A arte de se transformar


Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade.  Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.

Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes.  Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.

Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.

É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.

Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.

Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda.  E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).

No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.

E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.

No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.

-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.

– Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.

E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.

O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.

E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.

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Publicado em setembro 16, 2011, em No Brasil e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 19 Comentários.

  1. Olá , Mariiiiii
    Garota , eu sou a pessoa mais sortuda no mundo por ter encontrado este seu blog
    você é encantadora como pessoa , nota-se nitidamente o quão querida você é
    adoro ver o modo como você pensa e ve a vida , tem muitas coisas que eu penso igual a você ,
    continue sendo essa pessoa maravilhosa e te desejo apenas o melhor .
    E muito obrigada , por dividir seus pensamento e momentos desta vida conosco .
    Abraço Eve .

  2. Oi Ma, parabéns pelo seu casamento, pelo seu companheiro tão em sintonia contigo, é um deleite ler seus textos, tem hora que vc arrasa mesmo, tudo de melhor pra vc e pro mister Mosta.

  3. Lindooo Lindoooo….. Saudades de bater papo com vcc.. Bjussss

  4. lindooooooooooooooo…..! felicidades sempre Marina e Musta , bjka Elaine Ruas

  5. Ahhhh, que lindo! Espero também ter uma estória de amor como essa! Que Allah abençoe sempre seu casamento! bjs

  6. Ola Marina

    Minha historia eh igualzinha a sua…em vez de vestido e festa eu me preocupei com passaporte e visto… casamos com apenas as testemunhas aqui em Dubai, so difere de vc nisso.

    Que legal, assim o nosso casamento nao eh algo monotono.

    bjk

    se quiser visite meu blog Eu Brasil, Ele Egito (brasilegito.blogspot.com)

    Criss

  7. Bom dia amiga… Fiquei muito feliz ao ler sobre seu casamento. Estou muito próximo disso o que você acabou de dizer. O meu amor vem para o Brasil e sua intenção, assim como a minha, é de nos casarmos e construirmos a nossa vida aqui, mas confesso que as vezes sinto um pouco de medo. Medo dele não se adaptar ou de o choque cultural atrapalhar o que temos hoje. Eu não o conheço pessoalmente… Só por mensagens e chamadas na internet, mas posso dizer que ele é tudo o que eu sempre quis para envelhecer ao meu lado. Já não sou uma criancinha e com meus 39 anos de idade, posso dizer que conheci o verdadeiro amor. Gostaria de te pedir se você pode me mandar um modelo de carta-convite para eu enviar a ele. Ele é egípcio e mora atualmente no Kuwait. Obrigada desde já. Amo seu blog… Abençoada seja! Salam.

  8. Lindo texto, Marina!!! AMEI!!!!

    Bem, posso dizer q a impulsividade e o desejo de mudanças não é só para jovens. Eu, por exemplo, com mais de 30 anos, tb me aventurei, pus o q deu em 2 malas e vim na cara e na coragem acreditando tb no amor. ❤

  9. Bonita mensagem Marina, adorei! O amor é assim mesmo, transforma com sua luz 🙂 Saudades de falar ctg! Beijinhooooooos

  10. Parabéns Marina. Por se expressar tão bem e ter um companheiro bacana. Continue dividindo isso conosco. Beijão.

  11. Muito bom o post. Queria ter atitudes como essa para realmente mudar a minha vida, fique com Deus !!

  12. É bom ler textos como esse, inspirador e apaixonado, como um casamento deve ser.
    Infelizmente em nosso país e coisa do “Casamento” se perdeu, e eu não quero ser igual a todos, eu quero viver um casamento de verdade como Deus mandou.

    Que seu texto sirva de exemplo para aquelas pessoas que julgam o casamento como uma prisão.

    bjos e felicidades

  13. Nossa essa foi fundo!!! me emocionei com suas palavras!!! bjs Marina

  14. Seus posts me animam, sabia…?

    Tô me sentindo até mais leve agora…

  15. Oi Marina, que reflexão linda!!!
    Obrigada por compartilhá-la conosco. Admiro pessoas que tem coragem de viver aquilo que acredita, que não medo de errar, e que acima de tudo têm belas historias para compartilhar.
    Grande abraço
    Maria
    Brasília-DF

  16. Muito bacana o post, Marina! Só agora pude ler.
    Não é fácil, né… largar tudo em nome de um amor nessas circunstâncias. É o tipo de coisa que eu prefiro não pensar, vou fazer e ponto. Confesso que ando com um frio na barriga, mas minha hora é essa. Não sou mais ingênua e reconheço que tento ao máximo estar com os pés no chão e ir largando as coisas pouco a pouco, o que pra mim já é loucura o suficiente hehe… Mas certamente, em outro momento (futuro), não faria isso, pois não teria coragem…
    Espero que dê tudo certo e que o esforço seja retribuído pelo meu habibi. De qqr forma, o plano B estará na manga! 🙂
    Beijos

    diariodadanis.blogspot.com

  17. estava lendo alguns blogs aqui e me deparei com o seu. Faz um mês que casei, meu marido é indiano, e estamos morando aqui no Brasil. Seu post foi uma lição de vida pra mim. Comigo acontece exatamente assim, e o post me fez compreender muita coisa.

  18. Olá Marina!

    Acho lindo o seu site e sua história. Fico feliz em ver belas histórias de amor.
    Eu estou aqui para relatar um drama para que outras meninas não caiam como eu cai: há cerca de um ano, conheci um marroquino pela internet. Depois de 6 meses de namoro, ele veio para o Brasil, eu paguei a passagem ( como fui idiota, mandei dinheiro para ele ), e ele veio ao Brasil ficar comigo. Nunca quis trabalhar, bem como aprender português. Na noite do último sábado, liguei para meu amigo que está no hospital, e ele me agrediu, me deu um tapa na cara, puxou meus cabelos me empurrou e gritava comigo, Agrediu minha mãe também, empurrando-a. Chamamos a polícia, ele disse que ia me processar que ele queria dinheiro. Eu sei que ele fica procurando mulheres da internet por interesse, porque ele quer dinheiro e cidadania européia/americana/canadense ou outra. Meninas por favor não caiam nesta. Ele é bonito e sedutor, mas extremamente violento, só pensa em dinheiro.
    Minha história terminou na polícia, os policiais da minha cidade logo trataram de tirar ele de perto de mim, porque um dos policiais me falou que eu corria risco de vida, ele ia me matar.
    Meninas, não vou dizer que todo marroquino é assim, mas cuidado, não quero que ninguém passe terror que eu passei

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