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Porque sumi


Imagino que tenha muita gente pensando que cansei de escrever ou acabou o assunto. Não, o assunto nunca acaba, escrever é minha profissão (mesmo fora do blog) e eu sempre tenho o que falar. Mas a verdade é que naufraguei na rotina, especialmente na parte maternidade, com um bebê que corre para todo lado agora. Se antes o bebê dava trabalho pois ficava parado e em tudo dependia de mim, agora a verdade é que tenho que ficar de olho atento. Pois se há silêncio na casa, com certeza é porque minha filha está destruindo algo.

A cozinha é o paraíso dela. Não importam as travas de gaveta e armários, ela sempre acha uma brecha. Já virou pacote de maizena e chocolate em pó no chão, entornou garrafa de óleo na roupa e no tapete. Se vacilo, está comendo a ração do gato ou virando o pote de água deles na própria cabeça.

É uma sapeca, mas me divirto. Só que dá trabalho, claro, e juntando ainda o fato de que trabalho, acaba que o tempo livre (mínimo) que tenho, acabo ficando prostrada sem fazer nada. Quando tenho aqueles dez minutos meus, o que eu mais quero é: fazer nada!

Minha rotina ainda está entrando em ajuste, depois que minha sogra egípcia foi embora – ela ficou em casa seis meses para me ajudar com minha filha, assim que voltei da licença maternidade – minha mãe cuidou dela por alguns meses. Como moramos longe e o trânsito de São Paulo não ajuda, a logística era complicada.

Mas agora Lamis foi para a escolinha. E em três dias já estava no antibiótico. E olha, vou te falar, coisa forte é esses vírus de creche. Tomou dez dias de remédio, ficou um sem e já tinha catarro saindo pelos olhos. Eu até tinha tirado férias para fazer adaptação dela, mas o caos se postergou. É inalação, remédio na hora certa, bebê que não dorme direito e chora a noite toda. E claro, o vírus passou para mim.

A filha voltou para mais uma rodada de antibióticos – agora são mais 14 dias – e eu acabei tendo de ir ao hospital ontem, após enrolar quatro dias com muita dor de garganta. A pediatra dela chegou a aventar que talvez ela não deveria ir para a escola ainda. Que deveria ficar pelo menos esta semana em casa.

Dei uma mini surtada e pensei. Deveria voltar para escola na segunda, mas hoje mesmo já a levei. Poxa, vai ter que sobreviver, não é possível! De todos os realatos que recebi, falaram que é extremamente comum a criança ter várias doenças nesse começo, mas que vai melhorando. Vamos torcer, porque eu acredito que ficar na escola é o melhor para ela nesta fase.

Bom, tem dias que me sinto a mãe louca ainda. Com a roupa toda amassada, cabelo para cima, carregando meu rebento catarrento feito uma doida. Isso quando não chego no trabalho e me toco que minha blusa está babada ou minha calça com várias manchas de comida. Também tenho viajado um pouco, e vou tentar falar mais sobre isso em outro post.

Mas mesmo sendo cansativo, eu me divirto com tudo isso e tento aproveitar ao máximo cada minuto de brincadeira que temos. Eu não sou controladora, deixo destruir tudo mesmo e fazer bagunça. Não quero minha filha sempre limpa, deixo ela ficar descalça, deixo ela gritar. Como não me considero uma pessoa muito madura mesmo, aproveito a desculpa para poder brincar e me descabelar junto com ela, afinal  todo mundo não diz que sente saudade da infância? Eu não, pois a estou vivendo de novo.

Vou tentar postar mais. Tentar, prometer é difícil ainda. 🙂

Sonhos reformulados


Eu entrei nessa história de amor online em 2006. Já faz um bocado de tempo, visto que hoje temos tantas novidades que seis anos parece até um século em termos de comunicação e tecnologia que temos disponível. Mas basicamente, as mesmas ferramentas que eu tinha naquela época, apesar de um pouco mais rudimentares, hoje estão disponíveis ainda, e claro, aperfeiçoadas. Por conta disso, acho que quem embarca neste tipo de relação, tem ferramentas suficientes para saber se está entrando em uma roubada, com a vantagem de hoje em dia ter dezenas de blogs falando sobre esse assunto, até mesmo especificando o país que quer conhecer. Sobre namoro com egípcio, tem vários, aí tem com indianos, paquistaneses, sírios, americanos, holandeses, finlandeses (para quem insiste em vir me escrever que só árabe fica caçando mulher pela internet, vamos abrir um pouco a mente, pessoal).

Mas é claro que surgem dúvidas, medos, aflições. É legal compartilhar, ver exemplos de quem já passou pelo mesmo, porém lembre-se sempre que cada experiência é única, e no fundo do nosso coração, a gente sempre sabe quando estamos correndo riscos. Homens, basicamente, fazem as mesmas coisas no mundo todo. A cultura pode ser diferente, o que ele come, como se veste, a língua, mas coisas básicas são as mesmas. Ou seja, conhecer a família dele, saber qual a renda dele e se realmente tem condições de se casar, verificar se ele não pensa em casar só para sair do país, por aí vai…

Mas por que estou batendo nesta tecla de novo, pela milésima vez? Porque eu recebo dezenas de mensagens todas as semanas com as mesmas perguntas e dúvidas, meninas com o coração apertado por não saber o que fazer, em quem confiar. Eu não posso responder todas as mensagens, principalmente aquelas que pedem ajuda sobre visto ou burocracia, porque eu não trabalho com isso, nem sou especializada e nem sei as respostas, tudo que eu fiz, foi procurando nos órgãos públicos e indo atrás, e acho que todas têm capacidade para o mesmo. Mas quando se trata do lado emocional e cultural, sei que é difícil encontrar amparo. Eu tenho zilhões de posts sobre isso, é só procurar que boa parte das respostas você já encontra. Mas sei que há momentos em que receber uma simples resposta já dá um grande alívio no coração.

Mas, apesar da maioria das histórias que eu conheço não terem tido finais felizes – muitas vezes por razões já bem claras desde o início da relação – eu continuo acreditando na possibilidade desse tipo de amor. Para mim deu certo, para algumas outras também. Casamento é sempre um caminho sinuoso, não importa com quem e onde, e descobrir como atravessar as turbulências é uma arte que independe da cultura ou religião. E eu acho que todo mundo tem direito de tentar sim ser feliz, sair das convenções, tentar uma aventura, desde que ela seja feita com consciência e sem ser ingênua ao quadrado. O mundo é dos espertos, até mesmo no amor. Então, se ame, tenha auto estima (falar que brasileiro não valoriza mulher, que seu habibi é romântico e sério, já é sinal de ingenuidade grau mil), saiba das dificuldades e veja se vale a pena. Senão, tire apenas umas férias para conhecer o país e de quebra sacar como ele é, falar com a família dele (de novo, desculpas esfarrapadas que a família dele não aceita, não cola, ok?) e busque sua felicidade plena, sem se apoiar em sonhos ou ilusões faraônicas, que vai tudo dar certo. E tenha também a firmeza de enxergar quando a coisa não é para você, dar meia volta e voltar linda e cheia de histórias para o Brasil, mesmo que seja sozinha 🙂 .

Como manter um casamento feliz


O casamento é algo tão antigo. Porque será que até hoje ouvimos tantas discussões sobre este tema? Será que após séculos e séculos as pessoas ainda não sabem dividir a vida? Ou será que o amor é uma daquelas coisas que não importa o quanto a gente estude, nunca vai se ter uma resposta exata para todas as perguntas que ele nos leva a fazer?

Porque será que raios fui parar tão longe? Diziam para mim, encontre um brasileiro mesmo, escolha algo mais fácil e sem riscos. Tá, pode ser que até seja mais simples se casar com alguém do trabalho ou que você conheceu num café, por exemplo. Mas qual é a probabildiade de ter alguém e dizer “este é o amor da minha vida” assim, de repente? Quase nulas. Isso só deve acontecer uma vez na nossa vida.

E porque comigo isso foi acontecer justo com alguém que eu nem tinha visto? Pois por mais estranho que lhe pareça, quando meu marido me pediu em casamento eu nem tinha visto ainda uma foto dele. E eu disse sim! Falava para mim mesma que só podia estar muito louca, mas na loucura daqueles dias tudo foi se resolvendo da melhor maneira.

O amor foi como um furacão na minha vida que derrubou tudo que havia construído antes. De conceitos a roupas, de hábitos a trabalho. E ele também mudou. Engana-se quem pensa que num casamento como o meu é apenas a mulher que cede, como muito já ouvi falar. Ele aprendeu a doar 100% do seu tempo, nunca mais foi nos típicos cafés egípcios, rezou aquele ramadã todo pedindo benção para o futuro casamento. E não deixou ninguém comentar ou argumentar, só disse “vou me casar” a todos e não aceitou opiniões. Nunca hesitou, assim como eu também pulei de frente na relação.

Agora todo a lembrança daquele começo turbulento, cheio de mudanças bruscas, se apaga em uma nuvem de calmaria. Só fazem dois anos, mas a vida se encaixa de forma tão perfeita que parecem décadas atrás. Não consigo mais me lembrar de quem eu já fui antes, nem ele sabe mais o que fazia antes de tudo que construímos juntos. Agora é trabalhar no dia a dia, nas pequenas coisas, tirar os problemas da vida que sempre aparecem da frente e colocar acima de tudo o amor.

É ter paciência com o outro naquele dia em que ele não está bem, elogiar cada sucesso alcançado e não conseguir dormir sem um beijo de boa noite. É acordar ao lado do amado e saber que está tudo bem, que a vida segue firme e que juntos tudo fica mais fácil. É tirar sarro um do outro e brigar junto quando o Tito fica louco. É ser grosso às vezes, mas saber pedir desculpas no minuto seguinte. É ser mais paciente do que com os amigos e mais cordial que no trabalho. É ser eu mesma, com tantos defeitos e tão diferente dele, e mesmo assim não ter medo de ficar sozinha.

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