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Turbulência em vôo de cruzeiro


No dia 3 de janeiro, eu e Mostafa completamos oito anos de casamento. Oito anos que parecem vinte, por conta de intensidade de tudo que vivemos durante esse tempo.

Eu gosto de encarar a vida como fases: teve a da descoberta, da aventura do casamento, depois do aprendizado, da luta para nos estabelecermos e acharmos nosso canto no mundo. Aí ficamos só nós dois, nos curtindo, até que decidimos ter um filho. E estamos nessa fase agora, que eu chamaria de turbulência em vôo de cruzeiro.

Às vezes eu até me esqueço que minha história chama um pouco a atenção dos outros e ainda fico surpresa quando comento que meu marido é egípcio, nos conhecemos pela internet, e as pessoas ficam totalmente chocadas. Para mim, isso foi há séculos atrás, e apesar de sempre ouvir as mesmas perguntas, dar as mesmas respostas, estamos em algo tão distante daquele começo aventuresco e exótico, que às vezes me sinto contando a história de um filme, e não falando  sobre a minha própria vida.

É, a vida segue. Sim, tivemos momentos épicos, como aquele dia em que pousei no Cairo, vi Mostafa pela primeira vez. Ou aquela última noite em Alexandria, em que passamos horas olhando as estrelas perdidas entre as parabólicas nos tetos dos prédios, no calor insuportável misturado à maresia do mar, com medo da nossa mudança para o Brasil.

E aqui, do outro lado do mundo, também tivemos o que posso chamar de epifanias. Quando, na mais pura pindaíba, ganhamos uma viagem para Cancun e pela primeira vez nos sentimos no topo do mundo. A gente olhava aquele mar azul turquesa, o frigobar lotado, os garçons que nos serviam o que nossa imaginação pedisse. E minha mãe, que nos acompanhou, falava: “Marina, tem certeza que não vamos pagar nada? Vamos ter que passar o resto da vida lavando prato nesse hotel!”

Ou quando finalmente nos mudamos para um apartamento maior, pintamos a parede naquela tarde, e começamos a ver que tudo tinha dado certo. Eu já estava grávida, a vida corria leve.

Aí minha filha nasceu e passei para a entrega total, de prazer e loucura ao mesmo tempo. Hoje, um pouco mais distante, vejo o quanto a maternidade foi difícil para mim e ainda afeta a forma como eu tenho lidado com minha vida e as outras pessoas, até mesmo meu marido.

Eu não sei explicar o porquê e coloco a culpa no tal do baby blues – ou melaconcolia pós-parto, mas o fato é que chorei por quarenta dias seguidos após 5 de junho de 2013. Por minha filha ter sido prematura, por não ter nascido como eu queria, mesmo tendo ficado 22 horas presa numa sala pré-parto, em como ela não queria mamar ou se alimentar, em como eu sentia dor. Eu passei praticamente todos esses dias de pijama, em casa, me sentindo totalmente perdida.

Eu vi que, apesar de toda minha independência, coragem – como gostam de dizer que eu tenho -, espírito de aventura e altivez, aprendi que eu não sabia lidar com um ser que era dependente de mim o tempo todo. E isso, por consequência, me fez sentir como um pássaro de asas amarradas. Sabia que podia voar, mas não era possível.

Mas passou. E consegui curtir demais. Mesmo quando dias depois minha filha ficou internada, eu não desabei. Enquanto Mostafa ainda não sei como não morreu de ataque do coração a cada vez que ela engasga, eu mesmo nos dias mais difíceis de UTI, fiquei ao lado dela, segurando sua mãozinha em cada procedimento, checando a oxigenação a cada minuto. E tudo aquilo passou, ela sarou, se desenvolveu e se tornou um bebê maravilhoso.

Minha sogra veio e ficou seis ótimos meses, voltei ao trabalho e parecia que minha vida estava como antes, pois tinha alguém em casa que podia segurar as pontas se eu quisesse ficar até tarde escrevendo um texto, ou até mesmo viajar a trabalho.

Mas ela se foi e logo em seguida fiquei oito dias fora, em pleno dia das mães. Meu marido ficou sozinho e não foi fácil para nós essa primeira vez de longa distância com um bebê junto.

E ela ia crescendo, o trabalho também aumentava. No começo eu pensava que a cada nova habilidade que minha filha adquirisse, as coisas ficariam mais fáceis. Lego engano, a cada nova coisa que ela aprende, mais perigos tenho que esconder dela, mais cuidados na casa, na rua. Ela é um bebê totalmente dócil, carinhoso, de dar gargalhadas que enchem o coração. Mas é também daquele tipo de bebê que bota a casa abaixo. Se estou sentada e feliz por ter dez minutos de silêncio, pode ter certeza que é porque Lamis está em algum canto da casa destruindo algo.

Aos nove meses, ela passou de um bebê que milagrosamente dormia 10 horas seguidas para um que acorda de hora em hora. Até hoje, com mais de um ano e meio, eu passo praticamente todas as noites acordando diversas vezes, o que me desestabiliza muito. Lembro que tive de ir a um evento em novembro do ano passado e a primeira coisa que pensei foi: “Graças a Deus, vou dormir sete noites sozinha!”

Todo tempo livre que tenho, é para ela. Deixei de olhar até para mim mesma. Tinha emagrecido 20 quilos na licença maternidade (sem contar o que ganhei na gestação, pois esses perdi logo depois que ela nasceu), mas em 2014 engordei tudo de novo. Fiquei muito nervosa, passei a ser grosseira com meu marido em diversas situações desnecessárias.

E a gente faz tudo por ela, quer tudo para ela. Ser pais nos mudou demais como casal e como seres humanos. Há uma entrega total e totalmente irracional nisso tudo, um amor incontrolável e tão delicioso, que ficamos um pouco viciados em apenas dar e esquecemos um pouco de nós e toda aquela história mágica que vivemos lá trás.

Mas sei que isso também é uma fase. E sinto que agora já consigo voltar a pensar em mim também, a corrigir certos trajetos que não acho que estão tão legais.

E, quando cheguei nesse ponto do post, meu marido passa por mim e fala:

– O que você tanto escreve? Está trabalhando nas férias?

– Não, Mostafa, estou fazendo um post.

– Sobre o quê?

– Sei lá, não consigo explicar, mas sei que você não vai ler mesmo.

– É que você escreve muito e eu nunca consigo entender aonde você quer chegar.

Fiquei puta, ele veio me abraçar. Oito anos de casamento minha gente, ainda que tão diferentes, mais próximos do que nunca. E, incrivelmente, minha bebê está dormindo há três horas seguidas e eu consegui terminar esse post. Em 2015, parece que vou conseguir fazer mais coisas para mim, inclusive gastar palavras em textos como este.

Só espero que tenha gente mais paciente que o Mostafa e que consiga ler até o final.

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Sete anos


Sete anos de uma viagem insana, mas maravilhosamente doce. Sete anos de busca por um equilíbrio quase sempre tão sensível. Sete anos em que duas culturas tão diferentes se fundem em prol de um relacionamento que parecia pouco provável de dar certo. São sete anos incríveis ao seu lado, apreciando a vida como de uma varanda fresca. Há dias de chuva, de frio, de medo e torpor, mas a maioria foi de calor.

Um pequeno pedaço de nossa história está neste blog, em um dos posts contei um pouco do que aconteceu naquele 3 de janeiro de 2007. Aqui está:

***

Quando cheguei na minha futura casa, senti um grande conforto. Estava ali, parada naquela rua em frente a um futuro novo. Estava tranqüila e não sentia mais nenhum timidez diante daquela nova família, só estava morrendo de curiosidade para ver mais coisas daquele país, mas o cansaço não deixava. Mostafa e seu tio pegaram as malas e mama abriu o pesado portão de ferro. O prédio era diferente dos que estava acostumada no Brasil, mas era muito parecido com todos os que tinha visto no Egito naquele curto espaço de tempo. As paredes tinha um acabamento rude e tudo parecia tingido de cor de deserto.

Ao entrar no hall, o chão era encardido e as escadas não pareciam pertencer a uma propriedade particular, pois estavam mal cuidadas. Mostafa já tinha me avisado que o prédio não tinha elevador, mas eu pensei que não seria tão complicado assim subir uns lances de escada todos os dias. O único detalhe é que estávamos no quinto e último andar, e carregar duas malas de 32 quilos para cima não foi muito simples. Mas Mostafa estava extremamente ativo, e antes que eu começasse a pensar em soluções, ele chegou com a bagagem lá em cima.

Eu não me lembro bem das primeiras impressões que tive da casa, o cansaço era tanto que minha memória perdeu muitos detalhes deste primeiro dia. Posso descrever como vi aquela casa e hoje me lembro dela. É um apartamento aconchegante, com tapetes cobrindo cada pedacinho de chão. Uma longa esteira de carpete cobre um corredor longo, cujos azulejos estão meio soltos e fazem um barulinho gostoso quando você passa por eles. Tem uma foto de Mansour na parede da sala, o pai de Mostafa, e esta foi a única forma em que pude conhecê-lo.  Também há muitos quadros com textos do Alcorão e tudo remetia a uma vida que eu sonhava em poder ter.

Entrei no quarto e Mostafa tinha preparado da maneira que eu escolhi. As paredes cor de salmão claro, e frisos de madeira avermelhada adornavam o teto. Um tapete com florais rosa fechava a decoração. Senti na cama e me senti confortável, em casa. E Mostafa veio e parou ao meu lado, me olhando e curtindo comigo aquele momento. Foram muitos quilômetros ultrapassados, barreiras não só físicas, mas emocionais também. Ali, naquele instante, concluíamos a maior missão de nossas vidas, que era a de nos encontrar.

A mãe de Mostafa me chamou e mostrou uma comida estranha, cheia de coisinhas pequenas todas misturadas. Eu disse que não estava com fome, para mim aquilo era novidade demais para o primeiro dia. Era koshari, que tinham comprado numa loja no caminho e que depois aprendi a apreciar.

Mostafa então me levou na cozinha e preparamos o primeiro chá – de milhares – juntos. Ele tinha prometido me fazer experimentar o tal do shay be leban, o chá com leite. Era uma delícia, e tudo me fazia sentir mais feliz e segura da minha mudança.

Conversamos muito, perdi a noção do tempo, mas quando decidimos descansar lembro que todo o resto já roncava de cansaço. Fiquei sozinha no quarto, claro, e quando acordei, Mostafa já estava me esperando do lado de fora. Pediu que eu reunisse todos meus documentos, pegou minha mão e fomos de taxi até o fórum da família de Alexandria.

Chegando lá, diversas mulheres vieram correndo me beijar, gente que se alegrava ao ver aquele acontecimento. Os egípcios adoram estrangeiros, e eu sendo uma brasileira de hijab, sempre era agarrada por mulheres aos beijos em tudo quanto é lugar. A tia de Mostafa é advogada e tinha um sorriso que mal cabia na boca. Todos me chamavam já de Jannah, meu nome islamico, e eu estava mais perdida que agulha num palheiro. Todo mundo rindo, feliz, e eu sem idéia do que falar, sem entender uma palavra que seja, apenas quando algo era traduzido para o inglês.

Dentro do fórum, passei por corredores depedrados, armários caindo aos pedaços e salas que me lembravam bem as escolas públicas do Brasil, descascadas e com móveis quebrados. Me ofereciam chá a todo instante e não se de onde me surgiam homens com copos do líquido quente. Outra mulher me deu doce, e várias colocavam a mão sob o queixo e olhavam para mim suspirando. Eu era “tipo” a celebridade. Chegaram mais umas pessoas, e Mostafa estava bem tenso. Ele mal falava comigo, se concentrando em tudo que lhe diziam, mas esquecendo de me traduzir. E eu fiquei esperando, até que me pediram para dizer umas coisas em árabe. Eu disse, e me deram papéis para assinar. E tudo em árabe, e eu assinei feliz da vida sem entender nada. E tirei impressões digitais, e nossas fotos foram coladas no documento. Faziam perguntas para o Mostafa e eu esperava. Até que viraram e perguntaram para mim, em inglês, quanto eu gostaria de pedir para o casamento.

– Ah, isso é o dote que tanto falam. – pensei.
– Bota aí umas 10 mil libras que tá bom. Ten thousands pounds is ok. – disse feliz.

Um silêncio pairou na hora e todos olharam para minha cara estarrecida. Mostafa arregalou os olhos e disse:

– Eu vou colocar uma libra, tá bom.
– Que uma libra o que, não precisa me dar o dinheiro, mas se você colocar uma libra vão achar que a gente é pobre ou pior, que você não tá me valorizando! – Falei com minha eloqüência de sempre.
– Não Marina, por favor, depois te explico, fala uma libra tá bom.
– Mas me fala agora, tem que ser 10 mil vai.
– Marina, depois te explico!
– Ok, ok, one pound. – falei contrariada e já me preparando para exigir uma boa explicação.

Então nos entregaram o documento, e lá estava escrito Marina, muçulmana e jornalista, e Mostafa, muçulmano e estudantes, estão casados. E assim foi, no dia 03 de janeiro de 2007, um dia após minha chegada ao Egito: já éramos marido e mulher perante a Deus e a lei.

Foi tudo tão rápido e confuso para mim, perdida numa língua estranha e sem saber como agir corretamente, que nem deu tempo de chorar ou ficar refletindo sobre este momento. Só sei que ao sair do fórum, logo já falei:

– Mas que história é essa de uma libra só, eu queria 10 mil para ficar mais bonito!
– Habiby, aqui só coloca um valor maior quem casa por conveniência ou acerto de famílias. Quem casa por amor, escreve apenas um valor simbólico, porque nada de material importa para este casal!

E aí chorei, mas de vergonha… Mas logo a tristeza passou, e comemorávamos nossa conquista a cada segundo, conversávamos muito e eu ainda tinha muita coisa pra ver e sentir. Chegando em casa, começaram os preparativos para nossa festa de casamento, que iria acontecer no dia 11 de janeiro.

Nós há sete anos

Nós há sete anos

 

Pode um amor nascer na internet?


Continuando com os posts da promoção, segue o texto de uma leitora participante! Uma história singela e muito linda!!

Essa história não aconteceu comigo, mas sim com uma amiga da faculdade…

Eram meados dos anos 80, numa escolinha do bairro, todas as tardes as mães se encontravam quando iam buscar as crianças.

Eles sempre brincavam juntos… Até que um dia uma das mães solta:

-Seria bom se eles casassem quando crescessem.

Ao que a outra mãe respondeu :

-Seria ótimo! Mas meu marido recebeu uma promoção no emprego e estamos de mudança para SP no final do mês.

E assim foi, mudaram-se e nunca mais tiveram notícias daquela simpática família.

Passaram-se vários anos… Até que numa noite, numa sala de bate-papo…

-Oi, alguém a fim de teclar ?

-Olá, de onde teclas ?

-De SP e vc?

-De Recife.

-Ah, que legal, morei em Recife até os 6 anos.

-Ah, sim? Em que bairro ?

-Hum… eu não lembro, era muito pequeno…

As conversas ficaram mais frequentes, dias, semanas, meses fizeram com que o sentimento entre eles aumentasse. Passavam horas conversado, compartilhando seus dias, seus medos, suas alegrias. Já não tinham dúvidas do que sentiam um pelo outro.

-Mamãe, essas férias vou para a casa da tia Maria, do Recife. Conheci uma moça e estou pensando seriamente em me casar com ela.

-O quê ?! Você é louco!!!!!!!!!!!!

Não adiantou, chegaram ao acordo então de que seus pais também iriam viajar e conhecer a moça e sua família.

Já em Recife, chega a tão esperada noite do jantar para as famílias se conhecerem, oferecido pelos tios do rapaz. Chegaram apenas o pai e a filha.

-Boa noite, entrem por favor, fiquem à vontade.

A mãe do rapaz achou o rosto da jovem tão familiar, mas não conseguiu se lembrar de onde… Conversa vai, conversa vem… perguntaram sobre a mãe da moça.

-Ah, minha mãe faleceu quando eu tinha 14 anos.

-Sinto muito… E onde vocês moram ?

-Ah, moramos no Rosário.

-Oh, foi onde moramos! E você estudou na escolinha do bairro na sua infância?

-Sim senhora, todo o ensino fundamental lá.

Agora aquela mãe já sabia de onde era o rosto familiar e uma lágrima rolou pelo seu rosto, mas na hora ninguém entendeu.

-Seria bom que eles se casassem…

Já estão casados há mais de 5 anos, têm uma filha linda e moram em SP.

Pode o amor nascer na internet ? Pode o amor nascer no carnaval? Pode um amor de férias de verão subir a serra ?  Pode o amor nascer numa parada de ônibus ?

O que eu respondo com outra pergunta : “E por que não ???”.

Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para namorado que conheceu na internet


Hoje vou falar de um assunto triste: os golpes na internet. Saiu uma reportagem aqui sobre isso e acho que vale a pena dividir com uma parcela das minhas leitoras, que sempre conversam comigo ou mandam e-mails com dúvidas sobre relacionamentos na internet. A verdade é dura mas é preciso dizer. A maioria dos egípcios na internet só querem dinheiro ou sair do país deles. Por isso abram os olhos, sigam as dicas que já postei inúmeras vezes por aqui para não ser mais uma nesta triste estatística.

São incontáveis os contatos que recebi de mulheres que foram roubadas. Não vou divulgar nomes, claro, mas algumas das hitórias que já chegaram até mim:

* Egípcio chega a vir até o Brasil, casa de papel passado até e resolve abrir “negócio” com a ajuda da esposa. Com o dinheiro na mão – no caso foram R$ 60 mil – sumiu do mapa.

* Egípcio fala milhares de coisas para brasileira na internet, o papo de sempre que ama ela, não importa o que os pais pensem, ela pode fazer o que quiser. Pede carta convite para vir para o Brasil. Ele arruma com a família todo dinheiro emprestado para fazer uma conta fictícia no banco e conseguir o visto. A menina gasta pouco desta vez, só os R$ 270 da carta convite. Mas assim que o egípcio pega o visto, nunca mais aparece para falar com ela online. Vem para o Brasil, provavelmente já tem algum contato aqui e faz a vida dele sozinho.

* Egípcio em uma semana já pede em casamento e fala que ama uma mulher bem mais velha, com vida feita. Diz que não importa a idade dela, nem o fato de não terem filhos. Depois de dias de enrolação, fala que para vir para o Brasil só falta o dinheiro do visto: 300 dólares. Pede para mandar via Western Union. Detalhe que o visto só custa uns 30 dólares. Imagina se por mês uma mulher em cada parte do mundo manda este dinheiro para ele? Ele vive disso, de pedir dinheiro na internet para futuras esposas.

****

Dito tudo isso, pense bem ao conhecer alguém na internet. Para ter certeza das intenções dele, não diga que tem muito dinheiro, nem renda certa. Não demonstre capacidade de ir para o Egito a qualquer hora e muito menos de bancar a vinda dele. Não estou dizendo que isso não pode acontecer, mas antes de confiar totalmente, dê uma testada. Alguns nem querem vir para o Brasil, mas sim serem bancados no Egito mesmo, já que lá seu dinheiro vai valer muito mais.

Entenda bem como um egípcio pensa, como a sociedade enxerga os relacionamentos. Tenho muitas leitoras que são dançarinas e não é algo bem visto por lá (a sociedade egípcia pensa isso, mesmo sendo a fonte das músicas e desta dança, ninguém quer ter uma dançarina profissional na família). Por isso se ele diz que não se importa com sua profissão e que tudo bem vc mostrar seu corpo, veja se realmente é isso, pois não é um comportamento comum deles, a não ser que ele já seja da própria área do entretenimento.

Conheci uma leitora outro dia (uma querida, aliás ) que trabalha com dança e ela me contou que passou muitos apuros no Egito, chegou a ficar presa em casa, que até mesmo para sair de carro ele colovaca cortinas nas janelas para ninguém vê-la. Antes, na internet, ele dizia que tudo bem a profissão dela. Ela teve que fugir para conseguir voltar ao Brasil.

Foi ela quem me contou que, no meio da dança do ventre, conhece dezenas de meninas envolvidas com egípcios, e que praticamente todas se deram muito mal. De perder muito tempo para nada até gastarem tubos de dinheiro para o cara vir para cá e, muitas vezes, largar a esposa por outra menina mais jovem ou simplesmente sumir do mapa depois de conseguir o visto.

***

Bom, agora a reportagem que li hoje, só para mostrar também que este comportamento não é típico dos egípcios, como muitas também chegam a pensar e acusar. Isso é um problema global, golpistas do mundo todo estão esperando por uma alma carente. Não são os egípcios apenas à espreita, mas homens do Brasil, EUA, Inglaterra, etc, e diversos países.

Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para namorado que conheceu na internet

É preciso ter muito cuidado ao frequentar sites de relacionamento na internet, pois aumentou o número de golpes, dados por pessoas que se dizem apaixonadas e que, na verdade, só querem mesmo é dinheiro, ou no mínimo casa e roupa lavada.

Muitas vítimas escondem o rosto por vergonha de terem sido enganadas pelos namorados que conheceram em sites que facilitam encontros amorosos.

“Ele falava o que eu queria ouvir, contava histórias interessantes”, diz uma delas. “Ele falava muito de família, de amor, de casamento”, afirma outra vítima. “Eu achava que era uma pessoa que estava querendo reconstruir a vida ao lado de uma outra pessoa, porque o casamento dele não tinha dado certo. E no final vi que não era nada disso”.

Para o delegado especialista em crimes digitais, José Mariano de Araújo Filho, o rapaz tem uma característica comum à maioria dos golpistas. “O que é comum em todos eles acaba sendo a maneira como se expressam: se expressam bem, escrevem bem, demonstram um certo tipo de conhecimento”.

R$ 40 mil

No caso de uma moça, o namoro virou casamento. Não de papel passado, mas ficaram juntos um ano e ela chegou a emprestar R$ 40 mil para pagar uma cirurgia que ele nunca fez. “Eu falava que tinha um dinheiro por conta da venda de um apartamento, e ele sabia exatamente a quantia, e foi exatamente a quantia que ele pediu”.

“Esse é um crime de estelionato, onde a pessoa consegue vantagem ilícita em detrimento da vítima”, explica o delegado.

Príncipe vira sapo

Uma pesquisa mostra que o Brasil é o país com maior número de internautas usando sites de relacionamento: 70% de quem acessa a rede já entrou pelo menos uma vez num desses sites. Com o movimento maior, crescem também os golpes. O príncipe virtual pode virar um sapo real.

Uma moça hospedou em casa, durante um mês e meio, o namorado que conheceu na internet. Depois de romper o relacionamento descobriu que ele não tinha emprego e fazia desses romances meio de vida. “Eram histórias que ele criou, era um personagem que ele fez para conhecer pessoas pela internet, para seduzir e ter uma boa vida”.

Quadrilhas

Já existem até quadrilhas que tomam dinheiro de pessoas apaixonadas. Um site, por exemplo, alerta sobre um grupo de nigerianos que aplica golpes em vitimas em qualquer canto do mundo.

“Infelizmente neste tipo de crime a vítima não deseja expor sua intimidade, então, ela não procura a polícia, não procura absolutamente nada que possa facilitar se chegar ao criminoso”, afirma José Mariano de Araújo Filho.

“A primeira coisa é denunciar e rapidamente, principalmente algo que aconteça na internet, porque nela as testemunhas são as máquinas. Elas podem contar o que aconteceu”, diz uma advogada.

Depois de cair no conto da alma gêmea, hoje, elas aconselham o mesmo que os especialistas ensinam. “Vai atrás, procura saber o rol de amigos para saber onde você está pisando”, explica uma vítima. “Eu devia ter investigado. Eu confiava no que ele falava, para mim era o suficiente”.

 

ps. os comentários nesse post foram fechados, acho que todo mundo já entendeu que a situação é grave e precisamos ficar muito atentas.

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