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Novas regras: visto de turista para o Egito


NOTIFICAÇÃO IMPORTANTE

– – VISTO PARA O EGITO – –

 

Fica decretado que a partir de 15/Maio/2015 não será mais permitido/possível solicitar vistos nos aeroportos/ portos/ rodoviárias (qualquer meio de entrada)  do Egito no momento da chegada.

Os vistos agora devem ser solicitados com antecedência nas Embaixadas ou Consulados no país que está residindo/presente no momento, antes da viagem / chegada ao Egito.

 

No momento da chegada somente serão permitidos em caráter de emergência um “visto” ( tipo permissão de entrada temporária para grupo específico )  para companhias de turismo que estejam levando grupos (Informações e condições a serem detalhadas por e-mail, por favor nos contatar antes de viajar) .

 

Para maiores informações para companhias de turismo assim como outras solicitações por favor entre em contato através do e-mail: consuladodoegito@yahoo.com ou embassy.egypt.brasilia@gmail.com

 

Este é um decreto do Ministério da Relações Exteriores do Egito através do

Governo da República Árabe do Egito para medidas de segurança.

 

Atenciosamente,

Consulado Geral da República Árabe do Egito no Rio de Janeiro – Brasil.

 

 

 

 

Rio de Janeiro, March 12, 2015.

 

 

IMPORTANT NOTIFICATION

– – VISA TO EGYPT – –

 

It is decreed that from 15 / May / 2015 will be no longer allowed / possible apply for visas at airports / ports / road (any mode of entry) of Egypt upon arrival.

 

Visas should now be ordered in advance in Embassies or Consulates in the country where you are residing / present at the time, before the trip / arrival to Egypt.

 

Upon arrival will be only allowed one emergency permission as ‘temporary visa’ (kind permission for temporary entry to a specific group) for tourism companies that are leading groups (information and conditions to be detailed by email, please contact us before travel).

 

For more information for tourism companies as well as other requests please contact us via e-mail:

consuladodoegito@yahoo.com or embassy.egypt.brasilia@gmail.com

 

This is a decree of the Ministry of Foreign Affairs of Egypt through the Government of the Arab Republic of Egypt for security measures.

 

Best Regards,

Consulate General of the Arab Republic of Egypt in Rio de Janeiro – Brazil.

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Um novo ponto turístico no Egito – Tahrir square – e o Egito é sujo?


Eu acho que o Cairo ganhou um novo ponto histórico a ser visitado por todos: Tahrir square. Se vocês olharem agora a Al Jazeera, vão se arrepiar. Estão esperando 1 milhão de pessoas, que mesmo sem transporte, estão se juntando lá.

Mas olhar aquele quarteirão, as vozes gritando, as bandeiras do Egito tremulando é algo único.  Com certeza, um dos primeiros lugares que irei pisar no dia que voltar ao Cairo.

Para mim os  egípcios não são um exemplo só para o país deles, mas para o mundo todo. As pessoas estão realmente tocadas pela força deles. E já sabemos que é um caminho sem volta.

***

O Egito é sujo?

Eu lembro que sempre ficava nervosa quando alguém vinha do Egito e me falava “nossa, como o país é sujo, as coisas são sujas”. O vídeo abaixo explica um pouco disso. O que sentia nas pessoas que apenas faziam a crítica, é que elas não tinham aberto seus corações para entender um pouco a vida difícil e sofrida que os egípcios tinham. Todos os egípcios amam seu país, querem que ele seja melhor, porém décadas de repressão havia tirado qualquer senso de cidadania deles, o descaso do poder público era latente, mas claro, era mais fácil simplesmente dizer “o Egito é sujo”. Para estas pessoas, acredito que o vídeo abaixo é uma grande resposta de amor.

A new spirit of national pride

Pagando micos no Egito


Estava com minhã irmã e minha mãe hoje e elas reclamaram do meu post de ontem, que só pego no pé do Musta e não conto meus podres ou meus micos no blog. Lógico que não, sou dona dele e escolho o que quero falar 😛 ehehe

Mas brincadeiras a parte, eu realmente não lembro muito bem se paguei muitos micos no Egito. Eu era tão quietinha (auréola de anjo em mim agora 🙄 ).

Consigo lembrar de alguns miquinhos com trocas de palavras, que são meio impublicáveis, pois lógico que a gente sempre confunde as coisas com as piores palavras, no lugar onde não deveríamos.

Acho que o maior mico mesmo e praticamente filho único, foi quando cheguei no Egito. Não lembro se já contei isso antes aqui, porque é meio vergonhoso mesmo ahaha

Naquela emoção, eu e Musta pela primeira vez, ele nervoso para caramba, tinha medo até de pegar na minha mão na frente do comboio que me buscou no aeroporto (é que foram algumas muitas pessoas com ele no aeroporto ehehe).

Lembro que estava muito cansada depois de voar até Amsterdan, fazer 11 horas de escala e depois voar mais 5 horas pro Egito. No caminho para Alexandria, eu estava bem zuretinha mesmo. Foi aí que o grande mico aconteceu. Paramos num café na estrada, para descansar um pouco e tomar algo bem quente. Era janeiro e o ar estava congelante. Foi só nesta hora que lembrei de ir no banheiro – estava desde Amsterdan sem ir.

Fui toda alegre para o banheiro do café, que era limpo. Depois de usar, olhei para um lado. Nada. Pro outro, nada. Caramba, cadê o papel higiênico desse lugar. Lembrei que já tinham falado que no Egito quase nenhum lugar tinha papel, e a espertona aqui tinha deixado a bolsa na pia. Olhei dentro do vaso, tinha o “monstrinho”. Eu já tinha lido também que no Egito era comum se limpar só com água, com um caninho nojento (vulgo “monstrinho”) que sai de dentro da privada e solta esguichos.

Pensei. Bom, estou aqui, sem papel, vou aprender na marra. Mas antes deixa eu ver como esse troço funciona. No meio da noite, no deserto, lugar ideal para ter ideias bizarras e curiosas, sra. Marina. tisc tisc

Abaixei e fui querer olhar de perto como era o esquema, e abri a torneira com tudo, sem me ligar no acontecimento.

Resultado: água na minha cara toda, no lenço, na blusa, etc. E água da privada, não era qualquer água.

Bom, óbvio que não falei pro Mostafa que eu fiquei toda molhada de água da privada. Falei que a torneira tava doida e abriu muito quando fui lavar a mão. ahahaha Passei um frio do cão até chegar em Alexandria, minha blusa realmente estava encharcada e coloquei o casaco por cima pra disfarçar, mas por baixo estava gelada.

Hoje ele sabe disso, e até agora não se conforma que eu não falei pra ele, pois poderia ter trocado de roupa. Mas que nojo, né??? Uma noiva com água de privada na cara? Não ia rolar 🙂

Pronto, contei meu mico mais nojento. Alguém tem um pior?

Para ficar com vontade de ir para o Egito


Essa é a propaganda oficial do ministério do Egito sobre o turismo no país. É muito bem feito, você fica com vontade de fazer as malas agora mesmo, fora que mostra diversos tipos de atração, seja para quem gosta de lugares históricos, cultura, praia ou só sossego. Claro, se você tem muita grana, pode ir em algum dos hotéis chiquérrimos que mostram.

O vídeo tem uma maquiagenzinha, óbvio, estilo Rio de Janeiro na apresentação das Olimpíadas, lembram, onde até favelas pareciam locais maravilhosos ehehe (por exemplo as três meninas de vestidinhos correndo e rindo na praia de Alexandria definitivamente não rola na vida real ahahaha) Mas acho que é válido, o Egito tem mesmo lugares fantásticos e na minha opinião, para turismo, não existe país no mundo que reúna tanta coisa linda para se fazer. Isso que nem mostraram o outro lado do país, com Siwa e Matrouh, que são menos desenvolvidas para o turismo estrangeiro.
Espero que gostem e viagem com essas imagens… (O vídeo está separado em três partes, não consegui achar uma versão inteira junta no youtube)

Os árabes nas negociações


Todo mundo sabe que os árabes tem fama de bons comerciantes. Eles sabem barganhar, pechinchar, ao contrário de São Paulo, onde as lojas botam preço em tudo e você lida com um funcionário, não o dono da loja, no Egito geralmente a negociação de algo é direto com o dono do estabelecimento. Isto permite que a compra de um produto seja uma grande aventura, já que paga menos quem sabe chorar mais.

No Egito, se você é gringo, já começa de um preço bem mais alto. E bota alto nisso. Como estava sempre com o Mostafito a tira colo e eu sempre me vestia como as egípcias, entrava de cabeça baixa e só apontava o que queria, e era ele quem falava. Com isso comprei uma shisha (aqueles narguile) pequena de vidro por apenas 10Le, o equivalente a uns R$ 3,50, enquanto vi turistas pagando 40 dólares pela mesma!!! Quando eu estava sozinha, tentava falar o menos possível com meu escasso árabe, para tentar me passar por nativa. Algumas vezes deu certo, quando só perguntei o preço e já achei barato. Agora na hora de falar “quero meio quilo” e detalhes, os caras sacavam. Mas pelo fato de ser muçulmana e usar véu – e de estar em Alexandria, que é uma cidade muito mais dócil que Cairo – nunca levaram vantagem pra cima de mim. Ás vezes até doces ou algo da loja me davam, por tão satisfeitos de verem uma brasileira de hijab por lá. Eu sempre dizia que era casada com egípcio, não sei se isso influenciava, mas nunca me senti lesada no Egito nas compras. Já falei com outros estrangeiros e brasileiras que moram no Cairo e nunca tiveram uma boa experiência nas compras, elas dizem que sempre são enganadas ou tentam vender mais caro para elas. Graças a Deus que não passei por isso!!!

Bom, mas voltando ao estilo árabe de negociar, eu achava que isso nunca seria útil para nossa vida aqui pros lados da América, já que pelo menos em São Paulo isso não é comum. Mas na nossa viagem para o México, felizmente encontramos um pedaço meio egípcio!! Olha a foto do mercado de artesanato, se tivesse umas shishas e umas especiarias, você bem que poderia dizer que estava no Marrocos ou Khan el Khalili!!! E eis que negociar faz parte do negócio.

E Mostafito (já falei que esse é o novo nome dele, ganhado no México) entrou em ação. Eu fico toda sem graça pra barganhar, não sei, o cara fala um preço e eu ou aceito ou procuro em outro lugar. Mas Mostafito ressucitou o espírito egípcio adormecido e nos garantiu boas risadas:

– Quero essa blusa, quanto custa? – pergunto no portuñol.

– 35 dolares, señora. – respondo o tiozinho.

Mostafito olha super sério, com cara de bravo e fala:

– Eu vou levar por 15 dólares, tá bom? Pode por na sacola. – fala com a maior cara de bravo.

– No, señorrrrrr, no posso, 15 dolares muy pocooooo!! 35 dolares!!! – não sei escrever espanhol, mas era mais ou menos isso que o cara respondia.

– Que é isso, comprei ali do lado por 10 dolares, você me vende por 15 e pronto. Cadê a sacola, pode botar! – continua e eu me escondendo de timidez eheheh

– No no no… – e a conversa fica nisso uns 2 minutos, até que Mostafito fala.

– Vamos fechar agora, 15 doláres e não se fala mais nisso. – termina.

– Cierto señor, gracias por tu compra!! – responde e aceita na boa sorrindo!!

E assim Mostafito nos fez economizar muitoooooooo. Eu estraguei algumas negociações, sou burra e às vezes falava “nãooo, mas a gente pagou mais na outra loja”, esquecia da tática e ele ficava p da vida comigo eheheh.

Bom, por esse estilo de negociação e as pirâmides lindas maias que vi, acho que esses mexicanos só podem ser primos dos egípcios… ehehehe

Parece um souk, não? Isla Mujeres

Madrecita e Mostafito nas ruínas Maias de Tulum

O clima no Egito


Sabe quando a gente estava na escola, e a professora ensinava a gente que o clima no deserto é assim: de dia fica muitoooo quente, de noite esfria muitoooo. Então, pelo menos nos desertos que eu fui isso não existe não. Se é verão, fica quente e quente dia e noite. Se é inverno, frio de dia e mais frio ainda de noite.

Além disso, uma coisa que muita gente se surpreende é quando eu digo que no Egito faz frio. Nas cidades ao norte, como Cairo e Alexandria faz sim, claro. Já no sul, como Luxor e Asswan, no inverno fica ameno, ou seja, é a melhor época de se conhecer estes lugares. Já me falaram que conhecer os templos no verão é infernal, temperaturas altíssimas e muito sol, somente turistas desavisados vão para o sul nesta época, pois é muito complicado.

Quando eu cheguei no Egito, em janeiro, estava bem frio. De noite, paramos na estrada do deserto para tomar um chá, eu tremia de frio e saía aquela fumaça da boca só de falar. Já no verão, passava muito calor de noite, parecia que vinha um bafão não sei de onde, era bem complicado ficar sem pelo menos um ventilador do lado.

Mas no Egito vi de tudo: de enchente a tempestade de areia.  O clima no Egito é bem definido nas estações do ano e chove apenas no inverno. Em Alexandria chove muito, de tar tempestades com rajadas de ventos terríveis. Um dia achei que tinha um furacão por lá, pois nosso apartamento fica bem próxima ao mar e vinha tanta água que até arrastamos a mesa para segurar a janela da sacada. Chovia muito em Alexandria, e uma vez pegamos uma enchente fenomenal na cidade voltando do Cairo, ficamos ilhados de um lado da cidade e levamos umas 6 horas pra chegar em casa. Não sei se isso é comum, mas aconteceu quando eu estava lá.

Já no verão, é céu limpo todo dia, você mal vê as nuvens. Achava estranho como o tempo era tão certinho, enquanto em SP temos as quatro estações no mesmo dia.

Eu como estrangeira feliz, só ficava esperando a a tal tempestade de areia, que segundo me contaram vinha sempre uma vez por ano. E demorou para vir, geralmente é em março acho, não lembro exatamente. Mas só sei que veio depois e foi bem o que eu esperava: um vento bem quente batendo no rosto, e as ruas todas amarelas. O céu amarelo, poeira entrando no nariz e pessoas correndo para não ficarem muito tempo na rua. Eu adorei, cheguei no trabalho toda esbaforida, achando o máximo, enquanto os alunos só reclamavam daquilo. Mas só durou um dia, eu achei que seria mais e nem tirei foto 😦

Já no Brasil, meu marido fica louco com o tempo. Acho molhado no verão e não entende como faz 15 graude de manhã e , na hora do almoço, já está 30. Leva casaco ou não? Geralmente leva, e passa calor… ehehehe

Não sentimos frio até este ano, quando o inverno parece que deu as caras por aqui. As temperaturas estão mais amenas, alguns dias ficou bem friozinho e deu aquele gostinho de Alex no inverno, com muito shay be leban e sahleb (coisinhas egípcias que temos estoque em casa).

Bom, não sei porque estou falando disso tudo, acho que é porque, em muitos anos, estou sentindo um climinha de inverno em SP.

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O Mediterrâneo nublado

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Ruas molhadas de chuva

Egito cheio de exageros


Tem uma coisa do Egito que acabei lembrando estes dias por conta desta tal gripe suína. Os egípcios, muitas vezes, são extremamente exagerados e dramáticas em certos pontos. Claro que nem todos são assim, meu marido graças a Deus não sofre de histeria coletiva, mas era uma coisa que me deixava meio doida no Egito.

Agora, para mim, o governo do Egito está pagando um mico gigantesco. Vocês já devem ter visto a notícia de que o governo exigiu que todos os porcos do país sejam mortos. Será que ninguém falou para eles que a doença é passada de humanos para humanos? Sem contar que, sendo um país muçulmano, quase ninguém come porco lá. Achei uma decisão muito ridícula.

Agora, minha sogra diz que cancelaram todas as viagens de peregrinação para Makkah, na Arábia Saudita, por conta disso… e o que tem a ver isso com a gripe suína?? Tá bom que Makkah é sempre cheio, mas Cairo e Alexandria também são lotadas, as ruas de comércio são apinhadas de gente dia e noite. Então feche a fronteira do país de uma vez, quero ver ficarem sem os turistas…. ehehehe sei lá, parece que alguém anda bebendo naquele governo.

Claro que todo cuidado é necessário num caso de uma doença como essa, que parecia ter um potencial tão devastador. No fim também não entendo muito de saúde, não entendi tamanho escândalo sendo que só 20 e poucas pessoas morreram e menos de mil estão contaminadas. Isso não é nada em relação ao tanto de pessoas que existe no mundo.

Mas os egípcios em termo de pânico são craques, e os porquinhos que paguem o preço eheheheh

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Protestos no Egito contra a morte dos porcos

Outra brasileira no Egito


Hoje tem post legal: vou contar a história da Teresa, que é casada com um egípcio também e vive em Alexandria. Eu pedi para ela falar um pouco da história dela e contar sobre um lugar diferente do Egito, fora um pouco da rota dos turistas que vão ao país. Eu não editei o texto dela, por isso como vocês vão perceber o texto está sem acentos pois no Egito os teclados não possuem esta função.

Divirtam-se!

***

Moro em Alexandria, Egito ha um ano. Vim para cá apos 2 anos e dois meses de namoro pela internet. Meus filhos já não precisam mais de mim e resolvi mais uma vez tentar ser feliz. Me casei assim que cheguei, apesar do meu marido ser bem mais novo que eu, mas acho que idade nao eh obstaculo para a felicidade. Como ele eh distribuidor de produtos para farmacias, viaja muito pelas cidades proximas daqui e eu aproveito para ir em lugares inusitados e conhecer muitas cidades que nao sao turisticas.

Hoje eu irei falar sobre uma que eh muito especial, Siwa, um oasis a 600 km de distancia de Alexandria. Nesta cidade nos fomos a passeio, pois alem de interessante e mistica, tem muitas historias fascinantes. Fica a Oeste do Egito, na fronteira com a Libia.

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Roupas beduínas

Neste oasis maravilhoso moram os beduinos, que acharam este lugar ha muito tempo atras e nao precisaram mais sair de lah, pois havia tudo que precisavam: água, mais de 28 mil pes de oliveiras e 5 tipos de tamaras a se perder de vista Dizem que Alexandre, o grande, ia para lah falar com Zeus Amon, onde tem um templo semi destruido. Proximo ao templo, dizem que Alexandre o grande esta enterrado lah.

A cidade possui um restaurante chamado Abdo, que tudo que eles servem eh delicioso. Ficamos em um Hotel, feito de sal, que eh lindo demais, diferente de tudo que havia visto ate entao. Chama se Heritage, e eh muito confortavel. Quando chegamos e vi a cidade de Shali, a noite, senti algo diferente, inexplicavel. Ai um taxi, carroca, pois tudo lah eh deste jeito, sem tecnologia, nos levou ate a porta do hotel.

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Vista da cidade

Na manha seguinte, apos o cafe, fizemos um safari de jeep pelo deserto Passamos o dia entre dunas, e entre varios oasis que havia no trajeto. Paramos em um oasis, com agua quente e todos que estavam com a gente, alias, gente do mundo todo, tiramos o sapato e ficamos horas com o pe na agua quentinha, que dava uma sensacao de relaxamento por todo corpo ficamos vendo o por do sol, que nunca imaginei fosse tao lindo no desrto, e tomamos um cha da Libia feito pelo nosso guia Beduino.

Ficamos apenas 4 dias, em que cada dia tinha muita coisa pra se ver, como uma piscina chamada cleopatra, mas so tem o nome , Cleopatra nunca esteve lah. Como fomos em dezembro, o frio estava delicioso, mas tem uma areia em siwa, mas somente no verao funciona, voce coloca seu corpo e fica apenas com a cabeca de fora, e dura reumatismos e dizem que eh melhor que viagra para os homens. Tem o cemiterio, onde tem as tumbas mais antigas que se tem noticia, o Oraculo de Amon, as arvores de oliveiras e tamaras que parecem um mar, sem fim. Eu gostaria muito de um dia voltar em Siwa, pois foi o lugar mais incrivel que estive aqui no Egito.

taxi

táxi de Siwa

O povo beduino que vive em Siwa, fala uma lingua diferente , chamada barberie ou amazeighy, é a mesma ligua que os beduinos da Algeria, Marrocos, Tunisia e Libia . Os arabes nao entendem este idioma. Sao um povo adoravel, quem vai a Siwa se encanta com tanta pureza, pois como eles nao sao nomades, nunca sairam de lah, entao a tecnologia ainda nao chegou , e nem carro voce ve lah. Ou eles tem carroca puxada por burros ou bicicletas.

Lah eh diferente de outras cidades turisticas, pois eles nao aceitam gorgetas, pelo contrario, se sentem ofendidos se voce dar algo para eles, que nao seja comprado, ou que eles se esforcaram para obter. Eu entrei em uma loja, para voces terem uma ideia, vi tudo que havia na loja, o beduino me deu roupas de casamento , tirei fotos, nao comprei nada, ele ofereceu cha da Libia, e ainda me deu de presente um porta moedas feito com bordados pelas beduinas. As criancas beduinas sao um capitulo a parte, elas te veem, ficam encantadas e abanam para voce, correm atras da carroca, ficam doidinhas de alegria. Eu nao sei se foi a alma deste povo, ou a cidade de ruinas de Sahi, o que mais me deixou contente nesta cidade.

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A piscina de Cleopatra

Sao um povo tao honesto, tao especial. Um dia eu me deparei com um beduino que todo dia me via espiando as casas, com muita curiosidade, e ele me falou, porque voce nao compra uma casa e vem morar aqui, pois acho que voce gostou daqui!!! Tudo com naturalidade, e as mulheres beduinas, voce quase nao ve nas ruas, e nas lojas tambem ,pois elas so ficam dentro de casa, bordando e cuidando da casa. Shali eh a antiga cidade, que esta em ruinas, e eles constriram outra fora de Shali.

O hotel Heritage aproveitou a arquitetura das ruinas e o sal que existe no lago de Siwa e fez o hotel, em uma parte das ruinas, totalmente exotico e lindo. Shali tem mais de 300 anos, mas voce ainda pode ver muitas casas, como eles viviam, e ate o nome das pessoas que habitaram as casas tem .

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O quarto do hotel de sal

As mulheres se vestem todas cobertas, mas nao de preto, eh um tipo de xadrez, e bordam muito as suas roupas. O casamento leva 7 dias, e elas usam 3 tipos de vestimentas . As pratas que eles fazem, e usam sao absurdamente lindas e imensas. Quanto mais prata usam, mais riquesa a familia possui.

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O casal feliz

O xale do casamento pesa uns 4 kilos, de tantas missangas e canutilhos bordados. Bem se eu continuar falando dos beduinos e de Siwa, acho que te assunto para um jornal, pois eh fascinante. As fotos podem apenas mostrar algum detale, mais ver e sentir de perto, eh realmente outra coisa.

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Teresa vestida de beduína

****

Agora, para finalizar, queria falar também um pouco do trabalho da Teresa. Ela e o marido tem um site muito legal http://www.fabricadonoegipto.com com diversos produtos que podem ser enviados para o Brasil.

O Egito é muito famoso pelo algodão e as peças são maravilhosas. Vocês podem contatá-la para saber mais dos produtos também no e-mail fabricadonoegipto@hotmail.com .

E atenção: se você for leitora do blog, tem desconto especial de 20% em qualquer produto de aldogão!! Aproveitem!

Minha vida no Egito (3)


Agora, as respostas das últimas duas perguntas feitas na entrevista.

***

7 – Agora, de volta ao Brasil, sente falta do Egito? [Ou, o que mais sente falta de lá]

Sinto muito falta de lá, principalmente da família do meu marido e da religiosidade presente nas ruas e nas relações. Estamos felizes no Brasil e com a vida que estamos construindo aqui, minha família é muito querida e “adotou” o Mostafa como novo membro. Meus pais são nossa base aqui e sempre nos encontramos, já temos um laço forte de família no Brasil também.

Aqui, também temos acesso ao crédito e direitos, coisas meio raras no Egito. Nossa vida aqui é mais cômoda e podemos planejar melhor o futuro.  Mesmo assim, não há um dia que não sentimos falta de lá, do calor humano típico dos egípcios, das pessoas sorrindo nas ruas e da bagunça. Não podemos voltar para o Egito nem para uma visita, porque meu marido não cumpriu o serviço militar e, se voltar, não poderá sair do país em pelo menos 3 anos. Então o Egito ficou como uma memória linda na minha mente, mas para ele é muito difícil, pois é tudo que conhecia desde pequeno e o choque cultural aqui foi bem grande para ele no começo.

8 – Para finalizar, sinta-se a vontade para fazer qualquer comentário.

Acho que minha experiência no Egito foi maravilhosa e a prova de que os seres humanos precisam ser mais compreendidos, ao invés de julgados logo de cara. Tenho um casamento muito feliz e saudável, o que todos podem notar, mas quando fui para o Egito, só ouvia palavras de desaprovação ao islamismo e árabes, corroborados ainda mais pela atuação da mídia brasileira sobre esse povo, que não sabe mostrar e informar as pessoas daqui seus valores e a forma como vivem. Apenas condenar ou chamar de extremista ou terrorista é ser superficial demais, mas é o que a maioria dos brasileiros faz. Por fim, agradeço a oportunidade de falar sobre o Egito e minha experiência, pois é uma grande chance de eu mostrar um pouquinho do verdadeiro Islã e, talvez, quebrar alguns preconceitos.

***

Além disso, aproveito o post para agradecer a todos vocês que têm vindo aqui diariamente, comentado mais vezes e contribuído para o debate. Fico feliz em saber que, de alguma forma, estou passando algo interessante sobre o Egito e muçulmanos, e espero sempre corresponder às expectativas de vocês. Obrigada mesmo!

Alexandria resume a história recente do Egito


Para quem não conhece ainda, recomendo o texto do Gustavo Chacra de hoje no seu blog. Ele faz um resumo de Alexandria. Adoro saber como cada um enxerga aquela cidade, como cada pessoa vê detalhes diferentes e interessantes.  E você, já foi para Alexandria?

*****

por Gustavo Chacra

A história do Egito nos últimos cem anos pode ser observada na fachadas de Alexandria, a mágica metrópole mediterrânea que ocupa o posto de segunda maior do país, depois do Cairo. Nas primeiras décadas do século passado, apesar de teoricamente ainda parte do Império Otomano, o Egito estava sob domínio britânico. Depois da Grande Guerra, a ocupação foi formalizada. Os ingleses se preocupavam com o controle do canal de Suez e o Egito era uma região estratégica para ser deixada de lado. Alexandria, nesta época, era uma das metrópoles mais cosmopolitas do mundo. Com armênios, gregos, levantinos, franceses, ingleses, judeus, cristãos cooptas e muçulmanos egípcios mais liberais, a cidade ficou marcada na mente de uma geração de ocidentais com a série de livros “O Quarteto de Alexandria”. A vida envolvia idas a bares, restaurantes, romances, cafés e passeios por uma orla que lembra as de outras cidades mediterrâneas, de Marselha a Beirute, mas que faz parte de um passado esquecido como Izmir e Tessalônica.

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Orla de Alexandria

Quando Nasser e os militares derrubaram a monarquia e expulsaram os britânicos, a cara de Alexandria começou a mudar. A elite que dava as cores da cidade deixou o Egito. Parte deles por questões econômicas. Os estrangeiros e algumas minorias perderam privilégios de que desfrutavam desde os tempos das capitulações. Judeus deixaram o Egito a partir da chegada de Nasser ao poder porque se sentiram perseguidos. O novo regime via a comunidade judaica como suspeita de laços com Israel, apesar de eles viverem em paz há séculos no Egito. Sem esta população que era o rosto de Alexandria para o mundo, a cidade mudou de feição. Cresceu e hoje tem quase cinco milhões de habitantes que se espalham por mais 20 km de orla.

Prédios novos foram construídos, com arquitetura sem graça, enquanto os charmosos edifícios do centro antigo pararam no tempo, com suas paredes descascando pela falta de pintura. A religiosidade, como em todo o Egito, cresceu. Se nos anos 1960 e 1970 as mulheres de classe média não usavam o hijab, hoje quase todas as muçulmanas de Alexandria e do Cairo cobrem a cabeça. A cidade também é sede do patriarcado coopta. Cristãos e muçulmanos convivem bem, mas as relações se deterioraram nos últimos anos. Como no resto do Egito, a desigualdade social não para de crescer.

Sem o carisma cosmopolita que a marcou, Alexandria aparenta ser uma cidade decadente. Mas, como símbolo de uma nova Alexandria que busca renascer, a gigantesca biblioteca erguida em frente ao mar traz de volta o sonho de que a cidade possa um dia retornar aos tempos de Alexandre o Grande, Cleópatra, do Farol e, claro, de ser o centro do conhecimento mundial durante séculos. Estive em Alexandria em 2004, com a minha mãe, e nos hospedamos no tradicional hotel Cecil, o equivalente do Copacabana Palace local. Na época, me decepcionei muito com o que vi. Desta vez, cinco anos mais tarde, com um pouco mais de calma, descobri que a cidade ainda tem seu charme. Seria uma senhora que viu muita coisa errada acontecer.

Que teve seu esplendor, quando era linda e disputada, mas foi esquecida, se voltou para dento em depressão. Hoje, na velhice, tenta se abrir novamente para o mundo. A única certeza é que Alexandria, ou Iskandaria, para os árabes, é uma palavra que sempre aparece na cabeça das pessoas que se interessam por história.

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