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Pais que falam idiomas diferentes


Sim, faz muito tempo que não passo aqui. Mais do que atarefada, o que mais pesa para mim é o fato de que sempre encaro o nome deste blog como um peso, Egito & Brasil. Com nossa vida tão estabelecida aqui e meu marido mais do que adaptado, não sobra muito o que tratar sobre os dois países em comum.

Mas eis que agora pais, surgiram algumas questões interessantes. A que mais me chama atenção é uma pergunta que sempre fazem para meu marido:

– Ah, você está só falando em árabe com sua filha, né?

– Sua filha P-R-E-C-I-S-A falar árabe, só fale nesta língua, ok senhor Musta?

Bem, na teoria isso é bem lógico. O pai só fala a língua nativa e o filho automaticamente aprende. Hummm, não é bem assim no caso de pais que falam línguas diferentes.

Quando pais estrangeiros moram fora de seu país, colocar esta ideia em prática é fácil, basta em casa manter os velhos hábitos e falar a língua, as crianças mesmo estudando em escolas com outro idioma vão aprender os dois idiomas.

No caso de pais que não são do mesmo país, essa tarefa é muito mais árdua. Primeiro porque existe o hábito, o casal normalmente tem um língua que guia suas conversas. A nossa já foi o inglês, mas há muitos anos estamos no Brasil e meu marido só fala português. Ou seja, no nosso dia a dia, conversas, compras, rodas de amigos e até brigas, falamos em português.

Neste contexto, fica muito difícil, ou praticamente impossível, para o cônjuge mudar este hábito e falar dentro de casa outro idioma. Até porque eu não falo árabe, ou seja, ele teria que ficar mudando de chave português-árabe, toda vez que falsse comigo ou nossa filha. Já tá na cara que isso não vai dar certo, né?

Minha sogra ficou em casa seis meses, por isso minha filha escutou muito a língua dos 5 aos 11 meses, inclusive atendendo alguns comandos básicos como “hety bosa” – me dá um beijo. Porém o pai dela nunca falou em árabe com ela.

Sei que o mundo é competitivo e falar línguas vai ser um diferencial e tanto para a vida dela. Porém vamos com calma, em primeiro lugar não queremos apressar as coisas e pressionar nosso filho a ser um gênio poliglota desde agora. O momento é de brincar, aprender o dadá, tatá, essas coisas.

Apesar da mescla de línguas não ter sido tão intensa, minha filha já tem um ano e ainda não fala nenhuma palavra, ao contrário das crianças que vejo e são criadas 100% no português. Ou seja, a cabecinha dela ficou um pouco confusa e agora que estamos no “modo” português, não queremos inverter essa chave tão cedo de novo.

Acredito que quando ela for alfabetizada, poderá ser um ótimo momento de reintroduzir o árabe na vida dela, já com o alfabeto e mais compreensão. Não estamos com pressa, afinal ela é só um bebê.

Coincidências?


Uma das coisas que sempre pensei que gostaria de fazer era manter alguns rituais ou tradições na minha casa quando tivesse uma criança. A ideia disso é criar memórias familiares e, sempre que possível, unir as pessoas.

Aí que está chegando a Páscoa e meu marido fala que neste ano poderíamos pintar ovos com karikadeh (chá de hibisco) para a Lamis pois ele sempre fazia isso quando era criança.

Como assim, pintar ovos? Vocês celebram a Páscoa?

“Não”, ele respondeu, “mas temos o feriado faraônico mais importante que é o Sham el-Nessen e a gente pinta ovos”.

Eu bem que tinha notado que este feriado sempre caía na Páscoa, mas daí eles também pintarem ovos me pareceu bem curioso, afinal esta é uma tradição cristã, inclusive traduzida em gordices como os ovos de chocolate.

Dei uma pesquisada rápida e entendi que o Sham el-Nessen é um feriado que marca a entrada da Primavera, por isso ficou atrelado à Páscoa. Neste dia, mais do que ovos coloridos, os egípcios comem fisikh, que é um peixe defumado (podre ehehehe) com cebolas e pimentão. No Brasil não tem, mas uma vez fizemos algo parecido com arenque, veja neste post.

Mas vamos pensar… na Páscoa se come peixe (bacalhau da sexta-feira santa) e só se fala em ovo chocolate. Os egípcios comem fisikh e pintam ovos de galinha. Coincidência?

Depois posto as fotos dos nossos ovos, porque peixe seco não vai ter não!

 

Balanço de 2013 no Egito & Brasil


Chega esta época do ano e não há nada melhor do que poder sentar e organizar um pouco as ideias, tentando entender um pouco o que aconteceu e qual o resumo dos últimos 12 meses. O blog não tem tido muitos posts, pois minha vida mudou, o mundo mudou, a idade vem me tirando coragem de escrever tudo o que penso e cada vez mais levo em conta a privacidade da minha vida, já que agora sou mãe também.

Pois bem, nada de filosofia, nem texto elaborado ou poemas. Hoje vou escrever em tópicos mesmo uma coleção de “coisas” sobre este 2013. Espero contar com vocês em 2014, muito mais sempre está por vir.

Egito 2013

– O país continua em situação muito delicada. Com a queda de Morsi e a opinião pública polarizada, fica difícil de projetar um pouco do futuro do país. A situação está bem difícil. Para quem mora lá, o país definitivamente não é mais tão acolhedor e a violência, não só de atentados, mas nas ruas mesmo, como os assaltos, aumentaram demais. Como já disse antes, a era de “ingenuidade” dos egípcios, vivida na letargia do governo Mubarak, acabou de vez. As pessoas entraram no embate político e de ideais, mesmo que de uma maneira torta, e o país não é mais monossilábico e só sorrisos. Tem gente que sente falta da morosidade dos 30 anos de ditadura, onde tudo era errado, mas o país era estável. Na minha opinião, que não impacta em nada a ordem mundial, os egípcios acordando para a política e debatendo problemas, mesmo que muitas vezes usando de maneira errada a religião no meio, já é um avanço. Agora o que sai desse processo continua uma grande incógnita. Só espero que a intolerância religiosa, que tem crescido no pais, inclusive conta cristãos, seja apenas um sintoma momentâneo e passe a medida que a irmandade muçulmana volte a ser enfraquecida. Sim, eu não fico em cima do muro, Irmandade Muçulmana não trouxe nem traz nada de bom para o Egito, porém condeno a forma com que foram retirados do poder.

Brasil 2013

– Tivemos nossa primavera também, mas na minha visão um pouco carnavalesca. Como bons brasileiros que somos, transformamos o facebook em trincheira e falamos que não era só “por 20 centavos”. Mas no fim foi. Renan Calheiros continua rindo da nossa cara e ninguém mais fala nada. Protestos ocorrem toda hora, eu trabalho na Avenida Paulista e sei bem disso. Porém são movimentos muito desorganizados e que pensam apenas em reivindicações próprias, não há nada aparentemente que vá juntar de novo o povo em prol de uma luta comum e necessária, sendo que há muito que ser mudado por aqui. Ano que vem são eleições, veremos se todo esse movimento ajudará as pessoas a refletirem um pouco mais e provocar realmente uma mudança, com gente nova entrando e barões saindo pela porta dos fundos. Ricos eles já ficaram com nosso dinheiro, será que aprendemos a lição? As urnas nos dirão…

Minha vida 2013

– Só posso dizer que este foi mais um ano maravilhoso. Tá, não existe perfeita e a minha não é. Mas eu sempre comemoro todas as pequenas vitórias diárias. Não tenho grandes sonhos, não vou ser nunca milionária e já me conformei com isso. Sou uma eterna otimista e tenho a minha volta uma família maravilhosa, então aprendi a ver o mundo com óculos de lente cor de rosa, por mais piegas que isso possa parecer. Em 2013 passei por uma nova transformação radical, virei mãe e isso já basta para que este tenha sido um ano totalmente diferente e encantador. Vivi momentos de extrema felicidade, mas de muito medo também. No meu auge, estive pela Europa andando barriguda – não tem nada melhor do que ser uma grávida de seis meses – e vendo a neve pela primeira vez. No meu pior momento, fiquei trancada numa UTI pediátrica por vários dias.

Mas no fim, tudo deu certo. Como sempre dá não só pra mim, mas para todos. Basta sempre olhar o lado de bom de tudo que se vive, pois ele sempre existe.

Tchau e até ano que vem!

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Ser mãe é também ser uma melhor filha


Mãe, hoje é seu aniversário, e além de todas as coisas que sempre desejamos neste data, como muita saúde, felicidade, amor, o que eu mais quero dizer hoje é obrigada. É, eu talvez já tenha falado obrigada muitas outras vezes para você, mas de uma forma generalista e vazia. A gente agradece a mãe por coisas muito superficiais e palpáveis, aquilo que a gente vê e entende desde pequeno. É a mãe que faz um prato saboroso, que leva para escola, que dá bronca quando fazemos algo errado, que elogia seu desenho horroroso e dá beijo de boa noite.

Aí vamos crescendo, e o que a mãe fala parece que não serve mais. Queremos nos rebelar, fazer do nosso jeito. Alguns filhos são mais fiéis, outros vão para bem longe. Eu fui do segundo tipo, e nunca pensei no seu medo ou sua dor antes de fazer qualquer coisa na minha vida. Afinal, eu agradecia a você por ter me dado a vida, mas o que isso significava realmente, eu nunca soube.

Eis que agora, depois de 30 anos do meu nascimento, eu não só estou aprendendo a ser mãe, mas também a ser uma filha melhor. Todas as vezes que toco a pele suave da minha bebê, eu sinto uma explosão dentro de mim, um medo misturado à alegria mais doce que já pensei sentir. Quando acordo de madrugada para dar um carinho, acalmar, abraçar, quando preparo a mamadeira dela, quando escolho a melhor roupinha dela para sair, quando fico na cama com o pensamento voando pensando no que ela vai ser quando crescer, quando vibro a cada aprendizado novo. Em todas essas vezes, eu paro e penso que você viveu tudo isso comigo um dia.

Fui sua primeira filha, e você com certeza esteve tão perdida quanto eu. Sei que esteve entre picos de desespero e cumes de alegria ao me segurar tão pequena em seus braços.

Agora sim, sinto que posso dizer um obrigada verdadeiro pela sua vida. Um obrigado cheio de reconhecimento e um pouco envergonhado por todas as vezes que desobedeci. Fui uma filha que pouco fez o que você pediu, mas os valores que me ensinou ficaram gravados em mim e isso mesmo a maior das rebeldias não poderia me tirar.

Se eu tivesse te escutado mais quando menor, talvez tivesse tido menos dores, mas você fez a difícil opção de me deixar com asas para voar. Porém, nunca trancou portas, elas sempre estiveram abertas para quando eu quisesse voltar.

E por isso, hoje posso dizer de coração transbordando de amor, que agradeço mais do que nunca por sua vida, por seu amor, por seu carinho sempre presente.

Ser mãe é também ser uma melhor filha. Te olho hoje mãe, e entendo tudo.

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Ramadan 2013 – e o que aconteceu no de 2012


Sei que para a maioria dos meus amigos, é difícil entender o que é ramadan ou o sentido de se jejuar por trinta dias, seja para o que for. Eu gosto sempre de comparar os rituais do Islam às coisas mais próximas da realidade brasileira, assim nada soa tão estranho. Na minha família, muitas pessoas jejuam durante a quaresma, deixando de comer alimentos que gostam muito, e na sexta-feira da paixão alguns ficam só no pão e água. O sentido é o mesmo: autocontrole, reflexão, se colocar no lugar dos outros mais pobres, que não podem se alimentar bem.

Para os muçulmanos, o jejum se estende por trinta dias, uma vez ao ano, em que as pessoas não se alimentam nem bebem nada do nascer ao por do sol. Para mais informações sobre isso, basta dar uma pesquisada na internet que há milhões de artigos, pois hoje quero falar o que o ramadan é pra mim.

Eu estou no oitavo ramadan. Por incrível que pareça, já se passaram tantos anos e cada um foi diferente. No primeiro, em 2006, eu conhecia pouco da religião e achava que dava pra quebrar o jejum com esfiha de calabresa. É, novatos são assim mesmo. Às vezes rezava no banheiro, ou sentada sem véu, achando que podia dar um jeitinho para tudo.

No segundo, já tinha passado pelo Egito e estávamos recém chegados ao Brasil. Foi um ramadan agridoce, é difícil de descrever, a mudança nunca é fácil e ainda estávamos nos adaptando aqui, mas como sempre nosso amor no guiava, então não posso dizer que foi jtriste ou ruim, só foi estranho.

Já tive um ramadan com minha sogra aqui, preparando comidas e indo à mesquita comigo, outros me alimentando correndo ao por do sol para ir à academia, achando que era um ótimo regime – que não funcionou, claro. A maioria deles foi solitário, sem aquele clima festivo, afinal não tenho ramadan com minha família e amigos. É diferente do Natal, em que todas as lojas, propagandas e pessoas estão na mesma sintonia. Tá, tem gente que não gosta, mas eu sempre amei o Natal e o fato da minha família celebrá-lo como manda o figurino, com uma boa ceia, orações e presentes.

Mas mesmo sem a festa toda, como sei que existe no Egito nessa época, eu sempre amei muito poder vivenciar o ramadan. É o meu momento de reflexão, de lidar com minha principal compulsão, que é a comida, e de me colocar no lugar dos que não podem ter acesso a tudo que tenho. Uma das melhores sensações na minha vida é quebrar o jejum, apesar de durante o dia ser muito difícil essa jornada.

No ano passado, vivendo esse meu ramadan comigo mesma, dei uma das minhas raras passadas na mesquita. Um dia fiquei lá a tarde toda, sozinha sentada no meio das almofadas, lendo um livro religioso e pensando na vida. Eu nunca tenho tempo de fazer esse tipo de coisa e é sempre no ramadan que paro e penso que de vez em quando entrar em transe, numa sintonia com Deus ou algo divino – seja lá o que você acredite – nos faz muito bem.

E assim fiquei lá, refletindo as minhas escolhas, atitudes, no que gostaria de melhorar e ser uma pessoa mais bem resolvida e boa. Veio o chamado para oração do meio da tarde e naquela hora eu estava sozinha. Ouvi aquelas palavras tão doces, até hoje não acho que tem coisa mais bonita do que o Alcorão sendo recitado ao vivo. Aí rezei, me abaixei, e com a cabeça no chão me veio a forte sensação de que eu deveria ser mãe. É, eu achei que nunca teria dinheiro ou tempo para ser mãe. Achava minha vida conturbada demais para isso, mas naquele momento, liberta das amarras e pressão do meu cotidiano, eu senti dentro de mim uma necessidade que me devorava de ser simplesmente mãe.

Aí, voltando ao meu comportamento normal, ou seja, impulsivo de sempre, passei naquele dia mesmo a fazer uma pesquisa com as mães que encontrei depois, começando ali na mesquita, na quebra do jejum. “O que você acha de ser mãe?”, perguntava, afirmando que eu estava fazendo uma enquete para saber se eu deveria engravidar. Como se esse tipo de decisão fosse se basear numa pesquisa de campo, e não na certeza que já estava ali comigo, desde aquela oração.

Chegando em casa, falei para o marido que tinha decidido ser mãe. E ele embarcou na minha ideia no mesmo segundo.

Agora, neste ramadan de 2013, provavelmente não vou jejuar. Mas tenho comigo a prova de que as reflexões durante esse período são poderosas.

Da paternidade


Agora já somos três. Eu já sabia disso desde que vi aquelas duas listrinhas azuis do teste de gravidez no final de outubro de 2012. Ela era apenas uma sementinha, um início de algo inexplicável e imensurável em nossas vidas, mas você não dimensionava o que estava acontecendo. Para o pai, a gravidez é um período de paciência, de prova de amor.

Eu fiquei manhosa, passei muito mal com enjôos, pedia atenção o tempo todo. Você entendeu – em partes – aquele momento. Cuidava de mim, mas dizia que eu estava igual a uma “egípcia”. Eu ria, bobo, ele não sabe que mulher é mulher em todo lugar? Eu podia até parecer tão diferente na minha postura de vida, no meu trabalho, nos meus objetivos, na minha ambição, mas trazer dentro de si um novo ser me fazia igual todas as outras, de qualquer lugar desse planeta.

Eu falava coloca a mão na barriga, você tinha medo de apertar forte demais. Mas entendia quando eu não tinha mais posição para dormir, trazia travesseiros para ver se melhorava. Até que no fim, naquela última noite que decidi dormir no sofá sentada, já que não conseguia mais ficar deitada, você resolveu trazer um colchão para deitar no chão perto de mim. A gente escuta falar muito de instinto materno, mas sei que o paterno tambémexiste. Aquela noite, você disse que ia ficar perto caso algo acontecesse.

Aí acordamos no horário de sempre, vou ao banheiro e grito. “Vem aqui!!! A bolsa estourou, é hoje!”.

Nesse momento, nasceu um pai. Desvairado, sem noção, com olhos arregalados, não sabia o que fazer. “Ligo para o médico, ligo para sua mãe?” Queria fazer as malas, mas você achava que não dava tempo. Eu estava muito tranquila, afinal eu já sabia o que era ser mãe desde o início, mas para você a aventura começava só agora.

Chegamos ao hospital, o seu medo de me acompanhar sumiu totalmente. Antes chegou a cogitar que não conseguiria assistir o parto, mas na hora certa, não conseguiu sair do meu lado. E ficou assim, durante as mais de 20 horas de trabalho de parto. Ficou desesperado e ao mesmo tempo maravilhado.

Quando nossa filha veio ao mundo, você disse que segurou minha mão. Eu já estava em outra dimensão e não me lembro de nada, só do seu rosto todo envolto em máscaras e toucas da sala de parto. E quando ela nasceu, antes de ouvir aquele choro molhado, escutei sua voz tão doce dizendo: “Mas como ela é bonitinha, é muito bonitinha!”

Encostaram-na no meu rosto, senti aquele quentinho da minha bebê e logo a enfermeira te chamou. “Vem papai, que nós vamos levá-la ao berçário”, e você saiu correndo atrás da moça, sem nem olhar mais para mim. Você foi chamado para dar o primeiro banho, e assim foi, o primeiro a cuidar dela. Antes mesmo até de mim.

De noite, quando as visitas se foram e estávamos sozinhos de novo, você me disse que estava apaixonado por ela. Que não sabia que era assim este sentimento, que agora que ela nasceu, um turbilhão de coisas havia invadido seu coração, e que antes era difícil entender. Ficou feliz por ter participado de todos aqueles momentos do meu lado e ter dado o primeiro banho. “No Egito os pais não participam desse jeito, estou feliz por ter tido essa chance”, falou. E eu senti, mais uma vez, aquele amor que não cabe dentro do peito.

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Mais amor, menos rancor


Eu posso ser considerada uma eterna otimista. Daquelas pessoas irritantemente felizes, que geralmente acordam de bom humor e pronta para outra. Se tem uma coisa que aprendi aos longos dos anos, principalmente na adolescência, é ter amor próprio ou auto estima, denomine isso como quiser.

Não, não é algo fácil, eu demorei um bocado de anos para aprender que a felicidade está em mim e não no que os outros pensam de mim. Até por isso, aguento com certa passividade as mensagens que recebo nesse blog ao longo dos anos. Até porque não tenho que ficar provando nada para ninguém que mal me conhece. Também não preciso ficar dando mil detalhes da minha vida ou meu marido para mostrar que está dando certo para nós, como diz o ditado, para bom entendedor meia palavra basta, e não sou eu que vou dar aula de interpretação de texto via esse blog para certas pessoas que caem de paraquedas aqui.

Eu sei que pela busca do google, as pessoas chegam em posts específicos aqui. Geralmente elas caçam a palavra “casamento no Egito”, “homem árabe”, “homem muçulmano” e por aí vai, que são as tags mais usadas neste blog. Aí lêem um post qualquer e já caem de pau em cima de mim, sem nem ao menos ter tido trabalho de ir até o início e ver o que estou falando atualmente, ou ter uma ideia geral de quem eu sou e o que penso. Um post não reflete 100% do que eu penso e faço, até porque sou um ser em evolução. Tem coisas que escrevi há anos atrás que com certeza não penso mais igual hoje em dia. O blog é algo mutável, que cresce comigo.

Eu acabo não respondendo mais todos os comentários agressivos, pois eu sei que a maioria que me trata mal ou me critica sem ao menos ter lido parte do blog, está bem longe de conhecer a minha verdadeira personalidade ou o que faço na vida, quem são meus amigos, o que discuto na política ou na religião.

Mas tem épocas que chega uma enxurrada de negatividade, não sei vindo de onde. Eu imagino que alguém é tão agressivo contra mim quando tem alguma experiência ruim na vida, principalmente envolvendo homens estrangeiros, e já chega totalmente armada. Calma, eu não estou aqui para defender cafajestes, mas também não estou aqui para ser xenófoba ou detonar um país inteiro por causa dos erros de alguns.

Até porque convenhamos, o Brasil tá cheio de problemas e gente problemática, ladrões, corrupção e estupradores, não me venham com esse papinho de homem muçulmano maltrata mulher, que isso é a maior babaquice que você pode dizer, enquanto no seu próprio país tem exemplos de sobra para notar que gente ruim existe em todo lugarzinho desse planeta, e não é religião que determina isso.

Larga o seu livrinho do Caçador de Pipas ou Princesas do Deserto, você não conhece o mundo árabe ou muçulmanos porque leu essas baboseiras. Isso se chama entretenimento, assim como um filme desses blockbusters que você vê no cinema. Para conhecer um povo de verdade, não basta também ter um amigo de lá, ou namorado x, ou ter visitado o Egito uma ou outra vez. Também não adianta analisar todo um país, que tem mais de 80 milhões de habitantes, só por um exemplo de pessoa baixo nível que teve contato. Você frequentou todas as classes sociais daquele país? Foi desde uma feira livre na rua, até um evento de negócios?

Aqui no Brasil, você julgaria o país todo ao ter uma experiência apenas com alguém bem sem nível que te deu um golpe? Vamos ser mais realistas e práticas. Não me venham com “chorumelas” do tipo eu conheço dezenas de casos, conheço não sei quem na polícia federal que está de olho nisso, faço reportagens. Para, para com isso.

Primeira coisa, eu sou jornalista e sei o que é reportagem. Então antes de falar besteira, me diz qual jornal ou revista publicou esse seu texto tão importante, quais fontes usou, qual a confiabilidade que posso ter em seu relato? Qual é seu lead? Você conhece centenas de casos de mulheres enganadas? Nossa, eu também, mas eu abro meu leque e sei que esse tipo de golpe e global, não vou falar que só um país faz isso. É normal que você tendo sofrido um golpe de um cara de determinado país, vai procurar informações e se deparar com mais gente sofrendo do mesmo mal, porque sua busca foi direcionada para aquele país. Mas desculpa informar, isso acontece no mundo todo, com homem de todas as nacionalidades.

O bem e o mal não tem religião, não tem raça, não tem pátria. Toda vez que você acha que pode julgar um povo inteiro e dizer que nenhum deles presta, é porque não passa de mais uma seguidora de Hitler enrustida. É uma RACISTA e com RACISTA eu não tenho paciência, apesar de pouco me expressar nesse sentido porque não acho que devia perder meu tempo com isso.

Então gente, mais amor, por favor, e menos rancor. Se tem uma coisa que aprendi com todas as viagens que fiz na minha vida, com a minha experiência no Egito, é que o mundo é muito grande para a gente achar que tem resposta para tudo. Que o mundo é muito lindo para ser desperdiçado com rancor ou ódio. Que existe entre os seres humanos algo muito lindo, que são os sentimentos e emoções, iguais para todos, independente da língua que você fala.

Os malandros sempre existirão, mas com amor próprio – voltando ao início do meu post – você dificilmente cairá em qualquer história que te contem, seja na internet, seja na esquina da sua casa. Se amem, se valorizem, sejam felizes sem medos e preconceitos, só temos uma vida e não vamos gastar tempo com ódio, mas sim em vivermos em paz e de mente aberta ao que nos é diferente. Pode ser que sejamos muito mais parecidos do que você pensa.

 

 

Mohamed Morsi visita o Brasil


O presidente do Egito Mohamed Morsi está vindo ao Brasil esta semana em busca de cooperação para a recuperação do país e atrair investimentos brasileiros ao Egito. Outro tópico que ele vai discutir são programas sociais para distribuição de renda. O presidente do Egito está visitando todos os países do BRIC em busca de novas ideias e espero que ele consiga ter algumas, apesar de eu ser totalmente contra seu partido político.

Existe muita discussão no Egito sobre a capacidade dele de gerar mudanças reais, além de já ter dado vários sinais de repressão e um estilo de governo pouco democrático. Mas isso, acredito eu, é algo que vai ser mudado muito aos poucos.

Primeiro, os egípcios têm esse estilo de liderança no “grito”, como eu chamo, começando das casas e escolas. Lá, é bem normal ver uma mãe gritando aos berros praticamente o dia todo com os filhos, mas sem regras claras ou sistema de organização dentro de casa. O mesmo ocorre nas escolas, não sei se é algo que ocorre ainda hoje, mas pelo menos meu marido conta que na época dele (ele tem 28 anos agora) o professor podia agredir um aluno.

Então, se desde a base deles não há uma noção do que é democracia, opinar e trocar ideias, fica difícil esperar isso logo de cara do primeiro presidente eleito (não vou nem discutir a legitimidade dessas eleições, que ao meu ver foi bem controversa), mas ao que eles entendem de ordem e sistema.

Vai levar ainda anos para que eles comecem a entender que nem tudo funciona à base só da repressão. Pelo menos o presidente mostra certo interesse em conhecer exemplos de outros BRICs, o que já é um ótimo sinal, sair um pouco do mundinho árabe-islâmico e buscar um pouco de pragmatismo, já que Allah sozinho não vai dar conta de consertar o Egito, é preciso que os egípcios também botem a mão na massa e parem de esperar milagres.

Seis meses


Não sei se vocês já notaram isso, mas esse blog deu uma mudada de seis meses para cá. Tenho postado muito pouco, as vezes que posto tenho medo de estar parecendo muito chata ou melodramática. Eu teria muito mais o que escrever, mas ando muito reflexiva e introspectiva, acredito que vocês se cansariam desse meu humor diferente dos últimos meses e acabo calando esta voz interior que tenho.

Mas tem horas que fica difícil segurar o que há dentro do coração, ainda mais tendo uma porta como este blog, em que teoricamente posso me expressar e compartilhar o que sinto sem barreiras. Então, a explicação para esses seis meses tão diferentes começa com esse post aqui, flores brancas. Foi no meio de outubro que minha vida se transformou após a morte do meu tio, no dia 12.

Eu sei que a dor e o luto são coisas muito individuais para cada um. Eu já tinha perdido pessoas da família, afinal isso é o que acontece com os mais velhos. Foi triste, claro, mas é algo que a gente compreende de certa forma.

Mas com meu tio foi diferente. Ele tinha apenas 40 anos, eu o via como um amigo, afinal crescemos juntos, acompanhei suas vitórias pessoais e profissionais, seu crescimento de vida, se tornar um homem adulto muito respeitado e amado. Ele não seguiu um caminho comum, teve que fazer supletivo para terminar a escola, mas em 10 anos já era formado em teologia, filosofia e pedagogia. Foi ordenado padre, mas não era uma pessoa séria. Era carinhoso, brincalhão, adorava sair com amigos e não se descuidava de quem realmente precisava: as pessoas carentes e que passavam por dificuldades em sua paróquia.

E não estou levantando aqui nenhuma questão religiosa. Antes de qualquer coisa, ele foi um daqueles ser humanos que fazem a diferença, sabe? Aquele tipo de pessoa difícil de encontrar, que não faz propaganda dos atos e por isso quando estão vivos, a gente não tem dimensão do que representam.

Eu só conhecia o lado amigo e família dele. O tio que gostava de churrasco, que ficava colocando músicas chatíssimas no celular para mostrar e a gente zoava, o tio que brincava, que parecia um urso de tão grande.

Aí ele morreu, assim do nada. Um ataque do coração. E fui na igreja que ele cuidava. Nunca tinha ido antes. Quando cheguei, encontrei um monte de gente chorando. Não eram 5, 10 pessoas. Começou com dezenas de pessoas estranhas, que eu nem conhecia, chegando ali com os mesmos olhos vermelhos que eu. Achei estranho, afinal eu nunca convivi com o lado padre dele. Aí o caixão chegou, formou-se uma fila. Estávamos perto, e começamos a ganhar abraços. Passaram-se os minutos, e a fila nunca terminou. Foram centenas, centenas de pessoas.

Eu lembrava dos velórios de artistas que passavam na televisão, com aquelas filas de pessoas, e me sentia naquele tipo de cena. A diferença é que não tinha ninguém de óculos escuros como fazem com os artistas. Estava todo mundo de cara lavada, amassada e feia, de olhos inchados sem vergonha de mostrar.

Aí dormi na igreja, com frio, mas não conseguia sair de lá. Como já disse antes, nada em minha vida foi tão arrebatador quanto este acontecimento. E é duro pensar que só com a morte a gente começa a aprender e ver um monte de coisa.

E assim foi, teria outros milhares de detalhes para acrescentar, mas esse não é um blog fúnebre e não quero ver vocês fugindo de mim. Só escrevo porque até hoje essa experiência toda ainda não se completou dentro de mim. Eu penso no meu tio quase todos os dias, e sempre que faço isso fica difícil segurar as lágrimas. E é difícil explicar o que sinto, porque não estou triste. Apenas ainda afundada num mundo de informações que eu não tinha antes sobre a vida.

Passei a valorizar muitas outras coisas, a me importar muito menos com outras. A dedicar meu tempo ao que realmente importa, nunca me senti tão próxima da minha família e com necessidade de tê-los sempre bem ao meu lado. Tudo isso que aconteceu, mudou a vida de todo mundo que foi afetado, inclusive de maneira prática. Estamos todos esquisitos, estranhos, e ao mesmo tempo extasiados com o amor que descobrimos existir.

E, nesses mesmos seis meses que aprendi a lidar com tudo isso, também mergulhei no mundo de me tornar mãe. Não acho que foi por acaso. Eu engravidei quando meu tio se foi, e isso foi a maior lição para mim.

E nesse período intenso, já sonhei duas vezes com meu tio. Nas duas, eu chegava antes dele morrer e já sabendo do fato. Na primeira, eu tinha uns dias de tempo, o levei ao médico e ele me dava um diagnóstico fatal. E eu optei por não contar a ele, e ele morreu da mesma forma. No segundo sonho, que tive essa semana, chego minutos antes do ocorrido. Estamos andando na rua, falo para ele andar devagar, não se esforçar, e fico olhando para os lados em busca de alguém para me ajudar, existe um fio de esperança de que eu possa mudar o seu destino. Mas ele cai do mesmo jeito, a única coisa que tenho tempo de falar é que vai ficar tudo bem e conto pra ele bem alto: “Tio, eu estou grávida, queria te contar isso!!!”. No sonho, só deu tempo dele fazer um sinal positivo com a mão, como se já soubesse, e dar um breve sorriso.

Não, nem nos sonhos eu posso mudar o que aconteceu. Nada do que a gente imagina ou pense, teria mudado aquele 12 de outubro.

Mas aprendi com este episódio a trilhar o caminho da felicidade plena, o que sinto hoje. Posso dizer que nunca estive tão bem, pois a alegria também tem em sua composição um ingrediente agridoce, a saudade.

O dia da mulher


Adoro estas datas chave para ficar refletindo sobre a vida e a história das pessoas. Hoje é dia das mulheres e alguns poderiam pensar que estou me sentindo “mais mulher do que nunca” apenas pelo fato de estar grávida. Não, para mim não é o fato da gente engravidar ou parir que faz a mulher mais ou menos importante, não é sendo mãe que me torno um ser superior ou melhor do que já sou. O que me faz crescer, melhorar e aprender é a forma como encaro a vida e as experiências que ganho com o tempo. E mais importante: como isso impacta a maneira com que me relaciono com minha família, meus amigos e as pessoas com quem encontro no dia a dia.

Eu acho que todo ser humano, aí independente do sexo, deve ter direito a sua liberdade de escolhas, de decisão. Todo mundo merece oportunidades justas e igualitárias. Mas as pessoas não precisam só de direitos, elas também precisam de atitude e motivação, de força de vontade, de garra e luta.

Por isso, não valorizo as mulheres somente pelas coisas já naturais da mulher. Valorizo sim aquelas que souberam fazer de suas vidas um movimento de crescimento e grandeza.

Mas isso não significa somente coisas magníficas do ponto de vista financeiro ou histórico. Não valorizo aquela grande executiva que tem de agir como macho para ganhar respeito, mas é dura com os outros até dentro de casa. Nem a que só fica em casa, atrás do marido e filhos, mas não sabe pegar um livro para ler e vive à mercê das ordens alheias. Eu valorizo as mulheres que, independente do que elas escolheram fazer de suas vidas, lutaram para fazer a diferença em suas famílias e comunidades. Ninguém vive só de trabalho, ninguém vive só de encostar a barriga no fogão.  Aí sempre me pergunto: o que eu, o que você, como mulher, estamos fazendo para que nossas vidas realmente valham a pena?

Não é algo para o qual eu tenha resposta, mas sim exemplos. Diversas mulheres tocaram e mudaram a vida de quem estava ao seu redor, seja por uma atitude mais enérgica ou um sorriso conciliador no rosto. Mulheres que mesmo num ciclo muito pequeno de pessoas irradiaram luz, conhecimento e perseverança. Outras que, em palanques e ONGs, nos fazem voltar a sonhar com um mundo mais justo para todos, mesmo que aos olhos do mundo elas não passem de grandes bobas utópicas.

Aí me volto para meu mundinho, pensando em várias mulheres da minha família. Começando pela minha bisavó Marina – não é por acaso que eu tenho este nome. A pessoa mais irreverente que conheci na minha vida. Ela ria da vida, das pessoas, aprontava de todas, cresceu rindo numa época na qual ela tinha muito mais que obedecer do que se impor. Qual foi sua resposta? As piadas, talvez até tenha sido uma das pioneiras no trote telefônico no Brasil. E até na velhice, sempre chamou a atenção pela língua ferina e sem pudores. Perfeita? Claro que não, mas as pessoas perfeitas são muito chatas. E falsas, afinal ninguém faz tudo certo na vida.

Aí depois passo a lembrar das minhas avós. As duas altivas e guerreiras à sua moda. A mãe do meu pai, na sua criação de base alemã do Sul do país, talvez muito rígida aos olhos dos outros, criou com pulso firme um filho que não era igual aos outros. Meu pai teve paralisia quando bebê, passou por diversas cirurgias, cadeira de rodas, muletas e tratamentos. Mas não, ela não deixava que ninguém nem ao menos carregasse a mochila dele para ir à escola. Ele tinha que aprender a ser como os outros, apesar da debilidade física. Se ela somente o acalentasse e o protegesse do mal, ele não se desenvolveria. E a gente sabe que a maioria das mães faz ao contrário: protege demais, não sabe dizer não, não sabe frustrar o filho, quando na verdade a vida é feita de muito mais revezes do que vitórias.

Imagino o coração de mãe dela, sendo dura com o filho que mais precisava de ajuda. Mas ela não teve medo: pensou no futuro dele. E cá estamos hoje, não preciso falar muito de quem é meu pai, mas só para resumir é uma pessoa que sempre foi independente, casou-se normalmente, constituiu família, fez duas vezes faculdade – engenharia e direito na USP, uma ao sair do ensino médio, outra já depois dos 40 anos.

Aí quando eu vejo algum deficiente na rua, pedindo esmola, eu não fico com dó pela condição dele, só penso: esse aí precisava ter tido uma dona Eulália na vida dele! Meu pai se tratou na AACD e estudou em escola pública a vida inteira, não teve mais vantagem do que ninguém para ser quem é, mas teve uma mãe que lhe ensinou que a vida não lhe daria nada de graça.

Já minha outra vó, mineirinha de encantadores olhos verdes, chamava a atenção desde pequena pela postura de artista. E não vou falar do passado dela, mas do que vivi e aprendo até hoje com ela. Uma mulher calada pelo câncer há mais de 10 anos. Foi na tireóide, mas na época o tratamento era radical. Tirava-se tudo, até mesmo as cordas vocais, e respira-se por traqueostomia, isso até hoje. Aí você pensa, o que faz uma pessoa que passa por isso? Minha vó não tem som, mas ela continua falando comigo sempre. Eu posso ligar na casa dela, e ela sozinha conversar comigo por sopros ou barulinhos. Minha vó provavelmente tem conta no Facebook muito antes do que você tinha a sua. Ela usa msn, skype, no alto de seus 77 anos. Quem tem uma vó que aprendeu a usar tudo isso ao mesmo tempo que a gente? Ela é esperta, decidida. Não sei se alguma vez alguém já lhe disse que é muito inteligente, pois digo agora: vó, você é fera e um exemplo de que nunca é tarde pra se adaptar, fazer uma mutação de quem somos e da nossa vida!

Aí cada um lendo tudo isso que estou contando pode parar e pensar dentro da sua família, no seu círculo de amigos, quantas mulheres fizeram e fazem a diferença. No quão prazeroso é estar perto destas pessoas diferenciadas, com suas qualidades e defeitos. Como é bom poder ver que elas não se renderam à facilidade de pertencer ao “sexo frágil” para serem amargas, submissas ou passivas.

Sobraram muitas outras mulheres para que eu conte suas histórias algum dia, mas hoje paro por aqui, apenas com a missão de que você se lembre daquelas que também mudaram a sua vida.

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