O Natal


Acho que já postei isso em outros Natais, mas não custa repetir. Isso é o que está escrito no Alcorão sobre o nascimento de Jesus:

E quando os anjos disseram: “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” Perguntou: “Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?” Disse-lhe o anjo: “Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.
Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): “Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Alcorão 3:45-52)

Não somos, afinal, muito parecidos? A maior diferença é que muçulmanos não enxergam Jesus como filho de Deus, mas sim um profeta. E se notarem na parte que se fala da concepção, o milagre de seu nascimento é que Deus ordena o que quiser, até o nascimento de uma criança sem pai, mas para os muçulmanos isso não significa divindade.

Na minha família, Natal sempre foi símbolo de união familiar e alegria – além de boa comida ahaha (#gordinhafeelings).  Esse tipo de celebração existe em todas as religiões. No Islã, só existem dois feriados, os Eids, que celebram o fim do ramadã e o sacrifício de Abraão.

Existe uma pergunta que sempre passa pela cabeça dos muçulmanos que vivem no Brasil e vêm de famílias cristãs nessa época. É permitido celebrar o Natal com minha família?

Eu não posso dar uma resposta, mas sim as diversas correntes do islamismo. Algumas – que ultimamente estão mais fortes no  Brasil – são um pouco radicais neste ponto e dizem que é haram – pecado – você celebrar ou até mesmo responder a uma felicitação de “Feliz Natal”. Por conta disso, infelizmente, pipocaram na internet esses dias algumas grosserias, como imagens com árvores de Natal cobertas com um X vermelho bem grande com os dizerem: sou muçulmano, não celebro Natal e não me deseje Natal. Para mim, isso é um ato bem anti-islâmico, afinal nosso próprio profeta acolheu minorias religiosas e nunca obrigou a conversão de ninguém. O exemplo dele sempre foi de bondade e amor, eu não acho que insultar ou agredir a religião do outro seja necessário. Aliás, nem acho que o assunto Natal devesse despertar tanto rancor dos muçulmanos convertidos.

É muito simples se entender o limite do que devemos falar em público. Você gostaria, como muçulmano, de na época do seu Eid, ver seus amigos ou conhecidos cristãos, postando mensagens com um X num cordeiro, escrevendo: “Sou cristão, não celebro EID”? Você não se sentiria um pouco ofendido ou chateado? E me surpreendeu muito o tanto de gente que conheço que postou isso nos seus murais…

Então, acho que em tudo na vida, inclusive na religião, o que vale é o equilíbrio e a sensibilidade, pois estamos num mundo muito misturado hoje, nosso vizinhos aqui no Brasil não são muçulmanos, e se queremos ser respeitados e até mesmo divulgar nossa religião, isso exige cordialidade e respeito. Pois quem respeita, é respeitado. Claro que devemos impor limites às vezes, mas dá pra ser sim muçulmano num país cristão, e celebrarmos todos juntos, inclusive nosso feriados muçulmanos depois.

Eu apoio esta minha visão em Al Azhar, a central islâmica do Egito e onde fiz minha shahada – Alhamdo Lellah. Não são eles que bancam o ensino religioso no Braisl, então infelizmente temos visto muito mais opiniões fechadas vindo da Arábia Saudita, do que isso que deixo abaixo. É um livro que Al Azhar compilou para ajudar muçulmanos que vivem na Europa, mas se encaixa muito bem a nós aqui no Brasil também. O link está no final.

A question was asked about whether or not Muslims should
congratulate non- Muslims during the latter’s festivals (a‘ayad).
Fatwa in brief: It is illegal to congratulate non-Muslims during their religious
festivals. In so doing one shares in sin, and [their] corruption.
The Permanent Committee, 313/3

See Shaykh Sa‘id ‘Abd al-‘Azim, http://www.alsalafway.com
Response:
There is no harm in congratulating non-Muslims with whom you have a family
relationship, or that are neighbours of yours. Regarding their festivals,
however, do not participate in the rituals (tuqus) of Christians, or those in a
similar religious category [i.e. non-Muslims].
Commentary:
In two verses from the Holy Qur’an the nature of relationships between
Muslims and others are laid down (Q. 60:8-9). These verses apply directly to
the polytheists and idol-worshippers (mushrikin wa’l-wathaniyyin)
“Allah forbids you not, with regard to those who fight you not for (your) Faith
nor drive you out of your homes, from dealing kindly and justly with them: for
Allah loveth those who are just”.

“Allah only forbids you with regard to those who fight you for (your) Faith,
and drive you out of your homes, and support (others) in driving you out, from
turning to them (for friendship and protection). It is such as turn to them (in
these circumstances), that do wrong”.
These two verses distinguish between, on the one hand, the peaceful
(musalamin) and, on the other hand, the warriors (muharibin). Regarding the
peaceful [non-Muslims], the law recommends behaving justly with them, this,
in turn leads to charitable and kind dealings. On the other hand, the second
verse forbids loyalty to the warriors. This is because they have taken Muslims
as enemies, have fought with them and have driven them out of their homes.
The two Shaykhs [i.e. Bukhari and Muslim] report a hadith in which Asma’
(r.a.) the daughter of Abu Bakr, came to the Prophet (upon him be peace) and
said: “O Messenger of God, my mother has come to me, and she is a polytheist
(mushrika), and she wants to remain in contact with me, should I stay in touch
with her?” The Prophet (upon him be peace) replied, yes, stay in touch with
your mother. This hadith is agreed upon.
[We note that] This is the Prophet’s attitude towards a polytheist (mushrika);
however, Islam’s approach to the People of the Book [i.e. to Jews and
Christians] is known to be more lenient. Indeed, the Qur’an permits Muslims to
be the dinner companions of Jews and Christians, and [even] to marry them.
Obviously, in the latter case, an affectionate relationship is required. Further
[as mentioned already], motherhood privileges a woman in her role over her
children. The children [of a non-Muslim mother] will congratulate her on her
festival days, and behave well towards her. The generous Prophet (upon him be
peace) advises us “to treat people kindly” [lit: “with strong ethics”). He said
“treat people”, and not just Muslims with kindness.
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Hence, if someone congratulates a Muslim during one of their feast, we are to
respond to his greeting with a better, or at least an equal greeting. For God
Almighty says:

“When ye are greeted with a greeting, [you should] return [this] with a better,
or at least an equal greeting”. (Q. 4:86.)
Another motive to respond to the non-Muslim’s greeting is that, if Muslims

want to call them [the non-Muslims] to Islam – which is an obligation upon all
Muslims – one’s relationship with them should obviously be cordial. While in
Mecca, the Prophet (upon him be peace) was well-mannered, and polite to the
polytheists of the Quraysh. He behaved like this despite the fact that they
wished to hurt him, and were plotting against him and his Companions. Indeed,
he was so polite and decent with them that they trusted him with their valuables
(wada‘i’). So, there should be nothing to prevent a Muslim from congratulating
them verbally, or through letters that do not involve religious words or
symbols. [This should not be difficult as] The greetings used to congratulate on
such occasions do not normally pertain to religion; instead, they involve wellknown complimentary messages. Likewise, there is also nothing to prevent a Muslim from accepting a present from non-Muslims, and [even] rewarding
them for it. The Prophet (upon him be peace) accepted presents from nonMuslims. Hence, he accepted a gift from (among others) al-Muqawqas, the
greatest of the Copts in Egypt. Likewise, we may accept presents on the
condition that they are not forbidden by God, such as alcohol and pork.
Regarding days set aside for national and social festivals, such as Independence
Day, Children’s Day, Mother’s Day, and so on, a Muslim is free to
congratulate non-Muslims at these times. If he is a citizen in this country, he is
even free to participate in them, as long as he avoids the illegal acts that may
occur during these occasions.
Dr. Yassir ‘Abd al-‘Azim

Quem quiser o link deste livro: http://www.euro-islam.info/wp-content/uploads/pdfs/the_response.pdf

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Publicado em dezembro 24, 2011, em No Brasil, No Egito e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Assino embaixo, Marina!

    Eles acabam repetindo o que adeptos de outras religiões fazem com eles! É incoerente!

    Vim de uma família cristã, seria anti-islâmico eu me afastar porque o Islã justamente prega a união e fortalecimento da família!

  2. Assalamu Aleikom, Ma!

    Gostei muito do seu texto. Temos visões parecidas.

    E agora com o Kassem me deparei com o Papai Noel.

    Como ele “gostou” da imagem de um velhinho vestido de vermelho. Deixei ele aproveitar essa epoca, falar do Papai Noel, pedir presente, desejar Feliz Natal para as pessoas.

    Do mesmo jeito que fico feliz qdo um não muçulmano me deseja um Feliz Eid, tbem desejo aos cristãos.

    Pecado, penso eu, é atacar a religião alheia, é ser endurecido na propria essencia.

    Na minha familia tenho pessoas de varias religioes e no meu casamento, um tio se recusou a entrar na Mesquita, pois não pertencia a religião dele. Eu achei a cena, no minimo triste. Mas cada um, cada um.

    O importante tbem é a união familiar, tenho certeza que Allah fica feliz em ver todos unidos!

    Beijos grandes e fiquem com Deus

    Barbrinha

  3. No momento que Jesus não é filho de nenhum homem da Terra, logo, ele é filho de Deus !!
    Mais que um profeta, pois não fez apenas profecias, foi educador, pai, filho de muitas mães, médico da alma e do corpo físico, não compreende apenas o que se vê, mas também aquilo que não se vê. Sabe tratar o homem e a mulher com o amor e sabia que todos tem direito a uma segunda oportunidade para compreender o amor de Deus por todos !!
    Feliz Natal !

  4. Adorei o post Marina! Achei mt bom e fala daquilo que acredito ser religiao para mim: a uniao entre homens, independentemente de sua religiao/crenca. Respeito, tolerancia e amor entre todos… isso pra mim e’ Deus, e’ Amor! E Deus esta’ em todo o lado, em todas as religioes, as pessoas e’ q distorcem a mensagem muitas vezes (infelizmente!).
    Beijinhos e obg pelo post mais uma vez!
    Filipa

  5. A autora desse artigo é doida, ou não conhece a história sangrenta dessa religião macabra! Eu sou cristão e moro num país mulçumano, e não há amor nenhum a não mulçumanos. Eles ofedem, julgam, humilham, fazem desgraças com a gente, e depois tentam pintar essa imundicie como uma religião de paz. A paz só funciona pra vcs, que abusam da liberdade, que não existe em países mulçumanos (VAI NEGAR ESSE FATO? VC NÃO LÊ? É CEGA PRA ATROCIDADES QUE OS SEGUIDORES DESSE PROFETAS DOS INFERNOS COMETEM CONTRA PESSOAS QUE DISCORDAM DESSA BABOSEIRA ISLAMICA?). Eu fico revoltado com artigos desses que mentem pra Brasileiros. Eu oro pra que jamais essa religião diabolica se propague em meu país; é uma maldição viver sobre o horrendo peso do islamismo sobre uma vida! Mulçumanos são tão nojentos, que deveriam ser pribidos de sair de suas terras. Estou a trabalho nessa lugar, e mal vejo a hora de ir embora pra poder ter liberdade, e DIZER SEM MEDO OU RECEIO DE SER MORTO QUE EU NÃO SOU MULÇUMANO, GRAÇAS A DEUS!

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