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Novas regras: visto de turista para o Egito


NOTIFICAÇÃO IMPORTANTE

– – VISTO PARA O EGITO – –

 

Fica decretado que a partir de 15/Maio/2015 não será mais permitido/possível solicitar vistos nos aeroportos/ portos/ rodoviárias (qualquer meio de entrada)  do Egito no momento da chegada.

Os vistos agora devem ser solicitados com antecedência nas Embaixadas ou Consulados no país que está residindo/presente no momento, antes da viagem / chegada ao Egito.

 

No momento da chegada somente serão permitidos em caráter de emergência um “visto” ( tipo permissão de entrada temporária para grupo específico )  para companhias de turismo que estejam levando grupos (Informações e condições a serem detalhadas por e-mail, por favor nos contatar antes de viajar) .

 

Para maiores informações para companhias de turismo assim como outras solicitações por favor entre em contato através do e-mail: consuladodoegito@yahoo.com ou embassy.egypt.brasilia@gmail.com

 

Este é um decreto do Ministério da Relações Exteriores do Egito através do

Governo da República Árabe do Egito para medidas de segurança.

 

Atenciosamente,

Consulado Geral da República Árabe do Egito no Rio de Janeiro – Brasil.

 

 

 

 

Rio de Janeiro, March 12, 2015.

 

 

IMPORTANT NOTIFICATION

– – VISA TO EGYPT – –

 

It is decreed that from 15 / May / 2015 will be no longer allowed / possible apply for visas at airports / ports / road (any mode of entry) of Egypt upon arrival.

 

Visas should now be ordered in advance in Embassies or Consulates in the country where you are residing / present at the time, before the trip / arrival to Egypt.

 

Upon arrival will be only allowed one emergency permission as ‘temporary visa’ (kind permission for temporary entry to a specific group) for tourism companies that are leading groups (information and conditions to be detailed by email, please contact us before travel).

 

For more information for tourism companies as well as other requests please contact us via e-mail:

consuladodoegito@yahoo.com or embassy.egypt.brasilia@gmail.com

 

This is a decree of the Ministry of Foreign Affairs of Egypt through the Government of the Arab Republic of Egypt for security measures.

 

Best Regards,

Consulate General of the Arab Republic of Egypt in Rio de Janeiro – Brazil.

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Balanço de 2013 no Egito & Brasil


Chega esta época do ano e não há nada melhor do que poder sentar e organizar um pouco as ideias, tentando entender um pouco o que aconteceu e qual o resumo dos últimos 12 meses. O blog não tem tido muitos posts, pois minha vida mudou, o mundo mudou, a idade vem me tirando coragem de escrever tudo o que penso e cada vez mais levo em conta a privacidade da minha vida, já que agora sou mãe também.

Pois bem, nada de filosofia, nem texto elaborado ou poemas. Hoje vou escrever em tópicos mesmo uma coleção de “coisas” sobre este 2013. Espero contar com vocês em 2014, muito mais sempre está por vir.

Egito 2013

– O país continua em situação muito delicada. Com a queda de Morsi e a opinião pública polarizada, fica difícil de projetar um pouco do futuro do país. A situação está bem difícil. Para quem mora lá, o país definitivamente não é mais tão acolhedor e a violência, não só de atentados, mas nas ruas mesmo, como os assaltos, aumentaram demais. Como já disse antes, a era de “ingenuidade” dos egípcios, vivida na letargia do governo Mubarak, acabou de vez. As pessoas entraram no embate político e de ideais, mesmo que de uma maneira torta, e o país não é mais monossilábico e só sorrisos. Tem gente que sente falta da morosidade dos 30 anos de ditadura, onde tudo era errado, mas o país era estável. Na minha opinião, que não impacta em nada a ordem mundial, os egípcios acordando para a política e debatendo problemas, mesmo que muitas vezes usando de maneira errada a religião no meio, já é um avanço. Agora o que sai desse processo continua uma grande incógnita. Só espero que a intolerância religiosa, que tem crescido no pais, inclusive conta cristãos, seja apenas um sintoma momentâneo e passe a medida que a irmandade muçulmana volte a ser enfraquecida. Sim, eu não fico em cima do muro, Irmandade Muçulmana não trouxe nem traz nada de bom para o Egito, porém condeno a forma com que foram retirados do poder.

Brasil 2013

– Tivemos nossa primavera também, mas na minha visão um pouco carnavalesca. Como bons brasileiros que somos, transformamos o facebook em trincheira e falamos que não era só “por 20 centavos”. Mas no fim foi. Renan Calheiros continua rindo da nossa cara e ninguém mais fala nada. Protestos ocorrem toda hora, eu trabalho na Avenida Paulista e sei bem disso. Porém são movimentos muito desorganizados e que pensam apenas em reivindicações próprias, não há nada aparentemente que vá juntar de novo o povo em prol de uma luta comum e necessária, sendo que há muito que ser mudado por aqui. Ano que vem são eleições, veremos se todo esse movimento ajudará as pessoas a refletirem um pouco mais e provocar realmente uma mudança, com gente nova entrando e barões saindo pela porta dos fundos. Ricos eles já ficaram com nosso dinheiro, será que aprendemos a lição? As urnas nos dirão…

Minha vida 2013

– Só posso dizer que este foi mais um ano maravilhoso. Tá, não existe perfeita e a minha não é. Mas eu sempre comemoro todas as pequenas vitórias diárias. Não tenho grandes sonhos, não vou ser nunca milionária e já me conformei com isso. Sou uma eterna otimista e tenho a minha volta uma família maravilhosa, então aprendi a ver o mundo com óculos de lente cor de rosa, por mais piegas que isso possa parecer. Em 2013 passei por uma nova transformação radical, virei mãe e isso já basta para que este tenha sido um ano totalmente diferente e encantador. Vivi momentos de extrema felicidade, mas de muito medo também. No meu auge, estive pela Europa andando barriguda – não tem nada melhor do que ser uma grávida de seis meses – e vendo a neve pela primeira vez. No meu pior momento, fiquei trancada numa UTI pediátrica por vários dias.

Mas no fim, tudo deu certo. Como sempre dá não só pra mim, mas para todos. Basta sempre olhar o lado de bom de tudo que se vive, pois ele sempre existe.

Tchau e até ano que vem!

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Egito é o pior país árabe para as mulheres


É, infelizmente esta é a triste situação atual do Egito, esse quadro abaixo é auto explicativo. Por isso, reflita muito bem antes de se envolver com um egípcio, conheça bem sua família, a forma dele pensar, não seja submissa jamais, ou se um dia você tiver uma filha, é por isso que ela pode passar.

 Imagem

O que está acontecendo no Egito?


Essa é provavelmente uma das perguntas mais difíceis que teria de responder, afinal analisar o Brasil que tem apenas 500 anos não é tarefa fácil, imagina o Egito, com milhares, diversas eras diferente, períodos com mudança de religião, colonizado diversas vezes. Pois bem, o que posso tentar é apenas tentar fazer uma fotografia, baseada no meu ponto de vista. Eu não sou cientista político nem estudo afundo as questões sociais do Egito, por isso falo apenas como experiência de quem viveu lá e que continua tendo família e amigos morando no Egito.

Vamos voltar um pouco no tempo:

2007 – A fase do comodismo

Quando morei no Egito, o país ainda era presidido por Hosni Mubarak. Não havia liberdade de imprensa, nem para oposição. Era um país que, no dia a dia, também não permitia muita liberdade ou individualidade, mesmo que você nem estivesse falando em política. Como mulher, você não pode rir alto na rua ou usar uma blusa sem mangas, pois com certeza atrairá olhares e críticas. Como mulher, sua maior missão é achar um marido capaz de pagar um apartamento. As mulheres estudam e se formam com boas notas, mas as de classe média para cima raramente trabalham, pois consideram que o homem é que deve sustentar a casa sozinho.

O exército era endeusado, as crianças lêem livros sobre espiões famosos, os filmes também mantêm o glamour sobre uma disputa antiga entre Israel e Egito, com agentes secretos e coisas do tipo. Todo mundo que tem parentes militares tem muito orgulho deles e existe uma hierarquização muito forte na sociedade. As pessoas não discutem abertamente suas opiniões como aqui, se está falando com um militar, mesmo que seja seu amigo, você não vai discordar dele nunca. Mas, paralelamente, todo jovem que se forma e é obrigado a servir o exército, fica buscando formas se não ser convocado. Ou seja, todo mundo sabe que o exército é horrível e estar nele é pior ainda, mas eles mantém a questão como algo intocável, afinal foi o exército quem ganhou a guerra contra Israel (sim, eles aprendem nas escolas que ganham a guerra e Israel tem medo deles…).

Os serviços públicos são precários, nada é informatizado, tudo funciona a base de propina. Basta pagar um funcionário público ou policial, que você é liberado para o que precisa. Em alguns casos, não se faz nada sem propina. De vez em quando falta luz ou água, mas num nível aceitável. Existem empregos e o país caminha mais ou menos calmamente, com custo de vida extremamente baixo mesmo quem ganha pouco sobrevive. Os extremistas islâmicos estão bem cercados e vigiados, há pouco risco de ataque terrorista.

É um país extremamente amigável, as pessoas são simpáticas e os turistas são bem vindos. Eles estão por todos os lados, tirando fotos e gastando. Apesar da aparente pobreza, com prédios sem pintura, existe fartura na comida e são muito festivos.

2011 – A revolta de 25 de janeiro

Quando morei no Egito, eu nunca imaginava que as pessoas de lá seriam capazes de fazer o que eu vi pela televisão em 25 de janeiro de 2011. Desde que saí do país, as coisas foram piorando vertiginosamente. Com cada vez mais acesso a internet e informações de fora, coisas que ainda eram incipientes quando cheguei lá, a população em poucos anos se deu conta da prisão que viviam. Entenderam que um presidente não é bom só porque vive das glórias dele no exército do passado e que é preciso gerar renda e oportunidades para os jovens.

As ruas ficam lotadas e ninguém está disposto a desistir. Até porque a esmagadora maioria não tem o que fazer. Não adianta procurar emprego, não existe, a economia está em ruínas. Muitos vêem como única chance um contrato em algum país do golfo ou conseguir um casamento com uma estrangeira que os tire de lá. Muitos, aos trinta anos, vivem apenas da renda dos pais e nunca tiveram trabalho, mesmo sendo formados na universidade.

A revolução é fatal. Com idade avançada e pouco espaço de manobra, Mubarak finalmente é deposto pelos mesmos militares que o mantiveram no poder por tanto tempo. A ilusão da democracia começa.

2012 – As eleições e a religião como válvula de escape

Após anos de ditadura e pobreza, a sociedade egípcia gira em torno da religião, pois é uma das poucas formas de expressão e alento que esta sociedade encontrou nos últimos anos. A religiosidade parece branda à primeira vista, com meninas de véus rosa pink e jeans agarrados passeando por todos os lados, mas não há direito de escolha para aqueles que queiram seguir outra fé ou até mesmo agir de forma secular. Na TV, sheiks gritam – não falam – o tempo todo, sobre como o país deve seguir apenas a Sharia e que isso é a salvação para eles. Para os egípcios, que não conhecem outro caminho, só a oração salva e não votar neles é um pecado.

Nada mais natural de que as eleições fossem vencidas por um candidato vindo do nada, sem experiência política, porém que fosse vendido como “halal”, ou seja, o correto pela religião. Na prática é o seguinte: se você é muçulmano e devoto a Allah, você só pode votar num candidato da Irmandade Muçulmana. Se votar contra, está negando sua religião e vai pro inferno. Sim, é uma tremenda lavagem cerebral, mas colou, assim como cola esse tipo de discurso religioso em qualquer país com muita desigualdade social.

Mohamed Morsi ganha, mas boa parte da população não é a favor dele, pois parte dela já conhece um pouco mais do resto do mundo e vê que nem sempre religião é a resposta mais eficaz para problemas políticos. Estou falando aqui racionalmente, não estou discutindo a perfeição do Islam nem da sharia, que ela é muito melhor que democracia, pois ainda não vi nenhum país exemplo islâmico que realmente coloque a parte boa em prática. No Egito, ainda há o agravante de que não é um país 100% islâmico, existem muitos cristãos, sendo inclusive sede da igreja Copta.

2013 – Morsi quer poder

Em poucos meses, Morsi mostrou total inabilidade para mostrar um plano de governo que pudesse colocar, mesmo que minimamente, o país em seu rumo. Leis polêmicas voltaram ao debate no seu governo, como circuncisão feminina, casamento com menores de idade, etc, tipo de coisa totalmente desnecessária para este momento. Mas o maior problema dele, é que Morsi quis seguir o estilo de liderança normal no Egito, abocanhando poderes e com pouco diálogo. É assim que funciona em qualquer instituição de lá, desde escolas em que professores ainda batem nos alunos, até os mais altos cargos. Eles estão acostumados a mandar no grito.

Porém, os índices econômicos e sociais, que já estavam péssimos, ruíram ainda mais com Morsi no poder. Sem grande apoio militar, começa a ficar insustentável seu governo, pois está claro desde a queda de Mubarak que o exército é quem continua mandando no país. Morsi não tem tempo de começar a botar em prática seu plano de governo ou executar ideias diferentes. Chegou a visitar o Brasil para aprender sobre o bolsa família, ou seja, ele pendia para um estilo assistencialista, que na minha opinião não ia ajudar em muito o Egito, mas o tornaria extremamente popular. Não deu tempo. Os jovens voltaram às ruas e os militares saíram dos bastidores para depor o presidente.

O mundo assiste perplexo à prisão de membros da Irmandade Muçulmana e, semanas depois, o partido é extinto e considerado ilegal novamente. Como era previsto, os EUA não poderia reconhecer o novo governo logo de cara, afinal houve uma eleição e o presidente sofreu um golpe. Os egípcios contra Morsi dizem que o ocorrido não pode ser considerado um golpe, pois é a vontade de milhões de pessoas, que foram às ruas. Diz a lenda que a manifestação para a queda de Morsi foi a maior do planeta, envolvendo mais de 30 milhões de pessoas. Nada mais típico dos egípcios do que contar esse tipo de história.

Os militares, mais uma vez, mandam no país. Ainda há milhares de aspectos sobre esse tópico que não falei. Por que El Baradei, o candidato ex-ONU queridinho do ocidente se esquiva e não concorre à eleições? Por que ele foi chamado pelos militares para compor o governo interno e após o suposto assassinato de opositores deixou o governo para não se indispor com o exército e, ao mesmo tempo, parecer alheio aos acontecimentos? O Egito tem condições de ter uma liderança homogênea? O exército vai ficar mais 30 anos?

Egito, Egito… Seus milhares de anos de existência ganham mais um capítulo sem final feliz.

Mais amor, menos rancor


Eu posso ser considerada uma eterna otimista. Daquelas pessoas irritantemente felizes, que geralmente acordam de bom humor e pronta para outra. Se tem uma coisa que aprendi aos longos dos anos, principalmente na adolescência, é ter amor próprio ou auto estima, denomine isso como quiser.

Não, não é algo fácil, eu demorei um bocado de anos para aprender que a felicidade está em mim e não no que os outros pensam de mim. Até por isso, aguento com certa passividade as mensagens que recebo nesse blog ao longo dos anos. Até porque não tenho que ficar provando nada para ninguém que mal me conhece. Também não preciso ficar dando mil detalhes da minha vida ou meu marido para mostrar que está dando certo para nós, como diz o ditado, para bom entendedor meia palavra basta, e não sou eu que vou dar aula de interpretação de texto via esse blog para certas pessoas que caem de paraquedas aqui.

Eu sei que pela busca do google, as pessoas chegam em posts específicos aqui. Geralmente elas caçam a palavra “casamento no Egito”, “homem árabe”, “homem muçulmano” e por aí vai, que são as tags mais usadas neste blog. Aí lêem um post qualquer e já caem de pau em cima de mim, sem nem ao menos ter tido trabalho de ir até o início e ver o que estou falando atualmente, ou ter uma ideia geral de quem eu sou e o que penso. Um post não reflete 100% do que eu penso e faço, até porque sou um ser em evolução. Tem coisas que escrevi há anos atrás que com certeza não penso mais igual hoje em dia. O blog é algo mutável, que cresce comigo.

Eu acabo não respondendo mais todos os comentários agressivos, pois eu sei que a maioria que me trata mal ou me critica sem ao menos ter lido parte do blog, está bem longe de conhecer a minha verdadeira personalidade ou o que faço na vida, quem são meus amigos, o que discuto na política ou na religião.

Mas tem épocas que chega uma enxurrada de negatividade, não sei vindo de onde. Eu imagino que alguém é tão agressivo contra mim quando tem alguma experiência ruim na vida, principalmente envolvendo homens estrangeiros, e já chega totalmente armada. Calma, eu não estou aqui para defender cafajestes, mas também não estou aqui para ser xenófoba ou detonar um país inteiro por causa dos erros de alguns.

Até porque convenhamos, o Brasil tá cheio de problemas e gente problemática, ladrões, corrupção e estupradores, não me venham com esse papinho de homem muçulmano maltrata mulher, que isso é a maior babaquice que você pode dizer, enquanto no seu próprio país tem exemplos de sobra para notar que gente ruim existe em todo lugarzinho desse planeta, e não é religião que determina isso.

Larga o seu livrinho do Caçador de Pipas ou Princesas do Deserto, você não conhece o mundo árabe ou muçulmanos porque leu essas baboseiras. Isso se chama entretenimento, assim como um filme desses blockbusters que você vê no cinema. Para conhecer um povo de verdade, não basta também ter um amigo de lá, ou namorado x, ou ter visitado o Egito uma ou outra vez. Também não adianta analisar todo um país, que tem mais de 80 milhões de habitantes, só por um exemplo de pessoa baixo nível que teve contato. Você frequentou todas as classes sociais daquele país? Foi desde uma feira livre na rua, até um evento de negócios?

Aqui no Brasil, você julgaria o país todo ao ter uma experiência apenas com alguém bem sem nível que te deu um golpe? Vamos ser mais realistas e práticas. Não me venham com “chorumelas” do tipo eu conheço dezenas de casos, conheço não sei quem na polícia federal que está de olho nisso, faço reportagens. Para, para com isso.

Primeira coisa, eu sou jornalista e sei o que é reportagem. Então antes de falar besteira, me diz qual jornal ou revista publicou esse seu texto tão importante, quais fontes usou, qual a confiabilidade que posso ter em seu relato? Qual é seu lead? Você conhece centenas de casos de mulheres enganadas? Nossa, eu também, mas eu abro meu leque e sei que esse tipo de golpe e global, não vou falar que só um país faz isso. É normal que você tendo sofrido um golpe de um cara de determinado país, vai procurar informações e se deparar com mais gente sofrendo do mesmo mal, porque sua busca foi direcionada para aquele país. Mas desculpa informar, isso acontece no mundo todo, com homem de todas as nacionalidades.

O bem e o mal não tem religião, não tem raça, não tem pátria. Toda vez que você acha que pode julgar um povo inteiro e dizer que nenhum deles presta, é porque não passa de mais uma seguidora de Hitler enrustida. É uma RACISTA e com RACISTA eu não tenho paciência, apesar de pouco me expressar nesse sentido porque não acho que devia perder meu tempo com isso.

Então gente, mais amor, por favor, e menos rancor. Se tem uma coisa que aprendi com todas as viagens que fiz na minha vida, com a minha experiência no Egito, é que o mundo é muito grande para a gente achar que tem resposta para tudo. Que o mundo é muito lindo para ser desperdiçado com rancor ou ódio. Que existe entre os seres humanos algo muito lindo, que são os sentimentos e emoções, iguais para todos, independente da língua que você fala.

Os malandros sempre existirão, mas com amor próprio – voltando ao início do meu post – você dificilmente cairá em qualquer história que te contem, seja na internet, seja na esquina da sua casa. Se amem, se valorizem, sejam felizes sem medos e preconceitos, só temos uma vida e não vamos gastar tempo com ódio, mas sim em vivermos em paz e de mente aberta ao que nos é diferente. Pode ser que sejamos muito mais parecidos do que você pensa.

 

 

Mohamed Morsi visita o Brasil


O presidente do Egito Mohamed Morsi está vindo ao Brasil esta semana em busca de cooperação para a recuperação do país e atrair investimentos brasileiros ao Egito. Outro tópico que ele vai discutir são programas sociais para distribuição de renda. O presidente do Egito está visitando todos os países do BRIC em busca de novas ideias e espero que ele consiga ter algumas, apesar de eu ser totalmente contra seu partido político.

Existe muita discussão no Egito sobre a capacidade dele de gerar mudanças reais, além de já ter dado vários sinais de repressão e um estilo de governo pouco democrático. Mas isso, acredito eu, é algo que vai ser mudado muito aos poucos.

Primeiro, os egípcios têm esse estilo de liderança no “grito”, como eu chamo, começando das casas e escolas. Lá, é bem normal ver uma mãe gritando aos berros praticamente o dia todo com os filhos, mas sem regras claras ou sistema de organização dentro de casa. O mesmo ocorre nas escolas, não sei se é algo que ocorre ainda hoje, mas pelo menos meu marido conta que na época dele (ele tem 28 anos agora) o professor podia agredir um aluno.

Então, se desde a base deles não há uma noção do que é democracia, opinar e trocar ideias, fica difícil esperar isso logo de cara do primeiro presidente eleito (não vou nem discutir a legitimidade dessas eleições, que ao meu ver foi bem controversa), mas ao que eles entendem de ordem e sistema.

Vai levar ainda anos para que eles comecem a entender que nem tudo funciona à base só da repressão. Pelo menos o presidente mostra certo interesse em conhecer exemplos de outros BRICs, o que já é um ótimo sinal, sair um pouco do mundinho árabe-islâmico e buscar um pouco de pragmatismo, já que Allah sozinho não vai dar conta de consertar o Egito, é preciso que os egípcios também botem a mão na massa e parem de esperar milagres.

As minhas viradas de ano


Perdoem este meu lugar-comum, mas vou falar de fim de ano em pleno 31 de dezembro. Não, viradas de ano não são momentos de grande algazarra para mim, nem de grandes preparações, vou onde o vento me levar quase sempre…

Criada em família católica praticante, nunca acreditei em superstições, como ter de usar lingerie de não sei que cor para ter amor ou dinheiro, ou pular sete ondas, muito menos joguei flor pra Iemanjá, apesar da grande maioria das minhas viradas de ano terem sido na praia. E é o que mais gosto. Pisar na areia, quase sempre com chuva à meia noite, e ver os fogos coloridos. Fazer a contagem regressiva ao lado de gente que mal conheço, e abraçar quem estiver ao meu lado, tudo muito simples. Mas isso tudo é apenas um símbolo de passagem, afinal a gente acorda no dia 1 da mesma forma, com os mesmos problemas e desejos do ano velho. E são nos 365 dias seguintes que você constrói alguma coisa ou pode mudar o rumo da sua vida, não especificamente no que deseja durante a virada das 23:59 para 00:00.

Este ano não estarei na praia, fico chateada, mas não ando nada bem fisicamente – eu tenho muita náusea por conta da gravidez até agora e o cansaço me consome por dentro – que decidi não arriscar horas de trânsito na estrada, seja pra descer (aqui em SP falamos “descer” quando queremos ir para a baixada Santista) ou pra subir depois. Então vou para casa da minha mãe, que prometeu uma moqueca de camarão deliciosa, na companhia dos meus avós maternos que estão por aqui. Tudo muito contido, mas quem sabe alguém lá na Zona Norte não decida estourar uns fogos para eu ver.

Mas aí fui tentando me lembrar de outros anos novos que vivi. Eu sou uma pessoa de memória fraca, não vou lembrar de quase nenhum, até porque é quase sempre a mesma coisa, lá na praia, sem festa nem nada. Ano passado passei sozinha com minha sogra, guarda chuva em punho. Só estávamos em quatro pessoas e ninguém mais quis descer por causa da chuva. Mas eu fazia questão que minha sogra egípcia, que jamais tinha visto uma virada de ano – no Egito não se celebra – conhecesse esta parte do meu mundo.

Então fomos sozinhas, falei pra ela tirar os sapatos, e ficamos descalças na areia molhada até dar a meia noite. Ela ficou encantada, no meio da multidão de branco sumíamos, apesar de sermos as únicas de roupas escuras. Os fogos iluminaram o céu, vi lágrimas em seu olhar, uma pessoa se encantando pelo que temos em nosso país é muito gostoso de presenciar.

Aí lembrei do ano novo que passei em Capetinga, interiorzão de Minas, só com meus avós. A gente foi na praça central, e teve queima de fogos. A mais longa da minha vida, por incrível que pareça. Deve ter sido uma meia hora, mas também, um fogo a cada cinco minutos (piada ahahaha). Mas foi engraçado, foi bom estar com eles.

Então voltei um pouco mais no tempo, para virada de ano mais louca e bizarra da minha vida. De 2006 para 2007. Desta vez eu estava sozinha, completamente. E nem faço ideia de onde estava, provavelmente no meio do Oceano Atlântico. Eles escolherem um horário aleatório e fizeram uma contagem regressiva, que aparecia na tela à minha frente. Um grupo de amigos mais na frente levantou, bateu palmas, fez festa, mas a maioria estava em silêncio, como eu, porém com sorriso no rosto. Aí vieram servindo champanhe, que eu recusei, e como não tinha nada mais sendo servido aquela hora, nem brindar eu pude. Fiquei olhando, botei o fone de ouvido e olhei para o céu, de um azul escuro que me sugava. Estava a caminho do Egito.

O que está acontecendo no Egito?


De novo as imagens se repetem: a praça Tahrir está cheia, barracas, pedras, fogo, polícia. O governo, como num movimento “reloaded”, decreta leis que concentram o poder em uma só mão (se não bastasse já ter dissolvido o parlamento). As redes sociais, mais uma vez, se dividem entre “a favor” e “contra” aqueles egípcios que ainda tem um pouco de sangue correndo nas veias e voltaram às ruas.

Mas só para fazer um enorme parênteses, o que eu escrevo aqui neste blog é uma opinião minha, somente minha. Não sou cientista política, não sou revolucionária nem nada. Então não espere uma avaliação histórica cheia de detalhes, o que eu tenho de conhecimento em relação à política do Egito é o que vivi e presenciei lá, é o que vejo meus familiares vivendo. E note-se que a maioria deles nem mesmo compartilha a visão minha e de meu marido sobre o Egito. Estamos de fora, com uma lupa diferente, em um país muito diferente. Analisar de longe e ter uma postura muito mais crítica, é claro, tarefa muito mais tranquila.

Quando houve a revolução, a gente ficou em polvorosa. Claro que criamos aquela utopia, de que tudo pode mudar, tudo pode acontecer. O Egito pode voltar a ser um país onde é possível ter sonhos, fazer carreira e crescer sem tantos altos e baixos. Pode ser um país em que as diferenças serão mais bem aceitas, em que tradições podem ser mantidas, mas que a modernidade de pensamento, práticas e convívio, também poderiam ganhar espaço. E quando falo de modernidade, não estou tocando no ponto religioso não: eu acredito que qualquer pessoa pode ter a crença que quiser, porém isso não pode pressupor a imposição do que se acredita a qualquer outra pessoa.

Pois bem, eis que passa a revolução, vem a eleição. O maior temor do mundo ocidental, que é um governo pendendo para os requisitos religiosos ganhasse, vira realidade. Era óbvio que com uma população emburrecida por anos, vivendo humilhada por políticas públicas ridículas, corrupção em todos os níveis, sem direitos, sem nada, todo mundo pense em Deus com mais força. Não vamos ser hipócritas: a religião ganha força com radicalismo onde há mais pobreza, é só olhar quantas igrejas tem num bairro de periferia de São Paulo, e quantas tem num bairro de classe alta. É uma questão sociológica, não estou entrando no mérito de fé, até porque eu tenho a minha e só cabe a mim saber como lido com ela.

Mas, quando a religião e política se mesclam, e as pessoas passam a pregar dogmas como uma verdade absoluta para todos. E isso, me desculpe, num país tão plural como o Egito, não vai dar nunca certo. Primeiro porque os religiosos, em sua maioria, não tem estudos de administração, física, economia e engenharia suficientes para saber cuidar de um país. Quando a religião passa a ser o principal pressuposto para uma liderança, no mundo das ideias funciona perfeitamente, porém na prática a gente sabe que muita gente incompetente ganha poder. Uma pessoa que quer ser o mestre na religião, no Alcorão por exemplo, dificilmente vai ter a experiência de mercado necessária para ser um bom gestor. E caso haja um ótimo gestor, porém que não queira manifestar publicamente sua fé, ele sempre vai ser preterido, porque o que vale nessa conta, é só o que a pessoa “aparenta” ser, e não o que ela é.

Está confuso, eu sei, porém com minha ainda pouca experiência de vida, eu não encontrei ninguém que seja perfeito em sua fé. E falo isso de todas as religiões. Existe muita hipocrisia, e na religião ela é descarada. Então como impor que sua fé é que deve reger, e não o conhecimento universal, ainda mais em um país com pessoas de diferenças credos e fé? Um país que não tem escolas, não tem saneamento básico, não tem uma administração, seja comandada apenas por quem aparenta ser mais religioso, e não por quem é mais competente?

Pois bem, os egípcios votaram a favor da religião. É óbvio, eles sempre tiveram duas missões: obedecer ao ditador e se tornar mais religioso, pois é a religião que vai te salvar de tudo isso de ruim que você está vendo na sua vida: falta de emprego, moradias precárias,  hospitais sem estrutura. Mas antes que me matem, o Egito também é maravilhoso, tem toda sua história, pontos turísticos, comidas, danças, música, cinema, etc, etc, etc, que são coisas tão boas e que dificilmente você vai ver em outro país. Porém morar no Egito, é muito difícil. E nem vou ficar dando meus motivos, é só ver quantos egípcios querem sair de lá ou precisam de contrato em outros países do golfo pra terem um renda melhor. E existe gente com dinheiro lá, claro, como em todo o país, assim como o Brasil, mas a vida lá é mais difícil.

Então, estava claro que os egípcios não saberiam votar fora desse parâmetro. E claro que a religião seria o ponto mais importante. E tal que ganhou, um político inexperiente, tão corrupto quanto seu antecessor, sem base de conhecimento do que é o mundo e qual o papel do Egito no contexto global, apenas focado na visão quadrada que seu povo tem da vida. Aí, claro, ele vai querer usar da autoridade, como pessoa da fé e detentora dos bons valores morais da religião, para obrigar o país a fazer o que ele quer. E essas medidas atuais dele só mostram o seu caráter hipócrita e duvidoso.

E os egípcios? Há esperança, muitos sabem que a vida não é feita só da religião e que não é a fé que vai salvar o Egito: é um trabalho árduo, com planos claros, verdadeiros, em que as diferenças sociais e de credos são reduzidas. E eles estão lá na Tahrir de novo, mostrando que existem. A maioria população do Egito, que continua agindo como “gado”, fica contra, diz que isso é ruim, que o presidente pode sim fazer o que quiser. É mais fácil ser manobrado do que usar a cabeça. É mais fácil deixar para alguém te levar com uma coleira, do que tomar decisões próprias. Vai doer ainda muito nos egípcios, mas fica aqui meu apoio a essas pessoas guerreiras, que ainda não desistiram de usar a inteligência para buscar um país melhor para todos.

 

 

Religião e política (Por Mostafa)


Em 25 de janeiro, os egípcios saíram nas ruas para pedir a liberdade após quase 50 anos de ditaduras. Logo em seguinte apareceram os grupos religiosos que se tornaram partidos religiosos e hoje em dia são permitidos de praticar politica . Já dominaram o parlamento.

Agora eles estão indo para a presidência e eles querem que Egito torne-se totalmente um país islâmico.
O que você acha sobre integrar a religião com a política?

Gostaria das suas opiniões sobre esse assunto.

Mostafa

Revoluções são sempre perenes…


Mudanças, sejam elas quais forem, são sempre doloridas, sofridas. Nós, humanos, estamos acostumados com nossa rotina, com as coisas que conhecemos, que mesmo não sendo perfeitas, estão ali fáceis, na mão. Toda mudança exige que nos movamos, que saiamos da zona de conforto. É sempre dolorido mudar, às vezes nos adaptamos rápido à ela, às vezes demora muito tempo para deixarmos de nos incomodar pelo que está diferente agora.
Se tudo isso já é válido para coisas simples, como mudar um hábito, imagina quando a mudança se dá no sentido mais amplo da palavra, na revolução. E não, não é só uma revolução interna ou luta psicológica. É algo real, nas ruas, que impacta a sua vida como um todo. É a comida que fica mais cara, o transporte que fica ainda mais precário, os serviços públicos que perdem referência.
Revolucionar um país é abrir mão das coisas básicas, da estabilidade, talvez perder seu emprego. Quem de nós, aqui no Brasil, não pensaria duas vezes antes de ir a um protesto contra a corrupção, derrubar o governo (que sim, merece uma ampla reforma), perdendo um dia de trabalho? É difícil, querer a gente quer a mudança, mas fazer revolução é colocar seu país na berlinda, saber que nada mais será o mesmo, e não ter certeza de que o que virá depois, será realmente melhor, pois a política é feita de jogos que poucos de nós realmente conhecemos. Será que nós, no Brasil, colocaríamos a estabilidade de nossos empregos, o que já conhecemos, mesmo com tanta violência e problemas, no fogo por uma revolução?
Pois é por isso, justamente, que admiro a força dos egípcios. Eles viveram 30 anos em uma ditadura. Foram educados sem pensamento analítico, por isso muitas pessoas não conseguem ver a malícia do mundo, sempre aprenderam que o que a mídia oficial, a televisão, mostra, é a verdade. Não aprenderam a dizer não, não é justo, não está certo. O governo, se aproveitava dessa massificação, e dava pílulas de mentira, em forma de subsídios para o pão, óleo e outras coisas tão simples. Ninguém pensava que isso era esmola, era muito pouco. Pois, como disse, mudar é dolorido.
E os egípcios estão vivendo essa revolução. A carne está com preços abusivos, os turistas sumiram, quem não perdeu emprego, está perto de não ter mais o que fazer, pois a economia quebrou. Eles estão pagando uma conta muito cara. Só quem vive na insegurança, na instabilidade, sabe o quanto isso dói.
E o que tem acontecido na Tahrir é mais uma mostra da força que eles têm. A saída de Mubarak, como sempre acreditei, não era o principal, pois ele só estava no poder por causa dos militares. Esses sim, trataram que pegar o poder, na hora que quiseram, e obviamente iria criar sempre mais problemas para continuarem no governo. Adiar eleições, criar tensão religiosa, é isso que eles querem para manter um Egito desunido e sem forças.
Mas os egípcios não se deixaram levar, e estão nas ruas, lutando e morrendo, em revolução, na dor. Em troca de que, eles ainda não sabem, mas estão no meio de um caminho sem volta. Que Deus conforte as famílias egípcias, que possam manter seu sorriso e calor, mesmo em tempos tão cruéis.
Vejam isto abaixo. A realidade é fria:

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