Para uma nova grávida


Sim, seu coração está transbordando. Ao deitar de noite em seu travesseiro, é capaz de escutar as batidas fortes. Elas sempre estiveram ali, mas agora suas noites estão recheadas de sonhos, imaginação e ansiedade. O silêncio se aprofunda com as horas de imaginação, o tum tum tum acompanha, do lado esquerdo do peito e abaixo do umbigo.

Agora, olha duas vezes antes de atravessar a rua. Observa os buracos no chão e desvia cuidadosamente. Sem perceber, está caminhando e rindo. Devem pensar que é louca. Você vai ter certeza de que está muito estranha.

O que é aquilo? Uma outra grávida está vindo em sua direção, com aquele barrigão pendendo de um lado de outro, seguindo passos cansados. Você vai se segurar para não aborda-la, só para dizer oi e perguntar – como sempre – a fatídica questão: Quantas semanas?

No calendário, risca cada dia passado. Conta de trás para frente quanto falta para a próxima consulta. Sabe de cor datas estranhas, até a da última menstruação.

Sente uma dormência no braço e corre para pesquisar se é normal. Você até pensa em ligar para o médico e perguntar, mas fica sem graça. Acaba achando um artigo dizendo que abacaxi ajuda no desenvolvimento no feto. No dia seguinte, come dois quilos.

Vão te falar muitas coisas. Dar muitos conselhos. Aproveite para dormir agora, vá fazer hidroginástica, coma banana, já escolheu um pediatra?

O que ninguém vai te falar, é que a primeira gestação dá sim muito medo. Mas que esta provavelmente será a única época da sua vida em que tudo é permitido.

Quer dormir? Durma querida, você realmente precisa descansar. Não quer pegar fila do mercado? Pode passar na frente, só não esquece de avisar a atendente que, mesmo sem barriga, você é sim preferencial. Agora, você tem até direito de ser grossa às vezes, de gritar, de chorar, de esquecer, de se perder, de ficar com preguiça de lavar a louça. É só botar a culpa nos hormônios. É sua primeira gestação, vamos lá, usufrua. Comece pedindo para alguém te buscar um copo d’água.

Se você gosta de chocolate, coma dois. Raspe a panela, coma pipoca com sorvete, pão com paçoca – essa eu fiz – e repita aquele pratão de arroz com feijão. Serão os únicos meses da sua vida nos quais não é preciso regime. Sim, o médico vai te dar uma meta, você vai se dar uma meta. Mas nunca deixe de curtir o quanto puder, de matar a vontade e saber que isso que você está vivendo nunca mais irá se repetir. O resto da vida estará te esperando para perder peso depois.

Sim, você pode ter outros bebês, mas a inexperiência é filha única. E ela traz consigo um encatamento doce. Não deixe que te controlem, que façam escolhas por você. Este momento é só seu, você pode fazer dele o que quiser.

Tire muitas fotos. De frente para o espelho, de cima para baixo, de lado, repetindo a mesma roupa todos os meses. Divirta-se sempre. Você pode ser leve, mesmo sendo duas pessoas neste momento.

Ao fim, saberá que cada segundo terá sido vivido na plenitude, tudo terá valido a pena. As memórias estarão concretadas, o que você faz agora é o que fica cravado como lembrança depois, então que seja apenas feliz.

Não postergue, não tema. Você nunca mais será a mesma depois. Será mãe.

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Publicado em dezembro 12, 2013, em Sem categoria e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. gostaria de saber pq alguns homens usam um facão na cintura oque significa na cultura egipcia? outra coisa: percebi também que eles usam uma bolinha na boca e deixa ela de lado parecendo um caroço que nasceu ali, ql seu significado?Obrigada!!

  2. Adorei o texto e sua sensibilidade, como sempre.
    E aí fiquei me lembrando que quando estava grávida de você, roubava azeitonas pretas na geladeira de sua avó Lalli. Ela temperava com orégano e eram muito boas…agora fiquei pensando..será que Luiz Antonio levava a culpa pelo sumiço delas??? Rsrsrsrsrs

  3. Muito verdadeiro seu texo, Marina. Lindo!
    Mas tenho que discordar de um ponto: a ansiedade da segunda gestação é a mesma, ou ainda maior. Pelo menos no meu caso, na primeira gestação eu não tinha medo de nada, não fiquei ansiosa, pois de fato não sabia o que viria pela frente. Sou assim, raramente tenho medo do desconhecido, sempre acho que “vou dar um jeito”. Agora que sei como é e que nada é fácil na vida de mãe, tenho muitos medos: medo de sentir de novo a dor do parto, as fissuras no seio por causa da amamentação, a febre da mastite, a depressão pós-parto, medo de ficar doidinha por causa do choro estridente do bebê durante a madrugada, medo de cometer os mesmos erros mesmo já tendo passado por eles…
    Por outro lado, fica a vontade ainda maior de ter de novo um ser tão pequeno e inofensivo nos braços, precisando de mim, dependendo de mim, me amando e sendo amado por mim; a vontade de ser uma mãe (ainda?) melhor, de me superar, de não frustrar marido e filha, de continuar lhes dando atenção mesmo tendo de cuidar do novo integrante da família, enfim, de enfrentar o desafio de ser mãe pela segunda vez. E quem sabe será tão bom que vou querer ser pela terceira?

  4. Ramone Perônico.

    Chorei! Sempre quando as pessoas me perguntam o que quero ser quando crescer, respondo: Mãe! Pra mim é uma dadiva, um presente único e exclusivo para as Mulheres. Eu sei que serei mãe um dia, e que vou viver cada momento que você escreveu ai, serei a melhor, ou morrerei tentando. Bjus, Obrigado!

  5. Cada gravidez é um momento
    lindo e único, felizes as mulheres que tiveram muitos filhos. Eu tive 2, mas se pudesse teria uns 10.

  6. Vou ser tia de sangue agora(pq já tenho os sobrinhos filhos de amigas) e fiquei imaginando que minha irmã está passando por tudo isso, deu até vontade também… poder tudo !
    Abs Marina :)))

  7. Belo texto para uma mulher em estado interessante, gerando e permitindo a VIDA crescer! Parabéns Marina Faleiros e parabéns a essas mulheres gravidas pela primeira vez, especialmente ELA! rssss

  8. Marina, como sempre intensa e verdadeira. Sou fã.

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