O peso de uma cultura


É comum a gente buscar formas de classificar as coisas. Por exemplo: morangos são vermelhos, coelhos são fofos, pedras são ásperas, etc. O problema é quando passamos este tipo de raciocínio para seres humanos e tentamos delinear a todo um povo a algumas poucas características. Eu sei que é tentador, e às vezes cedo à facilidade de classificação para explicar um pouco como são os egípcios e a vida por lá, porque recebo muitas perguntas repetitivas sobre as mesmas coisas.

Eu poderia dizer: os egípcios pensam na família, os egípcios são labiosos, os egípcios são românticos, os egípcios são bagunceiros. Tá, mas isso, realmente, representa o que são os egípcios? Ou, posso dizer que isso é típico a todos? Claro que não.

Quando a gente fala dos egípcios, é meio fácil pensar em certos padrões de comportamento, até porque é um país onde o modelo de sociedade e do que é respeitável ou certo, é mais uniforme. Além disso, lá só existe praticamente duas religiões, sendo a maior parte de muçulmanos, o que já coloca a maioria das pessoas, teoricamente, seguindo as mesmas regras religiosas.

No Brasil é um pouco mais complicado, porque somos muito diversos, porém se a gente se esforçar um pouco, também começa a enumerar um monte de características para os brasileiros: “somos alegres, somos malandrinhos, somos atrasados, somos flexíveis, etc”. Mas, a gente gosta de ser generalizado? Ficamos felizes quando vemos as estatísticas de brasileiros barrados na Europa, por exemplo, por termos o perfil de imigrante?

Claro que não, os seres humanos são muito mais do que uma série de qualidades ou defeitos escritos numa ficha, ao lado de sua nacionalidade.

E quem mais me ensinou isso na vida, foi meu marido. Eu costumo dizer que ele é um “egípcio” fora da curva, pois quase sempre ele faz coisas que um egípcio típico, na minha visão superficial do mundo, faria. Aí eu viro e falo:

– Mas que é isso? Você nem parece egípcio!

– E quem disse que eu sou egípcio, ou brasileiro? Eu sou eu, faço o que eu quero. – ele sempre responde.

Eu confesso que entendo o que ele disse por algum tempo, mas depois de alguns dias já estou eu aqui de novo, tentando definir os egípcios, seu jeito, como pensam, como andam, como falam… Mesmo que, na prática, isso não sirva para nada, pois cada pessoa é única nesse mundo.

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Publicado em junho 6, 2011, em No Brasil e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Olá Marina!
    Concordo plenamente com seu comentário. Não tem como criar estereótipos com base em nacionalidades. Cada pessoa é única. Se bem que meu amado egípcio se encaixa nas características que você citou (risos). É como sempre digo: existem pessoas e pessoas…

    Beijos.

  2. “Eu sou eu, faço o que eu quero.”
    Sim, é o que somos. Embora, o mundo todo tenda a nos selecionar, classificar e etiquetar…para por fim, nos discriminar dessa ou daquela forma. Sou nordestina de nascimento, paulistana por criação e atualmente estou como o Musta, “eu sou eu”…não importa onde, quando ou como. Onde moremos, com quem convivamos não importa. Cada experiência nos acrescentará mais características ao nosso ‘eu’, para finalmente sermos únicos.

  3. Salam!
    Ótimo texto,não podemos generalizar as pessoas,isso seria delimitá-las aquilo.É como classificar os muçulmanos de terroristas,ou os judeus de mesquinhos,é delimitar todo um povo em uma simples palavra.

  4. Adorei seu texto e tenho acompanhado já tem um tempo,adoro quando eu entro aqui e vejo que postou alguma coisa.beijosss!!!

  5. Eu adorei muito

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