O que acontece depois de casar com meu egípcio?


O que acontece depois do seu casamento com um egípcio? Acontece a vida real. E entenda-se por vida real uma série de desafios que provavelmente ninguém imagina antes de se entregar ao amor e unir os guarda-roupas, seja com alguém que você conhece há muito tempo ou pouco, do seu país ou de fora.

Casamento é vivência diária, é embate de hábitos, de gostos, de jeitos de lidar com a vida. Dificilmente você vai encontrar alguém que foi criado exatamente como você e que pense igualzinho a você. É por isso que existe divórcio, pois todo mundo se casa achando que encontrou a cara metade, porém vivendo no dia a dia, ano após ano, aprendemos a ver o outro como um todo, com seus pontos positivos e negativos.

Passada a fase da empolgação, de descobertas, o casamento com um egípcio é igual a outro qualquer, são dois seres humanos contruindo uma família, que pode vingar ou não. Adicione a este relacionamento alguns desafios um pouco maiores, como a distância da terra natal de um dos dois, o aprendizado de uma nova língua no país que optaram por morar, a burocracia para legalizar o amado, a busca por um emprego em um mercado totalmente diferente e, acima de tudo, será que você ou seu cônjuge realmente vão se adaptar a morar no país do outro sem virar um chato? Ou vamos além: Será que realmente vocês se amam, ou foi só paixão?

Eu, por exemplo, fui o exemplo de grande chata no Egito. Para mim a adaptação foi impossível pois me impus muitos bloqueios desde que cheguei lá e saí da minha zona de conforto. Imaturidade aos 23 anos, inconsequência, sei lá o que foi, só sei que foi uma sorte meu marido estar muito apaixonado, pois eu fui terrível quando estava lá.

A mesma coisa acontece com muitos egípcios que chegam aqui. É normal se tornarem uns chatos no começo, ficam falando como se o Egito fosse maravilhoso – mesmo tendo optado por morar aqui, ok -, que tudo lá é melhor, só querem comer as comidas de lá, querem seguir todas as tradições do Egito e muitos até criticam as roupas das brasileiras ou o fato de que aqui pode se fazero que quiser, incluindo beber e ter liberdade sexual.

A gente tolera um chato – ou é tolerada – por um tempo. Mas quanto tempo dá para aguentar até que a adaptação chegue? E se não chegar?

Isso tende a passar com o tempo ou pelo menos amenizar. A maioria dos egípcios que conheço é bem rígida no começo, quando eu lembro dos “mimimis” do meu marido quando chegamos, ele fica totalmente sem graça. Mas é normal tudo isso, afinal mudar não é fácil, se adaptar muito menos ainda. Sorte do casal em que um dos dois consegue atingir esse grau maior de flexibilidade e os dois conseguem ser felizes no país em que escolheram sem uma saudade catastrófica.

Essa fase toda de adaptação não é algo tão rápido, são anos de mudanças graduais. Até que chega aquele momento de estabilidade, após um cinco anos vocês com certeza já têm um projeto de vida mais ou menos programado, se conhecem o suficiente para saber o que tira do sério ou agrada ao outro. E assim os anos vão se passando, o fogo inicial muda, afinal não há mais tanta novidade, e sim o cotidiano.

Aí acredito que finalmente entramos numa fase de “casal comum”, em que tirar sarro do sotaque não tem mais graça, que apesar das pessoas que acabaram de te conhecer continuarem com as mesmas perguntas de anos atrás “Nossa, como é ter um marido árabe? Mas ele é tranquilo? Seu marido é muçulmano? Nossaaaa que coragem!”, a gente já não tem nem paciência, nem história nova para contar.

As minhas respostas agora são mais blasé, “sim sou casada com um egípcio, mas ele é super adaptado e somos um casal normal”. É, perdeu a graça para os outros, eu sei, mas essa é a realidade: nos tornamos um casal comum, em que o fato de termos nascido tão longe um do outro não afeta mais nossas decisões nem impõe peso à nossa relação.

Como optamos por ter filhos somente depois de toda essa longa etapa, também não surgiram desafios adicionais a qualquer casal que vira pai, temos praticamente o mesmo medo e dúvidas, sem envolver muitas questões culturais de qualquer um, até porque elas já estão meio que ultrapassadas para nós, sabemos o que afeta o outro.

Tanto que agora, até digo com naturalidade:

– Se prepara que sua filha tá crescendo no Brasil. Daqui uns 15 anos ela tá chegando para te apresentar um namorado.

Cara de choque e revolta.

É, talvez algumas coisas não tenham mudado tanto assim…

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Publicado em julho 1, 2014, em Fase 2 e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. Juliana Zamboni

    To adorando tb a fase 2 Marina! Obrigada por escrever. Bjinhos

  2. Então é isso? Ficamos “normais” depois de um certo tempo? E aquela parde de programar algo diferente para surpreender o Habibi, não existe mais? Não quero que meu casamento entre na rotina, por algum motivo penso em torna meu casamento em algo duradouro e muito mais dinâmico. Bjus Mary, escreve mais…

    🙂

    • Normal não significa monótono!! Aí cada casal sabe seu ritmo e o que faz para manter a relação bacana. O que não dá é pra achar que casamento é contos de fada e por ser com um egipcio vai ter alguma mágica misteriosa no meio pra sempre eheheh

  3. Vilma Alves Santos

    Poxa…muito bacana essa matéria! Vivo uma história há sete meses e cada dia é um dia novo. essa matéria foi bem focada na realidade, no dia a dia sem rodeios. ainda bem que nem todos acham que se relacionar com um árabe e muçulmano é a coisa mais anormal do mundo. temos altos e baixos como qualquer casal. E em relação ao casamento, adaptação, etc, como você citou não é nenhum conto de fadas…tanto sei que ainda penso se devo tomar coragem e casar um dia…

  4. Vilma Alves Santos

    Penso que seria mais fácil a mulher se adaptar ao país dele do que ele ao nosso… nós mulheres temos mais jogo de cintura na hora de fazer escolhas e o famoso jeitinho feminino leva vantagem em muitas coisas.

  5. kkkkkkkk Ri que só na última frase… mas isso é bem relativo né, eu só tive namorado com 17 anos; já minha irmã, com 13!
    E parece uma coisa: os homens quando se tornam pais ficam ciumentos com as filhas, até parece que se esquecem que já foram adolescentes e também gostaram de alguém nessa fase da vida.
    😉

  6. Ótima matéria , eu sou casada com um Iraquiano e quando digo isso as pessoas me olham assustadas como se fosse coisa de outro mundo! Graças a Deus ele esta se adaptando bem ao Brasil e em dois anos de casados somos muito felizes, nossa felicidade só não está completa porque o destino nos pregou uma triste peça levando nossa filhinha tão amada e desejada com apenas 4 dias de vida mas estamos superando com a ajuda de DEUS.

  7. Olá Marina! Estou emocionada com sua experiencia…que Deus abençoe abundantemente voce e sua familia, que sua filha cresça debaixo da proteção Divina do Senhor!

  8. Oi mari adoro suas historias e experiências q vc compartilha conosco! Que deus ilumine vc e sua familia! 🙂 beijocas

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