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Porque sumi


Imagino que tenha muita gente pensando que cansei de escrever ou acabou o assunto. Não, o assunto nunca acaba, escrever é minha profissão (mesmo fora do blog) e eu sempre tenho o que falar. Mas a verdade é que naufraguei na rotina, especialmente na parte maternidade, com um bebê que corre para todo lado agora. Se antes o bebê dava trabalho pois ficava parado e em tudo dependia de mim, agora a verdade é que tenho que ficar de olho atento. Pois se há silêncio na casa, com certeza é porque minha filha está destruindo algo.

A cozinha é o paraíso dela. Não importam as travas de gaveta e armários, ela sempre acha uma brecha. Já virou pacote de maizena e chocolate em pó no chão, entornou garrafa de óleo na roupa e no tapete. Se vacilo, está comendo a ração do gato ou virando o pote de água deles na própria cabeça.

É uma sapeca, mas me divirto. Só que dá trabalho, claro, e juntando ainda o fato de que trabalho, acaba que o tempo livre (mínimo) que tenho, acabo ficando prostrada sem fazer nada. Quando tenho aqueles dez minutos meus, o que eu mais quero é: fazer nada!

Minha rotina ainda está entrando em ajuste, depois que minha sogra egípcia foi embora – ela ficou em casa seis meses para me ajudar com minha filha, assim que voltei da licença maternidade – minha mãe cuidou dela por alguns meses. Como moramos longe e o trânsito de São Paulo não ajuda, a logística era complicada.

Mas agora Lamis foi para a escolinha. E em três dias já estava no antibiótico. E olha, vou te falar, coisa forte é esses vírus de creche. Tomou dez dias de remédio, ficou um sem e já tinha catarro saindo pelos olhos. Eu até tinha tirado férias para fazer adaptação dela, mas o caos se postergou. É inalação, remédio na hora certa, bebê que não dorme direito e chora a noite toda. E claro, o vírus passou para mim.

A filha voltou para mais uma rodada de antibióticos – agora são mais 14 dias – e eu acabei tendo de ir ao hospital ontem, após enrolar quatro dias com muita dor de garganta. A pediatra dela chegou a aventar que talvez ela não deveria ir para a escola ainda. Que deveria ficar pelo menos esta semana em casa.

Dei uma mini surtada e pensei. Deveria voltar para escola na segunda, mas hoje mesmo já a levei. Poxa, vai ter que sobreviver, não é possível! De todos os realatos que recebi, falaram que é extremamente comum a criança ter várias doenças nesse começo, mas que vai melhorando. Vamos torcer, porque eu acredito que ficar na escola é o melhor para ela nesta fase.

Bom, tem dias que me sinto a mãe louca ainda. Com a roupa toda amassada, cabelo para cima, carregando meu rebento catarrento feito uma doida. Isso quando não chego no trabalho e me toco que minha blusa está babada ou minha calça com várias manchas de comida. Também tenho viajado um pouco, e vou tentar falar mais sobre isso em outro post.

Mas mesmo sendo cansativo, eu me divirto com tudo isso e tento aproveitar ao máximo cada minuto de brincadeira que temos. Eu não sou controladora, deixo destruir tudo mesmo e fazer bagunça. Não quero minha filha sempre limpa, deixo ela ficar descalça, deixo ela gritar. Como não me considero uma pessoa muito madura mesmo, aproveito a desculpa para poder brincar e me descabelar junto com ela, afinal  todo mundo não diz que sente saudade da infância? Eu não, pois a estou vivendo de novo.

Vou tentar postar mais. Tentar, prometer é difícil ainda. 🙂

Amizades virtuais


Muita gente não acredita em coisas “virtuais”, que só existem na internet. Apesar da conexão entre computadores existir há muitos anos, até hoje muita gente tem dificuldade de entender, no campo de relacionamentos pessoais, se algo feito na internet também é válido para a vida real.

Assim foi quando eu conheci meu marido na internet, a maioria absoluta das pessoas diziam que eu tinha perdido a razão. Algumas faziam perguntas óbvias: “Mas e se você encontrar com ele, e não gostar?” Na minha cabeça, só tinha uma resposta: “Como não gostar? Esta pessoa passa horas comigo conversando, sem me tocar ou querer algo em troca, me consola, me diverte? Seria o amor algo puramente físico, que exige a presença de corpo para existir?”

E, passando do campo do amor, que é para uma pessoa, existe outro espaço virtual muito mais amplo para se gostar. Que são os amigos de internet, aqueles que conhecemos por interesses comuns, que vão ganhando espaço pouco a pouco, e de repente, já viraram grandes conselheiros. Estes são mais diversos e difíceis de administrar. Mas é igualzinho na vida real. Tem gente que desaparece meses, mas quando volta, é aquela alegria, piadas, conversas sérias mas que a gente sabe que são pontuais. Já outros não, batem ponto todo dia, te dão o relatório de tudo que andam fazendo e estão sempre prontas para ouvir um desabafo qualquer. E os amigos reais, será que são tão diferentes assim?

Pois bem, eis que em alguns momentos da vida, estes mundos se encontram. No caso do seu amor online, é uma explosão de alegria, paixão, amor, confirmação, tudo junto. E quando são os amigos? Geralmente, é como encontrar um amigão de longa data, parece que vocês já se conheciam desde sempre, não é preciso tempo para ganhar confiança ou cuidado com as palavras, todo mundo se conhece, pois quem gosta no virtual, com certeza ama no real. E como na vida real, tem amigos que vão e vem, gente que se afasta, mas nem por isso deixa de ter importância.

E por conta disso, continuo a favor de colocar meus sentimentos na internet, em trocar, conhecer pessoas, crescer com os outros. E é claro, tem vezes que tem gente que não vai com a minha cara, mesmo que na internet essa cara na verdade é trocada pelo seu modo de se expressar e teclar.

Nessa minha vida de Egito e Brasil, tive oportunidade de conhecer muita gente… muita mesmo, e com todas aprendi e cresci. Nessa conexão de mundos virtuais, tive encontros históricos, como com a Nadir em Alexandria, que pra sempre vão ficar nas nossas memórias. Já no Brasil, conheci amigas especiais, algumas não citarei o nome pois como não tem blogs, não vou expo-las, mas hoje quero agradecer em especial a Katie, que organizou um encontro e fez dele mais uma prova de que vale a pena, sim, viver nesse mundo virtual. E que isso não é uma grande perda de tempo, que o maior bem das pessoas são as relações e o amor que entre elas pode existir.

Obrigada Katie!!!

Vejam a lembrancinha que a Katie fez para nós, achei super delicado da parte dela, ainda mais por celebrar os cinco anos que nos conhecemos:

A arte de se transformar


Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade.  Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.

Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes.  Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.

Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.

É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.

Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.

Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda.  E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).

No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.

E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.

No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.

-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.

– Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.

E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.

O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.

E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.

A tecnologia nos une


Todo mundo viu hoje a impressionante notícia de que a Microsoft comprou o Skype por meros $8,5 bilhões, na maior aquisição da história da empresa. Detalhe que o Skype ano passado teve um prejuízo de $7 milhões, ou seja, prova que o interesse da Microsoft em um software como este tem mais a ver com as oportunidades de relacionamento e mídia social do que com as vendas de crédito que ele gera.

Muitas pessoas reclamam que a tecnologia isola as pessoas e as fazem perder tempo demais em frente a um computador, ao invés de se encontrarem e interagirem.  Na minha opinião, porém, nunca o mundo esteve tão unido e tantas descobertas sobre o outro poderiam ser possíveis se não fossem as mídias sociais. Aliás, eu não teria vivido nem 1% das minhas aventuras se não fosse esse mundão virtual. Para mim, as mídias sociais são apenas mais uma etapa desta evolução para melhor.

Eu acredito no poder da mobilização na internet, como aquela mês passado que tirou os sapatos feito de pele de animais da Arezzo das lojas, já que todo mundo protestou no Twitter. Também sou fã de locais onde a gente pode conversar, estudar e trocar idéias com gente do mundo todo, como fóruns e chats. E, ao contrário do que falam sobre essa “frieza” do mundo da internet, acho que isso aqui dá mais chances para a gente conhecer pessoas que tem os mesmos gostos e interesses, pois as redes sociais vão filtrando isso. Ao mesmo tempo,a internet ainda mantém a graça de gerar acasos improváveis, porém maravilhosos.

Lembro da primeira vez que entrei num chat. Era do UOL, em 1994. Meu pai tinha instalado a internet em casa e falou “ah eu vi que tem um negócio de chat, que você pode conversar com pessoas do país todo, acho que você vai gostar”. Entrei e nunca mais saí, obviamente. Foi neste início de internet que inocentemente fazíamos amizades sem medos dos perigos de hoje, trocávamos endereços, encontrávamos gente no shopping. Teve uma vez que conheci um vizinho da rua de trás num desses chats, e fui no meu quintal e ele do telhado dele nos demos “tchauzinho”.

Foi também assim que conheci meu único “pen pal” que tive na vida, um italiano da Sicilia com que troquei correspondências e presentes durante uns 6, 7 anos. Eu e um colega da escola achamos o endereço dele numa lista na internet (não me pergunte o porquê mas a gente não tinha amigo de trocar email, era carta mesmo ehehe) e resolvemos mandar uma carta. Ele só não respondeu, como mandou vários presentes para a gente! Camisas de times de futebol da Europa, chocolates, Nutella. E respondemos com guaraná e paçoca! No fim, ele se casou com uma outra “pen pal” dele que era da Jamaica, e mandava para mim e meu amigo suas fotos com ela e do casamento, além de fitas com música da Itália e filmes. Foi uma experiência muito legal, nem sei se isso existe ainda hoje em dia!

Os anos se passaram, veio o Orkut, Facebook e todas essas coisas. O WordPress é mais bebezinho ainda, o Twitter nem saiu da maternidade comparado a outras coisas.

Já conheci dezenas de amigas pela internet, gente que encontrei no Brasil, no Egito, fizemos orkontros, às vezes trocamos palavras só pelo msn, mas nos ajudam a resolver problemas, desabafar.

E nessa onda, voltando de onde comecei, o Skype teve um papel mais que essencial na minha vida. Foi nele que o Mostafa, aleatoriamente, me adicionou e começamos a conversar.  E depois de apenas quatro meses estávamos casadinhos 😀

E como é que tem gente que ainda pode se perguntar se a internet une ou separa, hein?

ps. estou testando esta caixa de mensagens à direita, por favor testem se me verem online!

Don Juan da vida moderna – eles querem é seu dinheiro


Hoje passou uma reportagem do Domingo Espetacular (veja aqui o vídeo) sobre mulheres que se apaixonam e rapidamente se deixam ser enganadas por homens que figem serem perfeitos para simplesmente arrancar dinheiro ou viver numa boa. Imediamente, lembrei das dezenas de mulheres que já conheci por meio deste blog que viveram isso.

E não, não são mulheres sem estudos ou ingênuas. Muitas bem vividas, bonitas, com tudo para serem felizes, mas que por algum motivo se sentiam muito sós e a má sorte trouxe a elas um homem ruim pela internet. Vendo a reportagem, não enxergo o mesmo tipo de comportamento com todos os árabes, paquistaneses, turcos e indianos em geral que querem se dar bem em cima de uma mulher (tem gente de toda nacionalidade fazendo isso, mas quem chega no meu blog geralmente é porque está envolvida com uma dessas nacionalidades).

O que eu posso dizer é mais sobre os egípcios. Já conheci cara safado mesmo, de ter várias esposas e na cara dura mentir pra terceira, quarta estrangeira que estava chegando no Egito por meio de papinhos moles que eles jogam pela internet. Usam sites de jogos tipo RPG (nem sei os nomes, mas tem vários), redes socias (adoram Hi5, Facebook, Orkut são mais os indianos) e são sempre muitos fáceis de serem pegos na mentira. Mas a paixão, essa sim, é a maior armadilha, pois ela impede a mulher de ver um elefante dentro de um quarto de 4 metros quadrados.  E não adianta você falar, explicar, tentar mostrar.

– “Ele é perfeito! Ele é o amor da minha vida! Imagina, falou em casamento logo que nos conhecemos!” – dizem. Quem sou eu para discutir?

O perfil geralmente é o mesmo, mulheres mais velhas, divorciadas, muitas vezes com histórias de relacionamentos bem sofridos no Brasil. Mas também existem as novinhas, com a vida toda pela frente e que também se deixam levar facilmente. Elas acreditam que só pelo fato do homem ter uma religião mais severa, como o Islam, falar coisas românticas (egípcio chora com Titanic, vcs acham que ele teria vergonha de dizer coisas bregas tipo “vc é a estrela do meu céu”, blá, blá, blá?), ser de outro país e dizer batendo no peito que como homem é dever dele dar tudo para a esposa (mentiraaaa), ele é diferente de um homem do Brasil? Não é não, por isso fiquem ligadas. Sinal de amor e respeito é igual em qualquer cultura, e safadeza também acontece na mesma proporção. Só que por ser diferente, para eles é mais fácil encantar. Fora que na internet, muito fácil inventar mais mentiras ainda.

Por isso, uma regra de ouro: nunca envie o primeiro dólar, o primeiro presente (aliás, nunca enviem presente nenhum, não passem na porta dos Correios ou Western Union, combinado?). É a porta de entrada para muita tristeza, infelizmente. As dicas são básicas. Mesmo que você pense em morar no Brasil, diga sempre que não tem dinheiro para passagem, que quer sair do Brasil e morar lá no país dele. Analise bem as reações e cada palavra. Jamais mencione coisas do tipo FGTS, imóveis ou carros. Mesmo que ele nem seja tão interesseiro assim, só de saber que você tem posses, vai ficar mais interessado pelo lado econômico do que quem é você de verdade. A regra de ouro na internet é que você pode omitir muita coisa, e se é ele quem pergunta sobre seus bens, olho aberto.

O casamento no Egito é feito na maioria das vezes por acordo, pensem nisso. As pessoas de lá não estão acostumadas a ficarem com alguém só porque amam ou têm paixão. Tudo é pensado e calculado: os gastos, quem paga a festa, quem paga a mobília e por aí vai. Uma egípcia não se casa sem saber o salário real do cara e o que ele pode oferecer de conforto a ela. O homem egípcio, por sua vez, casa geralmente preocupado mais com o acerto familiar e se a mulher é casta, obediente e será uma boa esposa. Imagina então, esse egípcio pobre, que já é difícil arrumar uma boa esposa baseado nas condições ditas antes, que encontra uma mulher atenciosa, cheia de carinho, que manda presentes, está sempre pronta para fazer tudo e, ainda por cima, vai lhe dar algum dinheiro e uma chance de melhorar de vida, algo que ele jamais conseguiria sozinho? Ele também se apaixona (não digo de mentira, mas em muitos casos é o modo mesmo deles de paixão, que está ligado a outras coisas que não temos aqui) e fala em casamento querendo mesmo. Só que a mulher não sabe que este desejo dele não é 100% por amor e sentimento com aqui, pois na cultura a condição financeira entra na conta. Ou seja, confusão armada, expectativa dela lá em cima e a chance de se frustrar muito grande.

Para ele, vale a pena ficar com uma mulher que não se encaixa no padrão do que ele gostaria, apenas pelo fato dela lhe oferecer uma chance de vida melhor. Em alguns casos, claro, isso por ser amor de verdade, eu graças a Deus conheço muitos casais felizes mesmo, só que o egípcio sempre fez o correto, como suprir a necessidade da casa, ser quem vai atrás das coisas, não o contrário.

Por isso, me assusta um pouco também quando alguém me pergunta como fazer para casar no Egito. Poxa, se nem o noivo vai atrás, melhor ir com calma antes, certo? Ou quem me manda perguntas pedindo minha opinião, se ele fala verdade ou mente: se você tem dúvidas, não case!

Bom, sei que o post ficou gigantesco e acabei fugindo um pouco do tema, pois no caso dos egípcios não acredito que estejam soltos por aí apenas golpistas baratos, como vimos na reportagem. No caso dos egípcios com brasileiras, é muito mais uma união do útil com o agradável, mas é claro, tem casos dos que namoram várias estrangeiras ao mesmo tempo, os Don Juans que são muito fáceis de serem pegos na mentira (só de jogar o nome deles no Google e em redes sociais o castelo de areia se desmancha, tá cheio de  “habibi”  com foto de outras no Hi5, por exemplo).

Agora, como sempre que escrevo algo, fazendo certas críticas, recebo a incredulidade de volta: Mas e você, então teve é muita sorte de ter dado certo com o Musta?

Sorte, acho difícil. Todo risco pode ser bem calculado. Eu sabia muito bem como era a cultura egípcia, tive diversos cuidados (quando a mulher usa a cabeça junto do coração, o trabalho é mais fácil) e jamais fui inocente. Talvez posso dizer sorte (chamo isso de ação de Deus) pelo fato de justo o homem da minha vida ter aparecido do nada pela internet, mas o fato de ter ido a ter ele e ter dado certo não. Isso foi uma jogada com muita estratégia e atenção que fiz na minha vida. Para vocês terem ideia, mesmo com toda a certeza que tinha no meu coração, cheguei no Egito com passagem de volta comprada também. Ainda bem que pude jogá-la  no lixo 🙂

ps. Tudo isso que falei vale o contrário também. Já vi mulher brasileira dando cada baile em egípcio, que vocês nem acreditariam… Por isso, esse post não é uma generalização, pois não acredito que raça, origem ou cor digam algo por alguém: isso é racismo.

 

As recompensas de se ter um blog


Quando recebo uma mensagem destas, como a da leitora Joyce, vejo que isso aqui continua valendo muito a pena:

 

“Marina, eu queria te agradecer, pela indicação da mesquita do Pari, já estou frequentando há mais de um mês, fui muito bem recebida , obrigada mais uma vez pela indicação, foi muito importante pra mim,  obrigada.

Eu já estava pesquisando há mais de um ano entao tudo foi bem pensando, porque eu levo isso muito a sério  e estou muito feliz com a minha decisão e voce tem uma parcela, pq lendo seus post eu me encorajei a ir em uma mesquita.

Voce nao tem ideia de onde o seu blog chega o que os seus post alcançam. E eu sou muito grata por vc dividir um pouco da sua vida com os seus leitores e muitos deles me ajudaram, me vi em muitas situações ali, pode ter certeza que o saldo final será positivo pra você e pra nós que adoramos o seu blog.

Voce é uma amiga pra seus leitores, voce é tao generosa quando divide um pedaço da sua vida, da sua intimidade com a gente e sempre de uma forma tão delicada e acolhedora , que mesmo sem contato fisico nos sentimos proximos , é bom quando chega um e-mail avisando de um novo post. Marina você é muito especial, tenho certeza que até mesmo pros leitores que nao se manisfestam voce é especial.

E com a sua inteligencia e habilidade você mostra que o Islam é amor e que a falta de informação é o que gera o preconceito, sem contar na sua força e na sua coragem e ir para o Egito buscar a sua felicidade , construir a sua família, sao tantas coisas que você divide é bom saber que existem pessoas como você que mesmo sem saber nos ajudam.

Marina, você muitas vezes é mais proxima do que um amigo que está ao lado. Você permite isso quando em seu blog nos convida para entrar na sua vida, sempre de portas abertas o minimo que posso fazer é agredecer Marina, quantas noites em meio a duvidas, confusões e situações na minha vida eu abri o pc e lia um post e ali naquelas palavras eu me encontrava, me orientava, ria com as semelhanças , me encontrava ali não mais sozinha mas com muitas pessoas que passam pelas mesmas coisas e sem egoísmo ali depositava uma ajuda voluntária. Você é uma abençoada e foi muito feliz quando resolveu criar o seu blog! Continue nele Marina, mais leitores vão ali entrar e ficar.”

Muito obrigada Joyce, pelo tempo de me dizer tudo isso, pois às vezes não sei até que ponto o que faço por aqui é válido ou está sendo realmente bom para meus leitores. Você renovou minhas energias e espero fazer um blog melhor ano que vem, com mais posts e coisas interessantes!

E deixo aqui um grande obrigada a todos os leitores que estiveram por aqui mais esse ano! Em 2011, que venham mais bate-papos e discussões 🙂

beijos

 

O quinto aniversário


Segundo o Musta, este é meu quinto aniversário que comemoramos juntos. Insisti que eram quatro, já que em presença física foi só a partir de 2007. Mas ele fala que o de 2006, quando ainda éramos quase que estranhos conversando pela internet – mas já com planos malucos de casamento – também entra na conta.

Lembro que no aniversário de 2006 eu estava naquele mar de perdição, era ramadan, eu descobria tantas coisa ao mesmo tempo. Em pleno aniversário de 23 anos, uma adulta completa já, com direito a diploma de formada, trabalho e responsabilidades, eu descobria que, na verdade, eu não sabia quem eu era e se havia me tornado a mulher que sempre imaginei que seria. E até mesmo quem me conhecia desde bebê, como meus pais, também se confrontavam com essa dura verdade: quem seria Marina, o que estaria acontecendo com ela?

Oscilava meus momentos de humor ácido, força de expressão e tagarelice, com dias cada vez mais quietos e escondidos na frente de um computador, ou trabalhando mais de 20 horas por dia. Chegava a sair 2 horas da manhã de um pescoção (*gíria de redação para o fechamento do jornal da sexta), coisa que nunca tinha feito. Trabalhava duro, mas depois ficava lá, sem vontade de ir para casa. Só no computador, pensando, buscando coisas.

O sono, sempre profundo e que de domingo ia até depois do meio, tornou se ralo e chato. Teve uma noite, lembro até hoje, que parei de conversar com Mostafa 5 horas da manhã. Dormi até às 6h30 e já estava disposta para a aula de ginástica e depois trabalho. Virei zumbi em nome desta mudança, com certeza eu não estava normal e hoje reconheço isso mais do que nunca.

As pessoas próximas sabiam que algo de muito estranho acontecia comigo, mas eu não conseguia dizer o que era, nem elas podiam ter ideia. Achava melhor esconder ao máximo meus planos do que correr o risco de me expor e dar tudo errado depois. Mas minha mãe sempre soube de tudo, como sempre, mesmo sem falar, ela sabia que algo muito difícil estava por vir.

Ah, as perguntas sobre o que havia comigo… levaria dias e anos de estudos interior e psicanálise para descobrir porque, aos 23 anos, deixei muito do que eu era para trás em busca de algo totalmente novo. Talvez já fosse esperado que um dia isso aconteceria, desde os tempos em que eu era nova minha mãe, principalmente, sabia que eu era propensa a loucuras sem fundamento.

Mas hoje nós duas sabemos que não se trata de doença mental ou propriamente de loucura. É a lagarta que um dia sai do casulo, o espírito aventureiro que desperta um dia sem rumo, o amadurecimento que chega sem ser notado. É o jovem que, pouco a pouco, tem de deixar desejos e colocar em prática o que sonha para ser feliz. Algumas pessoas se contentam com o certo, provável, conhecido. Eu não, sempre gostei das alturas, de cair de braços abertos para o mundo, de subir em muros e entrar em passagens proibidas. E, mais cedo ou mais tarde, naquele aniversário de 23 anos, o traço mais difícil da minha personalidade pedia para ser libertado.

E foi…

Mas o que aconteceu comigo naquele aniversário de 2006, o primeiro com o Musta, tinha uma explicação. E eu hoje entendo bem tudo que se passou. Acredito que parte de vocês também. Muitas das que me lêem, já viveram isso. É uma inquietação, misturada com sonhos, paixão, amor e fé, junto a uma boa dose de coragem para mudar. Porque mudanças nunca são fáceis. O ser humano, naturalmente, está confortável com o que é, se sente melhor com a estabilidade e sem surpresas. Para mudar, é preciso dor,  é preciso ser radical, é preciso partir para uma batalha sem anestesia. Fazer o que fiz não me torna melhor ou pior do que ninguém, simplesmente porque faz parte do que eu sou, do que eu precisava para ser completa. Sem minha história com Musta, eu nunca seria quem eu sempre quis ser.

E toda aquela mudança, apesar de parecer tão radical, na verdade não transformou quem eu sou. Partes de Marina pareciam em mutação, algumas adormeceram por certos meses, mas toda a experiência que vivi a partir destes 23 anos só serviram para reafirmar quem eu sou e o que busco na minha vida.

Agora, cinco anos depois, vejo que continuo a mesma pessoa daqueles cinco anos atrás. Com certa bagagem para não repetir as besteiras, mas com o mesmo humor e otimismo que sempre carreguei.

E aquela frase “ninguém muda por ninguém” continua sendo a mais pura verdade.  Apesar dos quilômetros que viajei – seja física ou espiritualmente – Marina é a mesmíssima de 2006. Hoje minha mãe sabe, apesar do susto daquele ano, que ninguém fez lavagem cerebral em mim ou que passava por algum transtorno emocional. Foi só mesmo o mosquitinho da inquietude da alma que me picou. E eu tratei de ir atrás da cura.

 

Top posts de todos os tempos


Inspirada na Halima hoje (aliás, um post com ela é um dos meus top posts ehehe), resolvi botar no ar uma lista atualizada dos posts mais famosos deste blog, desde que foi criado. Aparecem muitas coisas curiosas ainda no motor de busca, algumas que nem posso colocar aqui! ahahaha

Então, para quem quer saber o que faz sucesso, dê uma olhada:

Página Principal
Roupas muçulmanas no Egito
Twittando – como usar o twitter?
sobre nós
Visto para estrangeiro no Brasil
+ sobre o site
Alguém já fez carta convite?
Ramadã 2009 está chegando
Homens egípcios (ou indianos, ou qualque
Transporte no Egito
Filmes para refletir sobre Islã, muçulma
O clima no Egito
Uma brasileira de burka (niqab, na verda
Depilação no Egito
Blomia Tropicalis
A conversão para o Islã
Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para n

200 mil visitas


É o tempo passa e as coisas vão tomando uma dimensão que não fazemos idéia… hoje meu contador chegou ali nas 200 mil visitas… O que será que isso significa?  Na vida real eu tenho o que, 2, 3 amigos, umas poucas pessoas que me conhecem muito bem e pra qual eu falo tudo que quero. Aí venho aqui, neste cantinho, e falo de muitas coisas pessoais, compartilho alegrias, revoltas, segredos, e… quem são essas milhares de pessoas?

Sim, conheço algumas pelo email, msn, pouquíssimas vi cara a cara, mas mesmo assim tem muita gente passando por aqui e deixando seus comentários, sua visão e até seu xingamento eheheh

Acho que parte do que eu busco consegui, que é desmistificar os muçulmanos, contar minha história, dizer que acredito no amor de verdade e que sonhos podem ser realidade. Mas também dou meus alertas, caio na real e tento ser sincera quando preciso. O blog virou uma mistura, mas fico feliz que continuam vindo até aqui todos os dias e tornando isso meu cantinho especial.

Obrigada e obrigada!! Só posso agradecer sua visitinha diária, semanal ou única, ela é muito importante para mim 🙂

Relembrando o Egito


A relação com os lugares que a gente passa na vida vai mudando conforme o tempo passa. Em relação ao Egito, já fui do amor ao ódio, da saudade ao descaso. Varia, nossa vida vai acontecendo e a forma com que nos relacionamos com as coisas também pode amadurecer.

É muito diferente ir num lugar para turismo ou para viver, e se estamos em tal lugar para começar a vida, ou só pra curtir. E o mesmo que eu senti, meu marido também sente em relação ao Brasil. Tem horas que ele detesta isso aqui, outras está calmo e parece mais nativo que muitos brasileiros. Ele ainda se irrita com o fato dos brasileiros sempre apontarem defeitos nos outros lugares, mas não verem o montão de defeito que temos aqui também. (por ex., adoram falar que o Egito é sujo, mas ele vê sujeira o tempo todo em São Paulo!! eheheh)

Mas já estou fugindo do assunto, eu estava é a pensar no Egito. Temos tantas coisas e planos agora, que o Egito ficou lá pra trás nas nossas prioridades. Nem eu nem meu marido pensamos em ir lá nos próximos anos, nem mesmo a passeio, e não é por não adorar o lugar, mas simplesmente porque o mundo é muito grande pra ficar sempre indo no mesmo lugar se tivermos oportunidades!! É assim que pensamos, temos outras prioridades e sei que vai demorar muito ainda pra eu pisar no Egitão de novo.

E acho que até por ter ficado com a imagem do país como um sonho, lá atrás, e sem saber quando volto, você acaba criando uma imagem esfumaçada, as coisas que não gostava fui esquecendo, lembro só de coisas boas, até porque foi lá que conheci meu amor, nos casamos e tudo que existe de melhor na minha começou. Aliás, já falei pra vocês que meu marido é o que mais AMOOO neste mundo…

Bom, pra terminar este post doido, vou abrir minha caixa de memórias e postar umas fotos minha no Egito, espero que gostem, muitas algumas já devem ter visto.

no Cairo

morango por quilo... ahhh amo

morango por quilo... ahhh amo

Alex

não é Cancun, é Egito eheh

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