenha algum motivo para não usá-lo, e como eu sei muito bem o que é, sua obrigatoriedade, tenho marido muslim, morei em país islâmico, inclusive sou casada nas leis muçulmanas, será que eu preciso de alguma muçulmana vindo aqui me perguntar porque eu não uso hijab, ou porque não me esforço? Acho que não, sejamos sensatas.

Uma coisa é quem está aprendendo a religião e me faz perguntas óbvias, do tipo quando eu como, como eu rezo, pois eu dou a liberdade das pessoas falarem comigo e serem sinceras, pois muitas tem medo de falar na mesquita, por exemplo, tudo que lhes vêm a cabeça. Mas elas vêem o quão imperfeita eu sou, e não minto nem preciso, pois sempre falo o que é certo, mas caso eu faça errado, eu sempre deixo claro: “eu estou fazendo errado, mas o certo é tal…”.

Sei que para muitas pessoas a conversão é um acontecimento. Quase como um nascimento de um filho, quando a mãe só passa a falar de bebês e fraldas, algumas muçulmanas também se sentem tão felizes que passam só a falar daquilo e respirar o Islam. Então acontece de pessoas que precisam anunciar cada livro que lêem, cada oração que vão fazer, precisam botar foto delas rezando, como se fosse prova de algo, alguma justificativa. Eu já passei dessa fase (não que tivesse feito alguma destas coisas), mas não preciso disso para me sentir bem em uma comunidade islâmica, pois sei que minha relação com Deus é particular e só ele precisa saber das coisas boas que eu faço. Teria muito para me mostrar e dizer como sou boa, mas não faço, nem preciso disso, pois minha consciência é muito tranquila, e por mais que de vez em quando alguém possa aparecer por aqui e dizer que estou falhando, o quanto sou ruim, prefiro me calar e sorrir com meu coração, pois é Deus quem me conhece e o que faço.

E este post, apesar de parecer apenas crítico, é mais um alerta a todas as pessoas, de todas as religiões, pois isso acontece em todos os credos. A humildade, o amor a Deus e a misericórdia são invisíveis, porém são sentidas profundamente por quem é tocado por estes sentimentos. Pense nisso e será mais feliz, sem precisar da aprovação dos outros ou de um grupo.

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Publicado em janeiro 18, 2011, em No Brasil e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 17 Comentários.

  1. Marina, eu concordo com tudo que você disse, as pessoas tem que entender que é uma experiência pessoal entre “você” e Deus, se você não usa o Hijab você tem suas razões. Quando eu me interessei pelo islam muitas coisas eu aprendi em seu blog e jamais eu questionei os seus costumes, porque cada um tem uma rotina, um tipo de trabalho e uma razão para não realizar algumas coisas.
    E para as irmãs que se incomodam com isso, é melhor orar do que falar.

  2. Salam Ma,

    Seu texto é otimo, cada um tem que ser feliz com sua fé, esta certissima.

    Não é preciso mostrar o qto sou religiosa, o qto sigo a risca os ensinamentos do Alcorão, para ser uma otima muçulmana.

    Acho sim, importante respeitar a decisao alheia, ninguem sabe o que vai ao coracao de ninguem.

    Outro dia alguem me escreveu falando, que por estar fora do mercado de trabalho, deveria usar o hijab.

    Nao consigo entender o que da numa pessoa, entrar no blog de alguem e exigir tal feito!?

    Eu nao faco isso com ninguem, deixo que cada um tome suas decisoes, mas o que eu nao posso suportar é sempre ser julgada, de forma direta ou nao, pelo fato de nao usar as vestimentas corretas.

    Acho lindas as vestes islamicas, acho digno quem as usa. O que nao gosto é o fato de alguem escolhe-las e julgar quem nao as use.

    Tenho quase certeza que assim que nos revertermos ao Isla, a vontade é de sair comprando abeyes e hijabs e mudando radicalmente o guarda roupa. Eu fui uma delas, queria comprar todas as abeyes possiveis, todos os veus e me vestir de maneira islamica.

    Só que qdo me vi mais segura na religiao, percebi que nao seria possivel essa mudanca radical. Mesmo assim, meu guarda roupa mudou, mas de uma forma mais parecida com a minha realidade.

    Os motivos que nao me fizeram usar hijabs e abeyes, só Allah devera saber.

    Me sinto feliz como sou e com a fé que tenho.

    E é o que cada um deveria fazer.

    Obrigada, Ma

    Beijos e fiquem com Deus

    Barbrinha

  3. Salam Marina,
    eu concordo plenamente com vc porque nao devemos julgar o próximo nunca. Quando as pessoas julgam o próximo estao se colocando na posiçao de juíz, ou seja, elas se colocam no lugar de Deus.

    Bauces

  4. Salaam

    Concordo com você em tudo.Acho que ninguém precisa ficar dizendo que lê o Alcorão todo dia,que reza 5 cinco vezes ao dia,que vai na mesquita,que doa o Zakat,a fé é algo do crente para com Deus.Parece que as pessoas tem que mostrar para as outras que é mais religiosa,que lê a Bíblia mais vezes,o Alcorão,a Torá e sei lá mais o que.A fé não é isso,não é ficar se exibindo.

    E se você e a Barbrinha não usam hijab é porque vocês tem um motivo,e não cabe a ninguém julga-las,só Allah,só Ele é digno disso.E isso não faz de vocês menos muçulmanas do que eu,por exemplo,nem mais muçulmanas.Usar hijab é importante e obrigatório,mas não é tudo,as suas atitudes são muito mais.
    Beijos e fique com Deus

  5. E a vida continua, não é não?

    Beijos e fiquem com Allah

    Barbrinha

  6. Sabe Marina, o problema eh o fanatismo mesmo, seja ele de qual religiao for!!!!!
    Como eu tb ja passei dessa fase, to relax rs
    E eu bato palmas para teu texto.
    bjao

  7. Assalamu ‘alaykum Marina

    Achei bem prudente o seu post.

    Claro que no Islam é muito importante que um irmão tente ajudar o outro quando vê que ele está cometendo um erro. Só que existem as etiquetas para se fazer isso… chamar a atenção da pessoa na frente dos outros não é uma delas, e fazer fofoca é pior ainda.

    Quando alguém realmente se preocupa com o irmão e acha que ele está errando or falta de orientação ou conhecimento… pode chamar a pessoa reservadamente, com educação e sinceridade, e conversar. E depois respeitar o live arbitrio de cada um. Se a pessoa quiser persistir na atitude, ela tem o livre arbítrio, que é um direito dado a todos nós por Allah. E todos nós retornaremos a Allah para a prestação de contas. Alhamdulillah, pois Allah é Justo, enquanto nós humanos só sabemos o que Allah permite que a gente saiba e não sabemos o que está no coração de cada um.

  8. muito boa essa materia,gostaria de receber mais informaçoes.

    grato.

  9. Em outros credos religiosos tbm há este costume feio de viver a apontar os dedo ‘podre’ para os outros.
    Até por que ñ há aquele que ñ possua algo errado e encubado!
    No livro de Deuteronomio já havia críticas e admoestações as pessoas conhecidas como mexeriqueiras. Ou seja as conhecidas fofoqueiras.
    Infelizmente, fofoca e môsca há em todo lugar! Melhor a fazer é isolar esta ‘gentinha’. Eu já sou mais drástica, como já conhecem-me ñ aprontam p/ o meu lado. Ou nunca chega a conversinha, pois quem trás já sabe quem sou.
    Vc tá c/ a consciência tranquila? ÓÓÓtimo! Alguém te calça, veste ou paga tuas contas? Então manda às favas! Eu já mando p/ lugar pior. Pega teu maridão e siga pela vida feliz e longe destes ‘mexeriqueiros’.
    bjão

  10. obs: o adjetivo podre no dedo de quem aponta, significa que a mesma tem o que eu disse: algo errado e incubado.
    fuiiiii

  11. Exatamente! Quem tem fé, quem segue os preceitos, não fica “cantando a bola” o tempo todo! Deus sabe o que vai na nossa alma!

    Abraços!

  12. É igual quem “realmente” é inteligente, ou quem realmente é rico…
    Se é e ponto final, não precisa ficar afirmando ou se gabando toda hora pra todo mundo.
    Simples assim.
    Post bacana Marina.
    E claro que já li o da Barbrinha, da Habiba…Realmente é importante dicutir sobre o tema.
    Vcs estão de parabéns.
    bjs em todas

  13. Excelente post, Marina!

    Eu me considero budista, por acreditar no que eles pregam, mas muitas vezes eu prefiro esconder minha religião (que por algumas correntes nem é considerado religião, visto que não há a presença de Deus).As pessoas acham q eu só posso ser chamada de budista se eu for ordenada no Tibet e sair por aí de cabeça raspada e manto cor de açafrão rsrsrs!

    Infelizmente, em muitos grupos religiosos sempre há as fofocas e intrigas.Pessoas que competem entre si p ver quem é a mais “virtuosa”.Vejo muito isso entre os evangélicos. Uma amiga minha , evangélica, foi vista com um rapaz na rua, à noite, e imediatamente os “irmãos em Cristo” todos ficaram sabendo. A pessoa que espalhou a fofoca diz que o fez por zelo,por preocupação. Pô, se estivesse mesmo preocupada com a pessoa, falaria com ela e esclareceria tudo(a menina estava passeando com o namorado), e não saíria por aí divulgando que a menina “pecou”. Me poupe!

    Daí a minha enorme resistência a frequentar grupos religiosos. Acho que no primeiro sinal de gente intrometida, eu ia mandar tomar no fiofó, nem que eu ardesse no mármore do inferno 😉

  14. Badra Vanessa Deble

    Adorei tudo o que tu escrevestes, a impressao que fica e que algumas muçulmanas querem ser melhores que outras e acham que sao grandes exemplos de seguidoras da religiao.Toda a religiao tem seu tipo de regras e proibiçoes.Sou Muçulmana,decendente de Libaneses,uso mangas compridas no verao mas nao uso veu,assim como minhas amigas Palestinas que nao se vestem como Muçulmanas.A familia delas vai a Meca todos os anos.Elas nao competem com ninguem se sabem mais ou menos sobre o Islam,pelo contrario sao super humildes ,falam Arabe fluentemente e estao sempre dispostos a ajudar quem tem duvidas.Cada um tem que provar e para si mesmo a sua fe.Tem gente que tem que provar e se vestir para os outros.
    E querem que os outros sejam ogrigados a fazer o mesmo.Todas as nossas oraçoes devoçoes e bons atos sao dedicados a Allah,somente a Ele…beijos adorei teu blog! Badra Deble

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