In love…


Desde pequena, ao saber disso mal conseguia dormir. Fechava os olhos, sonhava, imaginava. Lembro de quando meus pais foram viajar para fora e eu era pequena, ligaram e disseram que estava nevando. Eu, sem pestanejar, logo pedi:

– Então traz neve pra mim, mãe!!!!

E passei aquelas noites sonhando com a minha vez de ver a neve. E minha mãe a trouxe. Ela sempre fez de tudo para a gente, até as que parecem impossíveis. E fizemos nevar naquele Natal, em pleno verão de Ribeirão Preto. Tá, era neve de plástico, mas minha mãe procurou lá nas lonjuras, sem falar a língua local e achou esta opção.

E quando, cerca de quatro anos depois, chegou a minha vez de entrar num avião pela primeira vez – só tinha ido quando bebê, não conta – já tinha 15 anos e um turbilhão de emoções tomou conta de mim. Claro que não dormi a noite anterior. E nem nas 11 horas de vôo. Fui expulsa pela minha mãe da poltrona e fiquei sozinha em uma fileira só para mim. Olhava a cada cinco minutos a posição no mapa, vi luzinhas brilhando lá embaixo na noite escura e imaginava como era cada país daquele.  Claro que ao chegar, mal sentia o chão, estava tão virada na ansiedade e sem dormir, que lembro que sentia andar em nuvens, as imagens estavam estranhas e tortas. E era tudo fantástico, como em toda minha imaginação já tinha visto.

O engraçado é que já se passaram tanto anos desde a primeira vez e não deixo de perder o gosto de cada vez que vou para outro lugar. Pode ser perto, longe, não perco meu olhar curioso, gosto até mesmo de sentar e ver as pessoas passando. No que será que são realmentes diferentes de mim?

E até hoje não vi a neve caindo. Um dia, chego lá… mas não tenho mais pressa, neste meu caminho já vi muito mais do que flocos gelados. Na minha jornada por lugares diferentes, ganhei muito mais do que pude sonhar. Toda vez que chego, sinto um abraço do novo, do desconhecido. Rapidamente me adapto, raramente sinto falta de casa. Quando retorno, penso que não há nada melhor que minha cama e o abraço do marido, mas fico com aquele gostinho agridoce da saudade de algo que mal conheço. Toda vez que viajo, sinto que ganho um montão de coisa, mas um pedaço de mim fica pra trás. Ali, naquele lugar que visitei.

Não sou uma pessoa de comprar guias, mas pesquiso freneticamente. O que ficar guardado na cabeça vira o roteiro. E aproveito cada segundo. Na minha última andança, duas semanas atrás, cheguei a sentar em plena calçada, por não conseguir mais ficar de pé. Caminhando 7, 8 horas por dia, uma hora não ia dar mais. E ri sozinha de mim mesma. E insisti, queria ver um pouco mais, aproveitar todos os segundos. Massageei os pés e continuei. Fui até o topo da cidade, mas me senti é no topo do mundo! E tirei zilhões de fotos de mim mesma, feito adolescente, sem vergonha, aproveitando cada ângulo possível da vista. Até que um outro turista, provavelmente cansado de me ver ocupando um bom pedaço da vista para tirar dezenas de auto-retratos, perguntou se eu queria que ele tirasse uma foto minha. E claro que não neguei, quanto mais melhor.

Lá, vi gente de todas as cores e raças. Vi muçulmanos trabalhando, andando por todos os lados, assim como judeus, indianos, brancos, orientais, muitos e muitos latinos como eu. Vi riqueza, mas também pobreza de todos os tipos. Diversidade, felicidade, gente se abraçando na rua, crianças pulando, lojas coloridas em que você não precisa comprar nada para se divertir. Outdoors tão gigantes que você se sente dentro de um vídeo game.

Achei tudo bem feito, bem cuidado. Não vi preconceito, não vi desrespeito. É até difícil se ficar imaginando as razões para que, um dia, tanto mal tenha sido feito contra aquele lugar, aquelas pessoas. Sei lá, poderia ter sido em recantos mais tradicionais – não que pudesse, estou só tentando entrar na lógica do mal – , mas logo ali? Onde tudo parece bem vindo, onde todo mundo corre trabalhando ou se divertindo? Nunca vi tantos sorrisos juntos em um mesmo lugar. Nem tantos sonhos, como o meu, que puderam ser realizados ali. Não, não fiz nada de especial. Andei e olhei – e tirei mil fotos. Só me senti bem, fazendo parte de tudo aquilo, como nunca senti em outro lugar que conheci e que não é meu país. Não precisei fingir ou me adaptar a nenhuma regra. Pude ser apenas eu, pura e simplesmente. Feliz, in love e já com muitas saudades. Um dia eu volto.

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Publicado em junho 26, 2012, em De tudo um pouco... e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Oi Marina!
    Saudades…
    Pra onde vc foi? Fiquei curiosa…. rs…
    Bjos

  2. Então tá… vou deixar meu palpite… New York…EUA ????

  3. Eu sei para aonde você foi e achei seu texto lindo! Até consegui imaginar você sentada na calçada massageando os pés e rindo de si mesma! Beijos!

  4. Só hoje li seu texto. Lindo!!!!…como sempre.

  5. Que lindo o seu texto! Já virei fã do seu blog!
    Bjs! Flor ( do blog Lollavie )

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