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Queria um mundo em que meu grande problema fosse o brigadeiro


Ontem foi um dia triste no noticiário. Acordei de manhã com a imagem forte de garotos palestinos que brincavam e foram bombardeados. Os corpos depois lado a lado, enrolados com bandeira verde. Fui almoçar e escuto que um avião caiu. De novo, Malaysia Airlines. Mas não caiu sozinho, foi abatido, um míssel, em vôo de cruzeiro.

Na noite anterior, eu havia postado na página do grupo uma foto do meu jantar e recebi uma crítica velada sobre o que se passava na Palestina enquannto eu comia no aconchego do meu lar. Ontem de manhã, antes de ter ciência de qualquer notícia ruim, eu brinquei com a tal história do chefe Jamie Oliver ter odiado nossos brigadeiros. Mais uma vez, fui chamada de superficial, de não estar preocupada com os problemas do mundo.

Sim, eu estou preocupada, ainda mais tendo uma filha de um ano, eu sinceramente penso no velho clichê: “Mas não estamos no séculos XXI? As coisas não deveriam ter mudado?”

Eu chego a pensar que apesar de termos estudado tanto sobre história, as guerras, as conquistas que não levaram a nada, na verdade os seres humanos ficam apenas andando em círculos, caindo nos mesmos erros, era após era. Eu achava que o extremismo religioso era uma coisa lá da inquisição, mas continuo vendo os mesmos conceitos até hoje, de forma mais violenta no Oriente Médio talvez, mas também ainda muito verbalizada aqui no tal do Ocidente por gente intolerante com as diferenças. Um mundo de preconceito, de ódio, de guerras. Ainda não superamos isso.

E eu? Por que falei de brigadeiros enquanto tudo isso acontece? Porque preciso sobreviver. Quero um mundo com mais debates sobre o gosto bom ou ruim do brigadeiro, em que nossa grande batalha seja num jogo da Copa do Mundo, em que no final todos se abraçam e trocam camisas. Sim, posso ser superficial e leviana, mas é assim que consigo ainda sendo feliz, ainda tendo esperança.

O mundo não pode ser feito apenas de negativismo e depressão, temos que dar espaço para as pequenas alegrias para continuarmos tendo esperança. Afinal, se tudo está perdido, não valeria continuarmos por aqui neste mundo. Mas eu ainda vejo muita beleza, muito encantamento, muita gente boa que cruza meu caminho e me mantém na fé de que minha filha conhecerá um mundo melhor do que eu conheci.

Eu fiz a opção do otimismo, porém isso não me faz esquecer de todo o mal que existe. Tento, mesmo que sem poder algum, provar que ainda podemos ser felizes.

Lamis e um brigadeiro na mão

Lamis e um brigadeiro na mão

 

Terrorismo sem fronteiras


Toda vez que eu vejo algo sobre bomba, ataques a civis inocentes, simplesmente sinto vergonha de fazer parte da raça humana. Eu confesso que, mesmo sendo muçulmana, na hora liguei o que aconteceu hoje na Noruega com extremismo islâmico. Afinal, eles são mestres em fazerem esse tipo de idiotice, que só serve para mistificar ainda mais a religião, que não tem nada a ver com mortes de inocentes.

Pois bem, só que fiquei lendo as notícias e me sentindo muito triste. E aí aparece outra surpresa: um franco atirador, também na Noruega, sai disparando contra todos num acampamento de jovens ligados à política. Foi preso, é norueguês. Caramba, que mundo é esse, gente?

A Noruega é um país exemplo de democracia, lá você é livre pra qualquer coisa, existe igualdade social, teoricamente o mundo é perfeito. Fiquei sabendo que até a declaração de imposto de renda de modo mundo fica exposta na internet, ou seja, cada vizinho sabe o que o outro ganha. Então, o que levaria a esta barbaridade?

Eu não sei, só sei que quando começo a achar que entendo um pouco a humanidade, ela vem e prega uma peça dessa.

Até as últimas notícias, agora de noite, nada foi ligado com terrorismo internacional. Segundo as investigações preliminares da polícia, a questão é de política interna mesmo. Parem o mundo que vou descer, ok?

Eita mundo maniqueísta!


*nota: para quem já recebeu o alerta por email de novo post, saiba que este post teve de ser reescrito porque o wordpress fez o favor de dar problema e apagou o anterior*

Antes de tudo, quero agradecer a todo mundo que debateu no post anterior, acho que vale a pena escutar a opinião de todo mundo e suas teorias. Eu vou aproveitar este post aqui para dar meu ponto de vista. Eu sou uma pessoa muito cética, por isso acredito que o Bin Laden realmente foi morto nesta operação e um dia, vocês vão ver, as fotos vão aparecer. Obama não correria tremendo risco político de inventar algo do tipo, com o risco de Bin Laden aparecer depois para dizer que era tudo armação.

Agora, o que me deixa estarrecida é um militar americano assumir publicamente que eles praticam tortura para obter informações, isso sim eu acho um pouco triste para a administração dele, ainda mais para quem ganhou o nobel da Paz. Não creio que todo fim justifica os meios, e se Bin Laden era o criminoso mais procurado da América, isso não exime a tática usada, pois sempre inocentes são envolvidos.

Mas, o que quero me atentar neste post, é como o mundo rapidamente se torna maniqueísta. Sei que é mais fácil para as pessoas se sentirem confortáveis elegendo mocinhos e bandidos, diabos e anjos.  Porém, como já disse antes neste blog, nenhuma história é feita só de duas faces, mas sim de milhares. Por isso, analisar os EUA como um império cheio de conspirações ou Bin Laden como o diabo na terra, é partir para uma superficialidade que não me agrada. Sim, ler livros de histórias cansa, esmiuçar detalhes é cansativo. Mas colocar Bin Laden e Estados Unidos como lado sempre antagônicos não dá. É preciso analisar como este personagem se encaixou na história americana, seja a favor dos interesses, ou contra. E porque ele se tornou tão poderoso e símbolo de uma era triste, a do terrorismo.

E condeno o maniqueísmo, pois é ele mesmo que criou o terrorismo de Bin Laden. Você não pode julgar um país inteiro apenas por sua política. Ou nós mesmos brasileiros estaríamos muito mal, vide o nosso congresso. Ou os egípcios, coitados, depois de 30 anos de Mubarak você chamaria o país todo de tolo. E assim é com os Estados Unidos. Como potência, eles têm o interesse deles, assim como Irã faz suas maracutaias em nome de poder, Israel se posiciona como vítima eterna no meio dos árabes, a Venezuela com suas maluquices tenta desesperadamente chamar a atenção do mundo, o Brasil fica em cima do muro sempre que o rolo fica grande, a China fortalece sua moeda e diz fod#$%* pra OMC, e por aí vai.

Por isso, utilizo este post para pararmos de sermos preconceituosos com um país ou um povo, baseado em apenas parte do que ele é. E que muitas vezes está longe de representar o todo. Os EUA, apesar da política externa controversa, é um dos lugares que melhor recebem os imigrantes no mundo. E abaixo listo dois exemplos disso:

Ler o blog da egípcia Mona: http://www.monaeltahawy.com/blog/?p=484

Ou ver este filme, Pátria Proibida (God grew tired of us) :  http://www.youtube.com/watch?v=5a2idDckumk&feature=fvsr (este foi um dos melhores filmes que já vi na vida)

Esse post foi feito inspirado no que disse minha colega blogueira Habiba:  http://amulhereoislam.wordpress.com/2011/05/04/culpa-dos-usa/

Sobre o terrorismo no Egito


Eu não falei deste assunto antes. Primeiro porque fiquei chocada demais com o que aconteceu em Alexandria, segundo porque pulei fora desta discussão (já que falar disso aqui certamente atrairia aqueles que adoram qualquer oportunidade para difamar os muçulmanos como um todo).

E hoje, não estou aqui para discutir de novo. Apenas admirar. Admirar a força de um povo, sua coragem de se unir, acima de religião ou qualquer coisa, pois um ato como esse exige somente uma resposta com amor, como os egípcios deram. Nas missas de natal no dia 7 de janeiro (no Egito o Natal não é dia 25), muitos muçulmanos foram as igrejas junto com os cristãos e muitos outros ficaram na porta como barreira humana, caso alguém tentasse fazer outra atrocidade do tipo, que na verdade não tem nada a ver com religião, como os esclarecidos sabem, mas sim uma questão de desestabilização política.

Muçulmana com seu filho, à direita, na missa de Natal

 

Mulher de niqab é poeta em programa de TV


Achei muito legal esta história que saiu na mídia brasileira aqui: http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2010/04/09/poeta-ganha-us-14-milhao-em-reality-show-arabe.jhtm

Ela é uma saudita, muçulmana que usa niqab, aquela roupa petra que a cobre da cabeça aos pés, e participou de um concurso de poesias dos Emirados. Gosto destes exemplos pois as pessoas tendem a achar que não pode ser normal uma mulher ser toda coberta, que ela não pode ter uma vida feliz e com atitude e, quem sabe, até fazer arte como esta mulher.  O nome dela é Hissa Hilal.

E, para chocar mais, ela fez poesias justamente contra os radicais islâmicos!! E não, ela não tá usando essa roupa porque ela quer, mas por opção e por Deus, será que com esse tipo de notícia o mundo vai passar a entender melhor o que é a roupa da mulher muçulmana, que não tem nada a ver com radicalismo?

Em inglês, mais dados interessantes sobre  ela e sua poesia, que fez com que ela ganhasse admiradores em todo mundo islâmico e também algumas ameaças de morte de extremistas:

http://www.huffingtonpost.com/2010/03/22/hissa-hilal-saudi-woman-b_n_508778.html

http://news.yahoo.com/s/ap/20100322/ap_on_re_mi_ea/ml_gulf_poetry_of_protest

A mídia brasileira ainda não se abriu para o Islã


Sei que é difícil dar um passo além. Sair do lugar comum e explorar fatos que vão além do que “achamos” certo e bonito, ou do que o resto do mundo vive falando. Mas peraí? New York tem seus correspodentes fora do eixo Israel-Palestina. A CNN bota a Amanpour dentro de vilas mostrando o outro lado. Porque então, no Brasil, é tão difícil para nossa mídia deixar a mesquinharia de lado, e partir para uma cobertura mais completa da política e sociedades islâmicas?

Se querem debater, botar noticiazinha, que façam então direito, ou deixem de se meter onde lhes falta conhecimento. Sim, este post é um desabafo, cansei de ouvir e ler asneira, sem um contraponto. Dos blogs do Estadão, o do Chacra ainda namora o outro lado e por ser de origem árabe (porém cristã), explora um pouco mais a vida também dos muçulmanos, mas sempre em cima do muro. Mas o resto, claramente e assumidos judeus, não se cansam de continuar com a política pró-Israel, incluindo chacotas e ironias contra o mundo islâmico, a exemplo de um tal de Guterman.

Na Folha, apesar de adorar o trabalho de Malbergier como jornalista econômico, já vi artigos dele que deliberadamente jogam como Israel sendo o salvador da região, e o resto…. bom, o resto é resto, na visão sionista, deve ir direto para lata do lixo.

E não, eu não defendo homens bombas nem a política de Hamaz, Hezbollah e Taleban. Acho tudo uma babaquice sem fim, seja como muçulmana ou ser humano. Minha pergunta é? Porque a mídia brasileira trata um tema tão importante somente por um lado da moeda? Porque não existem, então, muçulmanos assumidos fazendo reportagens e ganhando espaço na mídia também para mostrar o outro lado, se judeus assim podem? Sei que existe um domínio de famílias judaicas na mídia brasileira, mas até mesmo nos EUA, onde eles têm muito mais poder, existe mais cuidado nesse tipo de noticiário e cobertura.

E brasileiro, infelizmente, não gosta de pesquisar muito. Por isso recebo todos os dias comentários babacas, retardados e ignorantes aqui no meu blog, porque quem DEVERIA informar, não informa. E eles sugam das fontes nacionais apenas, ficando com a opção da ignorância.

Então, já que estou numa encruzilhada, continuo aqui com meu bloguinho tentando acabar com alguns preconceitos, desmistificando um pouco do mundo muçulmano pra vcs. E já recebi vários e-mail de agradecimento, de gente que disse que parou de ter MEDO do Islã depois que passou por aqui. Isso é minha grande recompensa.

Intolerância pra quê?


Estou começando a ficar cansada desses ataques… o que eu escrevo é para desmistificar as coisas, explicar, dividir conhecimento. E cada vez mais me aparece gente com sede de aniquilação, como se a religião de alguém fosse motivo suficiente pra querer matar ou odiar.

Sei lá, lendo este tipo de coisa, só posso pensar que nós humanos não conseguimos evoluir em nada nessas centenas de anos que existimos e me dá certa angústia ao perceber que o final da ignorância está longe de acabar. Estamos fadados  a nos extinguir sem nos darmos bem?

Só posso terminar esse domingo com uma frase melancólica que meu colega twitteiro @claudimartins me enviou outro dia:

Não há religião que vença a burrice!

Devemos defender uma causa de que forma? (Islã x política)


Por mais que a gente tente separar religião de política, quando se trata de muçulmanos tudo ganha outra cara. Já cansei de espernear quando mostram alguma notícia de um muçulmano cometendo um crime e colocam quase que sublinhado o fato de que ele seguia a religião. Como sabemos, não fazem isso com outras religiões, tipo se o cara é cristão e mata 10, que se dane. Se era muçulmano, é terrorista e mata por Allah e, por consequência, todos os muçulmanos do mundo devem ver isso como normal. Certo? Às vezes. (Pensou que eu ia falar que tava errado, né? :-d )

Vou explicar melhor. Eu sempre fico defendendo em mil fóruns os muçulmanos, quando fazem piadas chamando a gente de terroristas, extremistas, etc. Ou sempre usam aqueles exemplos de mulher de burca, homem que  bate em mulher, que a gente não bebe nada alcóolico e, por essas e outras, não faz nada de interessante na vida. Eu vou lá e bato na tecla que muçulmano não é Talebã, que eles não são exemplos perfeito de sharia e nenhuma nação do mundo pratica uma verdadeira ideologia islâmica. Fico lá me exaltando, explicando mil coisas, como as mulheres são sim valorizadas no Alcorão, como eu muçulmana me sinto mil vezes mais confortável e feliz sendo muçulmana do que antes.

Todo mundo que segue uma fé sonha, mesmo que escondido, que mais pessoas tenham a mesma visão de mundo e compartilhem as mesmas idéias. Um cristão quer mais cristãos, um espírita quer que mais gente acredite em Kardek e um muçulmano, por sua vez, acredita de coração que o Islã é o caminho da verdade e espera que mais pessoas se convertam e compartilhem sua fé. Até aí, isso é natural do ser humano, desde que não haja imposição ou algo à força, é um desejo. Mas isso não nos dá o direito de julgar ou maltratar quem segue outra crença. Ou de falar como se os outros fossem ignorantes e achar que sua missão é trazer alguém pra sua religião (hello cristãos que vivem vindo aqui me avisando que Jesus vai me mandar pro inferno pq o reneguei).

Acho que a expansão de cada credo parte da sua real fé e prática daquilo, não de algo que precisa ser gritado por aí. Eu creio no Islã e na sua moral, por isso acredito que qualquer pessoa que realmente conheça a religião e veja bons exemplos na nossa comunidade, vai se encantar por ela também. Assim deve pensar um católico, por exemplo. Como eu disse, cada um enxerga do seu ângulo o que é o certo.

Pois bem, voltando ao assunto original deste post, os muçulmanos, na minha opinião, são um dos povos mais perseguidos da atualidade. Sim, não estamos em campos de concentração, mas reflita bem sobre as notícias que você lê, os artigos, as guerras travadas nos últimos anos e a forma como são explorados do ponto de vista cultural. São sempre tratados como ignorantes, como se as mulheres não tivessem desejos ou vontade de se educar, como se colocar um véu fosse atestado de burrice. Nunca vi alguém falando daquele chapéu que os judeus usam aqui em higienópolis, ou mesmo das saias longas e blusas comportadas de suas esposas. Quando se trata de muçulmanos, muito do noticiário tende para uma acusação de atraso e falta de visão de mundo.

Não importa se você nasceu no Afeganistão, no Egito ou é convertida como eu. São todos farinha do mesmo saco, aceitam as mesmas coisas “horrendas” de morte por Allah e abusos contra crianças e inocentes (disseminados por best sellers do Khaled Khosseini e literatura barata como Sultana). Existe uma ignorância acerca dos conceitos tremenda e um preconceito latente em tudo relacionado a nós. Se um judeu não como porco, ai que lindo segue a tradição. Se um muçulmano não come, que costume idiota, como são bobos né? Fazem mil reportagens sobre o Natal, histórias de personagens desta época e consumo. Já vi muitas matérias na Globo sobre os feriados judaicos, onde visitam famílias aqui e mostram seus costumes. Não vi nada parecido sobre o ramadã islâmico, apesar de nossa comunidade ser mais ou menos do tamanho da judaica. Se alguém viu me corrija, por favor.

Tudo bem que o Brasil não é um país islâmico, mas vocês viram ou não viram várias fotos em grandes sites essa semana sobre o Hajj? A legenda deveria ser um monte de interrogação. Porque mostram a foto, mas não fazem idéia de nada do que representa isso e sempre usam algum outro pretexto para citar o ocorrido (o atual é a gripe suína). O Hajj só está no jornal brasileiro porque as pessoas daqui estão com medo desse bilhão de pessoas e do que eles fazem. Mas não há nada explicando, se aprofundando.

Aí agora, quando vêm o presidente do Irã, novamente começam com aquela corda toda de que ele nega o holocausto, que o regime ISLÂMICOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO (preciso frisar mais?) do país dele é totalitarista, tira a liberdade e tudo mais que vocês já ouviram. E o que os muçulmanos brasileiros fazem? Apóiam o Irã. Sim, acham que ele pode defender Palestina, que por ser um lugar onde toda mulher usa hijab é melhor do que o resto do ocidente. Que se dane que seja uma ditadura, que pessoas morram, que a sharia seja mal aplicada. Mas se é muçulmano, defendem como se fosse certo e se ofendem quando falam mal. Não vou ser hipócrita, acho ridículo os protestos de judeus contra a vinda dele aqui e a repecurssão dada a isso na mídia, fora as análises políticas erradas sobre o fato. O cara nega que exista gay no país dele, enquanto basta uma procurada no Youtube que vcs vão achar vários documentários sobre travestis lá ( O Irã dá/obriga operações de mudança de sexo gratuita para os gays. Ou seja, cortam os órgãos e mudam os documentos dessas pessoas, então deixam de ser homens e viram mulheres no papel). Se ele nega o holocausto, é mais uma furada de um ditador que não sabe fazer discurso. Claro e simples.

Mas tão ridículo quanto as polêmcias de Ahmedinejad, foi a atuação de nossa mídia na guerra de Israel no começo desse ano. Ninguém ficou bravinho quando Israel jogou bomba de fósforo nos palestinos e ninguém falou nada aqui. Afinal, muçulmano e pobre ainda por cima, tem que morrer mesmo, devem pensar.

Mas falhamos ao acreditar que defender um cara desses, só porque  é muçulmano, é válido devido aos revezes que vivemos tendo no campo político e cultural. Muçulmanos que defendem o Hamas, o Hezbollah e coisas do tipo, ou pior, que acham que a mídia só distorce o Talebã e que, na verdade, eles são uns anjos que salvaram o Afeganistão. Eu acho que uma pessoa com o mínimo de conhecimento entente que o Afeganistão foi anexado pela URSS e foi sim o Talebã – patrocinado pelo tio Sam – que conseguiu libertar o país novamente, com uma ideologia baseada em bons princípios religiosos mas que se perderem no meio do dinheiro e disputas políticas. Assim como no Irã, a revolução islâmica foi instaurada como busca pela liberdade e encontro com o verdadeiro Deus, após uma ditadura. Mas como diz o ditado, o inferno está cheio de boas intenções. Os humanos, sejam eles muçulmanos ou de qualquer povo, não são perfeitos e abusam do poder, manipulam e falam em nome de Deus para encher os bolsos.

Nós como muçulmanos fora deste eixo, não entendemos exatamente as necessidades de cada povo e os porquês da aceitação por certos ditadores. Mas não podemos nos calar e simplesmente apoiar certos regimes somente porque eles seguem a mesma religião. E enquanto não mudarmos nossa postura religiosa e de comunicação, mais preconceitos iremos enfrentar a cada dia.  Não é porque alguém é palestino que ele tem o direito de atirar uma bomba numa escola judaica. Eu, como muçulmana, sou incapaz de defender tal ato baseada no Alcorão. Quem o faz, sinto muito, mas está sendo tão distorsivo como um inquisidor da Idade Média.

Precisamos limpar nossos conceitos e nossos argumentos. Já está claro que defender nossos direitos baseados na intolerância de outros não dá certo. Existem mesquitas sendo construídas em diversos países do ocidente, aqui no Brasil mesmo. Mas sabemos o que aconteceria se um cristão decidisse abrir um templo num país islâmico. O que nos dá o direito de matarmos um missionário lá, mas depois gritarmos porque fomos humilhados por aqui? Como podemos nos achar no direito de usar o véu, de termos nossas mesquitas, se ao recebermos um estrangeiro, o tratamos como inferior ou algo a ser aniquilado de nossa vista? O mundo está mais globalizado do que nunca, e se não soubermos lidar com esse fato, nossa voz como povo e seguidores de uma fé, será cada vez mais fraca.

ninguém sabia…


é mesmo??? ninguém desconfiava…. pensei que tinha sido por acaso que tantas mulheres e criancinhas apareciam mortas nas fotos dos jornais:

Soldados israelenses afirmam que Exército matou inocentes em Gaza

Mais de um terço dos mortos na ofensiva teriam sido crianças

Soldados de Israel que participaram da recente ofensiva à Faixa de Gaza admitiram que houve casos em que militares mataram civis inocentes, danificaram propositalmente propriedades de palestinos e receberam de seus superiores ordens “permissivas” de abrir fogo, de acordo com artigo publicado nesta quinta-feira pelo jornal israelense Haaretz.

***

Para ler tudo, clique aqui.

Papo de padaria


Mostafa sai de casa quase todo dia correndo e nunca tem tempo para almoçar. Quando pode, dá uma paradinha na padaria do lado de casa – já abrasileirado neste ponto – para comer um pão na chapa e tomar um café. Eis que semana passada, quando ele estava saboreando esta delícia do Brasil, um sujeito chega e senta ao lado dele:

– Me vê um gim, uma fanta, gelo e limão aí, meu irmão! – pede para o atendente, enquanto Mostafa observa.

O garçom chega com todos os “aparatos” e o cara dá um sorriso de satisfação e olha para os lados para puxar um papo, e eis que encontra Mostafa:

– Viu amigo, tem que ser muito homem para beber isso, vamos beber comigo?
– Não, obrigada.
– Que é isso amigo, você não é homem não, quero ver você conseguir beber isso vai.
– Mas beber álcool com gelo, limão e fanta é muito fácil, você não sente gosto de nada! Quero ver você beber sem nada então! – Tem horas que Mostafa não tem muita noção do perigo, e ainda provoca.
– Oh amigo, também não é assim não, ninguém bebe isso puro, tá louco? Então vamos beber aí, ou você é fraco? – Respondeu nervoso.
– Não, obrigada, eu não bebo!
– Como assim?
– Porque eu sou muçulmano!

Neste momento, o cara contorse o rosto, esbugalha os olhos… O atendente abaixa a cabeça e sai de perto. Agora eles devem ter entendido o porquê daquele sotaque diferente de Mostafa.

– Millllll desculpas amigo, eu não sabia, por favor me perdoa! Eu juro que não sabia! – falava com voz chorosa, como um filho em frente à mãe depois de fazer arte. E o cara ficou ali, mais de cinco minutos pedindo perdão, que não foi intencional, etc.
– Me desculpa mesmoooo cara! – Implorava.

Mostafa voltou para a casa rindo, sem entender porque algumas pessoas ficam com tanto medo quando ele diz que é muçulmano… Será que realmente algumas pessoas acham que toda pessoa que segue a religião tem tipo bomba em casa, está pronto para matar qualquer ‘infiel’?

Agora, quando ele volta para a padaria, os atendentes são mais prestativos do que nunca, sorriem e agradecem. Devem pensar que é bom não mexer com o muçulmano, vai que ele explode os pãezinhos!

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