Pais que falam idiomas diferentes


Sim, faz muito tempo que não passo aqui. Mais do que atarefada, o que mais pesa para mim é o fato de que sempre encaro o nome deste blog como um peso, Egito & Brasil. Com nossa vida tão estabelecida aqui e meu marido mais do que adaptado, não sobra muito o que tratar sobre os dois países em comum.

Mas eis que agora pais, surgiram algumas questões interessantes. A que mais me chama atenção é uma pergunta que sempre fazem para meu marido:

– Ah, você está só falando em árabe com sua filha, né?

– Sua filha P-R-E-C-I-S-A falar árabe, só fale nesta língua, ok senhor Musta?

Bem, na teoria isso é bem lógico. O pai só fala a língua nativa e o filho automaticamente aprende. Hummm, não é bem assim no caso de pais que falam línguas diferentes.

Quando pais estrangeiros moram fora de seu país, colocar esta ideia em prática é fácil, basta em casa manter os velhos hábitos e falar a língua, as crianças mesmo estudando em escolas com outro idioma vão aprender os dois idiomas.

No caso de pais que não são do mesmo país, essa tarefa é muito mais árdua. Primeiro porque existe o hábito, o casal normalmente tem um língua que guia suas conversas. A nossa já foi o inglês, mas há muitos anos estamos no Brasil e meu marido só fala português. Ou seja, no nosso dia a dia, conversas, compras, rodas de amigos e até brigas, falamos em português.

Neste contexto, fica muito difícil, ou praticamente impossível, para o cônjuge mudar este hábito e falar dentro de casa outro idioma. Até porque eu não falo árabe, ou seja, ele teria que ficar mudando de chave português-árabe, toda vez que falsse comigo ou nossa filha. Já tá na cara que isso não vai dar certo, né?

Minha sogra ficou em casa seis meses, por isso minha filha escutou muito a língua dos 5 aos 11 meses, inclusive atendendo alguns comandos básicos como “hety bosa” – me dá um beijo. Porém o pai dela nunca falou em árabe com ela.

Sei que o mundo é competitivo e falar línguas vai ser um diferencial e tanto para a vida dela. Porém vamos com calma, em primeiro lugar não queremos apressar as coisas e pressionar nosso filho a ser um gênio poliglota desde agora. O momento é de brincar, aprender o dadá, tatá, essas coisas.

Apesar da mescla de línguas não ter sido tão intensa, minha filha já tem um ano e ainda não fala nenhuma palavra, ao contrário das crianças que vejo e são criadas 100% no português. Ou seja, a cabecinha dela ficou um pouco confusa e agora que estamos no “modo” português, não queremos inverter essa chave tão cedo de novo.

Acredito que quando ela for alfabetizada, poderá ser um ótimo momento de reintroduzir o árabe na vida dela, já com o alfabeto e mais compreensão. Não estamos com pressa, afinal ela é só um bebê.

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Publicado em junho 24, 2014, em No Brasil e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Olá Marina!
    Saudades dos seus posts. Que bom que vc escreveu!
    Não sei se vc se lembra de mim… O meu marido tb é egipcio e mora no Brasil há 7 anos. No início também conversávamos em inglês em casa, mas agora conversamos em português. Porém o meu marido fala com o nosso filho de 3 anos e 9 meses somente em árabe. Isso tem funcionado, por incrível que pareça. O nosso filho entende e normalmente responde em português, mas agora ele começou a responder em árabe tb. Ele demorou um pouco a falar, mas não tenho certeza se foi por isso. Por ser criança ele aprende naturalmente com o pai. E eu acabo aprendendo árabe com eles, por tabela. Na escolinha ele já aprendeu a escrever o nome dele e algumas letras em português, então o pai ensinou algumas letras em árabe também e o nome dele. O nosso filho sabe falar de 1 a 10 em árabe e sempre diz orgulhoso que ele fala português e árabe (muito fofo). Acho isso interessante para ele conversar com o avó, tios e primos egípcios pelo skype (por enquanto) e pessoalmente quando tivermos a oportunidade de viajar. A primeira palavra que ele disse foi “bola” rs…. claro morando na terra do futebol rs…
    Beijos e fique com Deus.

    • Oi, Isabele, claro que lembro!! então, o problema é que aí tem que ter um pai com muita força de vontade para ficar falando árabe de novo em casa, o q nao é meu caso! auhauaha meu marido acha muito trabalhoso ficar usando duas línguas e já está mto habituado ehehehe

  2. ehehehe sim Marina, é coisa de doido isso ficar trocando de idioma toda hora

  3. Prezados Senhores(as),

    Solicito; com toda educação, o envio de um e-mail específico ao qual eu possa entrar em contato alguns meses a frente.

    Obrigado pela atenção dispensada à esta mensagem.

    Fernando Tavares
    ww.tavarestraducoes.com.br

    cadmet@bol.com.br

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