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Porque essa foi a melhor copa da minha vida… Apesar da goleada :(


Sim, levamos uma goleada. Mas eu não estou ligando, afinal eu curti todos os momentos. Eu nunca fui do time do contra que achava que tínhamos que comparar estádio com hospital, que não seríamos competentes o suficiente para fazer bem feito um evento desse porte. É, eu também não faço parte do time da hipocrisia rasa que falou que enquanto alguns choram por Neymar, muitos sofrem no SUS, ou que a reeleição de Dilma dependia do resultado.

Eu fui do time que vestiu de verde e amarelo porque gosto de festa, de alegria, de descontração e um evento desse só acontece a cada quatro anos. E desta vez, mais especial do que nunca, a festa foi no meu quintal. Foi muito lindo ver os milhares de turistas vindo para cá e não só torcendo por seus times, mas se encantando de verdade pelo Brasil. Pelas nossas belezas também, mas principalmente pela nossa hospitalidade e cordialidade.

Eu sempre lembro do meu marido – que ainda está vestido neste momento com sua camisa nova da seleção – dizendo que o Brasil é o único lugar no mundo em que pegam o passaporte dele em árabe, todo esquisitão, e ao invés de o mandarem com cara feia para uma salinha de averiguação, lhe recebem com um sorriso.

E é essa a beleza dessa Copa, e por isso para mim a mais feliz. São incontáveis histórias que li e ouvi de pessoas que tiveram a oportunidade de ir aos jogos e viajar para outras cidades e acompanhar um pouco mais de perto.

Sim, houve corrupção, os ingressos eram caros e não sabemos exatamente o legado que ficou. Se há uma ressalva muito grande a tudo que podemos ver de positivo na Copa , foram as pessoas que morreram em obras, o que nunca pode ser esquecido.

Mas no meu foro íntimo, no meu pequeno mundo, eu aproveitei a alegria de vestir minha filha com as cores da bandeira, a tentar ensiná-la a gritar gol e Brasil. Adorei aproveitar os horários do almoço para ver algum pedacinho de jogo, de ver os carros com bandeiras e encontrar com croatas no restaurante por quilo.

E, no fim, eu enxergo o esporte como ele é. Esporte é definido numa partida, onde há sempre um ganhador ou perdedor. Esporte é lindo pois nos ensina disciplina, trabalho em equipe e determinação. Mas ele não é comparável à nossa vida de verdade, em que não somente contamos gols ou vitórias e quase sempre ficar no empate é melhor.

Eu sou uma eterna otimista e com essa Copa não poderia ser diferente. Fiz meu álbum que vou guardar com carinho, para mostrar para minha filha no futuro como foi a primeira Copa dela.

E goleada, humilhação, tristeza? Guardo isso para coisas da vida real, futebol é futebol, é entretenimento, gosto dele enquanto estou ganhando. Quando perco, desligo a televisão e vou procurar outra diversão.

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Seis meses


Não sei se vocês já notaram isso, mas esse blog deu uma mudada de seis meses para cá. Tenho postado muito pouco, as vezes que posto tenho medo de estar parecendo muito chata ou melodramática. Eu teria muito mais o que escrever, mas ando muito reflexiva e introspectiva, acredito que vocês se cansariam desse meu humor diferente dos últimos meses e acabo calando esta voz interior que tenho.

Mas tem horas que fica difícil segurar o que há dentro do coração, ainda mais tendo uma porta como este blog, em que teoricamente posso me expressar e compartilhar o que sinto sem barreiras. Então, a explicação para esses seis meses tão diferentes começa com esse post aqui, flores brancas. Foi no meio de outubro que minha vida se transformou após a morte do meu tio, no dia 12.

Eu sei que a dor e o luto são coisas muito individuais para cada um. Eu já tinha perdido pessoas da família, afinal isso é o que acontece com os mais velhos. Foi triste, claro, mas é algo que a gente compreende de certa forma.

Mas com meu tio foi diferente. Ele tinha apenas 40 anos, eu o via como um amigo, afinal crescemos juntos, acompanhei suas vitórias pessoais e profissionais, seu crescimento de vida, se tornar um homem adulto muito respeitado e amado. Ele não seguiu um caminho comum, teve que fazer supletivo para terminar a escola, mas em 10 anos já era formado em teologia, filosofia e pedagogia. Foi ordenado padre, mas não era uma pessoa séria. Era carinhoso, brincalhão, adorava sair com amigos e não se descuidava de quem realmente precisava: as pessoas carentes e que passavam por dificuldades em sua paróquia.

E não estou levantando aqui nenhuma questão religiosa. Antes de qualquer coisa, ele foi um daqueles ser humanos que fazem a diferença, sabe? Aquele tipo de pessoa difícil de encontrar, que não faz propaganda dos atos e por isso quando estão vivos, a gente não tem dimensão do que representam.

Eu só conhecia o lado amigo e família dele. O tio que gostava de churrasco, que ficava colocando músicas chatíssimas no celular para mostrar e a gente zoava, o tio que brincava, que parecia um urso de tão grande.

Aí ele morreu, assim do nada. Um ataque do coração. E fui na igreja que ele cuidava. Nunca tinha ido antes. Quando cheguei, encontrei um monte de gente chorando. Não eram 5, 10 pessoas. Começou com dezenas de pessoas estranhas, que eu nem conhecia, chegando ali com os mesmos olhos vermelhos que eu. Achei estranho, afinal eu nunca convivi com o lado padre dele. Aí o caixão chegou, formou-se uma fila. Estávamos perto, e começamos a ganhar abraços. Passaram-se os minutos, e a fila nunca terminou. Foram centenas, centenas de pessoas.

Eu lembrava dos velórios de artistas que passavam na televisão, com aquelas filas de pessoas, e me sentia naquele tipo de cena. A diferença é que não tinha ninguém de óculos escuros como fazem com os artistas. Estava todo mundo de cara lavada, amassada e feia, de olhos inchados sem vergonha de mostrar.

Aí dormi na igreja, com frio, mas não conseguia sair de lá. Como já disse antes, nada em minha vida foi tão arrebatador quanto este acontecimento. E é duro pensar que só com a morte a gente começa a aprender e ver um monte de coisa.

E assim foi, teria outros milhares de detalhes para acrescentar, mas esse não é um blog fúnebre e não quero ver vocês fugindo de mim. Só escrevo porque até hoje essa experiência toda ainda não se completou dentro de mim. Eu penso no meu tio quase todos os dias, e sempre que faço isso fica difícil segurar as lágrimas. E é difícil explicar o que sinto, porque não estou triste. Apenas ainda afundada num mundo de informações que eu não tinha antes sobre a vida.

Passei a valorizar muitas outras coisas, a me importar muito menos com outras. A dedicar meu tempo ao que realmente importa, nunca me senti tão próxima da minha família e com necessidade de tê-los sempre bem ao meu lado. Tudo isso que aconteceu, mudou a vida de todo mundo que foi afetado, inclusive de maneira prática. Estamos todos esquisitos, estranhos, e ao mesmo tempo extasiados com o amor que descobrimos existir.

E, nesses mesmos seis meses que aprendi a lidar com tudo isso, também mergulhei no mundo de me tornar mãe. Não acho que foi por acaso. Eu engravidei quando meu tio se foi, e isso foi a maior lição para mim.

E nesse período intenso, já sonhei duas vezes com meu tio. Nas duas, eu chegava antes dele morrer e já sabendo do fato. Na primeira, eu tinha uns dias de tempo, o levei ao médico e ele me dava um diagnóstico fatal. E eu optei por não contar a ele, e ele morreu da mesma forma. No segundo sonho, que tive essa semana, chego minutos antes do ocorrido. Estamos andando na rua, falo para ele andar devagar, não se esforçar, e fico olhando para os lados em busca de alguém para me ajudar, existe um fio de esperança de que eu possa mudar o seu destino. Mas ele cai do mesmo jeito, a única coisa que tenho tempo de falar é que vai ficar tudo bem e conto pra ele bem alto: “Tio, eu estou grávida, queria te contar isso!!!”. No sonho, só deu tempo dele fazer um sinal positivo com a mão, como se já soubesse, e dar um breve sorriso.

Não, nem nos sonhos eu posso mudar o que aconteceu. Nada do que a gente imagina ou pense, teria mudado aquele 12 de outubro.

Mas aprendi com este episódio a trilhar o caminho da felicidade plena, o que sinto hoje. Posso dizer que nunca estive tão bem, pois a alegria também tem em sua composição um ingrediente agridoce, a saudade.

O dia da mulher


Adoro estas datas chave para ficar refletindo sobre a vida e a história das pessoas. Hoje é dia das mulheres e alguns poderiam pensar que estou me sentindo “mais mulher do que nunca” apenas pelo fato de estar grávida. Não, para mim não é o fato da gente engravidar ou parir que faz a mulher mais ou menos importante, não é sendo mãe que me torno um ser superior ou melhor do que já sou. O que me faz crescer, melhorar e aprender é a forma como encaro a vida e as experiências que ganho com o tempo. E mais importante: como isso impacta a maneira com que me relaciono com minha família, meus amigos e as pessoas com quem encontro no dia a dia.

Eu acho que todo ser humano, aí independente do sexo, deve ter direito a sua liberdade de escolhas, de decisão. Todo mundo merece oportunidades justas e igualitárias. Mas as pessoas não precisam só de direitos, elas também precisam de atitude e motivação, de força de vontade, de garra e luta.

Por isso, não valorizo as mulheres somente pelas coisas já naturais da mulher. Valorizo sim aquelas que souberam fazer de suas vidas um movimento de crescimento e grandeza.

Mas isso não significa somente coisas magníficas do ponto de vista financeiro ou histórico. Não valorizo aquela grande executiva que tem de agir como macho para ganhar respeito, mas é dura com os outros até dentro de casa. Nem a que só fica em casa, atrás do marido e filhos, mas não sabe pegar um livro para ler e vive à mercê das ordens alheias. Eu valorizo as mulheres que, independente do que elas escolheram fazer de suas vidas, lutaram para fazer a diferença em suas famílias e comunidades. Ninguém vive só de trabalho, ninguém vive só de encostar a barriga no fogão.  Aí sempre me pergunto: o que eu, o que você, como mulher, estamos fazendo para que nossas vidas realmente valham a pena?

Não é algo para o qual eu tenha resposta, mas sim exemplos. Diversas mulheres tocaram e mudaram a vida de quem estava ao seu redor, seja por uma atitude mais enérgica ou um sorriso conciliador no rosto. Mulheres que mesmo num ciclo muito pequeno de pessoas irradiaram luz, conhecimento e perseverança. Outras que, em palanques e ONGs, nos fazem voltar a sonhar com um mundo mais justo para todos, mesmo que aos olhos do mundo elas não passem de grandes bobas utópicas.

Aí me volto para meu mundinho, pensando em várias mulheres da minha família. Começando pela minha bisavó Marina – não é por acaso que eu tenho este nome. A pessoa mais irreverente que conheci na minha vida. Ela ria da vida, das pessoas, aprontava de todas, cresceu rindo numa época na qual ela tinha muito mais que obedecer do que se impor. Qual foi sua resposta? As piadas, talvez até tenha sido uma das pioneiras no trote telefônico no Brasil. E até na velhice, sempre chamou a atenção pela língua ferina e sem pudores. Perfeita? Claro que não, mas as pessoas perfeitas são muito chatas. E falsas, afinal ninguém faz tudo certo na vida.

Aí depois passo a lembrar das minhas avós. As duas altivas e guerreiras à sua moda. A mãe do meu pai, na sua criação de base alemã do Sul do país, talvez muito rígida aos olhos dos outros, criou com pulso firme um filho que não era igual aos outros. Meu pai teve paralisia quando bebê, passou por diversas cirurgias, cadeira de rodas, muletas e tratamentos. Mas não, ela não deixava que ninguém nem ao menos carregasse a mochila dele para ir à escola. Ele tinha que aprender a ser como os outros, apesar da debilidade física. Se ela somente o acalentasse e o protegesse do mal, ele não se desenvolveria. E a gente sabe que a maioria das mães faz ao contrário: protege demais, não sabe dizer não, não sabe frustrar o filho, quando na verdade a vida é feita de muito mais revezes do que vitórias.

Imagino o coração de mãe dela, sendo dura com o filho que mais precisava de ajuda. Mas ela não teve medo: pensou no futuro dele. E cá estamos hoje, não preciso falar muito de quem é meu pai, mas só para resumir é uma pessoa que sempre foi independente, casou-se normalmente, constituiu família, fez duas vezes faculdade – engenharia e direito na USP, uma ao sair do ensino médio, outra já depois dos 40 anos.

Aí quando eu vejo algum deficiente na rua, pedindo esmola, eu não fico com dó pela condição dele, só penso: esse aí precisava ter tido uma dona Eulália na vida dele! Meu pai se tratou na AACD e estudou em escola pública a vida inteira, não teve mais vantagem do que ninguém para ser quem é, mas teve uma mãe que lhe ensinou que a vida não lhe daria nada de graça.

Já minha outra vó, mineirinha de encantadores olhos verdes, chamava a atenção desde pequena pela postura de artista. E não vou falar do passado dela, mas do que vivi e aprendo até hoje com ela. Uma mulher calada pelo câncer há mais de 10 anos. Foi na tireóide, mas na época o tratamento era radical. Tirava-se tudo, até mesmo as cordas vocais, e respira-se por traqueostomia, isso até hoje. Aí você pensa, o que faz uma pessoa que passa por isso? Minha vó não tem som, mas ela continua falando comigo sempre. Eu posso ligar na casa dela, e ela sozinha conversar comigo por sopros ou barulinhos. Minha vó provavelmente tem conta no Facebook muito antes do que você tinha a sua. Ela usa msn, skype, no alto de seus 77 anos. Quem tem uma vó que aprendeu a usar tudo isso ao mesmo tempo que a gente? Ela é esperta, decidida. Não sei se alguma vez alguém já lhe disse que é muito inteligente, pois digo agora: vó, você é fera e um exemplo de que nunca é tarde pra se adaptar, fazer uma mutação de quem somos e da nossa vida!

Aí cada um lendo tudo isso que estou contando pode parar e pensar dentro da sua família, no seu círculo de amigos, quantas mulheres fizeram e fazem a diferença. No quão prazeroso é estar perto destas pessoas diferenciadas, com suas qualidades e defeitos. Como é bom poder ver que elas não se renderam à facilidade de pertencer ao “sexo frágil” para serem amargas, submissas ou passivas.

Sobraram muitas outras mulheres para que eu conte suas histórias algum dia, mas hoje paro por aqui, apenas com a missão de que você se lembre daquelas que também mudaram a sua vida.

Mudança


Uma casa pode ser apenas um local onde se guarda móveis, papéis, utensílios. O que torna uma casa especial, porém, não são os seus móveis, a decoração, o piso novo ou os tacos velhos e desgastados. O que torna uma casa diferente, é quando ela muda de status e se torna um lar. E não há material de construção algum que erga um lar.

Um lar também não é feito só de sentimentos ou apego físico. Ele é feito de momentos, de experiências, de imagens que você vai registrando ali dentro ao longo do tempo. Um lar é para sempre um lar, único e aconchegante, mesmo quando não se está mais nele há anos.

E assim foi a semana passada, empacotando, tirando tudo do lugar, transportando, levando tudo que havia no meu lar para uma casa nova. Sim, a casa nova ainda não é meu novo lar, pois estamos apenas começando a nos relacionar.

Durante aquela semana, eu tinha tanta coisa para resolver que não deu tempo de ficar filosofando sobre o que estávamos fazendo, fui passando como um trator, jogando tudo – literalmente – em sacolas, caixas, bolsas, onde desse. Às vezes uma pontinha de nostalgia passava por minha cabeça, mas eu a destruía por medo de ficar sensível demais. Mas o Musta falou uma, duas vezes, durante aquele processo, um desabafo simples de homem: “Ah, mas eu vou sentir saudades daqui.” Eu também, eu também, mas não vamos falar sobre isso, pois eu sou mulher e se ficar pensando nisso eu piro, pensava sozinha enquanto respondia apenas com um sorrisinho.

E assim nos transportamos, os gatos também foram e odiaram, claro, o começo de tudo aquilo. O Tito fez até xixi no caminho, de tanto medo que ficou de sair – ele nunca saía e, mesmo quando viajávamos, alguém ia em casa dar comida, pois ele sempre se revoltou ao ser tirado de lá.

Chegamos, eu atordoada com a bagunça, fiz milhares de agachamentos – já que não posso carregar peso nenhum – e fui arrumando o que dava. Minha mãe foi um anjo, ficou no primeiro dia até dez da noite me ajudando, minha irmã e cunhado também apoiaram, mas a bagunça é infinita. Dormimos exaustos, mas muito bem.

Passada a frenesi do primeiro dia, voltamos ao antigo e pequeno apartamento para pegar as coisas que faltavam. Ao entrarmos nós dois ali sozinhos, a casa vazia parecia muito maior. Ao falar, minha voz fazia eco. Não havia sobrado nem mesmo o som antigo do nosso lar! Tentei não pensar, corri para jogar mais objetos em sacolas, caixas.

Quase no fim, Musta me chama de novo, e diz pela última vez:

– Mas eu vou sentir muita saudade daqui, você não vai? Foi aqui eu começamos nossa vida, aqui que vivemos muita coisa.

– Não sei se chamaria de saudade, pois eu gosto de aproveitar o momento presente. Aqui foi muito bom, mas a nova casa com certeza será melhor.

Mas a gargante fechou nesse momento, corri para ele pedindo um abraço bem forte. E chorei como em todas as despedidas tristes.

O ano de 2012


Sei que estou postando muito pouco. Não gosto disso, mas tem épocas que é normal a gente precisar de uma certa reclusão, entender um pouco melhor a vida, refletir, ou simplesmente deixar o tempo passar. Mas eu na verdade não consigo nem mesmo me decidir onde é que estou, onde parei e o que me espera.

Meus sentimentos andam tão confusos, mas estou bem e feliz. É estranho e contraditório, mas eu sempre fui desse jeito. Algumas pessoas me escrevem e dizem que gostam quando eu conto minhas histórias, perdas e conquistas, pois apesar de ser algo pessoal meu, sempre há algo que outras pessoas podem estar vivendo parecido.

O ano de 2012 foi muito bom para mim. Ao contrário de outros anos em que deixei a vida me levar, sem muito pensar no futuro e na direção que seguia, este ano eu pude ver claramente alguns desejos muito fortes e íntimos meus se realizando. Alguns deles são bobos, fúteis, outros tão pessoais que eu jamais teria coragem de contar para alguém.

Como eu já disse outras vezes, sou uma pessoa de sonhos simples, por isso posso ter a alegria de, uma vez ou outra, realizar alguns e isso faz bem para a alma. Se não é seu caso, tente colocar metas menos ambiciosas pra sua vida, você vai ver que quando conseguir atingir uma delas, mesmo que seja pequena, você terá muito mais ânimo para correr atrás das grandes vitórias.

Já outras realizações, para uma pessoa cheia de falhas como eu, são grandiosas aos meus olhos, porém para outros pode parecer o básico. Eu não sou uma pessoa organizada, racional, planejada. E quando, mesmo que meio sem querer, conquisto uma certa constância na minha vida, me sinto uma grande vencedora.

Este ano, por exemplo, consegui controlar minhas contas e não tenho dívidas que precisarão ser pagas com o 13º. Sabe quando isso aconteceu na minha vida? Nunca… é a minha primeira vez, e acho isso uma grande realização para colocar na minha lista de 2012.

Este ano, eu ganhei também coisas pouco mensuráveis e que levam um certo tempo para a gente perceber. Eu ganhei amigas. Isso é outro fato raro na minha vida. É muito difícil  eu ter amigos novos ou até mesmo, no meu íntimo, dizer que “tal pessoa” é minha amiga. Para mim, a grande maioria das pessoas são conhecidas, mas amizade mesmo é algo que se conquista com o tempo e convivência, na tristeza e na alegria, como diria um padre no casamento. E amizade para mim, como o amor, é algo insolúvel. Você pode até, com o passar dos anos, não estar mais com aquela pessoa ou falar com ela. Mas se o que viveram e trocaram fez a diferença, o amor por um amigo estará para sempre selado no coração.

Entre os sonhos fúteis, eu voei longe. Desde 1998 eu sonhava em voltar aos Estados Unidos. Minha vida andava tão bagunçada nos últimos anos que eu pensava que isso era algo muito longínquo e impossível para mim até pouco tempo atrás. As pessoas falavam de ir fazer compras em Miami como se fosse ir ali na esquina, ver a Disney ou NY como se fosse muito simples. E eu, porém, sempre tinha tanta coisa mais urgente para fazer que uma viagem dessas para mim parecia de outro mundo.

Mas a vida é feita de oportunidades e olho vivo. As portas podem estar abertas para você, mas é preciso atenção para encontrá-las. E assim, eu pisei em solo americano de novo em 2012. Foram só três dias, porém  incríveis. E de quebra, no México pela terceira vez, conheci outros lugares diferentes, outras pessoas e comidas. Eu comi até ovos de formiga e tacos de grilo. Poderia até ter recusado o prato típico de Queretaro, mas depois não teria a história para contar. E eu sou uma grande contadora de histórias, como vocês sabem, e faço as piores burradas por causa disso. Como por exemplo comer grilos e ovos de formiga. Não tentem isso em casa, para seu próprio bem.

E aí o ano foi caminhando, e chegou o atribulado mês de outubro. Eu vivi tanta coisa neste único mês, que o meu aniversário acabou sendo o fato menos importante.

No começo de outubro, realizei um dos meus principais sonhos – mas este não posso contar, podem ficar curiosos – mas tem a ver com meu marido.

Assim, neste momento só me resta um sonho guardado no meu peito, para o infinito. Que é abraçar meu tio de novo. Ele nos deixou no dia 12 de outubro, aos quarenta anos. Nunca vou superar sua perda e nada do que já me aconteceu, até então, teve tanto impacto na minha vida. E como já disse antes, estou feliz, pois isto é o maior bem que posso fazer por ele agora: ter uma vida feliz, em sua homenagem.

E falando em marido, nada melhor do que sonhos compartilhados, e nós somos uma dupla muito boa nesse quesito. Assim como eu, ele também não gosta de ter tudo esquematizado. Por isso, decidimos sem muito pensar, que havia chegado a hora de sermos pais.

E assim, chego no final de 2012, com muitas realizações e grávida de três meses.  Meu bebê deve nascer antes dos meus 30, e aí tudo na minha vida vai mudar radicalmente, mais uma vez. Mas eu gosto de aventuras, né?

Que 2013 seja para você recheados de sonhos, grandes e pequenos, mas acima de tudo, muito amor perto das pessoas que você ama!

O que não falar para um estrangeiro


É, já se passaram anos, Musta nem tem mais sotaque. Mas quando alguém descobre que ele é “gringo” ou quando alguém descobre que sou casada com um egípcio, algumas pérolas persistem em continuar. E detalhe, eu não entendo como as pessoas não tem noção de que mesmo em tom de curiosidade, algumas das perguntas são tão grosseiras e ásperas! Fico imaginando se fosse ao contrário, a gente fazendo as perguntas no mesmo tom do que perguntam eheheh

A gente leva de boa esse tipo de pergunta, no tom de brincadeira, mas de vez em quando me cansa um pouco o tom pouco cordial dos brasileiros ao perguntar coisas sem a mínima noção de nada.

No domingo, fomos a uma loja pois o marido precisava de uma calça social com urgência. Aí ele entrou no provador – até então o vendedor não tinha se tocado que ele não era daqui – e perguntou para mim:

– Qual é o nome dele? – respondi e ele me olhou com aquela cara de espanto.

– Ele é do Egito, é e esse o nome mesmo… – já explicando, como sempre faço.

-Ah tá… nossa, mas morar aqui no Brasil é bem melhor, né? – pergunta sem noção 1. Detalhe, as pessoas perguntam afirmando, isso que me mata. Meu filho, se é melhor ou pior, primeiro nem eu que já morei nos dois lugares sei responder isso com clareza, imagina você que nem faz ideia do que é o Egito.

– Depende muito, eu já morei lá e tem pontos bons e ruins como em qualquer lugar. – minha resposta padrão. Mas ele não sossega.

-Ai meu Deus, mas lá é terrível para as mulheres, né? – pergunta sem noção 2. Vontade de falar: é meu filho, tá vendo aqui minha cara cheia de cicatriz, minhas roupas rasgadas e meu pé manco, tudo isso de tanto que apanhei lá no Egito. Respiro fundo:

– Não é não, esquece o que você vê na televisão. Tem horas que eu acho que elas são muito mais bem tratadas lá do que aqui. – resposta padrão 2.

***

Aí estamos numa reunião, com conhecidos. Alguém sempre chega:

– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! (gritinho histérico) Você é o Mustaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Ouvi tanto falar de você, que máximo, você é do Egito, né? – detalhe, brasileiros sempre perguntam afirmando, o que para um estrangeiro, soa meio agressivo conforme a bomba que a pessoa pergunta.

– Sim, sou eu. – responde o habiby.

– Nossa, mas que bom que você mora no Brasil, né? Aqui é muito melhor, né? – meu, de novo não, hoje não!!! Detalhe, tem gente que nem deixa você responder e continua:

– Por que aqui a gente é amigo, a gente se diverte, o Brasil todo estrangeiro amaaaaaaa, né? E aqui nossa comida, ai meu Deus, nossa comida é muito boa, né? Ahhh, e no Brasil também é mais limpo, né? (ahã, o que vejo nas calçadas todo dia são fruto da minha imaginação) A gente toma banho todo dia, nossa, na Europa eles não tomam banho. (ãhn, qual a relação? E, vai pegar um metrô na hora de pico para ver o perfume). E aqui tem a natureza, as praias, nossa, que bom que você veio para cá, né? (e continua por mais uns minutos).

– É sim, muito legal o Brasil. – resposta padrão 3.

Vamos discutir? Não somos nem loucos, né? 😀

 

Sou criança sim, e daí?


Tenho dentro de mim algumas características marcantes que posso me descrever. Sou decidida, corajosa, adoro conversar, às vezes sou franca demais e falo o que não devo, tenho um tom de voz meio altivo demais quando quero muito alguma coisa, mas geralmente gosto de ser simpática e agradável com qualquer pessoa que seja. Porém, uma das coisas mais marcantes na minha personalidade, poucas pessoas conhecem. Na verdade acho que só meus pais, meus irmãos, meu cunhado e meu marido: eu sou uma verdadeira criança.

Talvez alguém que tenha certa proximidade comigo já notou alguma vez uma atitude meio bizarra da minha parte em relação a esse meu traço infantil. O fato de eu comentar que comprei um pequeno pônei da coleção nova, ou quando eu faço uma descrição empolgada de alguma coisa, fico dando  sons para as coisas.

Por exemplo, para mim o avião não simplesmente passa, eu tenho que dizer:  “E aí, o avião ‘vummmmmmmmm’ passou”  ou “e a tampa ‘pleeeeeeeeeeeeeenc’ caiu no chão aquele dia”. Meu cunhado sempre ri de mim quando destampo a usar sons descritivos, ele diz que parece que eu estou num filme e preciso colocar a trilha sonora o tempo todo em tudo que descrevo.

Mas além disso, eu sou uma pessoa que gosta de admirar detalhes, principalmente se eles forem coisas coloridas ou brilhantes. Pareço criança, boquiaberta, quando vejo algo luminoso na rua. Todo dia, quando eu volto para casa, eu passo em frente à torre da Band. Todo dia, sem falta, eu PRECISO falar da torre  com meu marido: “Você viuuuuuuuuuuuu, hoje ela está rosa!!! Se der a hora cheia vamos ver as luzes piscando.” E ele responde sem vontade:  ” já faz um ano que ela está aí…”

E acabo passando essa “infantilidade” para meu jeito de encarar a vida. Então, toda festa que eu tenho, é um grande, acontecimento, eu posso me animar, imaginar como vai ser, me preparar, pois curtir algo não é só estar ali naquele momento, mas também criar expectativa, a ansiedade quando é para algo bom, também nos dá ânimo. E se viajo, a mesma coisa… posso estar indo pela terceira vez para o mesmo lugar, mas sempre acho que dá para conhecer coisas novas, experimentar mais, ver mais, se divertir com detalhes bobos, ver qual é o menu ou os filmes que passam naquele vôo pelo site da cia aérea, fazer a mala imaginando aonde estarei com cada peça de roupa que guardo, olhar em blogs e sites dicas e mais dicas do que fazer. É uma animação boa, que me faz olhar por muitos dias as coisas com positividade, então que mal tem, em ser um pouco criança?

Muita gente passa o dia reclamando do que tem, quando às vezes tem muito mais do que eu. Hoje mesmo uma amiga postou no Facebook: “Ei você, que só fica se lamentando em redes sociais: Você já parou para agradecer a Deus por ‘sofrer” de amor, e não de fome?”. E é assim que levo a vida, prefiro ser otimista, positiva com o que tenho, mesmo que isso possa ser ingênuo ou infantil. Sei que o mundo tem muita coisa ruim, triste, que minha vida está longe de ser perfeita, que há muito a ser conquistado e vencido, as batalhas diárias são muitas, mas… por que não viver a vida com os olhos de uma criança? Onde ainda há sempre esperança no futuro, sorrir por sorrir, achar coisas fofas e se alegrar por isso, abraçar meus bichinhos de estimação, tirar mil fotos de tudo colorido que encontro pela rua. Por que não?

Preciso continuar sendo uma criança, mantendo meu coração aquecido por achar que as coisas ruins sempre vão passar, que ainda falta muito tempo para ser adulto e me preocupar…

***

Algumas das minhas infantilidades registradas pelo celular:

Algodão doce no Eid (era para as crianças, ou seja, eu!)

A torre colorida

Melhor vitrine que já vi!

Achando brinquedos antigos na casa da vovó (pena que agora, adulta, eu sempre destruo as coisas que ficaram 20 anos guardadas ahaha)

Filhos


Após cinco anos de casada, é normal que as perguntas sobre a futura prole comecem a aumentar cada vez mais. No Egito, o povo já deve até pensar que algum de nós tem problemas, porque para eles é quase inconcebível um casal ficar junto e não pensar automaticamente em aumentar a família, pois filhos são considerados o maior laço que os noivos podem ter. É algo sagrado, quase que essencial para completar a união. Só que apesar dessa vontade – e necessidade – tão grande que elas têm de engravidar, são poucas que analisam essa decisão de forma um pouco mais racional. É bem raro elas lerem algum blog sobre gravidez ou mergulhar em livros sobre os detalhes dos meses da gestação, ficaram feito doidas nas compras para o enchoval ou verem Discovery Home & Health freneticamente atrás de detalhes – até demais – do momento do parto.

Pela experiência que tive com grávidas egípcias, apesar do entusiasmo de engravidar logo de cara, quando isso acontece é visto como algo quase banal, cotidiano, que não exige delas todo essa corrida por informações desesperadas. Tudo que elas precisam é saber se a mãe vai ficar com elas nas primeiras semanas, para justamente ensinar como trocar a fralda ou dar banho. Elas não precisam ler porque sabem que vão ter um monte de parente em cima pra falar tudo depois.

Mas quando a gente fala de gravidez aqui no Brasil, ainda mais depois de tanto tempo casada, a coisa toma outra forma. Eu sempre pensei assim, nossa, eu não tenho tempo para ter filhos. Como vou me virar diante da minha rotina? E depois, quando eu voltar pro trabalho, quem vai ficar com a criança? E, mesmo assim, mergulho em tudo quanto é site sobre o tema, sei de detalhes mínimos, o que são até contrações de Braxton-Hicks, que devo me preparar com muito ácido fólico e quais os itens essenciais de uma mala de maternidade. Isso que ainda continuo nem pensando em ter filhos…

Não sei se é algo que me interessa muito pelo fato instintivo, mas sempre fico racionalizando esta decisão: por que será que devo ter filhos? Se for para ter alguém para cuidar de mim quando estiver velha, é muito egoísmo. Se for para dar continuidade à minha existência, acho bobo. Se for para brincar comigo, tenho meus gatos que já fazem isso. Se for para me eu ter algo pra cuidar, já tenho meu marido que dá trabalho demais (brincadeirinha Musta ehehe). O que é que nos leva a tomar essa decisão? Às vezes penso que quero, ou não quero, mas não sei definir o por que de nada disso.

Sempre que penso com a razão, vejo que na minha casa não há espaço para um bebê, que minhas contas vão apertar e meu tempo livre vai pro espaço. Quando penso com o coração, sinto uma quentura por dentro, uma vontade de apertar algo que nem sei o que é.  Um amor pelo que nem existe. Ainda…

Maravilhas


Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”,  acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.

Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn??  Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.

E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.

Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.

As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/

 

 

 

Radicalismo não faz bem


Vou começar o post com uma historinha engraçada que vivi hoje. Estava num evento sobre um tema polêmico do nosso país hoje em dia, a reforma do Código Florestal Brasileiro, com políticos responsáveis pela aprovação do projeto no congresso e no senado. Pois bem, havia uma programação de palestras e espaço par debates ao fim.

Estava eu sentadinha ali na terceira fileira, bem no meio, para ter visão de tudo. E duas moças sentaram-se uma de cada lado meu. Elas destoavam um pouco do perfil do público em geral, estavam de jeans meio rasgado, sapatilhas e meias coloridas, bolsas que pareciam ser feitas de material reciclado. Pensei: é a turma do “meio ambiente”. Sem problemas.

Palestra 1, polêmica, forte, ok. Percebi que as duas não aplaudiram ao final. Palestra 2, palestrante mais moderado, conciliador. Também não aplaudiram. Palestra 3, bomba atômica, era a vez da senadora Kátia Abreu fazer sua exposição, e em menos de dez minutos ela falou algo do tipo: “sou contra a criação de reservas legais, porque….” Não deu tempo dela explicar seu ponto de vista.

A menina à minha direita levantou, e aos berros começou a gritar: “Como vocês conseguem dormir de noite, sabendo que vão acabar com as florestas, como vocês aprovam o uso de agrotóxicos…” bla bla bla, começou uma gritaria de todos os lados, ela simplesmente não parou de gritar, como se gritar no meio de uma palestra fosse mudar a visão de quem estava ali. O presidente da mesa pediu para ela se sentar, pois ainda não estavam aberto os debates, mas ela não quis saber, e gritava muito, ao ponto de eu franzir a testa e abaixar a cara de “vergonha alheia” (sabem essa sensação?). Pois bem, ela simplesmente quis invadir a apresentação, que eu sinceramente queria ouvir, pois me interessa saber o que o senado está pensando, não esta ambientalista (mesmo com seus motivos), e o protesto dela ali não fazia muito sentido. Ficou pior ainda quando seguranças foram chamados para retirá-la do ambiente.  Foi desagradável. E eu ali bem no front…

Pois bem, não passou nem cinco minutos da retomada da palestra, um homem atrás de mim fez a mesmíssima coisa. Começou a protestar, gritando, falando um monte de coisa sem sentido naquele momento. Seguranças de novo, baderna – esse gritou até mesmo de fora da sala.

Pois bem, terminada a palestra – finalmente! – foi aberto o debate. E mais ambientalistas apareceram, com seus argumentos e questionamentos. Ninguém foi retirado da sala, e eles puderam expor seu ponto de vista e serem ouvidos. Quem saiu ganhando? Os que gritaram, ou os que questionaram depois com respeito e no momento adequado?

Bom, eu sou uma pessoa moderada, já fui radical em algumas coisas, mas aprendi muito com a vida que não adianta você achar que está 100% certa e que os outros tem de concordar comigo nem que eu precise gritar. Eu sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja na religião, no patriotismo, na política, no futebol ou em qualquer coisa. Quando você está cego por alguma razão, acaba por deixa de escutar o outro lado, e aceitar que alguém pode ser diferente de você.

E não, isso não significa que eu não tenha minha opinião ou não possa debatê-la, tem horas que o sangue ferve e você quer falar o que pensa de qualquer maneira, mas não significa que se o outro quiser falar comigo e se explicar melhor, eu vou deixar de ouvir.

Para mim, porém, o radicalismo se mostra de várias formas. Pode não ser no meio de um evento como vi hoje, mas numa manifestação contínua sobre algo que se conhece pouco, sem ouvir o outro lado, sempre munido de muito ódio e revolta. Sinceramente, eu fiquei com medo daquelas ambientalistas do meu lado, me senti vulnerável ao ódio delas, não que eu em parte não pudesse concordar com seus argumentos, mas sua violência com as palavras me agrediram. E não precisa ser ao vivo para se sentir isso. Como já disse no meu último post, tenho visto muitas coisas agressivas pela internet contra egípcios, muçulmanos, que exalam esse mesmo tipo de sentimento. Me sinto triste, impotente, parece que contra esse ódio visceral, não há argumentos que bastem, e me sinto meio perdida nesse mundo… será que há espaço para moderação, aceitação da opinião dos outros, da religião do outro, sem ataques ou acessos de raiva? Não estou dizendo que sou perfeita, já tive meus radicalismos, alguns muito bem expostos neste blog, mas refleti e tento melhorar um pouco, hoje aprendi que sou cheia de defeitos demais para tentar impor o que penso para os outros e me machuco quando vejo outros fazendo isso.

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Musta sempre fala que eu tenho que aprender a usar o botão “delete” na minha vida, tirando tudo que me faz mal da minha cabeça, sem perder tempo com quem só traz coisa ruim para minha vida. Mas quem disse que consigo? Se eu fosse tão desprendida assim, esse blog não existiria.

 

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