Preconceitos latentes


Eu já passei da fase de dar explicações. De ter de me explicar porque não como carne de porco ou porque rezo com o rosto no chão. Não preciso disso, não preciso ser aceita e nem faço questão. Este ano faço 29 anos, já estou quase lá nos 30 e a maturidade me fez muito bem, tirou diversas neuras e me deixou ainda mais sem vontade de ter de justificar meus atos, coisa que já nunca fui muito fã.

Aprendi com o tempo, que ao invés de impor minhas façanhas como algo extraordinário, é mais fácil ir pelo simples.

– Garçom, essa pizza vem algum presunto ou bacon? (já aprendi que dizer carne de porco é muito genérico, eles não entendem)

-Hum, não sei não.

– É que sou alérgica, se comer eu morro, por favor tenha certeza. (Vamos facilitar né, falar de religião não te dá moral nenhuma).

– Claro, claro, senhora, fica tranquila!

E assim fui pegando os macetes da vida, facilitando meu diálogo e meu trânsito. Ninguém precisa saber da minha vida, da minha religião. Falo que não estou comendo porque estou fazendo jejum como quem vai ali escovar os dentes. Quem me pergunta o porquê, explico, mas sem ficar dando muitos detalhes, cada um tem sua fé e sua crença, não vou ficar falando muito senão vira um ciclo sem fim. Eu sou uma pessoa normal, trabalho, vivo estudo, é só isso que quero dizer. Antes de nos separarmos por raças e religiões, lembremos que somos seres humanos.

Acho que pela minha atitude e naturalidade em falar de certos temas, não enfrentei preconceitos que tanto alardeiam por aí. Já ouvi muitas histórias de meninas de véu que foram xingadas na rua, piadinhas com elas, e eu achava que isso poderia ser exagero, porque não via sentia estas coisas na pele diretamente. As pessoas tendem a se colocar no papel de vítimas e eu definitivamente não faço o tipo, por isso estou até mesmo assustada com este post que estou fazendo.

Sei que muitos podem vir e falar: “ah, mas vai num país árabe e anda com roupa justa, você vai ver que vão mexer com você”. Tá, tá gente, não estou na quinta série e já falei mil vezes que nenhum lado é perfeito, o ideal seria um mundo onde você anda do jeito que quer, pelado ou vestido, sem ninguém encher seu saco, mas infelizmente a vida não é assim. E não é por que alguém faz errado, que isso me dá justificativa para agir com a mesma brutalidade.

Mas voltando ao Brasil, nós passamos cinco anos relativamente tranquilos por aqui, tirando uma gracinha ou outra com homens bomba, que levamos na boa e entramos na brincadeira, afinal não é fazendo cara feia que vai ajudar, ou as mil perguntas sobre quantas esposas seu marido pode ter, ou o espanto de quando sabem que vivi no Egito e perguntam “mas a mulher sofre muito lá?” e minha explicação de como homem bom e ruim existe em todo o lugar, ou não teríamos tantos crimes passionais no Brasil.

Pois bem, eis que estávamos felizes e cantantes até então. De junho para cá, já foram duas ocasiões em que o preconceito deslavado e descabido bateu na nossa porta. Assim, de me sentir literalmente levando um capa na cara, mesmo que não tenha sido comigo, mas com meu marido. Nas duas vezes, apenas o nome dele, que por sinal é bem árabe, foram motivo para ele ser mal tratado ou sofrer assédio moral.

Em cinco anos de Brasil, só havíamos recebido sorrisos e no máximo gente chata que tem preconceito mas não fala nada, mas sentimos o cheiro de longe e já nem nos aproximamos. Meu marido até escreveu este post aqui sobre o que sentia pelo Brasil.

Agora quando parece tudo bem encaminhado, duas pessoas fazem questão de deixar claro, sem motivo algum, as suas convicções religiosas e aproveitaram de sua condição hierárquica superior para dizer de forma enfática o quanto não gostavam do meu marido, só por conta do nome dele, pois mal o conheciam.

– Eu não tenho nada contra você, mas odeio islamitas. (ãhn?)

– Nos países árabes, os pais ensinam os filhos desde pequenos a vingança e serem homem bombas. (por uma professora sabendo da presença de um muçulmano na sala de aula)

– No livro deles, o Alcorão, estão escritos absurdos como a mulher usar burka e cortar a mão de quem rouba. (minha filha, estuda um pouquinho antes de falar do que nem sabe. E antes de mencionar sua opinião sobre o livro sagrado alheio, pare pra pensar se você gostaria de uma análise nestes termos também sobre o SEU livro sagrado.)

E teria outros exemplos para citar. Só sei que isso pode parecer bobagem, mas não é. Se você acha pouco e releva, não deveria.

E meu marido não tem nada do esteriótipo árabe, se você está pensando que ele é quem causou isso – não seja daqueles que adooooram botar a culpa na vítima. Ele é uma das pessoas mais flexíveis e amigáveis que conheço, tem dezenas de amigos brasileiros, é carinhosamente chamado de “habibi” por muitos.

Imagina você, sendo brasileira e trabalhando nos Estados Unidos, conquista uma vaga legalmente e está lá quieta fazendo seu serviço. Aí chega um gerente que não te conhece, mas que sabe da sua presença e fala “nossa, o problema deste país são os imigrantes, e essas latinas que vem se prostituir aqui, que horror.” Você não ficaria triste? Poderia fazer muita coisa, naquele momento, sendo que está numa posição hierárquica inferior? Não filmou, não gravou, teria coragem de ir até o presidente da empresa fazer uma queixa?

É meio complicado, mas dói. Preconceito e ser mal tratado em público por alguém que mal te conhece, simplesmente por sua origem, raça ou religião, é ardido.

Mas não vou ficar quieta, acredito que o Brasil ainda é um lugar onde aceitamos muito mais as diferenças, afinal temos todo o tipo de imigrante aqui e a maioria se deu bem e se integrou, como a gente. Mas não poderemos nos calar e deixar que esses maus exemplos se tornem rotina nas nossas vidas.

ps. Faz já um mês que um ser estúpido de Belém do Pará vem aqui para me xingar e dizer que odeia o islamismo. Só tenho um conselho: procure um psiquiatra, você está no site errado.

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Publicado em agosto 14, 2012, em No Brasil e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 24 Comentários.

  1. Está certissima Marina, não deve se calar…qualquer tipo de preconceito tem que ser combatido.

  2. – Sei que é de ficar extremamente chateada .. Já ouve ocasiões no colégio, quando eu era menor, de professores me retirarem da sala por debater questões religiosas que eles mesmos propuseram a falar. E sabe o que eu levei disso? Nada.
    Não se deve deixar abater por pessoas ignorantes sobre o assunto.
    Pode-se pensar que uma pessoa estudiosa é inteligente, mas não é sempre assim, existem pessoas que querem ver somente aquilo que lhe convém ou então é tolo o bastante para ser influenciado pela mídia deste país.
    O que falam ou o que pensam não me afeta e não deveria lhe afetar, pois a sua fé é maior que isso.
    Salam.

  3. Sabe Marina, hoje religião é uma das coisas bastante segregadoras. Se a gente defende uma conduta, um estilo de vida que está ligada a Deus, nós somos ofendidos e segregados. Basta ver quando a defendemos a vida e lutamos contra o aborto. Somos xingados literalmente. Dom Odilo foi na Roda Viva a pouco tempo e esqueça o respeito pelo cargo. Foram preparados para bombardea-lo. Eugenia e Juliana passaram mal pedaços na PUC (Faculdade católica) por serem católicas.
    Agora vem você com esta de prefessora. Por acaso é professora da FMU?
    Os formadores de opinião de nosso país gostam de pregar liberdade, mas há muito tenho visto e reparado que liberdade desde que de acordo com os principios deles. O que vemos é inversão de valores dos mais descabidos. O Brasil está entrando numa fase de pessoas das mais melindradas e vitimizadas. Pensam no seu direito conforme sua conveniência. Mas tolhem de maneira selvagem a escolha alheia. O que mais me preocupa são os formadores de opinião como professores universitários, jornalistas e assim vai. A liberade é seu lema, mas sua conduta é sempre de cerceamento de ante daquilo que não acreditam ou não lhes convém. Por isto Carminhas, Ninas, Big Brothers, Fazenda, Na Moral fazem tanto sucesso.
    É triste assim. Mas estejam sempre preparados com argumentos e quando não vale a pena, com o silêncio. Mas professora universitaria com preconceito é fim de linha. Precisa ser denunciada.

  4. Marina, você simplesmente disse tudo! Preconceito vai sempre existir, seja forte, que seu marido também seja! O Brasil, como em todo outro lugar nunca vai ser perfeito, mas nós, minoria, tentamos fazer do nosso mundinho um lugar perfeito, mas isso não significa engolir todos os sapos do mundo! Força e paz!

  5. O Preconceito é trash! …E o pior é que não tem como combater isso, porque é uma coisa bem particular. Não sou mulçumana, e não tenho nada contra. Mas, infelizmente, gente de mente pequena existe em qualquer lugar pra importunar a vida alheia. =/

  6. Preconceito é horrível mesmo, mas existe e muito. Preconceito contra religião, que mesmo que não pareça não só contra a Islâmica não, os católicos também sofrem preconceito, os crentes nos olham como pecadores e ateus, ouço pessoas falarem que católicos são apenas uma fachada pra quem não tem religião ou mesmo amor a Deus.Mas existe sim, tem ainda ainda os que nos chamam de carolas, de pudicos e outras coisas mais. Ainda existe muito essas coisas no mundo. É bem menos pejorativo que contra os muçulmanos que recebem o título de terroristas. É difícil, mas aprendi a respeitar a opinião destas pessoas, elas querem atingir com maldade aquilo que não conhecem ou que imaginam ser ameaçador pra elas. Sou casada com um muçulmano e sou cristã, nunca tivemos uma discussão por causa disso, admiro a fé dele e respeito, apesar de ter uma crença diferente. E como sempre digo as pessoas, ele pelo menos tem fé em Deus, e as pessoas que não tem Deus no coração? O meu Mohamed vive passando por isso, todos os dias. Já tentou ser convertido várias vezes por crentes fanáticas, mas procura ter paciência, eu também. A final o mundo assim, as pessoa gostam de rótulos. É o negro, o pobre, o gordo, o homossexual….. De resto vamos tentar passar alguma coisa boa sobre a fé e o amor que todos nós nutrimos por Deus, que seja qual for o nome que receba ou a religião que o adore esta acima de todas estas coisas e é único. Força Ma bjuss

  7. A pergunta é: para você qual o limite entre opinião particular (mesmo que negativa) e preconceito????
    Exemplo—> eu não gosto por motivos pessoais e de convicção de evangélicos e judeus. Nunca os agredi fisicamente, é claro. Porém expresso sempre minha opinião (quando é pertinente) e digo claramente que não gosto/não simpatizo/não concordo com eles. Muitas vezes já fui chamada de preconceituosa.

    • então Laura, essa é uma questão um pouco delicada. Ao dizer que não gosta de um grupo de pessoas especificamente apenas pela sua religião e origem é preconceito, mesmo que vc não os agrida necessariamente. As pessoas são mto diferentes mesmo dentro de grupos religiosos, os pensamentos podem ser diferentes. O fato de eu ser muçulmana, por exemplo, não significa q eu concorde 100% com tudo q muçulmanos falam ou que não possa ter uma visão diferente sobre certas coisas. Se vc já impõe uma barreira de não gostar de alguém só pela origem dela, sem ao menos conhece-la, está julgando sem conhecer.

    • – A palavra preconceito já se auto explica: conceito na qual você tem antes de conhecer este algo, “pré-conceito”.
      No seu exemplo, não gosta das convicções dos judeus e evangélicos porque ouviu falar, soube por cima ou se intereçou pelo assunto e viu que essas convicções não estão ao teu agrado? Não batem com as suas convicções? Tem todo do direito de não gostar, de criticar , sem perder o respeito com o outro, mas não antes saber o que realmente é.
      Quando a Marina diz preconceito, ela ainda relata a ignorancia da pessoa quando cita:
      “- Eu não tenho nada contra você, mas odeio islamitas.
      – Nos países árabes, os pais ensinam os filhos desde pequenos a vingança e serem homem bombas.
      – No livro deles, o Alcorão, estão escritos absurdos como a mulher usar burka e cortar a mão de quem rouba.”
      Isto deixa claro que foi um pré-conceito da pessoa, afinal sabemos que nada disso é verdade.

    • Ao dizer “eu não concordo com a convicção”, é uma coisa, está a ser respeitadora, e sem ofender ninguém expõe o facto de as suas convicções não serem as mesmas. Não é um assunto assim tão delicado, é uma questão de saber aquilo que está a dizer. Eu não creio em Deus. É algo pessoal meu não acredito e pronto, mas muitos amigos meus acreditam e são devotos não só cristãos católicos como protestantes, judeus e muçulmanos, e ainda conheço budistas. Já tive várias vezes conversas com eles sobre religião, e ambos fundamentamos as nossas crenças, (neste caso o porquê de não acreditar) sem nos ofendermos. As únicas pessoas que eu não consigo respeitar, são as pessoas que não conseguem respeitar quem difere da opinião, já me responderem “como não acredita? então acredita em quê? no diabo?” isto é completamente ofensivo, e enquanto as pessoas não aceitarem que não temos que ter em comum a religião para sermos civilizados, não vamos muito longe. Mas é tudo uma maneira de expressão, note a diferença entre dizer ” eu não gosto de judeus e evangélicos” e dizer, “eu não concordo com as convicções dos judeus e evangélicos”.

  8. Olá Marina,
    Gostei muito das suas colocações, infelizmente as pessoas não costumam se colocar no lugar das outras, e quando fazemos isso percebemos que o diferente não é tão diferente, e que nossos preconceitos são sempre algo extremista e sem sentido.

    Eu por um tempo cheguei a ser oficialmente muçulmana (fiz a shahada), mas sem apoio na família ou em qualquer lugar (não estou “botando a culpa” em ninguém), parei para pensar o que eu queria de verdade. Hoje penso que tenho na verdade uma admiração muito grande pelos muçulmanos, por sua fé inabalável, por sua força ante as adversidades (e na maioria por sua hombridade, apesar de ter cruzado com personas non gratas muçulmanas – – o que importa no final é Deus, não seus seguidores), e penso que a minha admiração não era fé, pois eu não era corajosa o suficiente para abrir mão de tantas coisas (principalmente dos meus cachorros).

    Assim, desejo que cada dia mais as pessoas possam aceitar e compreender o islã como uma religião plena, sem esses estereótipos que humilham, inferiorizam, deturpam e ferem seus seguidores. Eu faço minha parte como historiadora e pesquisadora do mundo árabe-islâmico, mas anseio que outras tantas pessoas, mesmo sem seguirem a fé, tenham esse comprometimento.

  9. Soraya Al-Fath Elsayd

    Lamentável realmente, mas também é realidade o preconceito com as pessoas e nao é só contra o Islam, mas contra outras raças como negros, pois sempre há uma piadinha ofensiva contra os negros. Sei bem o que é sofrer preconceito contra minha opçao de ser muçulmana, eu também nao me importo, e também nao me dou o trabalho de dar explicaçoes a pessoas que pensam que conhece o Islam, quando tem apenas conhecimentos superficiais, por assuntos isolados que a midia passa a esta pessoas. Mas o pior preconceito é o preconceito da nossa própria familia. Hoje vivo diariamente com piadinhas e opinioes de pessoas que convivem comigo, me conhece, me ama e ainda nao consegue aceitar minha opçao. Isso me chateia, mas as vezes penso que o tempo fará com que essas pessoas entendam que nao sou outra pessoa, que o Islam é algo para minha vida e que isso nao interfere na vida delas. Que eu nao como carne de porco, faço minhas oraçoes diárias, jejum no Ramadan, por que é o que eu acho certo e é o que eu acredito.

  10. Marina, se precisar de ajuda jurídica estou a disposição. A partir do momento que não gostamos de algo no “sentido amplo” devemos ter como educação e conduta o RESPEITO simplesmente isso.
    Temos passado maus bocados com situações semelhantes.
    A ignorância a má informação e o desrespeito causam esses dissabores na vida.
    Espero que a justiça seja feita e se precisar de algo conte conosco.
    Nosso sistema não é um dos melhores do mundo, temos latrocínio, estupro, corrupção, lei Maria da Pena, para criticar outro sistema social ou cultura, quando formos melhores, podemos dar exemplo mas não julgar, humilhar ser preconceituosos quem somos nós? Deus em todas as religiões fala que o outro é irmão, que devemos ter bons sentimentos, não entendo uma pessoa que se julga professor ou religioso desrespeitar a própria conduta moral ética e religiosa que lhe é pregada, sinal que a pessoa não tem seguimento nenhum, pois o minimo que o ser humano deve dar ao outro é o respeito somente isso,não importa que lugar do mundo estaremos, nossa raça, religião as mazelas mundanas estão a solta, somente não podemos abaixar a cabeça.
    Que a justiça humana (se ela existe?) seja feita, e que a justiça divina aconteça logo (essa É certeira) que Deus tenha piedade dos preconceituosos.
    Abraços… saudades.

  11. Não sei se no Brasil acontece o mesmo, mas em Portugal podemos por um processo legal em professores, particularmente em professores que ensinam menores, que põe um supervisor do ministério da educação na sala de vez em quando, e se houver testemunhas de que qualquer comentário ofensivo em termos religiosos tenha sido feito em sala de aula, o/a professor/a, pode ser suspenso de dar aulas.
    Eu própria pus um processo numa professora primária que disse que os judeus não passavam de um povo sovina e forreta, na aula da irmã de um amigo meu que é judia. A miúda tem 7 anos, não está na idade de discutir religião, e ninguém tem o direito de dizer isto a uma criança! No máximo dos máximos aceitava que, se as outras crianças na turma não conhece-cem a religião, a professora tentasse explicar que todos temos direito ás nossas crenças e que temos que respeitar mesmo que não acreditemos, e tentasse explicar muito basicamente o conteúdo da religião(visto que são crianças com 7 anos). É realmente vergonhoso haverem professores com uma mentalidade tão retrógrada!

  12. Olá, meu comentário n é sobre o Post. É que enviei um email para obter informações a respeito das aulas de árabe e n obtive resposta até hoje. Enviei dia 29/07. Houve mudança no endereço eletrônico? enviei para o endereço mencionado no link acima. auladearabe@gmail.com Te agradeceria ser vc pudesse checar se ocorreu algum problema com o email. Acabei de reenviar. Obrigado.

  13. Sei exatamente o que é isso.

  14. Marina, você está certíssima. O meu marido também escutou esses dias da própria chefe brincadeirinhas sobre homens bomba, etc. Depois pediu desculpas, pois viu que ele não gostou. Como vc disse, nós odiaríamos ser chamadas de prostitutas, traficantes, etc no exterior.
    Pessoas preconceituosas deveriam ser banidas.
    E pra quem não conhece o Islã, deveria saber que eles respeitam Jesus e Maria mais do que muitos cristãos e que muitas coisas do Alcorão também estão escritas na Bíblia, inclusive o fato da mulher se cobrir. Se seguíssemos o cristianismo mesmo, não seríamos tão diferentes dos muçulmanos.
    Detalhe: sou cristã e o meu marido, como vc sabe, muçulmano. Novamente, afirmo que nunca tivemos problemas com relação a isso.
    Bjs!

  15. “Pode-se pensar que uma pessoa estudiosa é inteligente, mas não é sempre assim, existem pessoas que querem ver somente aquilo que lhe convém ou então é tolo o bastante para ser influenciado pela mídia deste país.” – Eu que o diga – senti na pele o preconceito de uma pessoa da minha familia e com o titulo de doutora – os absurdos que eu ouvi. Como eu disse pra ela, cada um colhe o que planta – ja que ela escolheu assim, jogar no lixo mais de 20 anos de amizade e convivencia, pq eu sou muculmana e ela nao aceita ou nao concorda e acho que eu sou isso e aquilo – eu larguei mao!

  16. Bom, deve ser realmente difícil ter que encarar todos os dias as piadas, os olhares, os cochichos, mas a gente acaba aprendendo a relevar alguns comentários, alguns fatos algumas pessoas, no entanto a gente sabe que algumas não estão fazendo essas brincadeiras por pura ingenuidade. E realmente eu me sentiria mal mesmo, tendo uma pessoa violentamente expondo suas opniões contra o que acredito, contra alguém que amo, pois seriam também contra mim, ou sobre minha religião, ou sobre meu modo de vida. Mas acho que simplesmente diria a ela você tem a sua vida e eu a minha, vivamos respeitando as escolhas que cada um faz! Não seria uma pessoa que estaria na minha lista de agradecimentos, de felicitações.

  17. Oi Marina, tudo bom? Quanto tempo, né? Pois é, li seu texto e achei muito bom e interessante os comentários. Embora não seja mulçumana, você sabe, mas o pai de minha filha sim, procuro sempre mostrar a minha filha que para criticar qualquer coisa, entre elas a fé dos outros ou ser crítica da nossa mesma, é necessário conhecimento. Deixo para ela a opção de discutir sobre isto e, se ela desejar, de ter contato com algum padre, imã, pastor, monge para ela melhor conhecer as diversas religiões. E saber do que está falando quando for necessário. Porém, como você mencionou no seu texto, esta história de associar qualquer mulçumano com homens bombas, terroristas é pura ignorância. Uma vez, me irritei com a brincadeira de uma conhecida ao fazer este tipo de comentário sobre mulçumanos. Geralmente, relevo, mas com ela não aguentei e a questionei se ela sabia que deveríamos chamar alguns cristãos de terroristas também, se, por exemplo, lembrássemos dos conflitos entre irlandeses católicos e protestantes. Mencionei outros conflitos (e sangrentos) entre cristãos em outras épocas também. Resposta dela, um tanto sem graça: “É Bia, você tem razão. Falei bobagem. Nunca parei para pensar nisto, me desculpe.” Pois é….

    Bom, Marina, me desculpe fugir um pouco do assunto agora, mas gostaria de perguntar-lhe ou às leitoras aqui que tem contato com Egito, se saberiam me dizer o(s) telefone(s) da Embaixada brasileira no Cairo. Ficaria grata por isto.

    Um abraço e bom feriado a todos!

  18. Li um comentário sobre cobrir a cabeça…. As pessoas esquecem que enquanto a mulçumana cobre a cabeça com um lenço ou qualquer outro tipo de tecido mais curto ou mais comprido, a judia tradicional cobre seus cabelos com uma peruca. Encontramos muitas delas assim passeando pelas ruas de Higienópolis ou no próprio shopping. E isto foi dito por um rabino também, quando visitei há alguns meses uma sinagoga, num passeio pelo Bom Retiro. A explicação que ele deu é a mesma que o mulçumano dá. E sim, a cristã cobria, e cobre como as ortodoxas na igreja, como me explicou uma professora de russo, a cabeça com um véu. Isto eu fiz até meus dez anos, quando ia à missa. Aliás, nós ganhávamos na primeira comunhão os tradicionais presentes: a vela, o véu rendado branco e o pequeno livro de orações com capa em madrepérola. Hoje, vemos ainda algumas senhorinhas fazendo isto. Portanto, o hábito de cobrir a cabeça consta nos três livros sagrados das três religiões. Bjs

  19. Marina, sei teoricamente,”visceralmente” ,literalmente que “preconceito é falta de conhecimento”,mas quando sofremos esta falta de conhecimento dos menos avisados sobre a origem de todos os humanos,dói mesmo.
    Com o tempo aprende-se que,quando se é rejeitado(a) por ser diferente,o preconceituoso,esconde de si mesmo a falsa superioridade com a qual caminha.Carregam-na como capa protetora da própria fragilidade,que precisa ser escondida.
    Sentir-se igual, em meio as várias formas do ser,talvez seja negar a ilusão da importância pessoal,a ilusão de ser melhor que outros,e assim,continuar iludindo e enganando a si mesmo.
    Esta ilusão não é doce,provoca grandes estragos na humanidade,pois, esta é a sua função,que o ser humano retarde sua caminhada evolutiva,que viva no auto-engano,que se torne,como a letra de uma música que eu ouvia quando criança,”palhaço das perdidas ilusões.”
    Um grande beijo pra vocês.

  20. Marina, eu leio seu blog a 1 ano e pouco, já até enviei uns 2 emails à vc. Ainda estou no Egito trabalhando e estudando.

    Em qualquer lugar que vivemos vamos sempre ter problemas. Alguns pequenos outros enormes. Enfrento preconceito todo santo dia no Egito, não por ser brasileira ou não-muçulmana, mas por ser mulher. Você sabe como é aqui, enfrentar metro e microbus não é lá tão gracioso, mas mesmo assim a gente releva. Se pensarmos de outro modo ficaremos cada um preso num canto.

    Eu sei que o post só foi um desabafo. Só quero te lembrar que aqui, 90% islamico acontece o mesmo. Lembre-se disso e seja sempre forte aí.

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