Uma mente simplista


Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.

A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.

Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.

E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):

” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”

O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.

O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?

Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.

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Publicado em novembro 21, 2011, em No Brasil, No Egito e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Antes, eu estava “de fora do meio islâmico”, tentava compreender, não achava certo o que faziam e aliás, fazem: que é difamar, perseguir, ridicularizar… Podia compreender, porque creio na doutrina do Espiritismo. Mas é aquilo: agora, compreendo melhor, já que estou conhecendo ainda mais o Islã e tenho um respeito muito grande!

    Aliás, para criticar, tem que ter classe, né????? Coisa que o cidadão não teve!

  2. Marina sempre arrasando,eu confesso que luto contra meus preconceitos diariamente,vivendo e aprendendo.Pessoas diferentes,culturas dferentes,é um grande aprendizado,espro conseguir ensinar minhas filhas a nao serem preconceituosas a ponto de se tornarem injustas.beijos,sou sua fan

  3. Tá certa… Onde sobra opinião, falta compaixão…é sempre assim. E o que vc disse, aquela libanesa (Joumana Haddad) repete e explica bem explicado no livro dela “Eu matei Sherazade”. Vale a pena ler, se não leu ainda! bjooo

  4. Marina, sem comentários, amei seu post. Maravilhoso! Nós, seremos humanos, somos tão imperfeitos e temos tanto para aprender e melhorar. As diferenças de opiniões e estilos de vida deveriam servir para nos ajudar a ser melhores e não para nos oprimir e, muitas vezes nos tornar crueis…
    Super beijo para você é ótima semana!
    Salam,
    Aminah

  5. Oi Marina, seu post está fantástico, eu acho mesmo que é tudo tão simples quanto isso, cada um tem liberdade e direito de ser, gostar, vestir ou professar a religião que gosta e desde que não perturbe ou invada o espaços do outro. Ninguém pode julgar ninguém pela diferença, afinal é esta mesma diferença que faz do mundo um lugar maravilhoso. Imagina se tudo o mundo gostasse do mesmo e fosse tudo igual? Era muito chato. Não deixe nunca de nos transmitir suas opiniões sempre sensatas.

    Abraço
    Isabel

  6. Ola Marina! Já tem um tempo que leio seu blog e artigos! Curiosidades sobre o Egito.
    Já chorei, me emocionei, dei muita risada também. Como gosto muito de ler. Lembro que nos primeiros dias eu não queria fazer nada a não ler tudo rs.E como neste novo post eu fiquei triste novamente ,por saber que ainda existe pessoas que sem o profundo conhecimento, criticam culturas, países e religiões.
    O que eu faço é orar pela vida deles, e que Deus nos ajude a não sermos críticos também.

    Com carinho,
    Simone.

  7. Olá, nunca comentei em nenhum post seu e não sei o porque, mas hoje me senti super a vontade em fazer isso, adorei esse post e concordo com plenamente tudo que você escreveu, tenho uma amiga mulçumana no trabalho e passamos horas refletindo por coisas, que talvez as pessoas ignorantes e não abertas a respeitar as outras culturas, talvez nem pensam em discutir e ver que aquilo deve ser respeitado, a cultura de um povo e a crença de um povo é uma coisa muito rica, para ser tão exposto e criticado por quem nada entende, ou se julga superior pelas diferenças.. mas infelizmente há muito assim por ai.

    Estou te seguindo twitter também, estou “conhecendo” um Egípicio e devo confessar que as vezes temos um pouco de medo até na forma de conversar, pois não sabemos se aquela pessoa é realmente séria como você deduz que seja, mas tudo depende do tempo e de como será o desenrolar desse “conhecimento”.

    Parabéns pelo blog!!

  8. Adoro seu blog, mas hoje em especial lendo me emocionei ,pois estou vivendo no cairo ,e sei o que voce esta dizendo sobre as pessoas aqui ,sobre o preconseito que existe com essa gente ,Eu mesmo assim que cheguei aqui nao comia nada ,nao conseguia ver aquele homem com maos sujas pegando no pao na padaria , a sei la depois vi que isso e hipocrisia minha e aprendi a amar o egito como se fosse Brasil meu Pais , pois gosto de pessoas simples , mesmo tendo dinheiro aqui as pessoas sao muito simples e amavel , amo todo aqui a familia de meu esposo e muito bela tambem .

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