O amor é a maior prova de fé


Filha de pais católicos, tive uma educação voltada para a compreensão, amor ao próximo e caridade. Lembro bem das vezes em que frequentava a igreja Santa Terezinha com meus pais e olhávamos os desenhos no teto. Minha mãe dizia que o cordeiro que Jesus carregava nos ombros era o meu irmão, e uma outra ovelhinha que andava mais ao lado, separada, era eu. Talvez ela prevesse que, em minha jornada pessoal em busca da fé, eu não seria católica no futuro, mas nem por isso eu deixaria de andar perto de Jesus e seguir sua lição de amor ao mundo.

E assim foi. Eu cresci, amadureci e segui outro caminho. Por mais chocante que isso possa parecer, eu me converti para o Islã e sou muçulmana hoje. Meus pais no começo não entenderam, acharam que eu estava perdida, mas sempre foram claros em uma coisa: “O maior bem que Deus nos deu é o livre arbítrio. E naõ podemos tirar isso de você.”

Já faz quase cinco anos que mudei de religião e sinto que minha relação com meus pais nunca foi mais próxima. O Islã, poucos sabem, é uma religião monoteísta oriunda de conceitos do judaísmo e cristianismo. Existe um capítulo no Alcorão inteiro sobre Maria e a história de Jesus. Não deixei nenhum valor que aprendi na igreja de lado, apenas encontrei uma outra maneira de me relacionar com Deus. E meus pais, na sua grande prova de amor e fé, sempre respeitaram meus novos costumes e meu marido. Não nos receberam apenas com sorrisos, mas com verdadeiro acolhimento familiar. Sem preconceitos ou esteriótipos que geralmente as pessoas se baseiam para julgar o que desconhecem.

Tenho um tio padre também, e passados os sustos e medos da minha conversão, hoje podemos ficar horas debatendo história e aspectos das duas religiões que são concomitantes. Pois o que nos une nas duas religiões é imensamente maior que as poucas diferenças. Allah não é um outro Deus, apenas a palavra em árabe para Deus, os cristãos árabes também chamam Deus de Allah.

Vivemos em um mundo globalizado, onde conviver ao lado de alguém com outra cultura ou credo é muito mais frequente. A tolerância, por isso, não pode ser mais vivida da boca pra fora, mas tem de ser um exercício diário de misericórdia com quem pensa diferente de você. E na minha família somos muito felizes e conscientes de que o amor pode ser a nossa maior prova de fé em Deus.

*ps. Este artigo foi publicado em uma revista da igreja católica. Sempre quando eu vejo disputas acerca de religião, brigas em torno disso, penso que o mundo seria tão mais tranquilo se a gente simplesmente aceitasse o diferente.

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Publicado em maio 17, 2011, em No Brasil e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Quem derá todas as familias fossem assim !
    O mundo seria mais tolerante com uma opinião diferente,um modo de vestir,a jeito de falar,etc.
    Infelizmente existe familias que não aceita que um seja diferente,que é uma tristeza.
    Concordo com vc e gostei de vc compartilhar o artigo,mesmo não sendo nem da sua nem da minha religião,mas saber q queremos os mesmos direitos é o que vale. 🙂

  2. Estava pensando nesse instante em vc.

    E logo vi que postou!

    Alias um lindo post.

    Beijos e fiquem com Deus

    Barbrinha

  3. olá..lindo post…também acredito que a maior prova que existe é a prova de amor…infelizmente muitos não percebem que se Deus deu o livre arbítrio todos possuem o direito de escolher sua religião e que isto não é motivo para brigas…também sou católica e sou contra esse lance de preconceito e tal…cresci ouvindo que Deus ama a todos e que ser bom e fazer o bem é o que importa..bjus

  4. Gostei bastante do que li acima, muito bom mesmo.
    A propósito: você saberia me informar onde posso aprender árabe? moro em Osasco e tenho facilidade para ir a São Paulo. Achei árabe mais difícil que mandarim, inclusive a grafia; mas tenho uma vontade enorme de aprender.
    Paz para você.

    Maria Lídia.

  5. Muito lindo esse post, Marina!

    Ele ajudou a rever minhas atitudes. Na intenção (juro que é verdadeiramente boa) de propagar idéias justas e éticas, acabo sendo radical. Radicalismo e Tolerância, não costumam andar juntos.
    Acabo defendendo uma ideia com paixão, mesmo, sabe? Só que às vezes, a paixão cega.

  6. Olá Marina…

    Este post é maravilhoso… me ajudou a abrir a cabeça acerca da religião do meu amado egípcio. Eu até há pouco tempo achava que os muçulmanos desprezavam a Cristo… este era meu maior conflito, pois sou católica praticante. Agora vejo que é uma bela forma de se relacionar com DEUS, Allah, como é chamado pelos muçulmanos. Sempre gostei do conceito de monoteísmo.
    Obrigada por esclarecer pontos importantes para quem está envolvida com um muçulmano assim como eu e muitas mulheres brasileiras. Por mais que eu ame meu querido egípcio, não devemos desconsiderar nossas diferenças culturais, e sim procurar aprender e se adaptar, pois só assim é possível solidificar um relacionamento assim.

  7. Salam, oi Marina que linda sua história, de como sua família te recebeu. Acho que minha mãe vai me acollher mais rapidamente. Mas a princípio será chocantes pra eles. Obrigada por compartilhar aqui sua história.

    Beijinhos,
    Salam

  8. Sala Waleikum irmã, passa lá no blog que tem selinho pra você!!!

    beijinhos

  9. Alguém tem notícias de Halima? por que ela encerrou o blog, que era tão interessante?

  10. Adorei ler suas palavras. Minha família é de católicos mas eu sou a unica não praticante. Prefiro praticar minha fé aqui comigo mesma, com minhas orações do que indo a igreja com a regularidade deles. Tenho amigos mulçumanos e por isso conheço um pouco mais da religião do que o estereotipo que grasa entre nós. Acredito também que os princípios de humanidade e compreensão que você menciona são exatamente o que falta nas famílias em geral, independente da religião, para que tragédias como essas de jovens atirando em professores e alunos e depois se matando, deixem de acontecer. Uma criança que não é criada num ambiente de compreensão e aceitação do amigo “diferente”, mas que ve em casa os próprios pais fazendo piada dos que são de algum modo “diferentes” vai seguir o padrão de conduta, perpertuando no seu dia a dia o mesmo comportmento cheio de discriminação. Que bom que a sua familia ve no livre arbítrio uma dádiva e aceitou sua decisão recebendo vocês de braços abertos. Que Deus os abençoe e que atitudes assim sejam mais comuns entre todos que praticam religiões distintas. Com certeza haverá menos discordia quando aprendemos a aceitar o outro e suas opções.

    Abraços
    Marcia Chinelato

  11. Dizem que deus é amor, então se deus é amor, onde há amor, há deus!

    como reverenciar deus, sem cultivar o amor?

    e o amor não é cego, ele deve enxergar muito bem, para entender que não existem diferenças entre as pessoas, todos somos humanos e todos somos dignos de respeito, não importanto a escolha religiosa, politica, cultural, etc.

    amor é respeito, camaradagem, compreenção, paciência e caridade.

    fora do amor não exise salvação!

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