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Sete anos


Sete anos de uma viagem insana, mas maravilhosamente doce. Sete anos de busca por um equilíbrio quase sempre tão sensível. Sete anos em que duas culturas tão diferentes se fundem em prol de um relacionamento que parecia pouco provável de dar certo. São sete anos incríveis ao seu lado, apreciando a vida como de uma varanda fresca. Há dias de chuva, de frio, de medo e torpor, mas a maioria foi de calor.

Um pequeno pedaço de nossa história está neste blog, em um dos posts contei um pouco do que aconteceu naquele 3 de janeiro de 2007. Aqui está:

***

Quando cheguei na minha futura casa, senti um grande conforto. Estava ali, parada naquela rua em frente a um futuro novo. Estava tranqüila e não sentia mais nenhum timidez diante daquela nova família, só estava morrendo de curiosidade para ver mais coisas daquele país, mas o cansaço não deixava. Mostafa e seu tio pegaram as malas e mama abriu o pesado portão de ferro. O prédio era diferente dos que estava acostumada no Brasil, mas era muito parecido com todos os que tinha visto no Egito naquele curto espaço de tempo. As paredes tinha um acabamento rude e tudo parecia tingido de cor de deserto.

Ao entrar no hall, o chão era encardido e as escadas não pareciam pertencer a uma propriedade particular, pois estavam mal cuidadas. Mostafa já tinha me avisado que o prédio não tinha elevador, mas eu pensei que não seria tão complicado assim subir uns lances de escada todos os dias. O único detalhe é que estávamos no quinto e último andar, e carregar duas malas de 32 quilos para cima não foi muito simples. Mas Mostafa estava extremamente ativo, e antes que eu começasse a pensar em soluções, ele chegou com a bagagem lá em cima.

Eu não me lembro bem das primeiras impressões que tive da casa, o cansaço era tanto que minha memória perdeu muitos detalhes deste primeiro dia. Posso descrever como vi aquela casa e hoje me lembro dela. É um apartamento aconchegante, com tapetes cobrindo cada pedacinho de chão. Uma longa esteira de carpete cobre um corredor longo, cujos azulejos estão meio soltos e fazem um barulinho gostoso quando você passa por eles. Tem uma foto de Mansour na parede da sala, o pai de Mostafa, e esta foi a única forma em que pude conhecê-lo.  Também há muitos quadros com textos do Alcorão e tudo remetia a uma vida que eu sonhava em poder ter.

Entrei no quarto e Mostafa tinha preparado da maneira que eu escolhi. As paredes cor de salmão claro, e frisos de madeira avermelhada adornavam o teto. Um tapete com florais rosa fechava a decoração. Senti na cama e me senti confortável, em casa. E Mostafa veio e parou ao meu lado, me olhando e curtindo comigo aquele momento. Foram muitos quilômetros ultrapassados, barreiras não só físicas, mas emocionais também. Ali, naquele instante, concluíamos a maior missão de nossas vidas, que era a de nos encontrar.

A mãe de Mostafa me chamou e mostrou uma comida estranha, cheia de coisinhas pequenas todas misturadas. Eu disse que não estava com fome, para mim aquilo era novidade demais para o primeiro dia. Era koshari, que tinham comprado numa loja no caminho e que depois aprendi a apreciar.

Mostafa então me levou na cozinha e preparamos o primeiro chá – de milhares – juntos. Ele tinha prometido me fazer experimentar o tal do shay be leban, o chá com leite. Era uma delícia, e tudo me fazia sentir mais feliz e segura da minha mudança.

Conversamos muito, perdi a noção do tempo, mas quando decidimos descansar lembro que todo o resto já roncava de cansaço. Fiquei sozinha no quarto, claro, e quando acordei, Mostafa já estava me esperando do lado de fora. Pediu que eu reunisse todos meus documentos, pegou minha mão e fomos de taxi até o fórum da família de Alexandria.

Chegando lá, diversas mulheres vieram correndo me beijar, gente que se alegrava ao ver aquele acontecimento. Os egípcios adoram estrangeiros, e eu sendo uma brasileira de hijab, sempre era agarrada por mulheres aos beijos em tudo quanto é lugar. A tia de Mostafa é advogada e tinha um sorriso que mal cabia na boca. Todos me chamavam já de Jannah, meu nome islamico, e eu estava mais perdida que agulha num palheiro. Todo mundo rindo, feliz, e eu sem idéia do que falar, sem entender uma palavra que seja, apenas quando algo era traduzido para o inglês.

Dentro do fórum, passei por corredores depedrados, armários caindo aos pedaços e salas que me lembravam bem as escolas públicas do Brasil, descascadas e com móveis quebrados. Me ofereciam chá a todo instante e não se de onde me surgiam homens com copos do líquido quente. Outra mulher me deu doce, e várias colocavam a mão sob o queixo e olhavam para mim suspirando. Eu era “tipo” a celebridade. Chegaram mais umas pessoas, e Mostafa estava bem tenso. Ele mal falava comigo, se concentrando em tudo que lhe diziam, mas esquecendo de me traduzir. E eu fiquei esperando, até que me pediram para dizer umas coisas em árabe. Eu disse, e me deram papéis para assinar. E tudo em árabe, e eu assinei feliz da vida sem entender nada. E tirei impressões digitais, e nossas fotos foram coladas no documento. Faziam perguntas para o Mostafa e eu esperava. Até que viraram e perguntaram para mim, em inglês, quanto eu gostaria de pedir para o casamento.

– Ah, isso é o dote que tanto falam. – pensei.
– Bota aí umas 10 mil libras que tá bom. Ten thousands pounds is ok. – disse feliz.

Um silêncio pairou na hora e todos olharam para minha cara estarrecida. Mostafa arregalou os olhos e disse:

– Eu vou colocar uma libra, tá bom.
– Que uma libra o que, não precisa me dar o dinheiro, mas se você colocar uma libra vão achar que a gente é pobre ou pior, que você não tá me valorizando! – Falei com minha eloqüência de sempre.
– Não Marina, por favor, depois te explico, fala uma libra tá bom.
– Mas me fala agora, tem que ser 10 mil vai.
– Marina, depois te explico!
– Ok, ok, one pound. – falei contrariada e já me preparando para exigir uma boa explicação.

Então nos entregaram o documento, e lá estava escrito Marina, muçulmana e jornalista, e Mostafa, muçulmano e estudantes, estão casados. E assim foi, no dia 03 de janeiro de 2007, um dia após minha chegada ao Egito: já éramos marido e mulher perante a Deus e a lei.

Foi tudo tão rápido e confuso para mim, perdida numa língua estranha e sem saber como agir corretamente, que nem deu tempo de chorar ou ficar refletindo sobre este momento. Só sei que ao sair do fórum, logo já falei:

– Mas que história é essa de uma libra só, eu queria 10 mil para ficar mais bonito!
– Habiby, aqui só coloca um valor maior quem casa por conveniência ou acerto de famílias. Quem casa por amor, escreve apenas um valor simbólico, porque nada de material importa para este casal!

E aí chorei, mas de vergonha… Mas logo a tristeza passou, e comemorávamos nossa conquista a cada segundo, conversávamos muito e eu ainda tinha muita coisa pra ver e sentir. Chegando em casa, começaram os preparativos para nossa festa de casamento, que iria acontecer no dia 11 de janeiro.

Nós há sete anos

Nós há sete anos

 

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Erros de quem ama demais


Achei esta reportagem no uol bem interessante e que tem a ver com muitas mensagens que recebo por email e no blog. Está neste link:  http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultimas-noticias/2011/08/20/veja-erros-de-norma-que-sao-comuns-entre-mulheres-que-amam-demais.htm

Baseado na polêmica da última (péssima) novela, em que a gente viu uma mulher cair no mesmo conto duas vezes, esta reportagem traça alguns fatos que diversas vezes vi pessoas cometendo quando se trata de casamentos com pessoas de outro país e das quais você tem poucas informações. Tem até um teste interessante no texto ehehe

Acho que um dos pontos mais verdeiros que dizem é: não acredite em qualquer desculpa esfarrapada. Fica a dica…

Novo site – Embaixada do Brasil no Cairo – Egito


Pessoal,

como vocês notaram estou sem postar faz tempo. Ando bem cansadinha e confesso que apesar de ter algumas ideias para posts legais, anda me faltando coragem de vir aqui.

Por isso, só estou dando uma passada rápida com uma informação muito útil para quem vai ao Egito ou quer informações de vistos para egípcios no Brasil. O site da embaixada do Brasil no Cairo mudou e está mais elegante, com informações mais claras sobre alguns processos. Você têm que se guiar pelo menu à esquerda e percebam que novas abas se abrem, conforme o assunto pedido. A versão em árabe ainda não está disponível, mas em inglês vocês encontram a questão do visto para estrangeiros visitarem o Brasil.

Note que nos requisitos pedidos, não consta nada de carta convite. Como já respondi anteriormente para algumas pessoas, a carta convite não é necessária, na verdade acredito que a embaixada peça isso justamente para ver se a pessoa está vindo aqui só para se casar e isso pode dificultar o processo. Se a pessoa tem perfil de turista, ela consegue o visto sem problema algum (obs. perfil de turista é alguém que demonstre capacidade financeira para arcar com uma viagem internacional para fazer turismo).

Alguns links:

Requisitos para o visto de egípcios: http://cairo.itamaraty.gov.br/en-us/visas.xml

Informações de contatos, horários e telefones da embaixada: http://cairo.itamaraty.gov.br/pt-br/a_embaixada.xml

Informações sobre documentações na embaixada: http://cairo.itamaraty.gov.br/en-us/other_services.xml

Espero que isso ajude quem precise deste tipo de informação!

Em breve volto com posts…

Salam!

Essa é a mistura do Brasil com o Egito…


Calma, não é a música do tcham não… 😀

O post é para comemorar uma coisa muito linda que acontece, mais cedo ou mais tarde, na vida de todo casal. Os filhos!! Não, ainda não chegou a minha vez, mas já tenho uma terceira amiga brasileira casada com egípcio que está gravidinhaaaaaaaa!!!!

Eba!! Já são três bebezinhos Brasil&Egito e com certeza existem muitos outros por aí, pra povoar nosso mundão com essa mistura tão boa que formamos 😀 Ah, e sem esquecer o Kassem, da Barbrinha, que apesar dos pais brasileiros, foi fabricado no Egito, então contando com ele são quatro! ehehe Opa, tem o da Halima também, pais brasileirso mas nascido no Egitão, então conto cinco, vai ;-D

Acho que educar os filhos dentro da diversidade cultural que estes dois países proporcionam é muito bom. Aproveitar de cada lado do oceano o que há de melhor, a dedicação à família dos egípcios, a força de vontade dos brasileiros, e por aí vai. Eu enxergo tantas coisas boas no Brasil e no Egito, que ainda sonho com alguma máquina que me teletransporte para lá e para cá a todo momento… E esse bebês só são um reflexo disso tudo. Que venham com muito amor, alegria, carinho dos papais egipcios e das mamães brasileirinhas!!!

E parabéns pra duas amigas que fazem parte da minha vida e estão grávidas neste momento, de pais egipcios, que tenham muita saúde e seus bebês cheguem como uma benção para suas famílias!!

Amizades em busca do amor


Com a globalização, é inevitável que cada vez mais relacionamentos sejam misturados, como o meu, e que as dúvidas sobre cultura, adaptação, integração, se tornem mais fortes. Eu achava que a onda de casamentos egípcios era forte naquela época que eu me aventurei por lá, com outras doidinhas como eu como Nadir, Mellyssa e Katie.  Nessa época também conheci virtualmente a Wally e pessoalmente a Elaine, além do amor de pessoa que é a Ana.

Mas a gente ficou pra trás faz tempo nesse tipo de história. Antes a gente se matava de discutir nas comunidades do Orkut o que fazer, como, o que beber, o que respirar até no Egito. Agora o pessoal já me manda e-mail casado, com filhos e às vezes com casamento já desfeito. Acho que o efeito desse mundo mais conectado se expandiu milhares de vezes desde que entrei nessa onda, em 2006. Hoje não dá nem tempo de conhecer todo mundo, algumas nem ficam preocupadas como nós éramos em ter relatos de pessoas, em ler blogs como esse ou passar horas debatendo em fóruns e marcando encontros. Tudo ficou ainda mais rápido, mais pessoal e íntimo, deixou de ser um grande desafio ir para o Egito.

Mas uma das coisas legais do blog é que continuou conhecendo gente disposta a ter este tipo de aventura, ver que tem muita gente que compartilha este tipo de desejo como eu tive antes, e sonham em ter um relacionamento bacana. Claro, nem todo mundo tem sorte ou encontra realmente o que buscava, mas casamento é assim mesmo, não importa se o conheceu na esquina da sua rua ou do outro lado do mundo, as variáveis para dar certo são infinitas e acho que só mesmo o tempo, o senhor da razão, que vai dizer se é para sempre.

Eu acabo de completar 3 anos de casada, quando paro para pensar em tudo que fizemos acho que foi parte de algum filme que vi no cinema ou livro que li algum dia. Alguns detalhes eu posso jurar que eu estava sonhando, mas quando pergunto pro meu marido realmente aconteceu. E todo dia acordo ainda nas lembranças, no espanto, na alegria de ter tudo dado certo, ao final.

As amizades? A maioria se foi com o passar do tempo também, até porque eu não sou um tipo de pessoa fácil de lidar. Infelizmente não tenho contato com boa parte das pessoas que fizeram parte daquele momento, da minha história, mas elas para sempre ficarão guardadas em meu coração, independente do caminho que cada uma tomou.

A vida corre, hoje a rotina já tomou conta e nada muito digno de holliwood acontece na minha vida, mas a sensação de que vivi algo grandioso junto com outras brasileiras naquela época permanece, e isso sempre me motiva.

Melly e eu no Cairo

Aqui é permitido sonhar


O tempo nem sempre é a melhor medida para algumas coisas. Nem tudo é estimado baseado nos meses e minutos, já que os sentimentos muitas vezes extrapolam qualquer sentido que tentamos dar a eles. E assim é o tempo de bodas, seja ela de prata, ouro ou de algodão, esta última o nosso caso. Fazer aniversário de casamento é só um símbolo de tudo aquilo que um casal viveu e uma pausa na correria do dia a dia para relembrar. Sem contar que é sempre bom ter um motivo extra para comemorar, mesmo quando já se comemora todo dia a relação que se tem…

E assim é, há dois anos atrás eu estava desembarcando no Egito e casando. E cá estamos agora, comemorando dois anos de união, mais felizes do que nunca! Quem disse que é proibido acreditar que pode dar certo? Por isso mesmo o nome deste blog reflete tudo isso que penso – “Brasil e Egito: um amor possível”.

Obrigada a todos que tem compartilhado desta história e, lembrem-se, aqui é permitido sonhar!

beijos

Salam

Minha família


Algumas vezes tomamos atitudes que exigem escolhas. E tudo na vida quando depende uma decisão muito grande, faz com que a gente ganhe coisas, mas também perca algumas. Alguma das coisas que mais sofri quando decidi me casar fora do Brasil foi ficar longe de meus pais. Sei o quanto eles gostariam de estar presentes neste momento também, mas não dá forma como o fiz. Não planejei nada com tempo, o que impediu qualquer oportunidade de que eles também compartilhassem este momento.

Foi um período muito difícil, de negação da parte deles, o que me impulsionou mais ainda a correr para o Egito sem pensar duas vezes e sem procurar envolvê-los mais nesta história. Não sei se foi o melhor modo, mas realmente era difícil esperar mais ou tentar convencer as pessoas daqui de que eu não estava louca. Causei muita dor e até hoje preciso pedir a Deus perdão sobre isso. No Islam, depois de Deus, em primeiro lugar está a mãe. Em segundo lugar a mãe e em terceiro a mãe também. Ou seja, nossa relação com quem nos deu a vida é sagrada, e eu muitas vezes não respeitei da forma que deveria.

Talvez na vida algumas coisas aconteçam desta forma ou não sabemos como lidar com as adversidades de uma forma mais diplomática e acabamos fazendo sofrer quem não deveria. Mesmo assim, na minha vertigem e corrida para lá em apenas quatro meses, mesmo estando contra, meus pais não me abandonaram. Minha mãe comprou um pequeno enxoval para mim, me fez ir ao médico fazer um check up antes de partir, se preocupou em ir comigo escolher roupas apropriadas para um país islâmico e mandou presentes até mesmo para minha sogra. E ela era contra, mas fez tudo em nome do amor materno, que é algo que nunca terá preço neste mundo. Ela sofria por dentro, sei disso, mas nunca me negou um sorriso.

E meus pais me levaram ao shopping no dia de minha partida, onde almoçamos juntos e comprei uma última blusa que precisava. Me levaram no aeroporto e lá encontramos ainda alguns outros parentes e amigos. Ninguém sabia o que vivia por dentro, para os outros tudo era surreal de mais. Ninguém chorou e eu parti sem olhar para trás, sem medo. Enquanto isso, eles foram embora para Santos, para a virada do ano novo mais triste que tiveram em suas vidas.

Até então, meu pai não tinha falado com Mostafa, pois se recusava a conversar com um “computador”, como ele dizia. Aconselhou-me a ir apenas nas minhas férias e não deixar tudo que já havia construído. Mas meus planos eram firmes demais, e a necessidade de ir embora maior que qualquer pressão.

Quando cheguei no Egito, meus pais conversaram comigo e viram o quanto tinha sido recebida bem por todos. Nas fotos e relatos que fazia, sentiram que eu tinha razão e não foi tudo tão louco assim. Foi do jeito “Marina” sim, mas não um desatino completo. Quando decidi voltar, foram os primeiros a acertar tudo que precisávamos e estavam lá no mesmo aeroporto para nos receber de volta juntos. Nos acolheram em casa não só como uma filha de volta, mas como dois filhos que retornaram para casa. E hoje Mostafa faz parte da família, é querido por todos e amado por me fazer tão feliz.

É claro que algumas pessoas ainda não entendem certas coisas, minha vovozinha, por exemplo, diz que está me esperando de braços abertos de volta para a igreja católica, assim como naquele história do filho desgarrado que torra a herança e depois pede perdão ao pai. Não torrei herança nenhuma, mas sei que assustei muitas pessoas que me amam. Já meu avô agora não sabe contar uma de suas histórias sem, no final, usar sempre seu  chavão: “Mas no Egito, isso também é assim?”. Minha bisavó, que Mostafa pode conhecer apenas durante alguns meses, não entendia como que aquele ser do deserto tinha parado aqui e como que eu não a tinha levado para a festa do casamento. Já outras pessoas de minha família, pelo que sei das fofocas de sempre, não quiseram me dar presente de casamento quando mudamos para nossa própria casa, porque não foram convidadas para o casamento – mesmo sabendo que ninguém iria para o Egito de repente para meu casamento, ficam com este sentimento de mágoa já infundado agora. Não que eu estivesse esperando algo, mas me surpreendi ao saber deste tipo de pensamento de algumas pessoas, que para mim beira o absurdo.

A família não é aquela que escolhe como devemos viver ou tomar atitudes, mas que nos ama quando estamos felizes e no caminho certo. Se isto não basta para algumas pessoas, não é mais problema meu. O que importa é que, graças a Deus, meus pais estiveram comigo em todos os momentos, mesmo nos difíceis e dolorosos e no qual eu estava fora do convívio deles, mas souberam enxergar o poder deste amor que temos, nos respeitam muito hoje e torcem por nossa felicidade completa a todos os momentos!

Não sei que pais teriam as forças dos meus para vivenciar uma mudança tão radical sem criar ressentimentos e aceitar hoje de forma plena e feliz a forma como vivemos e levamos nosso casamento, sem nunca cobrar nada de nós ou falar de um passado dolorido para eles. Isto sim, é amor.

Um novo desafio: casamento no Egito


Algumas vezes converso com amigas envolvidas com egípcios e elas sempre comentam sobre o número de egípcios que estão online atrás de mulher. Pode reparar, se você ficar online um pouco no “skype me”, logo eles aparecem, seguidos dos paquistaneses e turcos. Eu não sei bem porque isso acontece, mas posso deixar alguns fatos aqui para comentar com vocês.

Eu sempre acompanho notícias pelo mundo, especialmente no que se relaciona ao Egito. Um dos meus jornais prediletos é o New York Times, porque sempre trazem o lado humano de cada história e os articulistas realmente escrevem de forma sensacional. Eis que um dia, caçando notícias sobre o Egito, me deparo na home page do http://www.nyt.com um vídeo falando sobre casamento no Egito.

O artigo tentou unir alguns fatos: problemas econômicas, falta de oportunidades e dificuldade para se passar para a vida adulta. No Egito, não sei se já falei, não é comum esta coisa de namoro como nos países ocidentais. Ninguém fica de beijo e intimidades antes do casamento. Aliás, eu conheci egípcios que terminaram um noivado porque a noiva aceitou dar um beijo. Para eles, isto é prova de que ela é fácil e pode ter feito isto com vários outros.

Nem vou discutir se isso é justo ou não, mas é fato que muitos homens geralmente acabam fugindo das regras e fazem coisas antes do casamento, mas as mulheres devem se manter o mais puras possíveis até o casamento. (Não se iluda muito se seu “habiby” jurar de pé junto que nunca tocou uma mulher, nunca beijou, etc. Mesmo ele rezando todo dia, se mostrando o mais puritano dos mundos, pode ser que seja só conversa para te testar, tá?)

Bom, voltando ao artigo, ele é um dos muitos que retrata os resultados do aumento da pobreza no Egito. Por lá, grande parte dos jovens consegue se formar em faculdades, mas isso não significa que poderão trabalhar naquela área que gostam. Já vi egípcios formados em engenharia atuando como garçons, garotas formadas em inglês trabalhando de graça por anos até serem consideradas aptas para uma vaga formal. Áreas como direito, psicologia, assistência social e outras de humana, então, difícilmente ajudam os jovens a poder sonhar com um futuro decente. No Egito não existe estágio também, geralmente os jovens estudam apenas até se formarem, e dependem dos pais por muitos anos. Para ser trainee, só trabalhando de graça mesmo, e sendo bem explorado. Quando saem da faculdade, a maioria nunca entrou numa empresa na vida, e acaba sem chances mesmo de fazer algo com a profissão que aprendeu. Isso gera uma frustação muito grande, falta de perspectiva.

Quando se é jovem, além de se esperar uma boa carreira, o sonho dos egípcios é constituir uma boa família, pois isso é extremamente valorizado no país. Um casa honesta, com filhos, é algo que todos almejam. Mas para casar, entram detalhes da cultura egípcia que se contrapoem a esta realidade atual do país. A noiva geralmente exige de cara um apartamento na região onde quer viver, mobília, festa e outros presentes, como ouro. O custo disso tudo é bem alto. Segue um gráfico do NYT:

Valores em dólares

Ou seja, para casar, um egípcio precisa de 21 mil dólares. Com um salário médio de 100 dólares por mês, vocês imaginam que isso se torna uma missão praticamente impossível.

Com esta realidade, a geração jovem atual está frustrada não só profissionalmente, mas emocionalmente também, porque é muito difícil cumprir esta passagem para a vida adulta, de ter uma esposa e poder ter uma família. Além disso, com casamentos cada vez mais tardios, abre-se margem para a promiscuidade e prostituição no país, pois nem todo mundo agüenta se segurar ou vai passar a vida na castidade. Sei que é algo meio duro de se pensar, mas é o Egito de hoje. E aí, na minha visão, corre esta fuga em massa para a internet, gente pedindo em casamento estrangeiras a cada instante sem mal conhecer a pessoa, trocando arquivos pornográficos, buscando uma mulher de fora que não siga os rígidos padrões de sua sociedade e onde ele pode afogar suas angústias. A mulher estrangeira não exige apartamento, ao contrário, ela oferece dinheiro para ajudar. Ela também não está só focada em ter uma casa cheia de filhos, mas também compartilhar angústias e trocar idéias sobre o mundo, e isto é um paraíso em meio as pressões que este jovens vivem.

Pode sair amor disto sim, e também nem todos se enquadram nesta realidade que estou relatando. Tem muita gente com condições de casar nos moldes egípcios ainda, mas estes são raros na internet. Existem também o tipo de egípcio que sai fora do padrão, não aceitando esta imposição e a maneira das mulheres egípcias encararem o casamento. Mas tenha muito cuidado ao analisar a situação, avaliando comportamentos dele e de que forma ele encara esta relação.

O ideal é que ele te trate como trataria uma mulher egípcia, pois isso é a base de respeito dele. Ou seja, você precisa ser devidamente apresentada – e ser aceita – pela família. Ele precisa oferecer coisas, não pedir nunca nada material a você. Ser extremamente respeitoso e não migrar para assuntos íntimos. Não mande fotos suas de roupa curta, decote, muito menos de biquini… Provavelmente ele vai repartir estas fotos com todos os amigos do cyber café. Não seja boba ou ingênua, exija muito dele antes de se comprometer financeiramente em uma viagem tão distante e ir contra a sua família (porque sua família vai encher o seu saco se você disser que ama um egípcio.)

Falo tudo isso para que todas tenham o maior discernimento possível antes de começar uma jornada destas. O resultado pode ser incível e recompensador, mas tenha um risco calculado!

Algumas fotos da reportagem do New York Times, mostrando alguns detalhes do casamento:

Jovem casal escolhendo alianças

O katb ketab (casamento) na mesquita

obs. A reportagem ainda fala do aumento da religiosidade em face a esta opressão econômica, o que discordo em grande parte, porque países muito ricos como Arábia Saudita e Kweit também colocam a religião como algo muito importante em suas nações. Mas isso é papo para outro post. A reportagem original está aqui.

Protegido: Dia de verão


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Protegido: Casamento no Egito – parte 2 (entre egípcios)


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