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Turbulência em vôo de cruzeiro


No dia 3 de janeiro, eu e Mostafa completamos oito anos de casamento. Oito anos que parecem vinte, por conta de intensidade de tudo que vivemos durante esse tempo.

Eu gosto de encarar a vida como fases: teve a da descoberta, da aventura do casamento, depois do aprendizado, da luta para nos estabelecermos e acharmos nosso canto no mundo. Aí ficamos só nós dois, nos curtindo, até que decidimos ter um filho. E estamos nessa fase agora, que eu chamaria de turbulência em vôo de cruzeiro.

Às vezes eu até me esqueço que minha história chama um pouco a atenção dos outros e ainda fico surpresa quando comento que meu marido é egípcio, nos conhecemos pela internet, e as pessoas ficam totalmente chocadas. Para mim, isso foi há séculos atrás, e apesar de sempre ouvir as mesmas perguntas, dar as mesmas respostas, estamos em algo tão distante daquele começo aventuresco e exótico, que às vezes me sinto contando a história de um filme, e não falando  sobre a minha própria vida.

É, a vida segue. Sim, tivemos momentos épicos, como aquele dia em que pousei no Cairo, vi Mostafa pela primeira vez. Ou aquela última noite em Alexandria, em que passamos horas olhando as estrelas perdidas entre as parabólicas nos tetos dos prédios, no calor insuportável misturado à maresia do mar, com medo da nossa mudança para o Brasil.

E aqui, do outro lado do mundo, também tivemos o que posso chamar de epifanias. Quando, na mais pura pindaíba, ganhamos uma viagem para Cancun e pela primeira vez nos sentimos no topo do mundo. A gente olhava aquele mar azul turquesa, o frigobar lotado, os garçons que nos serviam o que nossa imaginação pedisse. E minha mãe, que nos acompanhou, falava: “Marina, tem certeza que não vamos pagar nada? Vamos ter que passar o resto da vida lavando prato nesse hotel!”

Ou quando finalmente nos mudamos para um apartamento maior, pintamos a parede naquela tarde, e começamos a ver que tudo tinha dado certo. Eu já estava grávida, a vida corria leve.

Aí minha filha nasceu e passei para a entrega total, de prazer e loucura ao mesmo tempo. Hoje, um pouco mais distante, vejo o quanto a maternidade foi difícil para mim e ainda afeta a forma como eu tenho lidado com minha vida e as outras pessoas, até mesmo meu marido.

Eu não sei explicar o porquê e coloco a culpa no tal do baby blues – ou melaconcolia pós-parto, mas o fato é que chorei por quarenta dias seguidos após 5 de junho de 2013. Por minha filha ter sido prematura, por não ter nascido como eu queria, mesmo tendo ficado 22 horas presa numa sala pré-parto, em como ela não queria mamar ou se alimentar, em como eu sentia dor. Eu passei praticamente todos esses dias de pijama, em casa, me sentindo totalmente perdida.

Eu vi que, apesar de toda minha independência, coragem – como gostam de dizer que eu tenho -, espírito de aventura e altivez, aprendi que eu não sabia lidar com um ser que era dependente de mim o tempo todo. E isso, por consequência, me fez sentir como um pássaro de asas amarradas. Sabia que podia voar, mas não era possível.

Mas passou. E consegui curtir demais. Mesmo quando dias depois minha filha ficou internada, eu não desabei. Enquanto Mostafa ainda não sei como não morreu de ataque do coração a cada vez que ela engasga, eu mesmo nos dias mais difíceis de UTI, fiquei ao lado dela, segurando sua mãozinha em cada procedimento, checando a oxigenação a cada minuto. E tudo aquilo passou, ela sarou, se desenvolveu e se tornou um bebê maravilhoso.

Minha sogra veio e ficou seis ótimos meses, voltei ao trabalho e parecia que minha vida estava como antes, pois tinha alguém em casa que podia segurar as pontas se eu quisesse ficar até tarde escrevendo um texto, ou até mesmo viajar a trabalho.

Mas ela se foi e logo em seguida fiquei oito dias fora, em pleno dia das mães. Meu marido ficou sozinho e não foi fácil para nós essa primeira vez de longa distância com um bebê junto.

E ela ia crescendo, o trabalho também aumentava. No começo eu pensava que a cada nova habilidade que minha filha adquirisse, as coisas ficariam mais fáceis. Lego engano, a cada nova coisa que ela aprende, mais perigos tenho que esconder dela, mais cuidados na casa, na rua. Ela é um bebê totalmente dócil, carinhoso, de dar gargalhadas que enchem o coração. Mas é também daquele tipo de bebê que bota a casa abaixo. Se estou sentada e feliz por ter dez minutos de silêncio, pode ter certeza que é porque Lamis está em algum canto da casa destruindo algo.

Aos nove meses, ela passou de um bebê que milagrosamente dormia 10 horas seguidas para um que acorda de hora em hora. Até hoje, com mais de um ano e meio, eu passo praticamente todas as noites acordando diversas vezes, o que me desestabiliza muito. Lembro que tive de ir a um evento em novembro do ano passado e a primeira coisa que pensei foi: “Graças a Deus, vou dormir sete noites sozinha!”

Todo tempo livre que tenho, é para ela. Deixei de olhar até para mim mesma. Tinha emagrecido 20 quilos na licença maternidade (sem contar o que ganhei na gestação, pois esses perdi logo depois que ela nasceu), mas em 2014 engordei tudo de novo. Fiquei muito nervosa, passei a ser grosseira com meu marido em diversas situações desnecessárias.

E a gente faz tudo por ela, quer tudo para ela. Ser pais nos mudou demais como casal e como seres humanos. Há uma entrega total e totalmente irracional nisso tudo, um amor incontrolável e tão delicioso, que ficamos um pouco viciados em apenas dar e esquecemos um pouco de nós e toda aquela história mágica que vivemos lá trás.

Mas sei que isso também é uma fase. E sinto que agora já consigo voltar a pensar em mim também, a corrigir certos trajetos que não acho que estão tão legais.

E, quando cheguei nesse ponto do post, meu marido passa por mim e fala:

– O que você tanto escreve? Está trabalhando nas férias?

– Não, Mostafa, estou fazendo um post.

– Sobre o quê?

– Sei lá, não consigo explicar, mas sei que você não vai ler mesmo.

– É que você escreve muito e eu nunca consigo entender aonde você quer chegar.

Fiquei puta, ele veio me abraçar. Oito anos de casamento minha gente, ainda que tão diferentes, mais próximos do que nunca. E, incrivelmente, minha bebê está dormindo há três horas seguidas e eu consegui terminar esse post. Em 2015, parece que vou conseguir fazer mais coisas para mim, inclusive gastar palavras em textos como este.

Só espero que tenha gente mais paciente que o Mostafa e que consiga ler até o final.

Sonhos reformulados


Eu entrei nessa história de amor online em 2006. Já faz um bocado de tempo, visto que hoje temos tantas novidades que seis anos parece até um século em termos de comunicação e tecnologia que temos disponível. Mas basicamente, as mesmas ferramentas que eu tinha naquela época, apesar de um pouco mais rudimentares, hoje estão disponíveis ainda, e claro, aperfeiçoadas. Por conta disso, acho que quem embarca neste tipo de relação, tem ferramentas suficientes para saber se está entrando em uma roubada, com a vantagem de hoje em dia ter dezenas de blogs falando sobre esse assunto, até mesmo especificando o país que quer conhecer. Sobre namoro com egípcio, tem vários, aí tem com indianos, paquistaneses, sírios, americanos, holandeses, finlandeses (para quem insiste em vir me escrever que só árabe fica caçando mulher pela internet, vamos abrir um pouco a mente, pessoal).

Mas é claro que surgem dúvidas, medos, aflições. É legal compartilhar, ver exemplos de quem já passou pelo mesmo, porém lembre-se sempre que cada experiência é única, e no fundo do nosso coração, a gente sempre sabe quando estamos correndo riscos. Homens, basicamente, fazem as mesmas coisas no mundo todo. A cultura pode ser diferente, o que ele come, como se veste, a língua, mas coisas básicas são as mesmas. Ou seja, conhecer a família dele, saber qual a renda dele e se realmente tem condições de se casar, verificar se ele não pensa em casar só para sair do país, por aí vai…

Mas por que estou batendo nesta tecla de novo, pela milésima vez? Porque eu recebo dezenas de mensagens todas as semanas com as mesmas perguntas e dúvidas, meninas com o coração apertado por não saber o que fazer, em quem confiar. Eu não posso responder todas as mensagens, principalmente aquelas que pedem ajuda sobre visto ou burocracia, porque eu não trabalho com isso, nem sou especializada e nem sei as respostas, tudo que eu fiz, foi procurando nos órgãos públicos e indo atrás, e acho que todas têm capacidade para o mesmo. Mas quando se trata do lado emocional e cultural, sei que é difícil encontrar amparo. Eu tenho zilhões de posts sobre isso, é só procurar que boa parte das respostas você já encontra. Mas sei que há momentos em que receber uma simples resposta já dá um grande alívio no coração.

Mas, apesar da maioria das histórias que eu conheço não terem tido finais felizes – muitas vezes por razões já bem claras desde o início da relação – eu continuo acreditando na possibilidade desse tipo de amor. Para mim deu certo, para algumas outras também. Casamento é sempre um caminho sinuoso, não importa com quem e onde, e descobrir como atravessar as turbulências é uma arte que independe da cultura ou religião. E eu acho que todo mundo tem direito de tentar sim ser feliz, sair das convenções, tentar uma aventura, desde que ela seja feita com consciência e sem ser ingênua ao quadrado. O mundo é dos espertos, até mesmo no amor. Então, se ame, tenha auto estima (falar que brasileiro não valoriza mulher, que seu habibi é romântico e sério, já é sinal de ingenuidade grau mil), saiba das dificuldades e veja se vale a pena. Senão, tire apenas umas férias para conhecer o país e de quebra sacar como ele é, falar com a família dele (de novo, desculpas esfarrapadas que a família dele não aceita, não cola, ok?) e busque sua felicidade plena, sem se apoiar em sonhos ou ilusões faraônicas, que vai tudo dar certo. E tenha também a firmeza de enxergar quando a coisa não é para você, dar meia volta e voltar linda e cheia de histórias para o Brasil, mesmo que seja sozinha 🙂 .

Mulheres por camelos


Se você quer se casar no Egito, esteja preparada para uma dura negociação. A moeda utilizada são os camelos, animais doces e resistentes ao árduo clima do deserto. Eles são utilizados desde o tempo dos faraós como transporte e animais de carga, e um animal do tipo pode valer até 5 mil dólares, dependendo do porte, raça e cuidados.

Por seu valor histórico e comercial até hoje, é a moeda mais comum para se definirem casamentos no Egito e outros países do deserto. Como estrangeira, você deve saber como se portar e negociar, para não sair perdendo. Este site faz uma pesquisa rápida sobre seu perfil e indica a quantidade de camelos que você vale, por favor não deixe de checar antes de ir ao Egito, é uma informação muito valiosa: http://camels.evilsun.org/index.php

Este aqui é um dos que ganhei na minha negociação:

Meu camelo se chama Balooza (pudim em árabe)

ps. Como muita gente não entendeu a ironia, melhor deixar bem claro: este post é uma piada!!! óbvio que isso não acontece no Egito…

Erros de quem ama demais


Achei esta reportagem no uol bem interessante e que tem a ver com muitas mensagens que recebo por email e no blog. Está neste link:  http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultimas-noticias/2011/08/20/veja-erros-de-norma-que-sao-comuns-entre-mulheres-que-amam-demais.htm

Baseado na polêmica da última (péssima) novela, em que a gente viu uma mulher cair no mesmo conto duas vezes, esta reportagem traça alguns fatos que diversas vezes vi pessoas cometendo quando se trata de casamentos com pessoas de outro país e das quais você tem poucas informações. Tem até um teste interessante no texto ehehe

Acho que um dos pontos mais verdeiros que dizem é: não acredite em qualquer desculpa esfarrapada. Fica a dica…

Sabores de Alexandria – comida egípcia


Mais um post sobre comida. Ontem Musta ficou conversando com a mãe e relembrando como fazer um prato típico de Alexandria: Keshk bel gamberi (traduzindo: keshk – sei lá qual a tradução na verdade ehehe – com camarão).

No começo, confeso que achei os ingredientes um pouco estranhos e quase fiquei com nojinho ahaha Coisa que aconteceu muito no Egito, mas só me serviu para demorar para experimentar as coisas boas. Eu sou meio chatinha para comer, e na verdade se fosse menos medrosa teria comido mais coisas gostosas que hoje não encontro no Brasil.

Mas bem, voltando ao jantar de hoje, Musta falou que ia fazer. Eu lembrei que nunca tinha visto isso no Egito.
– É porque lá você era cheia de nhé nhé nhé, então nem fazia essas coisas!! – ele respondeu.

Então, ele pegou mais ou menos 500 gramas de camarão médio, tirou a casca, cabeças e sujeirinhas. (tenho nojo de fazer isso, só compro se estiver limpo ahah mas como ele é de Alexandria, fez tudo rapidinho)

Aí ele pediu os ingredientes:
– 3 colheres de sopa de arroz
– molho de tomate
– 1 colher de farinha de trigo
– cebola
– alho
– cardamomo
– pimenta do reino (compramos sempre a inteira e moemos em casa)
– óleo
– hortelã seca

Confesso que achei isso uma mistureba sem tamanho e pensei, vai dar me@$%%. ops, não posso dizer o que pensei.
– Mas que coisa esquisita, não quero nem ver!! – disse e ele ficou bravo.

Passados uns minutos, pediu minha ajuda para fritar a hortelã seca no óleo (ãhn??)… reclamei e falei que aquilo era muito ruim. Musta ficou bravo de novo comigo e mandou eu fritar. OK.

Bom, só sei que ele mistura o resto dos ingredientes e vira uma espécie de pasta, e por cima joga essa hortelã frita. E depois se come com pão árabe.

Ficou assim:

Esses pretinhos são a hortelã frita

Sirva em pedaços de pão árabe

 

 

Preciso dizer que comi tudo? ahaha Delíciaaaaaaa!!! Um sabor diferente, a hortelã ficou suave e o camarão, hummmm. Preciso aprender a ser menos preconceituosa com comida.

Novela O Clone : mito ou verdade? parte I


Gente, não estou vendo a novela, mas estão me contando o que se passa, então como em outros blogs, vou fazer uma série (só que simplificada e tentando ser leve) >> Novela O Clone: mito ou verdade?

– A Jade não pode ir na balada, porque tem bebida e gente se beijando.

Verdade: Os muçulmanos não podem ingerir bebida alcóolica (porque na religião tudo que faz mal é cortado pela raiz, como drogas, cigarro e entorpecentes em geral – incluso esses narguilé da vida não pode também) nem deveriam namorar ou ter contato íntimo com pessoas do sexo oposto antes de se casar. Numa balada, geralmente as intenções são justamente essas, então é lógico que uma família muçulmana vai desaconselhar isso mesmo.

– Vi o tio Ali hoje com três mulheres, todas com aquele pano preto na cabeça, e cada um com um filho no colo, é assim mesmo com os muçulmanos?

Mentira: Olha, o homem muçulmano tem que sustentar a casa e todas as esposas (pode ter no máximo quatro) de forma igualitária. Ou seja, o cara teria que ser muito rico e milinário para sair casando adoidado e tendo filho desse jeito. Claro que está fantasiado, porque a maioria das mulheres árabes, pelo menos de classe média pra cima, hoje em dia não aceita isso não, fora que o custo de vida em vários países é bem alto pra se pensar numa coisa dessas. Para ficar mais claro, no Islam o casamento com mais de uma mulher era permitido na época do profeta por uma série de motivos, como alto número de viúvas, mulheres sem pais e sozinhas por conta das guerras e questões daquela época. Hoje em dia – agora é minha opinião – os homens não tem justificativa nenhum para arrumar mais de uma mulher, pois os relacionamentos são bem mais abertos, em países como o Egito o divórcio já é praticado mais abertamente e os noivos se conhecem sim antes de casar.

– Não sei quem morreu na novela, e eles embrulharam o corpo num pano branco e disseram que era proibido chorar.

Verdade: nos rituais islâmicos para cuidar do morto, o mesmo deve ser envolto em tecido e o corpo não fica exposto, como é comum aqui no ocidente. No Islã, aprende-se que não se deve chorar por um morto mais de 3 dias, pois a morte faz parte do ciclo da vida e você tem que seguir em frente. Isso não significa esquecer a pessoa ou a tristeza, mas é algo que te ajuda a pensar em continuar sua vida, traçar novos planos e pensar no seu futuro, e de certa forma encarar a morte com mais facilidade. Conheço muçulmanas, porém, que mesmo após anos de morte de entes queridos ou viuvez, não abandonaram o luto, pois não é algo fácil.

– Depois da noite de núpcias, tem que mostrar lençol com sangue?

Mentira: Se tem alguma família que tem esse costume bizarro, eu não conheci no Egito não. Mas se você casa no religioso, eles perguntam se é ou não é. E eu vi casos não de lençol, mas de filho que ligava pra mãe depois do “ato” pra dizer que tinha dado tudo certo (é comédia, mas é real!!!)

ps. meus posts são focados no Egito, porque é o que conheço!!

 

Novela o clone


Já que tá todo mundo falando dessa novela e algumas polêmicas podem surgir por aí, eu só vou deixar algumas considerações:

– Eu não lembro dessa novela falando da parte árabe e muçulmanos, na verdade não lembro nadinha desse negócio de Jade dançando com cobrinha pro namorado, a única parte que eu lembro mesmo era da menina drogada, alguém lembra disso também? ahahah

– Não vou assistir a novela, porque o horário não bate com meus momentos de folgas, mas adoraria fazer um live blogging das bizarrices que aparecem (tipo mulher de véu e decotão ao mesmo tempo), mas acredito que a novela deva ter tido algo de positivo sobre os muçulmanos. Ou não? (não lembro mesmo!!)

– Olha, eu já conheci muito muçulmano na minha vida (afinal morei um tempo no Egito né) e não conheci nenhum que tivesse mais de uma esposa. Seria eu uma perdida que não se tocava das coisas? Lembro que essa novela falava disso, mas no Egito esse negócio de casar com várias não rola muito não ( e ai do meu habibi se um dia me vem um papo desses, vira feijoada ahahaha)

– Ah, a expressão que vi na propaganda da menininha pentelha ishalá, ela fala de forma irritante e errada. É  insha Allah e significa se Deus quiser. E acho que as pessoas não deveriam fazer piadas com nome de Deus (se vc não ouviu, eu já ouvi um trocadilho bem sujo com essa expressão)

– E por último, Marrocos fica na África viu, perto da Espanha, mas isso não significa que dá pra ir e voltar de lá como quem desce pra Santos no final de semana. Nem vôo direto tem pra lá, então essa novela viaja um pouco com a facilidade dos transportes aéreos.

– Ah lembrei. Nunca conheci muçulmana que coloca essas roupitchas sexy para dançar pro marido, muito menos com cobra ou sei lá o que. Acho que o marido ia é cair na gargalhada com uma visão dessas!!!

-Por fim, novela é novela. Tem partes divertidas, algumas educativas e um montão de besteira que é bom relevar. Quem pensa e estuda um pouquinho sabe separar o joio do trigo. E quem acha que o mundo muçulmano é igualzinho o do Clone e que basta ver novela pra se achar conhecedor dos costumes árabes e islâmicos, que “vá queimar no mármore do inferno!!!” 😀

Leiam mais opiniões de muçulmana sobre a novela em:

http://www.barbarasaleh.com/2011/01/10/gerando-polemica-o-clone/

http://www.amulhernoislam.com/2011/01/ixala-eu-nao-sou-jade.html (Este post foi excluído pq já deu rolo com a Gloria Perez (abafa o caso) , mas tem uma cópia dele aqui http://amulhereoislam.wordpress.com/2011/01/10/o-clone-e-o-islam-2/ (este blog apesar do mesmo nome, é de outra pessoa – não confundam- , mas o post está copiado nele e pertence mesmo ao blog http://www.amulhernoislam.com )

ps. lembrei de outro ponto positivo dessa novela voltar: vão parar de perguntar sobre os hindus no Egito (ãhn?) e se no Egito eu falava “are baba” (dã) e se no Egito era igual a novela das índias (mapa mundial, pleaseeee)

O casamento no Egito – por um egípcio


Nas minhas fuçadas virtuais, achei um post bem bacana de um egípcio falando sobre a questão do casamento naquele país. Vou copiar abaixo (em inglês) e o post original está aqui .

Basicamente, ele fala alguns pontos que seriam de muita polêmica se falados abertamente, apesar de quase a maioria dos egípcios concordar com isso mas tem medo de assumir. Eu comentei no blog dele e sugeri que ele se casasse com uma estrangeira ahahaha Nada contra as egípcias, adoro elas e conheço muitas, mas sei que para se libertar dessa tradição vai ser mais fácil começar com os homens, as mulheres infelizmente ainda vivem muito mais oprimidas pelo que a família acha melhor:

– O sistema patriarcal reforçado por diversas tradições e homens sempre visto como donos do poder, criou um falso senso de “obediência” que cabe a mulher (o termo existe no Islã, mas não tem esse sentido que é aplicado hoje em dia em locais como o Egito), que no fim se resume apenas a ser uma boa “empregada doméstica” e fazem com que as mulheres tenham uma personalidade infantilizada.

– Os homens ficam extremamente pressionados, sendo totalmente responsáveis por todos os custos de vida do casal e futura família, mesmo a mulher sendo estudada e podendo também ter sua vida profissional, isso fica sempre relegado para um segundo plano.

– As famílias quando buscam um casamento, não estão de olho na felicidade em si dos filhos, mas num orgulho social, de mostrar onde é a casa, como é a festa, etc.

– Muitas mulheres não se conformam com este modelo, mas estão presas em uma jaula familiar.

E o final, para sacudir: “In respecting the status of women, I will never pay everything in advance for her in order to get her a full-time job as a my house maid.”

Se alguém quer a tradução do google, pode usar esse link: http://translate.google.com.br/translate?u=http://www.anegyptianjournalist.com/2010/09/the-egyptian-marriage-model/&sl=en&tl=pt&hl=&ie=UTF-8.

Agora o artigo completo:

The Egyptian Marriage Model

BY 

MOHAMED ABDELFATTAH

– SEPTEMBER 14, 2010

My search for marriage came naturally: as I proceed with my life, I felt I need to be part of some social institution that moves me ahead as well as another person. Marriage is a wonderful idea ( All credit goes to God ). A male and a female get close to each other, love living with each other and here you go. Now another life engine is turned on to advance human life.

But if you are an Egyptian, it’s not as simple as mentioned above. In Egypt marriage is regarded as the conclusion of one’s life; The end goal that proves a ‘man’ is well and able. Egyptian marriages are a life-terminator, not the motivation or the life boost I’m looking for.

The Egyptian marriage model is medieval at best. A male dominates the institution and hereby takes all power in it. The social structure of the proceedings of marriage and its ” aftermath ” emanates from certain values rooted in Egyptian culture. A culture which finds its sources of values and ethics mainly in Islam and Arab culture.

In Islam, God ordered men to take full responsibility for all living expenses for the whole family. That includes a dowry to the woman, a house, plus other things exaggerated by local cultures. In return, Islam gave the man the ultimate power solely in the marriage institution. His wife should literally be ‘ obedient ‘ to him and so are all the offspring. Lots of Islamic literature enforces the idea that an obedient woman is a good woman, otherwise she goes to hell and is held accountable.

Local cultures, as patriarchal and male-dominated as Egypt’s, invented their own confirmations of such ‘obedience’ value. Such values place a woman as only a child caretaker and a house maid. In other words, It seems a woman shouldn’t raise an argument against  husband domination since ‘he’ provides for everything !

In more practical terms, I’d like to give you a glimpse into what is practically an Egyptian marriage?

A young Egyptian man graduates from university. Lucky or skilled, he finds a job and gets a decent salary. He finds a woman ( or she finds him ) and proposes. As usual, he , along with his parents, go to the woman’s family armed with the best negotiation skills to work out a ‘marriage deal’. If agreed, then the deal looks less or more as follows:

– The young man makes an engagement with the woman. Usually takes several months to two years. Meanwhile he saves for the upcoming expenses.

– The man is asked to ‘buy’ not ‘rent’ an apartment. The woman’s family treat that as a safe haven for a woman’s future and a source of societal pride. The apartment costs at least 120,000 Egyptian pounds = 22,000 US $  to 500,000 = 100,000 US $.

– In furnishing the apartment, the woman’s family are quite understanding of the unfair balance in expenses. So they split all furnishing in almost half. I’m not sure of the details.

– And in celebrating the fortunate culmination of this effort, a man pays for the marriage wedding ( that’s different from an earlier engagement wedding ). That wedding costs an average of 15,000 Egyptian pounds to a hundred in some situations.

– Happily married and socially proud, the couple enters a marriage. The man is entitled, by Islam, to take the sole responsibility for the living expenses. He is the workaholic who brings money to the house. The woman is the one who manages that money wisely to raise the children virtuously.

This sick model might have been compatible with some medieval or bronze-age cultures where women were dependent. In modern times, women have the right to work and they do.

As a working young man living in a commercial capital such as Cairo I find it unfair and insane for me to follow that model. The questions I ask are:

– Why should I own an apartment? A quarter of a million pounds can be invested in a new business that creates lots of money in the long run and benefits us all. Why can’t we just rent an apartment?. There is no answer to the question from the part of the woman’s family.

– Why should ‘I’ buy or rent ?. Why doesn’t the woman share?. I won’t mind paying for all of it if she is not working or not able. But as I will only be marrying a working woman, why doesn’t she?. Actually the idea that a man is ‘ordered’ to pay for it all has no rational basis. And the woman who happily accepts that while being able to pay is abusive in fact.

– I’m a man and I’m not happy about it. Why a wife should be ‘obedient’ to her husband?. Aren’t we embarrassed of the word ‘obedient’ when we utter it?. Women already express reservations on the term but they can hardly dare to criticize the religious concept. I’m not buying a slave. In these times, the society needs women are independent thinking agents for the good of themselves and for the good of society.

I guess these are the basic why’s I can offer. I seek an institution where equal partners both lead a good life. Where decision making is taken by both for the happiness of both. And where the institution, as well-managed as it should be by both, happiness and self-fulfillment should be the result of that relationship. That institution is a brilliant idea to move society forwards. It wasn’t meant to terminate one’s life and turn him/her into a machine barely able to fund the ongoing expenses of life.

I suggest that both men and women of out society be more independent of their families. Those families seek only one thing beside our ‘happiness’ of course: They seek social pride. Where is the apartment?, how big?, furniture, wedding hall, dowry in addition to a number of nincompoopery.

Women who want to marry here are not devils and most would tell that they dislike this marriage model because it’s unfair for the man and it’s such a big obstacle in life. But none of these women will be able to get out of the cage of parenthood that forces them to do things for social pride and social conformity.

It takes rebels, reformists, passionate individuals to lead by example. It needs couples who won’t care for the social pride and gossip that flavors all our marriages to change this situation. In a developing economy like ours with a sick job market, it’s crazy to raise the financial standards of marriages to that level.

In the end of this survey of the Egyptian marriage model, I hereby declare:

My name is Mohamed, a young working Egyptian man who is able to fund a traditional marriage model but won’t because it doesn’t make sense.

I will not kneel to pre-medieval concepts for the sake of social pride and social conformity.

In respecting the status of women, I will never pay everything in advance for her in order to get her a full-time job as a my house maid.

Praise to the nonconformists.

 

Aula de árabe – trabalhando com o maridão


Vou contar uma coisa para vocês: estou trabalhando com o Mostafa algumas noites e de domingo (sim, ele me escraviza) na edição de um livro de aprendizado de árabe para falantes de português. Isso mesmo, para quem quer falar mais que ‘habiby’ e ‘bahebak’ ou até mesmo para quem tem outros focos, como comércio exterior e trabalho.

Era um plano antigo nosso que só agora estamos concretizando. É engraçado como tem coisas que sempre estão na nossa mente mas demoramos, enrolamos e às vezes e ao fim nem colocamos em prática por conta da rotina corrida e falta de planejamento. Este livro de árabe foi assim, já tínhamos começado várias vezes, mas sempre parando pelo meio.

Mas agora o trabalho está tomando forma, corpo, e já sendo aplicado com vários alunos, que estão adorando, e isso vai dando motivação. E como eu edito – já que sou jornalista e tenho que cuidar para sair tudo perfeito no português – é uma forma de trabalhar em algo diferente do que faço no dia a dia.

Mas dá trabalho! Pensar em como transformar o idioma no melhor para os falantes de português, quais letras usar para substituir o alfabeto árabe, que ordem de ensino aplicar, etc.

Ensinar árabe para brasileiros não é uma tarefa fácil. E acredito que para os alunos encontrar um professor com a didática ideal também é raro, já que não existe muito estudo sobre a língua aqui e muitas vezes se copiam modelos de fora, como começar apenas pelo ensino do árabe clássico e não focar no que realmente é falado e usado, se esta for a necessidade do aluno. Neste livro, a opção foi feita pela língua falada, com uma transição mais lenta para o clássico. A vantagem é que quem estuda já fala frases em árabe e até conjuga verbos em 2, 3 aulas (ou umas 15 páginas).

Para quem já estudou o árabe clássico (como eu tentei) sabe que é complicado avançar e conseguir ler sem saber falar.  Pois diferente do português, onde a gente vê as letras todas e sabendo o som é possível ler, no árabe a coisa é um pouco mais complicada. No alfabeto árabe, nem todas as vogais são escritas, por serem mais fracas, e são usados acentos (que quase nunca aparecem em textos, na escrita usual, nas ruas, nas legendas, etc). Ou seja, se você não fala árabe, não adianta saber apenas o alfabeto, pois continuará sem conseguir ler.

E sobre o livro de árabe, uma palhinha (lembrando que essa não é a versão final ainda, pois só de colar agora já vi que tem coisas que preciso mudar – edição é fogo) :

Quem sabe depois dessa experiência não me animo e me planejo para escrever 0 livro sobre minhas histórias e das pessoa que conheci nesses 4 anos de vida Egito e Brasil (não do blog, que tem menos, mas da minha história com Musta 🙂 ). Vocês iriam compar? ahahaha

Preguiça no jantar


Chegamos em casa cansados, depois de um dia de trabalho.

– Ai que vontade de comer frango. – diz Musta.

– Não tem frango habiby.

– Ah, mas no final de semana eu quero um frango que tem no Egito. Primeiro você cozinha ele inteiro com cebola e temperos, depois frita no óleo e fica ótimo.

– Tá louco Musta? Você acha que vou fritar um frango inteiro como? Fora o trabalho de cozinhar, depois não sei o que… aff não.

– Tá bom, então eu quero macarrão bolonhesa com carne hoje.

– …. – meu silêncio, que quer dizer não estou afim de cozinhar mil coisas de noite.

– Se você não quiser eu faço. – falou Musta.

– Ah não, não tô afim de lavar louça depois e sem contar que nem estou com vontade disso, não podemos passar na padaria e pegar uns pãezinhos só?

-…. – Musta faz cara de triste e desolado.

Em casa, eu invento qualquer coisa pra comer na hora, faço um omelete rapidinho com vagem e cenoura para mim. Musta não quer e está emburrado.

– Eu quero janta!

– Mas come qualquer coisa, tem pão, ovos, queijo… senão faz comida pra você.

Ele ri com cara de quem não se conforma.

– Que foi habiby? Que cara é essa de cachorro sem dono?

– É que eu te juro que jamais acreditei que fosse me casar com uma mulher que não faz o que eu mando. – falou.

HAHAHAHAHAAHAHAA eu quase morri de tanto rir.

– Quem mandou casar com brasileira, se ferrou!!!

– Tô vendo!!! – e fez essa cara ->  😦 e ficou sem janta.

***

Até meu marido, que considero o anjo, confessa que na cultura dele o maridão é que manda neste tipo de coisa… então, para quem tem um amore das arábias, veja o quão flexível ele é, senão conversas divertidas como a minha virariam uma briga das feias! Aliás, pensando bem, tá cheio de homem brasileiro assim também, é que eles não falam na cara, mas quem nunca viu um homem da família sentar na mesa e reclamar da comida da esposa?? Eu já vi váriassssssssssssss!

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